sábado, 7 de março de 2020

CRIMINALIDADE INFANTOJUVENIL E REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL?

Hoje em dia quando se discute a criminalidade infantojuvenil e a redução da maioridade penal, vale a pena recordar duas notas publicadas pelo jornal  "O Estado de S. Paulo" em sua edição de 18 de agosto de 1911: 



Pode-se ver que os problemas que vivemos hoje não são tão novos assim: 10 e 12 anos, nomes no jornal e presos - um por vagabundagem e outro por furto! O que teria acontecido a esses meninos depois?  

terça-feira, 3 de março de 2020

A ESTRADA DE FERRO YTUANA, A ESTAÇÃO E A FAZENDA MONTSERRAT

O trecho Jundiaí-Itu da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro foi inaugurado em 1873; esse trecho, desde 1892 operado pela Estrada de Ferro Sorocabana, esteve ativo até  20 de fevereiro de 1970, após o que os trilhos foram retirados - eles passavam   onde hoje está a avenida União dos Ferroviários, ao lado dos antigos escritórios e oficinas da Cia. Paulista. O trecho   ao longo do rio Jundiaí até Itaici era muito bonito, com várias pequenas cachoeiras que podiam ser vistas do trem. 

Uma das estações da linha era a de Montserrat, à época situado em território jundiaiense, que, ao que parece, foi construída  como resultado de um acordo entre os fazendeiros da região e os diretores da Ytuana, como mostra o artigo publicado no jornal A Provincia de S. Paulo  em 21 de agosto de 1884 e que pode ser visualizado aqui. A foto acima, provavelmente dos anos 1960, mostra um acidente próximo à estação.

Havia no lugar uma fazenda com o mesmo nome, que desde 1911 era propriedade de  Luiz Carlos Berrini, um famoso engenheiro que hoje dá nome a uma importante avenida em São Paulo. Berrini fez construir na fazenda um sistema de captação de água de nascente, que era levada a um reservatório construído  no alto de um morro, de onde descia por gravidade com grande força, abastecendo a sede, as casas dos empregados e casas da estação da estrada de ferro.  Existia também uma rede elétrica que distribuía energia a todas as partes da fazenda; essa energia essa fornecida pela usina da Empresa de Força e Luz de Jundiaí, situada bem próxima à casa sede da fazenda. 

Outro personagem importante foi Vicente Tonolli, nascido na   Itália em 1872 e que, aos aos 26 anos de idade emigrou para o Brasil, chegando no final de 1898 junto com três irmãos, estabelecendo-se todos em Itupeva, onde, junto à estação da  Ytuana, montaram um armazém. Vicente comprou em 1917 outro armazém junto à estação de Montserrat e dois anos depois comprou também a Fazenda que pertencera a Berrini; a propriedade ocupava uma faixa de terra comprida e estreita  de cerca de 8 quilômetros, na margem esquerda do rio Jundiaí, junto aos trilhos da estrada de ferro.





Nessa época a propriedade contava com inúmeras benfeitorias tais como sede, as antigas senzalas, um pomar com três alqueires de pomar, 25.000 m2 de terreiros de café, estufa, tulha, linha férrea particular onde corriam as vagonetas levando café do terreiro até a estação da Ytuana. Essa linha particular era do tipo Decauville, com pequenas locomotivas e vagonetas e com trilhos que podiam facilmente ser instalados e os traçados modificados - a imagem ao lado mostra uma dessas linhas.

Em 2014, um incêndio, provavelmente
criminoso, destruiu boa parte da sede da fazenda. O incêndio teria sido provocado por usuários de drogas que frequentavam local, que estava fechado.


Entre esta estação e a seguinte, Quilombo, existiam duas usinas no rio Jundiaí, que alimentavam a fazenda Ermida, a maior delas com duas turbinas. 



