segunda-feira, 16 de julho de 2018

PADRE PAULO DE SÁ GURGEL - GRANDE COMO EDUCADOR E SER HUMANO

O Padre Paulo nasceu em 2 de outubro de 1920, em Ipaumirim, Ceará, filho de Octávio Gurgel e Maria das Dores de Sá Gurgel. 

Chegou à nossa cidade em 1934, como aluno do Seminário Salvatoriano que funcionava aqui - os Salvatorianos chegaram a Jundiaí em 1922. Estudou muito, inclusive em Roma, onde cursou Direito Canônico e foi ordenado em 18 de março de 1946. 

No final de 1952, voltou a Jundiaí, com a missão de fundar o então Ginásio Divino Salvador, que começou a funcionar em 1954 - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício 
Fernandes, mostra o prédio onde funcionavam o Ginásio e o Seminário em 1956.

Além de Diretor do Ginásio, ministrava aulas de Latim, Português e Religião; entusiasta dos esportes, trouxe professores de Educação Física, como o saudoso Prof. Daniel Hehl Cardoso, que trabalhava com os alunos do Ginásio e com os seminaristas, que estudavam no mesmo prédio da Rua General Carneiro. 

O Ginásio consolidou-se com a criação dos cursos Clássico e Científico, adotando a denominação atual de Colégio Divino Salvador. 

Muito querido pelos alunos, sempre alegre, apaixonado pela fotografia, deixou um grande acervo que registrou a vida dos Salvatorianos em Jundiaí, Barbalha (no Ceará, onde os Salvatorianos atuam) e Roma, mantendo um laboratório fotográfico. Fluente em latim, espanhol, inglês, francês e alemão, escreveu para jornais e emissoras de rádio, além do livro "Impressões de Viagem". 

Pilotando sua motocicleta, ia às capelas que estavam sob a responsabilidade dos Salvatorianos, onde celebrava missas e atendia aos fiéis. Dentre elas, aqui em Jundiaí, a Capela de Vila Rami, hoje o Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida. 

Em 1962, foi transferido para o Ceará, onde os Salvatorianos tem uma presença muito forte, tendo exercido diversos cargos. entre os quais o de Diretor do Colégio Santo Antonio, em Barbalha, e o de Superior da Congregação. 

Faleceu em Barbalha em 03.09.2009 onde era muito querido, a ponto de ter sido decretado ponto facultativo no dia de seu enterro.  

sexta-feira, 29 de junho de 2018

1911: COMEÇAVA-SE A FALAR NO ESCADÃO

"O Estado de S. Paulo" de 12 de agosto de 1911 noticiava estudos para a abertura de uma rua "que partindo da frente do grupo escolar Siqueira de Moraes irá terminar na rua Vigário João José Rodrigues".

A própria nota informava que não seria uma rua comum, mas sim uma escadaria - são as primeiras notícias sobre o Escadão -  abaixo, duas fotos do local, uma bastante antiga, talvez dos anos 1940 e outra mais recente, depois de reforma da área.


 

terça-feira, 26 de junho de 2018

JÁ EM 1940 SER JORNALISTA EM JUNDIAÍ ERA PERIGOSO

João Baptista de Figueiredo foi um jornalista jundiaiense que, entre outras atividades, fundou em 1926 e dirigiu o jornal "A Comarca", que tinha sede à Praça Governador Pedro de Toledo), próximo à Catedral. Viveu intensamente a vida de nossa cidade, e como não poderia deixar de ser, tinha inimigos.

Como noticiava "O Estado de S. Paulo", em sua edição de 6 de agosto de 1940, na noite de 27 do mês anterior Figueiredo foi agredido na rua Dr. Torres Neves por dois indivíduos, que se sentiram ofendidos por notícia trazida pela "Comarca". Um dos agressores, armado com um cabo de vassoura, deixou o jornalista desacordado; foi conduzido à "Pharmácia Italiana" e ali atendido pelo Dr. Felippe Elias. 

Os agressores foram José Pisápio, que confessou sua participação na agressão, e João de Araújo, vulgo Boneca, que negou; os dois foram condenados a 7 meses de prisão, tendo sido libertados condicionalmente em janeiro de 1941.

