domingo, 16 de junho de 2019

EM 140 ANOS OS TRENS QUE SERVEM JUNDIAÍ SÓ PIORARAM...


Em 16 de janeiro de 1879, a então Estrada de Ferro de S. Paulo, depois São Paulo Railway, Santos a Jundiaí e hoje CPTM publicava um novo quadro de horários. 

Os trens que paravam em todas as estações ligavam Jundiaí a S. Paulo em uma hora e quarenta minutos; os expressos, em uma hora e vinte minutos. 

Impressiona verificar que hoje, 140 anos depois, a viagem dura aproximadamente o mesmo tempo, frequentemente mais, pois é necessária uma baldeação em Francisco Morato; além disso, não é mais possível ir a Santos. 

A CPTM não informa o horário dos trens, apenas o intervalo entre eles. Triste...

terça-feira, 11 de junho de 2019

O JOGO DO BICHO, A QUALIDADE DO SERVIÇO TELEFÔNICO E O NOVO VIADUTO ERAM ASSUNTO EM 1950

Em 9 de março de 1950, O Estado de S. Paulo relatava que  vereadores discutiam com a Cia. Telefônica Brasileira, operadora dos serviços de telefonia em nossa cidade, acerca da qualidade dos serviços que esta prestava - uma ligação para S. Paulo chegava a demorar três horas!

O sistema era arcaico, e o pequeno número de usuários não justificava investimentos em sua melhoria - um dos vereadores inclusive levantou a possibilidade de abertura de uma concorrência para que o provedor dos serviços fosse substituído; isso acabou acontecendo mais tarde, quando foi criada a Cia. Telefônica Jundiaiense. 

Porém, o mais interessante era a discussão aberta de uma das causas da má qualidade dos serviços: os envolvidos com o jogo do bicho usavam intensamente o telefone para transmitir as apostas e outras informações sobre o jogo! E a polícia? Parece que seria muito fácil coibir a jogatina, de vez que eram conhecidos os números dos telefones dos envolvidos. Mas...


Para encerrar, uma boa notícia dada na mesma edição do jornal: iniciava-se a construção do viaduto da Ponte de S. João, cuja entrega era prometida para cerca de quatro meses depois. Interessante verificar que a população havia emprestado dinheiro à Prefeitura para a construção. Será que esse empréstimo foi quitado?


quarta-feira, 5 de junho de 2019

ROMEU PELLICCIARI - UM GRANDE NOME DE NOSSO FUTEBOL

Um grande astro do futebol brasileiro,  Romeu Pellicciari nasceu em nossa cidade, no bairro de Vila Arens, em 26/3/1911 e faleceu em S. Paulo em 15.7.1971.

Foi um dos maiores jogadores de nosso futebol: em 1938, os leitores do jornal "O Imparcial", do Rio de Janeiro, elegeram os melhores jogadores de cada posição; Romeu foi o segundo colocado entre os meias direitas, perdendo para Leonidas da Silva, que alguns até hoje julgam o melhor jogador brasileiro de todos os tempos. Naquela época Romeu jogava pelo Fluminense.

Em nossa cidade jogou pelo tradicional S. João FC., de onde transferiu-se para o Palestra Itália, hoje Palmeiras, em 1930.

Pelo Palmeiras ganhou diversos campeonatos, entre eles 3 paulistas e o Torneio Rio-S. Paulo; fez 165 jogos por esse clube, tendo marcado 106 gols. 

Jogou pela Seleção Paulista, tendo sido bicampeão brasileiro em 1933 e 1934. 

Em 1935, transferiu-se para o Fluminense, onde também ganhou diversos campeonatos, tendo jogado 202 partidas e marcado 90 gols. 

Apesar de baixo e um tanto quanto gordo, jogava sempre com objetividade,  com imenso repertório de dribles inesperados e lançamentos precisos e acabou chegando à Seleção Brasileira, pela qual jogou a Copa do Mundo de 1938, na qual conquistou o 3º lugar; pelo Brasil,  foram 13 jogos e 3 gols. Pela sua atuação na Copa recebeu diversos convites para jogar no exterior, mas preferiu permanecer no Fluminense.