A foto abaixo mostra a plataforma da estação de Montserrat em 2013; hoje, quase tudo isso é saudade...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

A CASA DE SAÚDE FRATELLANZA ITALIANA EM 1932

A Fratellanza (Irmandade, em italiano), era uma sociedade assistencial constituída por imigrantes italianos que acabou construindo um hospital, ao que parece, inaugurado em 1924; a foto ao lado mostra a fachada do prédio em 1950. O prédio hoje abriga o Hospital Regional e outras unidades voltadas à saúde. 

Um dos líderes da comunidade italiana e dos maiores responsáveis pela criação do hospital foi o Dr. Domingos Anastácio; após seu falecimento, em 1938, o hospital passou a ser chamado Casa de Saúde Dr. Domingos Anastácio. 

O jornal Folha da Manhã, de 1º de julho de 1932 trazia  um anúncio  informando os exames e tratamentos que ali poderiam ser feitos - segundo o anúncio,  tratava-se de "um hospital moderno, situado no mais saudável ponto de Jundiahy, com panorama encantador". 

Segundo o anúncio, quatro médicos atendiam no hospital e na mesma edição do jornal apareciam pequenos anúncios de três deles, um dos quais, Antenor Soares Gandra, o diretor clínico do hospital, foi mais tarde prefeito de Jundiaí; além de parteiro, o Dr. Gandra era "médico-operador e cirurgião" - qual seria a diferença entre essas especialidades? 

De Clóvis de Sá e Benevides, já falamos em outro post; também era mencionado Benedicto Ferraz - ambos médicos da Caixa de Aposentadorias e Pensões da Companhia Paulista, da qual o último era chefe da clínica; era também médico de "creanças". 


Realmente, uma visão interessante da saúde em nossa cidade no início dos anos 1930.





domingo, 23 de fevereiro de 2020

UMA TRAGÉDIA EM 1958

Às 11:55 de 7 de janeiro de 1958 aconteceu uma tragédia em nossa cidade.

Complementando a notícia do jornal "O Estado de S. Paulo",  Vânia Feitosa, produtora cultural e idealizadora do projeto Memórias Póstumas da Cidade, recuperou documentos de nossa Câmara Municipal detalhando os acontecimentos: um ônibus da Auto Ônibus Jundiaí estava sendo levado para uma garagem, situada à Rua Rangel Pestana, para reparo nos freios - era um Chevrolet 1954.

O veículo descia a Rua São Bento e quando tentava entrar na Rangel  teve que fazer uma manobra brusca para não atropelar uma garotinha que atravessava a rua. A partir daí, desceu a Rua São Bento, sem controle e acabou colidindo, no final da rua, com o prédio dos escritórios da Cia. Paulista onde funcionava o "Hollerith" (como era chamada a área de Tecnologia da Informação à época), depois de cruzar os trilhos da E.F. Sorocabana, hoje avenida União dos Ferroviários. 

O ônibus derrubou uma parede dos escritórios; seu motorista,  Joaquim Antunes, de 42 anos, foi levado ao Hospital São Vicente, mas morreu ao chegar,  ficando ferido um funcionário da CP.

Naquela época, a São Bento tinha um sentido diferente - na atualidade, a rua sobe. Foi um gesto heroico; o motorista permaneceu ao volante, buzinando, evitando que o ônibus atingisse pedestres - próximo ao local do impacto, ficava a portaria das Indústrias Andrade Latorre (fábrica de fósforos), e o acidente poderia ter causado mais vítimas.

Joaquim Antunes, que deixou esposa e quatro filhos, era morador da Rua Francisco Pereira de Castro no Anhangabaú e dá nome a uma das ruas de nossa cidade. 


domingo, 16 de fevereiro de 2020

1941: JUNDIAÍ NAS PÁGINAS POLICIAIS DOS JORNAIS DA CAPITAL

Nossa cidade era destaque nas páginas policiais da Folha da Manhã de 9 de outubro de 1941.

O jornal relatava um acidente de automóvel acontecido em Louveira (então pertencente a Jundiaí) - um atropelamento na "curva da morte" da estrada que liga Jundiaí a Campinas, hoje Rodovia Geraldo Dias. 

Uma das pessoas atropeladas acabou falecendo e outras ficaram feridas. 