Como hoje, vida de jornalista sempre foi perigosa.

segunda-feira, 25 de junho de 2018

ADONIRO LADEIRA - UM EMINENTE PROFESSOR E CIDADÃO

Adoniro Ladeira nasceu em Jundiaí no dia 06/03/1909, filho do ilustre professor Joaquim Antonio Ladeira e de Maria do Carmo Pedroso.

Fez o curso primário no então Grupo Escolar Cel. Siqueira Moraes o secundário no Ginásio Diocesano de Campinas. No Ginásio Culto à Ciência, da mesma cidade, bacharelou-se em Ciências e Letras em 1929. 

Cursou Pedagogia e Didática na Escola Normal Carlos Gomes em Campinas, recebendo o título de Professor Primário.  Em 1939 graduou-se em Direito pela Faculdade do Largo de São Francisco, em São Paulo.

Foi professor de muitas escolas de nossa cidade:  1ª Escola Profissional Mista, Instituto de Educação Experimental (hoje E.E.  Bispo Dom Gabriel Paulino Bueno Couto), Ginásio Padre Anchieta e no Grupo Escolar Cel. Siqueira Moraes para onde foi nomeado por concurso em 1936.

Advogou no Foro de Jundiaí, foi membro atuante em todos os movimentos da época, inclusive participando do Movimento Constitucionalista de 1932 - é o que está sentado, vestindo camisa clara na  foto ao lado.

Tinha múltiplos interesses: jogou futebol pelo  Paulista FC, foi diretor do Cassino Jundiaiense (entidade que deu origem ao Clube Jundiaiense) e foi candidato a prefeito em 1947, tendo sido derrotado por Vasco Antonio Venchiarutti.

Faleceu, jovem ainda, em São Paulo em 19/09/1960, estando  sepultado no Cemitério Nossa Senhora do Desterro, de nossa cidade. Dá nome a uma escola situada  no Jardim Shangai e à avenida que dá acesso ao campus do Centro Universitário Padre Anchieta.  


terça-feira, 19 de junho de 2018

DOCES LEMBRANÇAS: O RESTAURANTE DAS CARPAS

A Chácara das Carpas foi durante muito tempo o restaurante mais elegante de Jundiaí. De propriedade do italiano Giandomenico Buccianti, abrigava reuniões dos clubes de serviço, recebia visitas ilustres, casamentos etc. 

Havia em seu terreno uma fonte de água mineral, que era engarrafada - a imagem acima mostra o rótulo das garrafas.

O restaurante fechou logo após a morte de Buccianti; outros restaurantes usam ou usaram o nome Carpas, mas nunca chegaram perto do original, quer em qualidade, quer em charme. Era tão famoso que deu nome ao bairro onde se situava, o Jardim das Carpas. 

O prédio foi demolido, e dele só restam lembranças, como as das fotos abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira: inicialmente, o restaurante ainda em funcionamento e depois já fechado, além de uma vista do lago, obtida a partir da residência de Giandomenico, que ficava no alto da propriedade, atrás do restaurante propriamente dito.



sexta-feira, 15 de junho de 2018

VOCÊ SABE O QUE É UMA HORIZONTAL?

Em dezembro de 1913 "O Estado de S. Paulo" noticiava uma briga entre duas mulheres, ambas prostitutas, ocorrida no Largo de São José, no centro de nossa cidade.

Segundo o jornal, uma delas foi ferida com uma pedrada na cabeça e socorrida; a agressora, foi ouvida pela polícia. 

Interessante era o termo utilizado pelo jornal para referir-se à agressora: "a horizontal"; na França do início do século XX, uma desses mulheres, quando muito cara, era chamada de "grand horizontal"...

terça-feira, 12 de junho de 2018

VIGORELLI – UM GIGANTE DERROTADO

Uma visão da fábrica e de seu conjunto residencial
A Vigorelli foi um dos gigantes que ajudaram a construir a grandeza de nossa cidade.