Talvez por ser calvo, jogava sempre usando um gorro. A foto abaixo mostra-o na Seleção: é o oitavo da esquerda para a direita. Aparecem também outros grandes nomes de nosso futebol, como Domingos da Guia (2º) e Leonidas da Silva (9º), à época jogadores do Flamengo. 



Em 1942 voltou para o Palmeiras, tendo sido novamente campeão paulista daquele ano; antes de encerrar a carreira, teve uma breve passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto. 




terça-feira, 28 de maio de 2019

UM JOGÃO EM 1965: VILA RAMI x AEG

O recorte de uma edição de 1965 do extinto Diário de Jundiaí nos traz uma série de lembranças acerca  de nossa cidade. 

Além do próprio jornal, já não estão entre nós os times - o Vila Rami ainda tem uma sede social, onde amigos se reúnem; a empresa AEG, que dava nome ao outro time deixou nossa cidade, o campo da rua Cica hoje é o Centro Esportivo Dal Santo e o redator da matéria, o jornalista Antonio Newton Massagardi já nos deixou - Newton, que também atuava na Rádio Santos Dumont, aparece na foto ao lado entrevistando Pelé. Na foto, dos anos 1960, também aparece Rolando Giarola, que ainda está entre nós.

Fotos e recortes antigos nos mostram como o tempo passa depressa, mas com frequência, como nesse caso, nos trazem lembranças agradáveis.    Ressurgem também palavras que hoje são pouco usadas, como "prélio" e "porfia"...

O recorte é do acervo de Márcio Roberto Borin, que tem muito material acerca do Vila Rami FC.; a foto é do acervo do Prof. Mauricio Ferreira. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

QUASE PERDEMOS O SOLAR DO BARÃO



Em 4 de maio de 1969, o jornal O Estado de S. Paulo trazia matéria acerca da desejada (por  alguns) demolição do Solar do Barão, edifício que hoje é motivo de orgulho para nossa cidade.

A matéria relatava que o então prefeito, Walmor Barbosa Martins era favorável à demolição, assim como os vereadores Reinaldo Basile e Jayro Maltoni, que pretendiam, após a remoção do prédio, que fosse aberta uma rua ligando as ruas Barão de Jundiaí e Rangel Pestana. Enquanto vereador, Walmor, propusera um projeto que autorizava a  demolição, mas que foi vetado pelo então prefeito Pedro Fávaro (é mais uma dívida que nossa cidade tem com Fávaro).

Mas não eram só os políticos: o Estado dizia que uma pesquisa feita pelo Jornal de Jundiaí entre a população, mostrava 2.431 favoráveis à demolição contra 172 contrários. 

A matéria do Estado dizia que como o Patrimônio Histórico, órgão estadual, propusera a manutenção do prédio, a palavra final seria do governador Abreu Sodré, que felizmente não permitiu a demolição.



sábado, 18 de maio de 2019

ANOS 1920: TECNOLOGIA FERROVIÁRIA DE PONTA EM JUNDIAI


A foto acima, extraída do livro "Brazilian articulated steam locomotives", de Eduardo José de Jesus Coelho mostra uma locomotiva Garratt 164 da São Paulo Railway (SPR, depois Santos a Jundiaí), chegando à nossa cidade tracionando um trem de passageiros da Companhia Paulista com destino ao interior.  


As Garratt eram a última palavra em tecnologia: atingiam a velocidade de 110 km/h e eram construídas segundo um conceito não muito convencional: eram articuladas, com três partes, como mostra o esquema ao lado, com a caldeira montada no centro e dois "motores" a vapor montados em estruturas independentes, um em cada lado da caldeira. Isso lhes permitia melhor desempenho em curvas e em linhas de bitola estreita - até os anos 1950 ainda conduziam trens até Santos. Eram fabricadas pela empresa inglesa Beyer-Peacock.  