Um crime aconteceu num lugar chamado Fazenda Velha, localizado nas proximidades da Via Anhanguera, ainda em construção. 

Uma menina de 15 anos esfaqueou uma mulher, que ficou gravemente ferida e foi operada no Hospital São Vicente. 

Ficam algumas dúvidas: onde ficariam a "curva da morte" e a Fazenda Velha? O que aconteceu aos feridos e aos demais envolvidos no fato?    

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

1954: A CICA GANHAVA MAIS UM PRÊMIO

Na década de 1950, o bairro de Itaquera, em São Paulo, era célebre por sua produção de pêssegos - era o maior centro produtor da fruta em todo o Brasil.

Realizava-se ali a Festa do Pêssego; o jornal O Globo, em sua edição de 8 de dezembro de 1954, informava que a CICA recebeu uma medalha de ouro como a melhor produtora de frutas industrializadas. 

Em Itaquera existia a Colônia Itaquera, uma área de cerca de 400 alqueires, onde trabalhavam cerca de 200 famílias. Hoje a região é uma área densamente habitada, periferia da cidade de São Paulo. 

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

OS PRIMÓRDIOS DA ETEC VASCO ANTONIO VENCHIARUTTI

Em sua edição de 20 de maio de 1958, o jornal O Estado de S. Paulo anunciava a construção da atual Escola Técnica Vasco Antonio Venchiarutti, anteriormente chamada Colégio Técnico de Jundiaí.

Na ocasião, foi assinado um convênio para tal fim; foram partes a União, o Estado e o Município. Pela União, assinou o ministro da Educação, Clóvis Salgado; pelo Estado, o governador Jânio Quadros e pelo Município, o prefeito Vasco Venchiarutti, que hoje dá nome à escola. 

O jornal menciona também que o 12º GAC, então 2º GO 155, cooperava com a iniciativa, com seus soldados procedendo à limpeza do terreno de 8 alqueires, que foi cedido pela família Storani.

Pensava-se em uma escola para 600 alunos, em regime de internato, que não foi implantado; a ETec entrou em operação em 1966, contando hoje com cerca de 1.500 alunos e é um orgulho para Jundiaí.  







quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

EM 1871, A ESTRADA JUNDIAÍ - CAMPINAS ESTAVA MUITO RUIM

O jornal Gazeta de Campinas de 12 de fevereiro de 1871 tratava das condições da estrada que ligava nossa cidade a Campinas. 

E as condições eram péssimas, inclusive com uma ponte ameaçando cair.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

O NOVO CONSULTÓRIO DO DR. CLÓVIS DE SÁ E BENEVIDES

A Folha da Manhã de 6 de abril de 1937 noticiava a inauguração do "novo e moderno" consultório do médico Clóvis de Sá e Benevides, situado à Rua Barão de Jundiaí 114.

Estiveram presentes inúmeras personalidades de nossa cidade e após a benção das instalações foi "servido aos presentes um beberete" - seria um coquetel?


A matéria lembrava que o médico concluíra recentemente um curso de aperfeiçoamento na área cirúrgica. Estudioso, o Dr. Clóvis também fez em 1952 um curso de patologia na Santa Casa de Misericórdia de S. Paulo.


Vale lembrar que o Dr. Clóvis, nascido em 1904, foi, em 1941, um dos fundadores do Rotary Club de Jundiaí, que presidiu no período 1947-1948. Foi também presidente da seção local da Associação Paulista de Medicina.

Faleceu em maio de 1965. 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

1940: COBRA MATA MENINO

Em fevereiro de 1940, o menino Guerino Scalli, de 14 anos, residente no Caxambu, foi picado por uma cobra. 

Levado ao Hospital São Vicente, acabou morrendo no dia seguinte. 