Os Franco, família de judeus italianos chefiada pelo patriarca Giuseppe, imigraram para o Brasil em função do início da 2ª. Guerra Mundial.   Chegaram a São Paulo em 1940, dedicando-se ao comércio; terminada a guerra, passaram a dedicar-se à importação e exportação, criando a Importadora e Exportadora Francolite Ltda. (1947).

Anúncio da Vigorelli italiana
Inicialmente, importavam "kits" de máquinas de costura do Japão e da Itália para montagem no Brasil, o que era feito em um barracão na Rua Turiassú,   Pompéia, em S. Paulo. Os "kits" italianos provinham da Vigorelli Italiana, sediada em Pavia, cidade situada na região da Lombardia, no norte da Itália.

Mais tarde, obtiveram dos italianos licença para fabricação das máquinas e  adquiriram no bairro da Bela Vista, em nossa cidade,  um grande terreno onde começaram, em 1952 a construção da fábrica, que foi inaugurada pelo Governador Lucas Nogueira Garcez em abril de 1953. Parte desse terreno é hoje ocupada pelo Jundiaí Shopping. 

Para a montagem e operação da fábrica, contrataram o engenheiro Carlo Kummer, que trouxe consigo cerca de 15 técnicos especializados, todos originários de outra indústria italiana de máquinas de costura, a Necchi, também localizada em Pavia; dentre esses, os saudosos Carlo Farina, Luciano Galbarini, Matteo Vaira e Luciano Museli, que constituíram família em nossa cidade.

  Vigorelli fabricada em Jundiaí
A Vigorelli operou até 1984, tendo além das máquinas de costura (500 unidades/dia de  diversos tipos),  fabricado  móveis,  máquinas operatrizes,   cintos de segurança (os primeiros produzidos no Brasil), hidrômetros, barcos de pesca  e  armas leves,  como submetralhadoras; aqui pode ser visto outro post acerca dessa iniciativa esdruxula da Vigorelli, que na tentativa de se reerguer já se aventurara a fabricar até caixões de defunto. 

A empresa tinha uma preocupação bastante grande com o treinamento das usuárias de seus produtos; havia uma equipe de funcionários que se dedicava a ministrar cursos na área, como mostra o certificado ao lado, que nos foi enviado por Valdecir Giotto, que é o gestor do Museu Angelo Spricigo, que tem um grande acervo de máquinas de costura e  está localizado na cidade de Concórdia-SC; o museu tem um belo site, que pode ser visitado aqui.

Infelizmente é mais uma empresa que se foi, destruída pela conjuntura econômica da época aliada à má administração. Mas, com certeza, deu sua contribuição à nossa cidade

Abaixo, o certificado de garantia de uma máquina Vigorelli vendida em 1962 - eram 50 anos de garantia!!!!



segunda-feira, 11 de junho de 2018

ARGOS: EMPREGADOS FURTAVAM A EMPRESA ONDE TRABALHAVAM

A Folha da Manhã de 2 de abril de 1932 noticiava a  descoberta de um esquema de furto de mercadorias na Argos Industrial, uma grande fábrica de tecidos que existia em nossa cidade - suas instalações hoje são conhecidas como "Complexo Argos"; ali estão uma biblioteca e  outras organizações ligadas à educação e à cultura. 

A Argos foi uma empresa pioneira: tinha duas vilas residenciais para seus empregados, cinema, creche etc. - é muito triste que mudanças no mercado e incompetência de seus gestores tenham-na levado ao fim. 

A foto abaixo mostra a situação atual de parte da área que ocupava, praticamente no centro de nossa cidade. 


segunda-feira, 4 de junho de 2018

LEÃO ATACA EM NOSSA CIDADE

Em outubro de 1911 chegava à nossa cidade o tradicional Circo Chileno, que segundo a imprensa "trazia uma collecção zoológica composta por leões, leopardos, ursos, onça, hyenas e outros animaes ferozes".

Ao desembarcar esses animais, um leão atacou um dos funcionários, agarrando-o pelo braço e produzindo "um extenso ferimento", sofrendo ainda uma luxação na mão direita.


terça-feira, 29 de maio de 2018

ACIDENTE NA E. F. BRAGANTINA

Entre 1884 e 1967, a Estrada de Ferro Bragantina ligava Campo Limpo Paulista a Bragança - um trecho de 52 km. 