Na foto, provavelmente de 1929, a Garrat está sendo desengatada, para voltar a São Paulo - a partir de nossa cidade, rumo ao interior, os trens eram tracionados por locomotivas elétricas da Companhia Paulista, similares à que aparece no final deste post e que eram fabricadas pela General Electric. 

Os carros de passageiros, de aço e padrão "heavyweight" foram colocados em serviço na Paulista em 1928, e eram o que havia de mais moderno e luxuoso em nosso país. 

Bons tempos...



quarta-feira, 15 de maio de 2019

1964: NACIONAL CAMPEÃO, PRIMAVERA VICE


Em 25 de outubro de 1964 o Nacional Atlético Clube ganhava o campeonato de futebol de nossa cidade, derrotando a Associação Primavera de Esportes, que fora a campeão do ano anterior.



Na sessão da Câmara Municipal de 27 de outubro, o vereador Rogério Giuntini propunha um voto de louvor à equipe campeã, relatando o fato conforme o documento abaixo. 



quarta-feira, 8 de maio de 2019

COMO OS JUNDIAHYENSES GOSTAVAM DE DISCURSOS!

O Estado de S. Paulo de 20 de junho de 1940 noticiava que em 14 daquele mês  amigos e admiradores do Dr. Raymundo de Menezes ofereceram-lhe um jantar comemorando sua promoção ao cargo de delegado regional de "Pennapolis".

O jantar aconteceu no Bar Spiandorim (onde ficaria?); o que chama a atenção, foram os discursos: nada menos de dez! E mais um, o do homenageado, agradecendo!

Raymundo de Menezes, (1903 - 1984) além de delegado de polícia foi jornalista e escritor. Presidiu por vários anos a União Brasileira de Escritores e recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras, do Ministério da Educação e Cultura, da Câmara Brasileira do Livro e do Pen Clube de São Paulo por suas obras. 

Foi diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal de São Paulo e membro da Academia Paulista de Letras.

Dá nome a uma biblioteca púbica em São Paulo.  

quinta-feira, 2 de maio de 2019

ARNALDO CARRARO: UM GRANDE PROFESSOR


Nascido em 18/04/1935 em nossa cidade, Arnaldo Carraro era casado com Jeanne Labayle Couhat Carraro.

Foi professor em diversas escolas de nossa cidade, dentre elas o Colégio Divino Salvador e as Escolas Padre Anchieta - ministrava aulas de História e Sociologia; aulas excelentes, produto de sua imensa cultura e bom humor constante.

Ainda estudante, em 1952, juntamente com Tarcísio Germano de Lemos, Roberto Mangieri, Nize Constantino, Avelina de Brito e Maria Célia Berro, fundou e foi vice-presidente do Teatro do Estudante. Na mesma década, participou das atividades do Grupo Guarany de Comédias, atuando em várias peças, que foram encenadas no salão das Indústrias Andrade Latorre.

Foi também professor universitário, advogado, vereador de 1969 a 1976 e secretário municipal de Negócios Internos e Jurídicos na administração do prefeito Íbis Cruz - faleceu prematuramente em 5 de julho de 2000.
í. P

domingo, 28 de abril de 2019

EM 1875, AS ELEGANTES DE NOSSA CIDADE USAVAM A FLORESCENCIA DE RITCHIE

A Gazeta de Campinas, em sua edição de 12/09/1875, trazia um anúncio da Florescencia de Ritchie, que em Jundiaí era vendida na Casa do Castro, no Largo da Matriz. Segundo o anúncio, o produto era uma verdadeira maravilha: perfumado, servia para "fazer renascer, crescer, amaciar, restaurar, aformosear e conservar" o cabelo, tornando-o "luzidio e belo".

Pelo que se pode deduzir do anúncio, era um produto bastante conhecido, que estava à venda nas "principaes, pharmacias, armarinhos, casas de drogas e perfumarias do império". 

