domingo, 22 de setembro de 2019

A POLÍCIA DEVERIA ESTAR COM POUCO TRABALHO EM 1957

Tudo devia estar muito tranquilo em nossa cidade no ano de 1957.

Podemos deduzir isso da nota publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo em sua edição de 14 de abril daquele ano, pois o delegado da cidade, Nerval Ferreira Braga, determinara ao chefe dos investigadores e a seus auxiliares que reprimissem os sorteios de ovos de Páscoa promovidos pelos bares da cidade!!! 

O delegado Nerval teve uma longa carreira,  tendo sido membro da cúpula da Polícia na condição de diretor do DETRAN, onde Roberto Carlos foi certa vez realizar um exame médico para renovação de sua carteira de habilitação; aprovado,  o cantor pediu para que o carimbo “Portador de Defeito Físico” – à época exigido – não fosse aposto à sua CNH. Não foi atendido pelo delegado, que teria dito “não posso privilegiar ninguém”.


domingo, 15 de setembro de 2019

INCÊNDIO NO CENTRO DA CIDADE



Na noite de  31 de agosto de 1946 um incêndio destruiu a Garage Americana, situada na Rua Dr Torres Neves, na então Praça Amparo, hoje Praça Dr. Domingos Anastácio.

Soldados do Exército (o quartel ficava no centro da cidade) auxiliaram no combate às chamas, especialmente na retirada de 50 tambores de gasolina e 8 de óleo que estavam guardados no estabelecimento - se não tivessem sido retirados a tempo, certamente o fogo se propagaria pelas casa vizinhas. 

Como não havia bombeiros na cidade, vieram terminar de extinguir o incêndio bombeiros de Campinas. 

Os prejuízos foram da ordem de cem mil cruzeiros, e o estabelecimento não estava no seguro - esse valor corresponde a cerca de R$ 190 mil na atualidade. Segundo anúncio publicado no jornal que noticiou o incêndio (O Estado de S. Paulo de 3 de setembro), um automóvel Chevrolet 41 valia 58 mil; sem dúvida os prejuízos foram grandes...

Abaixo, um anúncio do lançamento do Chevrolet 41 nos Estados Unidos - logo após, com o início da guerra, a produção foi paralisada e novos Chevrolets somente voltaram a ser fabricados alguns anos depois.


segunda-feira, 9 de setembro de 2019

ACREDITE SE QUISER: EM 1932, OS PREÇOS DAS PASSAGENS DOS TRENS CAIRAM!

Em sua edição de 25 de agosto de 1932, "O Estado de S. Paulo" dava uma notícia que hoje nos causa admiração: os preços das passagens dos trens da São Paulo Railway (Santos a Jundiaí, hoje CPTM), caíram 15%!

Interessante são as causas: o anúncio permite deduzir que o valor era reajustado, para cima ou para baixo, de acordo com a variação trimestral da moeda brasileira em relação à libra esterlina, moeda do Reino Unido. 

E tudo isso, como se pode ver em outro de nossos posts e na foto abaixo,  utilizando tecnologia de ponta para a época.





segunda-feira, 2 de setembro de 2019

1950: SEM AVISO, REDUZEM O EFETIVO DO CORPO DE BOMBEIROS



Em sua edição de 28 de fevereiro de 1950 o jornal "O Estado de S. Paulo" noticiava a redução do efetivo dos bombeiros de Jundiaí.

A redução foi feita inesperadamente; além da redução do efetivo, foi também retirada da cidade a maior parte do equipamento. 

Os bombeiros haviam chegado à nossa cidade em 1946, na gestão do então prefeito José Romeiro Pereira; parte dos custos era bancada pela Prefeitura, que para cobri-los criara uma taxa cobrada juntamente com os impostos municipais; fora também reservada uma área para construção de um quartel para os bombeiros.

O jornal dizia que se a redução fosse definitiva, a taxa também deveria ser reduzida à metade, pois se fora criada para cobrir os custos de um destacamento de 22 homens, "deixaria caldo" se a equipe fosse apenas de 9... 

Vale lembrar que o efetivo inicial era de 12 homens, com duas viaturas; instalou-se inicialmente em um depósito da Prefeitura e mudou-se em 1953 para um prédio da Rua Zacarias de Góis, lá permanecendo até 14 de dezembro de 1971, data em que se instalou no endereço atual no bairro do Anhangabaú.