A Bragantina tinha duas automotrizes diesel de procedência inglesa (foto ao lado), da marca Walker, que entraram em serviço em 1938.


Em 18 de março de 1957, uma delas descarrilou próximo a Campo Limpo; as notícias que chegaram à nossa cidade, à qual Campo Limpo pertencia, eram alarmantes: falava-se em mortos e feridos. 

O delegado de Polícia de nossa cidade mobilizou todos os recursos possíveis: ambulâncias, viaturas do Exército, bombeiros, guardas municipais - todos dirigiram-se a toda pressa para o local. Felizmente, somente aconteceram alguns ferimentos leves, como relatam os recortes de jornal abaixo.




sexta-feira, 25 de maio de 2018

1915: A BRUXA ESTAVA SOLTA NA RUA BARÃO DE JUNDIAÍ


A imprensa noticiou que na manhã de 12 de setembro 1915, José Chinchinato fraturou a perna quando caiu do cavalo na Rua Barão.

Momentos depois, passava pelo local um carro guiado pelo "chauffeur" Antonio Vidille, que atropelou um pedestre.

Vidille foi imediatamente preso! O atropelado foi levado ao Hospital São Vicente, tendo seus ferimentos sido considerados leve, o que levou à libertação de Vidille, mediante fiança - o inquérito prosseguiu, com o delegado de Polícia ouvido algumas testemunhas.

Acreditamos que se esses procedimentos fossem adotados hoje iria faltar cadeia...



domingo, 20 de maio de 2018

CAROLINA BELOTTI TARTEICA: UMA PARTEIRA DE PRIMEIRA CLASSE EM 1910

O portal Jundiaí Agora publicou no final do ano de 2017  uma matéria muito interessante relatando que  em 1910, os jornalistas jundiaienses Tibúrcio Estevam de Siqueira e João Baptista Figueiredo escreveram e organizaram o Almanach de Jundiahy. O lançamento ocorreu em janeiro do ano seguinte pela Folha Typografia e Pautação, estabelecimento que funcionava também como livraria e papelaria. 

Esse almanaque, com 215 páginas, trazia anúncios, poesias, registro de datas importantes de nossa cidade, lista dos povoadores, passatempos e variedades - era uma visão dos tempos em que  Jundiaí era uma pacata cidade com 11 mil habitantes.

Um dos anúncios era o de uma "parteira de primeira classe", que atendia às parturientes de nossa cidade - naquela época, a regra era que as crianças nascessem em casa, com o auxílio dessas profissionais. Hospital, apenas em casos raríssimos (só tínhamos o S. Vicente, foto acima); conhecemos pessoas nascidas nos anos 1960 que, em nossa cidade, vieram ao mundo com o auxílio de parteiras. Carolina Belotti Tarteica, ao que parece, era uma profissional com formação muito boa. 

O exemplar do almanaque que serviu para a elaboração da matéria faz parte do acervo do Sebo Jundiaí, foi resgatado pelo professor Maurício Ferreira em um depósito papéis para reciclagem. O acaso ajudou a preservar a história da cidade,  já que o almanaque  é raríssimo.

O almanaque teve uma nova edição lançada em abril de 2012.


Uma curiosidade: pautação era o trabalho de imprimir linhas em papéis que seriam utilizados para escrita - hoje, papel pautado é cada vez menos utilizado...

sábado, 19 de maio de 2018

NOVEMBRO DE 1942 - ERA ELEITA A RAINHA DOS ESTUDANTES DE JUNDIAÍ

O jornal Folha da Manhã de 5 de novembro de 1942 noticiava a eleição da "Rainha dos Estudantes".

As candidatas representavam escolas e os votos eram vendidos - isso era comum naquela época, quando se pretendia arrecadar fundos para alguma campanha - no caso, com o Brasil entrando na 2ª Guerra Mundial, os valores arrecadados iriam para a campanha pró Marinha de guerra. 

domingo, 13 de maio de 2018

O GRUPO GASPARIAN CALOTEOU TRABALHADORES JUNDIAIENSES

A Fábrica São Jorge era uma indústria têxtil pertencente ao Grupo Gasparian que acabou falindo e deixando de pagar seus empregados.