Resta uma dúvida: quem era o Castro, o que mais vendia e onde exatamente ficava seu estabelecimento? 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

UM ATENTADO CONTRA A PAULISTA

Em sua edição de 4 de julho de 1875, o jornal Gazeta de Campinas publicou anúncio da então Estrada de Ferro Jundiahy a Campinas,  oferecendo uma recompensa de cem mil réis a quem denunciasse os autores de um ato de vandalismo praticado contra a Estrada.  

Segundo o anúncio, haviam sido arrancados dois postes que sustentavam as linhas do telégrafo, que foram colocados sobre os trilhos juntamente com algumas pedras; o objetivo seria descarrilhar o trem que saíra de Jundiaí às 16:20 - caso isso acontecesse, poderia ter havido um desastre de grandes proporções. 

Ainda segundo o anúncio, o obstáculo teria ocorrido entre os quilômetros 42 e 43 da linha, "perto da capelinha de Santa Cruz". Esse local provavelmente ficava perto de Campinas, mas seria interessante se pudéssemos ter um pouco mais de certeza a respeito. Também não temos informações se os vândalos foram encontrados. 

A recompensa não era muito grande, como se pode ver na tabela de preços de passagens anunciada na fase de prolongamento da linha da Paulista até Rio Claro - em setembro de 1875, uma passagem de ida e volta de Campinas a Santa Bárbara, em 1ª classe, custava 5$140 (cinco mil, cento e quarenta réis), menos de 5% do valor da recompensa - e a viagem era curta, 1 hora e 38 minutos...







sábado, 20 de abril de 2019

17 DE MARÇO DE 1929: JORNAL TRAZ BOAS E MÁS NOTÍCIAS RELATIVAS À FERROVIA

A Folha da Manha de 17 março 1929 dava duas notícias acerca do ambiente ferroviário de nossa cidade. 

A primeira era muito boa: foi eleita a diretoria do Centro Ferroviário Brasileiro, regional de Jundiaí. Nomes que fazem parte da história de nossa cidade, como Tibúrcio Estevam de Siqueira e Attilio D'Angieri faziam parte da diretoria. 

A outra notícia era trágica: uma menina de 9 anos foi atropelada e morta por um trem; a criança, órfã de mãe, cujo pais morava em uma fazenda, vivia com  uma família no bairro da Barreira. Apesar de a porteira estar fechada para pedestres em função do trem que se aproximava, a menina tentou cruzar os trilhos e foi atropelada, tendo uma morte horrível, descrita em detalhes pelo jornal. 

O trem era tracionado pela locomotiva nº 212, cuja foto está a seguir; mais abaixo, foto da 213 sua irmã gêmea.






segunda-feira, 15 de abril de 2019

UM CRIME EM ABRIL DE 1919

O jornal "O Estado de S. Paulo" noticiou um crime ocorrido em nossa cidade, em abril de 1919. 

Após discutir, em uma venda, com um ex companheiro de trabalho, João Colosso acabou atingido no ventre por um tiro de garrucha e na região glútea, por uma facada. A vítima foi transferida para São Paulo, onde na Santa Casa seria submetida a uma cirurgia.

Ficam algumas dúvidas: a imprensa dizia que os envolvidos foram colegas de trabalho na "chácara do Gagnoni, perto da estação". Onde ficaria essa chácara? A outra dúvida é: como o ferido foi transportado para S. Paulo? Provavelmente, de trem, Mas haveria acomodações para transportar pessoas nessa situação?  O nosso Hospital São Vicente não poderia ter atendido a vítima?

De qualquer forma, pelo local onde ocorreu o crime, o álcool deve ter tido sua parcela de culpa...

terça-feira, 9 de abril de 2019

AS PORTEIRAS DA PAULISTA

Antes da construção do viaduto que liga o centro de Jundiaí ao Bairro da Ponte de São João, inaugurado em 24 de setembro de 1950, havia porteiras que se fechavam à aproximação dos trens da Paulista - a movimentação dessas porteiras era feita manualmente por funcionários da ferrovia. A foto ao lado mostra a porteira que ficava do lado do centro da cidade; o prédio era um armazém pertencente à família Rappa, que foi demolido para a construção do viaduto. 