Naquela época, o acesso a soro antiofídico era difícil, e na zona rural eram relativamente comuns acidentes como esse.





quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

CACARECO E FRANCESCO ANNUNZZIATTA, UM JUNDIAIENSE NA GUERRA E EM NEW YORK


Cacareco era um rinoceronte que vivia no zoológico de São Paulo; no ano de 1959 foi o candidato a vereador mais votado Capital, com cerca de cem mil votos. O rinoceronte transformou-se em bandeira de protesto político a partir de uma sugestão do jornalista Itaboraí Martins, do jornal “O Estado de S. Paulo”; incomodado com a falta de alternativas e a má qualidade do debate eleitoral, Martins lançou a campanha de Cacareco para vereador como forma cômica de protesto, que acabou ganhando as manchetes dos principais jornais do país e do exterior.

Mas o tema deste post não é a política, mas sim um artigo do jornalista em que narra seu encontro casual, em 1965, com um jundiaiense que vivia em New York: era Francesco Annunzziatta, homônimo de um gangster americano. 

Francesco nasceu em nossa cidade, e como muitos outros descendentes de italianos foi lutar pela Itália na Primeira Guerra Mundial, onde foi ferido por um tiro no braço; ao final da guerra voltou para o Brasil e, logo em seguida, foi vier nos Estados Unidos. 

Na conversa com o jornalista, dentre outras coisas, lembra-se de que ia à estação de Jundiaí buscar o jornal Fanfulla, que era editado em São Paulo, em língua italiana. O Fanfulla tem até hoje uma edição digital, que pode ser vista aqui



Encontramos jundiaienses em todos os cantos do mundo...  






quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

1949: UMA CONFUSÃO NO QUARTEL DOS BOMBEIROS

Em janeiro de 1949, um sargento do destacamento do corpo de bombeiros  teria sido insultado por um funcionário da prefeitura,  dentro do quartel de nossa cidade. 

O funcionário estaria armado e foi detido pelos bombeiros. Apesar de liberado pouco depois, o fato levou a Câmara de Vereadores a pedir esclarecimentos ao comandante do destacamento, cuja resposta está no ofício abaixo; vale a pena relembrar o episódio: 




sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

ROUBO NO GANDRA

Não é de hoje que nossas escolas são vítimas de furtos e vandalismo - a imprensa noticiava que na noite de 9 para 10 de agosto de 1952, ladrões roubaram a Escola Industrial, atual Escola Estadual Antenor Soares Gandra - a escola fora fundada em 1946 e era conhecida como "Industrial". 

Na escola havia um curso de "maestria feminina", onde, entre outras coisas, jovens aprendiam a costurar. Dali, ladrões levaram uma máquina de costura elétrica e roupas confeccionadas pelas alunas e que seriam exibidas em exposição que se realizaria no final do ano.

Não conseguimos descobrir se os ladrões foram descobertos e o material recuperado - as foto abaixo mostram como era a Industrial à época. 




sábado, 30 de novembro de 2019

UM POUCO DA HISTÓRIA DA POZZANI


A Cerâmica Santa Josefina  foi fundada em nossa cidade no ano de 1913, e produzia louças domésticas; foi adquirida pelo italiano Francisco Pozzani em 1934, que alterou o nome da empresa para  Cerâmica Carlos Gomes - a fábrica situava-se naquela rua. 


A empresa passou a produzir  filtros  de cerâmica para água, as chamadas velas. A ideia de produzir velas nasceu por praticamente inexistir aqui saneamento básico, o que levava  muitas pessoas a contraírem doenças, especialmente o perigoso tifo, o que ocorreu inclusive com um dos filhos de Francisco Pozzani. Naquela época, os filtros existentes eram importados e  caros; a partir da iniciativa da Pozzani, seu preço caiu, o que contribuiu para a melhoria da saúde pública.  
No final da década de 30 a Cerâmica Carlos Gomes voltou a produzir cerâmica doméstica,  como jogos de café e chá, bules e sopeiras, que foram um sucesso de vendas, inclusive sendo exportadas. A sopeira que aparece na foto ao lado tinha a marca CCG/Pozzzani.


Em 10 de agosto de 1952 a imprensa noticiava um incêndio acontecido na fábrica, que foi combatido com dificuldades em função da falta de água, que precisou ser captada do Rio Jundiaí, que passa pelas imediações.