Em sua edição de 30 de setembro de 1970, O Estado de S. Paulo noticiava que o imóvel onde se localizava a fábrica fora vendido e os funcionários receberiam uma parte do que lhes era devido - o imóvel, localizado em local nobre da cidade, próximo ao centro da cidade e à Av. 9 de Julho, abriga hoje um grande supermercado - a foto ao final do post mostra o supermercado logo após sua inauguração. 

Outra empresa do mesmo grupo, a Fiação e Tecelagem Jundiaí teve destino semelhante, também caloteando seus funcionários - seu prédio é ocupado hoje pela Receita Federal.







terça-feira, 8 de maio de 2018

DA CAPELA PAI MANOEL À PARÓQUIA NOVA JERUSALÉM

A região onde fica a igreja Nova Jerusalém era chamada antigamente Pai Manoel, não sabemos por quais razões. 

Em 1932, foi erguida ali uma pequena capela, que mesmo passando por algumas reformas, ficou muito pequena para as necessidades da comunidade.

Em março de 1968, com sede na capela, foi criada a Paróquia Bom Jesus de Jundiaí. Em agosto daquele mesmo ano, o padre espanhol Jesus Bosco Priante tomou posse como seu primeiro pároco.

Imediatamente começaram os trabalhos para construção de uma igreja, em área próxima à antiga capela, tendo, depois de muito trabalho, a nova igreja sido inaugurada em 23 de março de 1975, um Domingo de Ramos; a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra a igreja em construção em 1972.




Como esse novo local era chamado Nova Jerusalém pelos paroquianos, o segundo Bispo Diocesano de Jundiaí, Dom Roberto Pinarello de Almeida, resolveu, em decreto de 1º de janeiro de 1990, alterar o nome da paróquia, de Bom Jesus, para Nova Jerusalém. Até mesmo o bairro mudou de nome, sendo chamado agora Vila Della Piazza. 



quinta-feira, 3 de maio de 2018

ACIDENTE DE CARRO EM 1936. A VÍTIMA SERIA O CHICÃO, DO CENTRO DE SAÚDE?

Em 21 de abril de 1936, um acidente de carro feriu dois jundiaienses que viajavam para a cidade de Araraquara. 

Segundo "O O Estado de S. Paulo", um deles, Francisco Stuchi, feriu-se gravemente, com fraturas em uma das pernas.

Seria essa pessoa o querido e popular Chicão, que trabalhou no Centro de Saúde de nossa cidade? Chicão, que claudicava, andava com dificuldades, frequentava o Dadá, bar situado no centro de nossa cidade, sempre disposto a um bom papo.  


sexta-feira, 27 de abril de 2018

O TÚNEL DE BOTUJURU: MAIS FATOS ESTRANHOS

O túnel ferroviário de Botujuru, na ligação Jundiaí S. Paulo é um local onde aconteceram muitos fatos no mínimo esquisitos: crimes, acidentes (alguns quase cômicos), aparições etc. 

No início de 1898 mais um acidente aconteceu: uma caixa de dinamite que estava sendo utilizado na duplicação do túnel explodiu, matando um operário que manuseava o material. 

No momento da explosão, um trem que saíra de Jundiaí passava pelo túnel - seus passageiros nada sofreram, houve apenas pequenos danos materiais. 


segunda-feira, 23 de abril de 2018

JUNDIAI JÁ TEVE UM TIRO DE GUERRA

Os Tiros de Guerra (TGs) são organizações vinculadas ao Exército encarregadas dar uma formação militar muito básica aos jovens, que em situações de emergência podem ser empregados em operações de defesa territorial e/ou defesa civil. 

Os TGs são estruturados de modo que o convocado possa conciliar a instrução militar com o trabalho ou estudo; a organização de um TG ocorre em acordo firmado com as prefeituras e o Exército, que fornece os instrutores (normalmente sargentos ou subtenentes), fardamento e equipamentos, enquanto a administração municipal disponibiliza as instalações. Por essa razão, geralmente, o prefeito se torna o diretor do TG.