Em 16 de abril de 1948, o jornal A Gazeta publicava uma matéria sugerindo que aquelas porteiras, que eram operadas manualmente recebessem motores, como forma de tornar sua movimentação mais rápida, desafogando o trânsito de veículos, que precisavam esperar seu fechamento e abertura quando da passagem de trens.

Em função da matéria, vereadores requereram ao  então Presidente da Câmara Municipal, Dr. Amadeu Ribeiro Jr. , que oficiasse à Administração da Paulista no sentido de que as porteiras fossem motorizadas:


Não sabemos se as porteiras foram motorizadas ou não - afinal certamente já se pensava na construção do viaduto.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

O HOTEL DA ESTAÇÃO INGLEZA


O jornal A Cidade de Ytú, em sua edição de 12 de outubro de 1903 publicava um anúncio do Hotel da Estação Ingleza, que ficava próximo à estação ferroviária de nossa cidade,  convidando os passageiros que viajavam de Itu para São Paulo ou em sentido contrário, a almoçar no referido hotel, que havia sido recentemente reaberto. Havia uma baldeação (troca de trem) em nossa cidade, pois a ligação entre Jundiaí e Itu era feita pela Companhia Ytuana e entre Jundiaí e São Paulo pela SPR (São Paulo Railway), que pertencia a ingleses, razão do nome dado à estação.

Mais tarde a Ytuana transformou-se em Sorocabana, antes de ser extinta. A SPR transformou-se em Santos a Jundiaí e hoje é CPTM. 

Provavelmente o hotel funcionava no mesmo prédio que abrigara o Hotel do Commercio e mais tarde o hotel de Rappa & Barretini, de que já falamos em outros posts.

Até há não muito tempo atrás, havia próximo à estação um prédio que serviu como hotel de alta rotatividade e anteriormente como sede do antigo GEVA - Ginásio Estadual de Vila Arens - não sabemos se se trata do mesmo prédio que abrigou os hotéis antigos - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra foto do prédio logo após a instalação do GEVA (cerca de 1963). 


sexta-feira, 29 de março de 2019

ANÚNCIOS ANTIGOS: O EXTRATO DE TOMATE ELEFANTE

A Folha da Noite de 27 de maio de 1943 trazia um anúncio do Extrato de Tomate Elefante. 

O detalhe interessante é que a palavra 'Tomate' está no plural - mais tarde, como se pode ver nos anúncios que se seguem, da década de 1950, a palavra passa a ser usada no singular.

No anúncio em que aparece um cozinheiro, observar a palavra "cosinha" - grafada com "s" ao invés de "z".



terça-feira, 26 de março de 2019

1952: POLICIAL RODOVIARIO MORRE EM ACIDENTE


Era 6 de agosto de 1952. Em uma noite de neblina o policial rodoviário Nitemar Vasconcellos Borba, ao abordar um caminhão que trafegava em excesso de velocidade. acabou sendo atropelado e morto por outro caminhão.

Foi mais um dos policiais baseados em nossa cidade que deu a vida cumprindo seu dever. Seu nome foi dado a uma rua no bairro Jardim Bonfiglioli, em São Paulo. 


quarta-feira, 20 de março de 2019

DESDE SEMPRE AS PESSOAS ESQUECEM COISAS NOS TRENS...

Nos primeiros dias de 1875, a então Estrada de Ferro de Jundiahy a Campinas, mais tarde Companhia Paulista de Estradas de Ferro, publicava na Gazeta de Campinas uma lista de objetos esquecidos nos trens.

É uma lista bastante curiosa: em primeiro lugar entre os onjetos esquecidos estavam os abanos (leques) e em segundo, os guarda chuvas velhos. Há também um chicote, uma algema e um torques...

Ha ainda algumas coisas que não conseguimos identificar, como por exemplo 3 tonilhas e um chapéu de manilha...