A foto abaixo, do acervo do Prof. Mauricio Ferreira, mostra o quartel da Rua Zacarias de Góis; aparece na foto o Sargento Peixoto, que comandou o destacamento durante muito tempo.


segunda-feira, 26 de agosto de 2019

AS LOCOMOTIVAS BALDWIN 4-6-0 DA PAULISTA E SEU PESSOAL


A foto acima mostra uma foto tirada em nossa cidade em que aparece uma locomotiva da Paulista que tracionava o "trem rápido" entre nossa cidade e Rio Claro. 

Segundo comentários postados no portal "Companhia Paulista de Estadas de Ferro - CP", do Facebook, trata-se de uma das 4 locomotivas Baldwin 4-6-0, que a Paulista utilizou em suas linhas de bitola larga - duas delas foram fabricadas em 1898 e duas 1909. 

O pessoal que publica no portal acredita que essa foto deve ter sido tirada perto de 1918, pois faz parte do álbum do cinquentenário da CP; assim é provável que a locomotiva da foto seja uma das duas de 1909, que tinham a numeração original 70 e 71, e foram renumeradas em 1930 como 60 e 61. Seu peso chegava próximo a 118 toneladas!

O texto faz elogios à tripulação, mas ficam algumas dúvidas para os leigos: o que seria um "agente de jornaes"? Qual seria a diferença entre um ajudante e um auxiliar? 

terça-feira, 20 de agosto de 2019

A CERÂMICA VILLA RAMY EM 1937

A Cerâmica Villa Ramy tornou-se mais tarde a Cidamar e hoje é a Roca, empresa multinacional de origem espanhola.

Seu produto, à época eram tubos e conexões de barro, utilizados para água e esgoto e que eram conhecidos como "manilhas". Mais tarde, passou a fabricar louça de mesa e sanitária.

O anúncio abaixo foi publicado na Folha da Manhã, de São Paulo, em 24 de janeiro de 1937. 



terça-feira, 13 de agosto de 2019

1939: CRIME DE MORTE NA VILA RAMI

Em 30 de novembro de 1939, morreu na Vila Rami o jornaleiro (trabalhador braçal avulso) Ignácio Marques, conforme noticiou alguns dias depois o jornal "O Estado de S. Paulo". 

Segundo constou, a causa da morte foi uma insuficiência cardíaca. Pelo menos, foi isso que disseram a um médico de nossa cidade os indivíduos João Juliatti e um tal de Belarmino; o médico, descuidado, num gesto de caridade assinou um atestado de óbito confirmando a insuficiência cardíaca. 

Mas a história não foi bem essa, e a Polícia descobriu que Ignácio fora agredido no dia 28 daquele mês por Juliatti e mais duas pessoas, Pedro Bueno dos Santos e Benedicto Francisco.

Um legista, da delegacia regional de Campinas veio à nossa cidade e autopsiou o corpo, concluindo ter a morte ocorrido em função de fratura do crânio decorrente da agressão. 

O inquérito foi encaminhado à Justiça, tendo mais tarde os réus sido julgados e absolvidos, conforme noticiou o jornal carioca  "A Manhã", em 20 de setembro de 1941.

O jornal dava conta que todos estavam embriagados; o julgamento foi presidido pelo juiz Oleno da Cunha Vieira, que por muitos anos atuou em nossa cidade. Figuras da nossa história atuaram na promotoria e na defesa dos réus, respectivamente José de Miranda Chaves e José Romeiro Pereira, este mais tarde prefeito de Jundiaí e deputado. 





quarta-feira, 7 de agosto de 2019

1948: TRAGÉDIA MATA PILOTO DE NOSSO AEROCLUBE

Em sua edição de 9 de maio de 1948, a Folha da Manhã noticiava a contratação, pelo Aeroclube de Jundiaí, do piloto Caio Barbosa do Amaral para administrar sua Escola de Pilotagem.

Em agosto daquele mesmo ano, acontece uma tragédia: decolando da cidade mineira de Patos de Minas, para onde fora levar dois jovens bancários de São Paulo para visitar suas famílias,  o avião descontrolou-se e apesar dos esforços do piloto para pousar, acabou caindo em uma avenida do centro da cidade, matando todos os seus ocupantes, como conta o jornal A Noite, em sua edição de 6 de setembro daquele ano. 