Existem hoje mais de 200 TGs distribuídos por quase todo o território brasileiro. Antigamente chamados "Linhas de Tiro" tiveram origem em 1902, quando se fundou na cidade de Rio Grande (RS) uma
sociedade de tiro ao alvo com finalidades militares — essa e outras similares transformaram-se a partir de 1916 em estruturas vinculadas ao Exército, na esteira da pregação de Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório - como não era possível ter unidades regulares do Exército em todo o pais, os TGs acabaram tornando-se a presença do exército em muitas localidades. 

Em função de o Exército estar aqui  desde 1922, quando começou a operar o 2° Grupo de Artilharia de Montanha, hoje 12º GAC, foi com surpresa que descobrimos ter existido aqui um Tiro de Guerra, o TG 132 - afinal, os TGs eram instalados prioritariamente em cidades em que não existiam unidades regulares do Exército.

As informações sobre nosso TG são poucas; a primeira notícia que encontramos acerca do TG, dava conta que em 1º de setembro de 1932 fora inaugurado o stand do Tiro de Guerra (à época chamado Linha de Tiro), situado na Ponte de S. João. Em junho de 1931 foi nomeado instrutor o sargento Arnaldo Ferreira Bastos; em 3 de janeiro de 1932 foi eleita a diretoria do TG, presidida por João Henrique Bezerra; outras personagens importantes de nossa cidade faziam parte da diretoria: Tibúrcio Estevam de Siqueira, Waldomiro Lobo da Costa, Alceu de Toledo Pontes, Casemiro Brites de Figueiredo (eleito presidente em 1934), Thomaz Pivetta (foi prefeito de nossa cidade), Hugo Olivato e Mario Bocchino (entre outros). Boaventura Pereira Neto foi também presidente do TG.

Em fevereiro daquele ano, foi nomeado instrutor o sargento Alcides Vilar de Azevedo. Serviam jovens de 21 anos de idade; o curso durava cerca de 6 meses.

Na revolução de 32, os membros do TG foram encarregados do policiamento da cidade, pois os militares do Exército e da Força Pública foram deslocados para a frente de batalha. 

Em 20 de setembro de 1935, a Folha da Manhã anunciava a realização de um jogo de futebol entre reservistas daquele ano e os de 1934 - a nota dizia que o 132 era um dos mais antigos de nosso estado.

Com a criação de uma "Unidade-Quadro" como parte do 2º Grupo de Artilharia de Dorso (hoje 12º GAC), uma bateria destinada a formar reservistas de 2ª categoria, o TG 132 encerrou suas atividades em fins de 1936.

A sede do TG 132 ficava  rua Capitão Damásio (atual Marechal Deodoro da Fonseca), e segundo o Cel. Benevides, que comandou o 12º GAC, tinha um estande de tiro na área que hoje compreende o bairro da Colonia. O TG 132 tinha, na virada dos anos 1920 para 1930, uma banda e um "jazz band" - pequena banda que tocava música popular, especialmente jazz, muito em voga na época.

A foto abaixo foi publicada pela revista "Sultana", que circulou em nossa cidade; era o número 24, de setembro de 1935:




domingo, 22 de abril de 2018

VEREADOR É PRESO (E LOGO SOLTO)


Vivemos um momento em que políticos tradicionalmente adversários se unem contra a prisão de pessoas condenadas em segunda instância - é um momento em que o que interessa é a salvação da pele...

Políticos de nossa cidade já adotavam, há 50 anos, praticas similares: em 25 de março de 1958, a imprensa noticiava  a detenção de praticantes de jogos de azar, proibidos por lei. Dentre os detidos, o dono do bar que sediava a jogatina, Waldemar Giarola, vereador pelo PSB.

O vereador Giarola
Tão logo souberam da notícia, vereadores movimentaram-se e acabaram obtendo a soltura do colega, prometendo tomar providências contra o delegado responsável pela operação!

É exatamente o que vem acontecendo agora, com os transgressores da lei inocentados e os policiais que cumpriram seu dever, responsabilizados. 