O problema persiste: em 2012, 77 mil objetos foram esquecidos nos trens do Metro de São Paulo.






segunda-feira, 11 de março de 2019

A IMPRENSA JUNDIAIENSE EM 1951

A Folha de São Paulo, de 26 de outubro de 1951, dava um interessante panorama da  imprensa de nossa cidade.

Existiam 3 jornais em nossa cidade: A Folha, O Jundiaiense e A Comarca. A Folha era o mais antigo, e foi fundado por Tibúrcio Estevam de Siqueira, que segundo a matéria, viveu e empobreceu pelo jornal. 

A Folha jundiaiense teve papel importante na criação da Previdência Social e na Revolução de 1932, quando Tibúrcio, perseguido por adversários políticos precisou deixar a cidade.

Em meados da década de 1940, o jornal foi adquirido pelo Círculo Operário Jundiaiense e passou a ser  dirigido pelo Padre Adalberto de Paula Nunes, circulando quatro vezes por semana; pertencia ao grupo também a Rádio Difusora, que foi criada pelo Padre Adalberto. A Folha deu origem ao atual Jornal de Jundiaí. 

Tibúrcio Estevam de Siqueira nasceu em Jundiaí em 9 de setembro de 1887 e faleceu aqui em 29 de fevereiro de 1948.

A principal figura ligada a O Jundiaiense foi Secundino Veiga, celebre polemista. Fundado em agosto de 1901, o Jundiaiense também sofreu perseguições em 1932; em 1951 era dirigido por Carlos Veiga, filho de Secundino.

Secundino Ribeiro da Cunha Alves da Veiga nasceu em Portugal em 1875 e faleceu em nossa cidade em 1953. Colaborou com inúmeras publicações, atuando na imprensa desde 1893 e atuando também como professor. 

A Comarca, fundada em 1926, teve à sua frente, desde aquela época, João Baptista de Figueiredo, que foi também professor e advogado.

terça-feira, 5 de março de 2019

1957: VEREADOR PEDIU O CONFINAMENTO DE PROSTITUTAS

Em 1957 um tema agitava nossa cidade:o confinamento das prostitutas.

O delegado de polícia de nossa cidade, João Moreira de Novaes,  determinara o fechamento das "casas de tolerância", onde as mulheres recebiam seus clientes. Como era de se esperar, as prostitutas foram para o centro da cidade, onde passaram a praticar o "trottoir", palavra  francesa que significa "calçada" e designa mulheres procurando  clientes pelas ruas - sua presença gerava problemas que conhecemos até hoje: algazarras, sujeira, brigas etc. 

O vereador José Pedro Raimundo, em função dessa situação, requereu a volta do confinamento das prostitutas; seu pedido foi discutido e aprovado pela Câmara Municipal, após discussões que se arrastaram por três sessões da Câmara, durante as quais o público ocupou todo o recinto.

Foram 11 votos contra cinco; não sabemos o que veio a acontecer logo depois, mas esse problema persiste até hoje, com algumas ruas centrais tomadas por essas mulheres e seus clientes, infernizando a vida dos moradores.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

UMA TRAGÉDIA EM 1958

Às 11:55 de 7 de janeiro de 1958 aconteceu uma tragédia em nossa cidade.

Complementando a notícia do jornal "O Estado de S. Paulo",  Vânia Feitosa, produtora cultural e idealizadora do projeto Memórias Póstumas da Cidade, recuperou documentos de nossa Câmara Municipal detalhando os acontecimentos: um ônibus da Auto Ônibus Jundiaí estava sendo levado para uma garagem, situada à Rua Rangel Pestana, para reparo nos freios.

O veículo descia a Rua São Bento e quando tentava entrar na Rangel  teve que fazer uma manobra brusca para não atropelar uma garotinha que atravessava a rua. A partir daí, desceu a Rua São Bento, sem controle e acabou colidindo, no final da rua, com o prédio dos escritórios da Cia. Paulista onde funcionava o "Hollerith" (como era chamada a área de Tecnologia da Informação à época), depois de cruzar os trilhos da E.F. Sorocabana, hoje avenida União dos Ferroviários. 