A Pozzani chegou a ter em torno de 1000 funcionários, mas    em meados da década de 90   começou a passar por dificuldades financeiras; em   2003, foi vendida e passou a se chamar IBAC – Indústria Brasileira de Artefatos Cerâmicos. Infelizmente a empresa não durou muito após sua venda. Depois de quase 80 anos de funcionamento a Pozzani faliu, deixando dívidas, inclusive de ordem trabalhista

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

1964: NACIONAL CAMPEÃO AMADOR DE JUNDIAI




Em 27 de outubro de 1964, o vereador Rogério Alfredo Giuntini (foto ao lado) requeria à Câmara que registrasse um voto de louvor ao Nacional Atlético Clube, pela conquista do campeonato Amador de nossa cidade. 

No requerimento, como se pode ver abaixo, o vereador fazia elogios à equipe, que no ano seguinte disputaria o campeonato amador do Estado. Dizia inclusive que, entre seus jogadores, não havia "amadores-profissionalizados", como os que atualmente disputam os campeonatos de nossa cidade. 




Bons tempos, que nos fazem ver com tristeza a situação do tradicional clube de Vila Arens, hoje praticamente abandonado e à beira do fechamento, como ilustra a foto abaixo:


segunda-feira, 11 de novembro de 2019

O ENGENHEIRO MARSILLAC VIVEU EM NOSSA CIDADE

José Alfredo Montes de Marsillac nasceu em Aracajú no ano de 1904. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, onde, aos 19 anos, graças à sua imensa capacidade intelectual, graduou-se em engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro.

Em 1924 transferiu-se para São Paulo, vindo a trabalhar no no ramal Mairinque-Santos da Estrada de Ferro Sorocabana, destacando-se pelo seu trabalho na área de obras em concreto armado, em uma época em que o uso desse material em pontes ferroviárias era muito questionado.

Em 1929, Marsillac foi convidado a trabalhar na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e acabou se mudando para Jundiaí. Pouco depois, a Revolução de 32 teria início, e o engenheiro imediatamente se alistou no Exército Constitucionalista. 

Marsillac foi um dos heróis da defesa do Túnel da Mantiqueira, um túnel ferroviário com 997 metros de extensão, localizado na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, entre os municípios de Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG. Na área aconteceram as lutas mais violentas e o maior número de baixas dentre todas as frentes de combate; a foto mostra a entrada do túnel no lado paulista.

No dia 11 de setembro, sob um ataque inimigo, Marsillac foi atingido por um estilhaço de granada e ficou praticamente cego. No entanto, para uma mente como a sua, essa limitação não seria o fim, mas um novo começo.

O engenheiro continuou a exercer sua função de maneira ativa e desenvolveu pesquisas de natureza técnico-científica no campo da engenharia civil, especialmente na área de resistência dos materiais, ainda trabalhando para a Cia. Paulista; faleceu, em Capinas no ano de 1985, sempre trabalhando e escrevendo. 

Como raras vezes acontece, foi homenageado ainda em vida pela E. F. Sorocabana, que em 1934 deu seu nome a uma estacão que estava inaugurando - Engenheiro Marsillac, que fica na linha em que trabalhara, Mais tarde, seu nome passou a designar toda a região, que é o mais meridional distrito da cidade de São Paulo.

Será que não merece uma homenagem também de nossa cidade?

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

1937: ÔNIBUS COM DESTINO A ITUPEVA CAPOTA NA ESTRADA

A Folha da Manhã noticiava  em 15 de junho de 1937 que um ônibus que saíra de nossa cidade com destino a Itupeva capotou após chocar-se contra um caminhão. 

Vinte passageiros sofreram ferimentos, felizmente sem maior gravidade.  

É curioso o jornal mencionar que o acidente ocorreu na "Estrada São Paulo - Matto Grosso" - é a nossa conhecida Estrada de Itú, hoje Rodovia D. Gabriel P. Couto e que anteriormente era conhecida como Rodovia Marechal Rondon. 