E também à semelhança do que vem acontecendo agora, o vereador foi reeleito mais duas vezes...



terça-feira, 17 de abril de 2018

OS TROPEIROS DE JUNDIAÍ RECLAMAM: QUEDA DE PONTE INTERROMPE A LIGAÇÃO COM S. PAULO E SANTOS

A administração pública raramente consegue executar suas funções de maneira a atender às necessidades dos cidadãos. 

Prova disso é que a Câmara da cidade de São Paulo recebeu, em 26 de outubro de 1822, documentos dando conta de queixas de tropeiros que transportavam mercadorias, principalmente açúcar, de nossa cidade para São Paulo e Santos - à época, Jundiaí era uma grande produtora de açúcar.

Os tropeiros queixavam-se do estado da ponte do Anastácio, sobre o rio Tietê; essa ponte devia situar-se próximo à atual ponte que em continuação à Via Anhanguera cruza o rio. 

Em março daquele ano, a ponte foi vistoriada, tendo se constatado que uma das vigas estava quebrada. Fez-se uma concorrência para conserto da ponte e em 22 de maio houve o pedido para que o governo fizesse o primeiro pagamento, para início dos serviços.

Parecia que tudo iria se resolver, mas no dia seguinte estoura a "Bernarda de Francisco Inácio", um motim promovido em função de rivalidades políticas na então Província de São Paulo". No museu de Itu há um painel de azulejos que faz referência ao movimento. 

O movimento só foi sufocado em janeiro do ano seguinte, e durante o mesmo, quase tudo, inclusive o conserto da ponte, foi paralisado - ela continuou a deteriorar-se até cair de vez, prejudicando não apenas os tropeiros, mas os moradores da região e outros viajantes. 


segunda-feira, 9 de abril de 2018

TRAGÉDIAS QUE PODERIAM TER SIDO EVITADAS

Mortes em decorrência de acidentes são muito tristes; ainda mais tristes quando esses acidentes poderiam ter sido evitados. 

A Folha de S. Paulo de 17 de março de 1969 noticiava dois desses acidentes, ocorridos no dia 15: em um deles, uma pessoa caiu em um poço, ao tentar verificar o volume de água disponível; tentou descer pelo cano que levava a água à superfície, que não resistindo ao peso da pessoa cedeu, lançando-a ao fundo do poço.

O outro caso aconteceu durante uma escavação que vinha sendo feita em uma indústria: houve um deslizamento de terra que matou um operário. 

Infelizmente, não temos uma cultura de segurança, que poderia ter evitado o pior. 

sexta-feira, 30 de março de 2018

MARÇO DE 1952: A PASTEURIZAÇÃO DO LEITE ERA TORNADA OBRIGATÓRIA E A RUA JOÃO FERRARA ENTREGUE

Louis Pasteur (1822-1895), descobriu em 1864 que ao aquecer certos alimentos e bebidas acima de 60°C por um determinado tempo e depois baixar bruscamente a temperatura do produto,  havia significativa redução do número de micro-organismos.

No final do século XIX, Franz von Soxhlet propôs a aplicação do procedimento da pasteurização para o leite "in natura", comprovando que o processo era eficaz para a destruição das bactérias existentes neste produto. Esse procedimento mostrou-se fundamental para preservar a saúde dos consumidores.  

A Folha da Manhã de 6 de março de 1952 noticiava que a medida seria obrigatória em nossa cidade, o que provocou a revolta dos leiteiros da cidade, que procuraram apoio junto ao prefeito e vereadores, que pediram o adiamento da medida e outros estudos a respeito; a alegação era de que os custos de pasteurização inviabilizariam os negócios. Não sabemos quando ocorreu, mas a medida acabou sendo adotada. 

Na mesma edição daquele jornal, havia mais duas notas a respeito de nossa cidade: a Câmara iria votar uma proposta no sentido de tornar obrigatória a construção de calçadas (passeios) nas ruas pavimentadas. 

Outra nota era a entrega ao público da Rua João Ferrara, que liga a Rua Cica à Rua Bom Jesus de Pirapora. Essa rua era sujeita a frequentes inundações, como mostra a foto abaixo.