O ônibus derrubou uma parede dos escritórios; seu motorista,  Joaquim Antunes, de 42 anos, foi levado ao Hospital São Vicente, mas morreu ao chegar,  ficando ferido um funcionário da CP.

Naquela época, a São Bento tinha um sentido diferente - na atualidade, a rua sobe. Foi um gesto heroico; o motorista permaneceu ao volante, evitando que o ônibus atingisse pedestres - próximo ao local do impacto, ficava a portaria das Indústrias Andrade Latorre (fábrica de fósforos), e o acidente poderia ter causado mais vítimas.

Joaquim Antunes, que deixou esposa e quatro filhos, dá nome a uma das ruas de nossa cidade. 


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

PECHINXA!

Em 17 de novembro de 1854, o "Correio Paulistano" publicava um anúncio oferecendo um sítio em nossa cidade.  

Aparentemente, tratava-se de uma propriedade que era utilizada como uma espécie de hotel - o anúncio dizia que "para ali convergem todas as tropas e passageiros".

Fica a curiosidade: onde se localizaria o Sítio Califórnia? Em post anterior falamos da estalagem do Barão da Ponte, que provavelmente ficava na área da atual Vila Lacerda. Seria o mesmo local? 

É interessante também ver como se escrevia "novembro" - vale a pena checar o lado esquerdo do alto da primeira página daquele jornal:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O PROFESSOR FRANCISCO NAPOLEÃO MAIA: UM INTELECTUAL

Em junho de 1959 o então deputado José Romeiro  Pereira apresentou projeto de lei dando o nome de Prof. Francisco Napoleão Maia ao Grupo Escolar de Vila Rami. 

O projeto continha uma sucinta biografia do Prof Napoleão Maia, trazendo alguns fatos interessantes: o Professor era natural de Bragança Paulista, onde nasceu em 1859 (algumas fontes falam em 1860); em 1885, logo depois de formado pela Escola Normal de São Paulo, foi nomeado para a escola rural do Bairro dos Passarinhos - o atual município de Vinhedo. Em 1889 foi diretor do então Grupo Escolar Cel. Siqueira de Moraes. Cursou Direito até o 3º ano, precisando deixar o curso por falta de recursos financeiros.

Além de professor, teve uma atuação importante na vida de nossa cidade, tendo sido um dos fundadores do Hospital São Vicente e da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Desterro. 

Era também músico, pianista e compositor, sendo o autor de diversos hinos escolares e sacros. À época em que era  diretor do Grupo Escolar “José Alvim”, em Atibaia, ali regeu a Banda União da Mocidade. 

Com sua primeira esposa, Deolinda, teve seis filhos, dentre os quais a Prof. Maria José Maia de Toledo, que dá nome a uma escola de nossa cidade. Viúvo, casou-se com uma irmã de Deolinda, Ana, com quem não teve filhos. 

Lembramo-nos que, na virada dos anos 1950/60, os alunos do Grupo usavam como uniforme uma calça ou saia azul marinho e uma camisa branca, onde eram bordadas também em azul marinho, as letras "FNM" - isso era motivo de brincadeira entre as crianças, que faziam piada com a expressão "fenemê", que fazia referência aos caminhões FNM que eram os maiores fabricados no Brasil.

O Prof. Maia faleceu em nossa cidade em 10 de maio de 1949. Até o fim de sua vida esteve ativo fisicamente, cuidando de suas flores, e intelectualmente, lendo muito, inclusive em inglês e latim e, curiosamente, conversando em alemão com seu leiteiro...

A foto do Prof. Maia que ilustra este post foi obtida graças aos esforços das Professoras  Érica Cristina Rodrigues da Silva, Kátia Aparecida da Silva (respectivamente Vice Diretora e Coordenadora da atual EE Prof. Francisco Napoleão Maia) e Vanisa Franciscato, Assessora da Diretoria de Ensino da Região de Jundiaí.