O avião era um Stinson 108, similar ao que aparece na foto acima. 



sexta-feira, 2 de agosto de 2019

UMA IGREJA NO MEIO DA RUA

O Professor Maurício Ferreira, através de sua excelente página no Facebook,  traz fotos e  um texto de Wilson Ricardo Mingorance, que nos ensinam um pouco acerca da igreja de Nossa Senhora dos Pretos ou  de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, que  foi demolida em 1922 para prolongar a Rua do Rosário e que aparece acima em foto de 1919.

Poucos conhecem a história desse patrimônio e não há certeza sobre a data de sua fundação, porém em uma das pesquisas feitas por João Borin nas “Cartas de Datas de Chãos e Quintais” (documento de 1657), há a citação sobre um eventual “lote reservado para a Casa de Misericórdia”,  uma capela para a entidade que cuidava de pobres e doentes. 

A capela, provavelmente o templo mais antigo de nossa cidade, situava-se no  Largo do Pelourinho, depois Largo do Rosário e atual Praça Ruy Barbosa e se tornou a igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito (ou dos Pretos),  e ocupava o espaço do atual Gabinete de Leitura e o leito da Rua do Rosário, conforme assinalado em vermelho na foto acima.

A igreja era construída em taipa de pilão, coberta com telhas de barro e  piso de madeira. Na época em que não havia cemitérios em Jundiaí, os enterramentos eram feitos no interior da Igreja.. 

Na década de 1920 na gestão do prefeito Olavo de Queiroz Guimarães, foram realizadas inúmeras obras no centro, uma delas o prolongamento da Rua do Rosário, para o qual foi necessária a demolição da igreja, dando origem à atual Rua Major Sucupira; a foto ao lado mostra a Rua do Rosário terminando defronte à igreja.

No dia 15 de junho de 1922 foi expedido um aviso para o translado dos corpos enterrados no interior da Igreja para o cemitério e no dia 22 de agosto foi iniciada a demolição da igreja. 

Hoje, poucos dos que passam por aquele trecho sabem que um dia ali entre o Gabinete de Leitura Ruy Barbosa e o atual estacionamento, situado no terreno anteriormente ocupado pelo quartel do Exército, havia uma igreja.

No lado direito da foto mostrada no início deste post, aparece um prédio ocupado pelo Gymnasio Hydecroft, uma escola que existiu em nossa cidade e de que falamos em outro post; esse prédio parece que foi aproveitado quando da construção do quartel - talvez seja o bloco à esquerda do portão na foto acima. 

sexta-feira, 26 de julho de 2019

PROFESSOR GIACOMO ITRIA

O jornal Folha da Manhã, em sua edição de 17 de dezembro de 1937 noticiava o falecimento do Professor Giacomo Itria.

Nascido na Itália, o Professor Itria lecionou em nossa cidade por mais de 40 anos, tendo sido o fundador do Ginásio José Bonifácio, escola que funcionou em nossa cidade e que durante algum tempo ocupou o casarão situado à rua XV de Novembro, esquina com São Bento, onde viveu Thomas Archibald Scott, funcionário da Cia. Paulista e muito ligado ao esporte; mais tarde ali funcionou o Lar Anália Franco.

Abaixo, uma foto do prédio, hoje demolido.



terça-feira, 16 de julho de 2019

TRAGÉDIA EM VÁRZEA - 1958


Em outubro de 1958, um ônibus desgovernado matou duas crianças e feriu duas outras pessoas no então bairro da Várzea, hoje município de Várzea Paulista.

O então vereador José Pedro Raimundo propôs que a Câmara apresentasse um voto de pesar pela ocorrência.

Em 7 de janeiro daquele ano, outro acidente com ônibus matou seu motorista em nossa cidade: o veículo desceu desgovernado a Rua São Bento e chocou-se com o prédio da Cia. Paulista, conforme relatamos em outro post

quarta-feira, 10 de julho de 2019

1953: A MORANDO CHEGA A JUNDIAÍ

Em 14 de março de 1953 a imprensa noticiava a visita de Giuseppe Morando, presidente da Morando italiana, sediada em Asti e que fabricava máquinas destinas ao uso por cerâmicas e olarias. 

O empresario viera fechar a aquisição de um terreno de 25 mil metros quadrados na Vila Jundiainópolis, onde a empresa construiria uma fábrica. 