Essa rodovia sai de nossa cidade e ainda é conhecida como Marechal Rondon a partir de Itú, passando por cidades como Botucatu, Baurú, Araçatuba e Andradina, terminando às margens do Rio Paraná, que divide nosso estado do Mato Grosso do Sul, como mostra o mapa abaixo, onde o traçado da rodovia aparece em vermelho:

A mudança de seu nome no trecho Jundiaí - Itú é mais uma amostra do empenho de nossos políticos em agradar determinados grupos, não se preocupando em preservar a história. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

JUNDIAIENSES LIBERTAVAM SEUS ESCRAVOS



O jornal "A Província de S. Paulo", atual "O Estado de S. Paulo" era um jornal que pregava a abolição da escravatura.

É muito interessante notar que, em suas edições de 1887, havia inúmeras notícias acerca de pessoas que estavam libertando seus escravos, algumas vezes com a condição de que prestassem serviços durante mais algum tempo.

Essas pessoas provavelmente estavam percebendo que a escravidão, essa chaga social que envergonhava nosso país, estava deixando de se sustentar, apesar de que, em abril daquele ano, ainda existissem 1.366 escravos em nossa cidade. 

O jornal trazia várias notas acerca de libertações feitas por pessoas de nossa cidade, algumas conhecidas até hoje; é o caso do Coronel Leme da Fonseca e da Baronesa de Jundiahy, que segundo o jornal de 22 de julho libertaram cerca de 100 de seus escravos, com o condição de que prestassem serviços até o final de 1890 - a abolição total chegou antes, felizmente. 

Já no dia 25 de agosto noticiava-se que o Barão de Japy e os comerciantes Monteiro de Barros & Irmão libertariam seus escravos na mesma condição - só o Barão possuía mais de 100 escravos.  


Também exigindo serviços por mais três anos, o fazendeiro José Estanislao do Amaral prometia libertar seus 300 escravos.  

São ecos de um passado não tão remoto, que nos fazem lembrar a obrigação de combatermos situações semelhantes, ainda presentes nos dias atuais, quase sempre envolvendo migrantes que deixaram sua terra em busca de condições de vida um pouco menos piores e que acabam vítimas dos modernos senhores de escravos, vivendo muitas vezes em condições piores do que as em que viviam os escravos até o final do século XIX.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

ACIDENTE NA ESTAÇÃO

Na época em que havia trens de passageiros ligando São Paulo ao interior do estado, quando estes chegavam à nossa cidade, era necessária uma troca de locomotiva, pois de Jundiaí para o interior, estas eram da Paulista; já no trecho Jundiaí-capital, eram da Santos-Jundiaí.

Em 24 de dezembro de 1957, a locomotiva da EFSJ que iria se engatar ao trem que seguiria para São Paulo, acabou colidindo com este, segundo a imprensa, por ter se aproximado do trem em velocidade excessiva em função de imperícia do maquinista.

Várias pessoas ficaram feridas, inclusive algumas que viviam em nossa cidade - em função da proximidade dos feriados, o trem achava-se lotado. 

E a bruxa estava solta na cidade: no dia 23, um jipe proveniente de Goiás chocara-se com um caminhão na Via Anhanguera, matando uma pessoa. 


terça-feira, 8 de outubro de 2019

OS DESMANDOS DO ADEMARISMO E UMA PÁGINA TRISTE NA HISTÓRIA DE JUNDIAI


Ademar de Barros foi governador do estado de São Paulo, tendo se celebrizado pelo mote "rouba mas faz".

Político pouco escrupuloso, foi objeto de matéria publicada na edição do Estado de S. Paulo de 24 de abril de 1949; nela, o jornal relatava uma série de desmandos que o governador cometera visando beneficiar seus correligionários. 

Um desses desmandos acontecera em nossa cidade: o diretor do Ginásio e Escola Normal de Jundiaí foi demitido; era funcionário de carreira da instituição e  professor por formação. 

Já seu sucessor, Amadeu Ribeiro Junior (foto ao lado), "ademarista de carteirinha" era dentista e  apenas professor interino da instituição; era também presidente da Câmara Municipal.

Em resumo: zero de preocupações com a educação e total apoio aos "companheiros"... Lamentável!