Isso realmente ocorreu: a fábrica, com 10 mil metros quadrados, foi erguida no final da Rua União, junto à Via Anhanguera, mas, infelizmente, a empresa teve um fim triste: faliu...

Mais uma empresa que deixou saudade em nossa cidade. 


sexta-feira, 5 de julho de 2019

A COMPANHIA PAULISTA APOIANDO A REVOLUÇÃO DE 32

A Folha da Manhã, em sua edição de 19 de julho de 1932, logo no início da Revolução Constitucionalista, falava sobre um trem que a Companhia Paulista preparara para dar apoio às tropas paulistas. e que se encontrava estacionado em nossa cidade.  

O trem podia operar como hospital, possuindo sala de cirurgia, enfermaria, farmácia, equipamentos para esterilização etc. 

Também faziam parte do trem carros com equipamento destinado à reconstrução de linhas e pontes, linhas telegráficas etc. 

Dispunha de cozinha capaz de preparar 400 refeições diárias, carro restaurante e depósitos para materiais diversos.

Aproximando-se mais um aniversário da Revolução, vale a pena relembrar os heróis que lutaram contra a ditadura de Vargas; os tempos foram muito duros e nossa cidade chegou a ser bombardeada por aviões de Vargas.  


quarta-feira, 26 de junho de 2019

VIGORELLI – UM GIGANTE DERROTADO

Uma visão da fábrica e de seu conjunto residencial
A Vigorelli foi um dos gigantes que ajudaram a construir a grandeza de nossa cidade.

Os Franco, família de judeus italianos chefiada pelo patriarca Giuseppe, imigraram para o Brasil em função do início da 2ª. Guerra Mundial.   Chegaram a São Paulo em 1940, dedicando-se ao comércio; terminada a guerra, passaram a dedicar-se à importação e exportação, criando a Importadora e Exportadora Francolite Ltda. (1947).

Anúncio da Vigorelli italiana
Inicialmente, importavam "kits" de máquinas de costura do Japão e da Itália para montagem no Brasil, o que era feito em um barracão na Rua Turiassú,   Pompéia, em S. Paulo. Os "kits" italianos provinham da Vigorelli Italiana, sediada em Pavia, cidade situada na região da Lombardia, no norte da Itália.

Mais tarde, obtiveram dos italianos licença para fabricação das máquinas e  adquiriram no bairro da Bela Vista, em nossa cidade,  um grande terreno onde começaram, em 1952 a construção da fábrica, que foi inaugurada pelo Governador Lucas Nogueira Garcez em abril de 1953. Parte desse terreno é hoje ocupada pelo Jundiaí Shopping. 

  Vigorelli fabricada em Jundiaí
Para a montagem e operação da fábrica, contrataram o engenheiro Carlo Kummer, que trouxe consigo cerca de 15 técnicos especializados, todos originários de outra indústria italiana de máquinas de costura, a Necchi, também localizada em Pavia; dentre esses, os saudosos Carlo Farina, Luciano Galbarini, Matteo Vaira e Luciano Museli, que constituíram família em nossa cidade.

A Vigorelli operou até 1984, tendo além das máquinas de costura (500 unidades/dia de  diversos tipos),  fabricado  móveis,  máquinas operatrizes,   cintos de segurança (os primeiros produzidos no Brasil), hidrômetros, barcos de pesca  e  armas leves,  como submetralhadoras; aqui pode ser visto outro post acerca dessa iniciativa esdruxula da Vigorelli, que na tentativa de se reerguer já se aventurara a fabricar até caixões de defunto. 

A empresa tinha uma preocupação bastante grande com o treinamento das usuárias de seus produtos; havia uma equipe de funcionários que se dedicava a ministrar cursos na área, como mostra o certificado acima, que nos foi enviado por Valdecir Giotto, que é o gestor do Museu Angelo Spricigo, que tem um grande acervo de máquinas de costura e  está localizado na cidade de Concórdia-SC; o museu tem um belo site, que pode ser visitado aqui.

Infelizmente é mais uma empresa que se foi, destruída pela conjuntura econômica da época aliada à má administração. Mas, com certeza, deu sua contribuição à nossa cidade

Ao lado, o certificado de garantia de uma máquina Vigorelli vendida em 1962 - eram 50 anos de garantia!!!!

Para encerrar, um anúncio da Vigorelli Robot, uma máquina muito moderna para a época, que foi produzida a partir de 1959 e permaneceu em linha até o fim das atividades da empresa. A Vigorelli promovia um show apresentado por Sonia Ribeiro, que era casada com o também apresentador Blota Jr. e que atuou principalmente na TV Record acreditamos que isso ocorria nos anos 1970.



terça-feira, 25 de junho de 2019

UM SOLDADO DE SORTE


Em 25 de outubro de 1940 o jornal O Estado de S. Paulo noticiava um desentendimento entre dois soldados do destacamento da Força Pública de nossa cidade.

Um deles, Pedro Bello de Souza,  armado de fuzil, saiu da sede do destacamento localizada na antiga cadeia, onde hoje fica o Fórum, procurando pelo companheiro com o objetivo de mata-lo.

Sabendo do fato, o sargento comandante do destacamento saiu com soldados para tentar deter Pedro, que foi encontrado na rua Cel. Leme da Fonseca, próximo à Praça da Bandeira, onde hoje fica o Terminal Central de ônibus urbanos.

Ao receber voz de prisão, o soldado atirou contra um dos companheiros, Ismael Simões dos Santos, que foi atingido no quadril; outro soldado tomaram-lhe o fuzil, mas Pedro ainda  tentou esfaquear os companheiros, como dizia a Folha da Manhã de 22 de outubro (à esquerda)

Pedro acabou preso, e Ismael, um homem de sorte, teve ferimentos muito leves e foi internado no Hospital São Vicente.

A foto ao lado mostra uniformes usados pela Força Pública à época.

domingo, 16 de junho de 2019

EM 140 ANOS OS TRENS QUE SERVEM JUNDIAÍ SÓ PIORARAM...


Em 16 de janeiro de 1879, a então Estrada de Ferro de S. Paulo, depois São Paulo Railway, Santos a Jundiaí e hoje CPTM publicava um novo quadro de horários. 

Os trens que paravam em todas as estações ligavam Jundiaí a S. Paulo em uma hora e quarenta minutos; os expressos, em uma hora e vinte minutos. 

Impressiona verificar que hoje, 140 anos depois, a viagem dura aproximadamente o mesmo tempo, frequentemente mais, pois é necessária uma baldeação em Francisco Morato; além disso, não é mais possível ir a Santos. 

A CPTM não informa o horário dos trens, apenas o intervalo entre eles. Triste...

terça-feira, 11 de junho de 2019

O JOGO DO BICHO, A QUALIDADE DO SERVIÇO TELEFÔNICO E O NOVO VIADUTO ERAM ASSUNTO EM 1950

Em 9 de março de 1950, O Estado de S. Paulo relatava que  vereadores discutiam com a Cia. Telefônica Brasileira, operadora dos serviços de telefonia em nossa cidade, acerca da qualidade dos serviços que esta prestava - uma ligação para S. Paulo chegava a demorar três horas!

O sistema era arcaico, e o pequeno número de usuários não justificava investimentos em sua melhoria - um dos vereadores inclusive levantou a possibilidade de abertura de uma concorrência para que o provedor dos serviços fosse substituído; isso acabou acontecendo mais tarde, quando foi criada a Cia. Telefônica Jundiaiense. 

Porém, o mais interessante era a discussão aberta de uma das causas da má qualidade dos serviços: os envolvidos com o jogo do bicho usavam intensamente o telefone para transmitir as apostas e outras informações sobre o jogo! E a polícia? Parece que seria muito fácil coibir a jogatina, de vez que eram conhecidos os números dos telefones dos envolvidos. Mas...

Para encerrar, uma boa notícia dada na mesma edição do jornal: iniciava-se a construção do viaduto da Ponte de S. João, cuja entrega era prometida para cerca de quatro meses depois. Interessante verificar que a população havia emprestado dinheiro à Prefeitura para a construção. Será que esse empréstimo foi quitado?


quarta-feira, 5 de junho de 2019

ROMEU PELLICCIARI - UM GRANDE NOME DE NOSSO FUTEBOL

Um grande astro do futebol brasileiro,  Romeu Pellicciari nasceu em nossa cidade, no bairro de Vila Arens, em 26/3/1911 e faleceu em S. Paulo em 15.7.1971.

Foi um dos maiores jogadores de nosso futebol: em 1938, os leitores do jornal "O Imparcial", do Rio de Janeiro, elegeram os melhores jogadores de cada posição; Romeu foi o segundo colocado entre os meias direitas, perdendo para Leonidas da Silva, que alguns até hoje julgam o melhor jogador brasileiro de todos os tempos. Naquela época Romeu jogava pelo Fluminense.

Em nossa cidade jogou pelo tradicional S. João FC., de onde transferiu-se para o Palestra Itália, hoje Palmeiras, em 1930.

Pelo Palmeiras ganhou diversos campeonatos, entre eles 3 paulistas e o Torneio Rio-S. Paulo; fez 165 jogos por esse clube, tendo marcado 106 gols. 

Jogou pela Seleção Paulista, tendo sido bicampeão brasileiro em 1933 e 1934. 

Em 1935, transferiu-se para o Fluminense, onde também ganhou diversos campeonatos, tendo jogado 202 partidas e marcado 90 gols. 

Apesar de baixo e um tanto quanto gordo, jogava sempre com objetividade,  com imenso repertório de dribles inesperados e lançamentos precisos e acabou chegando à Seleção Brasileira, pela qual jogou a Copa do Mundo de 1938, na qual conquistou o 3º lugar; pelo Brasil,  foram 13 jogos e 3 gols. Pela sua atuação na Copa recebeu diversos convites para jogar no exterior, mas preferiu permanecer no Fluminense.

Talvez por ser calvo, jogava sempre usando um gorro. A foto abaixo mostra-o na Seleção: é o oitavo da esquerda para a direita. Aparecem também outros grandes nomes de nosso futebol, como Domingos da Guia (2º) e Leonidas da Silva (9º), à época jogadores do Flamengo. 



Em 1942 voltou para o Palmeiras, tendo sido novamente campeão paulista daquele ano; antes de encerrar a carreira, teve uma breve passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto. 




terça-feira, 28 de maio de 2019

UM JOGÃO EM 1965: VILA RAMI x AEG

O recorte de uma edição de 1965 do extinto Diário de Jundiaí nos traz uma série de lembranças acerca  de nossa cidade. 

Além do próprio jornal, já não estão entre nós os times - o Vila Rami ainda tem uma sede social, onde amigos se reúnem; a empresa AEG, que dava nome ao outro time deixou nossa cidade, o campo da rua Cica hoje é o Centro Esportivo Dal Santo e o redator da matéria, o jornalista Antonio Newton Massagardi já nos deixou - Newton, que também atuava na Rádio Santos Dumont, aparece na foto ao lado entrevistando Pelé. Na foto, dos anos 1960, também aparece Rolando Giarola, que ainda está entre nós.

Fotos e recortes antigos nos mostram como o tempo passa depressa, mas com frequência, como nesse caso, nos trazem lembranças agradáveis.    Ressurgem também palavras que hoje são pouco usadas, como "prélio" e "porfia"...

O recorte é do acervo de Márcio Roberto Borin, que tem muito material acerca do Vila Rami FC.; a foto é do acervo do Prof. Mauricio Ferreira. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

QUASE PERDEMOS O SOLAR DO BARÃO



Em 4 de maio de 1969, o jornal O Estado de S. Paulo trazia matéria acerca da desejada (por  alguns) demolição do Solar do Barão, edifício que hoje é motivo de orgulho para nossa cidade.

A matéria relatava que o então prefeito, Walmor Barbosa Martins era favorável à demolição, assim como os vereadores Reinaldo Basile e Jayro Maltoni, que pretendiam, após a remoção do prédio, que fosse aberta uma rua ligando as ruas Barão de Jundiaí e Rangel Pestana. Enquanto vereador, Walmor, propusera um projeto que autorizava a  demolição, mas que foi vetado pelo então prefeito Pedro Fávaro (é mais uma dívida que nossa cidade tem com Fávaro).

Mas não eram só os políticos: o Estado dizia que uma pesquisa feita pelo Jornal de Jundiaí entre a população, mostrava 2.431 favoráveis à demolição contra 172 contrários. 

A matéria do Estado dizia que como o Patrimônio Histórico, órgão estadual, propusera a manutenção do prédio, a palavra final seria do governador Abreu Sodré, que felizmente não permitiu a demolição.