quarta-feira, 3 de abril de 2019

O HOTEL DA ESTAÇÃO INGLEZA


O jornal A Cidade de Ytú, em sua edição de 12 de outubro de 1903 publicava um anúncio do Hotel da Estação Ingleza, que ficava próximo à estação ferroviária de nossa cidade,  convidando os passageiros que viajavam de Itu para São Paulo ou em sentido contrário, a almoçar no referido hotel, que havia sido recentemente reaberto. Havia uma baldeação (troca de trem) em nossa cidade, pois a ligação entre Jundiaí e Itu era feita pela Companhia Ytuana e entre Jundiaí e São Paulo pela SPR (São Paulo Railway), que pertencia a ingleses, razão do nome dado à estação.

Mais tarde a Ytuana transformou-se em Sorocabana, antes de ser extinta. A SPR transformou-se em Santos a Jundiaí e hoje é CPTM. 

Provavelmente o hotel funcionava no mesmo prédio que abrigara o Hotel do Commercio e mais tarde o hotel de Rappa & Barretini, de que já falamos em outros posts.

Até há não muito tempo atrás, havia próximo à estação um prédio que serviu como hotel de alta rotatividade e anteriormente como sede do antigo GEVA - Ginásio Estadual de Vila Arens - não sabemos se se trata do mesmo prédio que abrigou os hotéis antigos - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra foto do prédio logo após a instalação do GEVA (cerca de 1963). 


sexta-feira, 29 de março de 2019

ANÚNCIOS ANTIGOS: O EXTRATO DE TOMATE ELEFANTE

A Folha da Noite de 27 de maio de 1943 trazia um anúncio do Extrato de Tomate Elefante. 

O detalhe interessante é que a palavra 'Tomate' está no plural - mais tarde, como se pode ver nos anúncios que se seguem, da década de 1950, a palavra passa a ser usada no singular.

No anúncio em que aparece um cozinheiro, observar a palavra "cosinha" - grafada com "s" ao invés de "z".



terça-feira, 26 de março de 2019

1952: POLICIAL RODOVIARIO MORRE EM ACIDENTE


Era 6 de agosto de 1952. Em uma noite de neblina o policial rodoviário Nitemar Vasconcellos Borba, ao abordar na Via Anhanguera um caminhão que trafegava em excesso de velocidade. acabou sendo atropelado e morto por outro caminhão.

Foi mais um dos policiais baseados em nossa cidade que deu a vida cumprindo seu dever. Seu nome foi dado a uma rua no bairro Jardim Bonfiglioli, em São Paulo. 


quarta-feira, 20 de março de 2019

DESDE SEMPRE AS PESSOAS ESQUECEM COISAS NOS TRENS...

Nos primeiros dias de 1875, a então Estrada de Ferro de Jundiahy a Campinas, mais tarde Companhia Paulista de Estradas de Ferro, publicava na Gazeta de Campinas uma lista de objetos esquecidos nos trens.

É uma lista bastante curiosa: em primeiro lugar entre os onjetos esquecidos estavam os abanos (leques) e em segundo, os guarda chuvas velhos. Há também um chicote, uma algema e um torques...

Ha ainda algumas coisas que não conseguimos identificar, como por exemplo 3 tonilhas e um chapéu de manilha...

O problema persiste: em 2012, 77 mil objetos foram esquecidos nos trens do Metro de São Paulo.






segunda-feira, 11 de março de 2019

A IMPRENSA JUNDIAIENSE EM 1951

A Folha de São Paulo, de 26 de outubro de 1951, dava um interessante panorama da  imprensa de nossa cidade.

Existiam 3 jornais em nossa cidade: A Folha, O Jundiaiense e A Comarca. A Folha era o mais antigo, e foi fundado por Tibúrcio Estevam de Siqueira, que segundo a matéria, viveu e empobreceu pelo jornal. 

A Folha jundiaiense teve papel importante na criação da Previdência Social e na Revolução de 1932, quando Tibúrcio, perseguido por adversários políticos precisou deixar a cidade.

Em meados da década de 1940, o jornal foi adquirido pelo Círculo Operário Jundiaiense e passou a ser  dirigido pelo Padre Adalberto de Paula Nunes, circulando quatro vezes por semana; pertencia ao grupo também a Rádio Difusora, que foi criada pelo Padre Adalberto. A Folha deu origem ao atual Jornal de Jundiaí. 

Tibúrcio Estevam de Siqueira nasceu em Jundiaí em 9 de setembro de 1887 e faleceu aqui em 29 de fevereiro de 1948.

A principal figura ligada a O Jundiaiense foi Secundino Veiga, celebre polemista. Fundado em agosto de 1901, o Jundiaiense também sofreu perseguições em 1932; em 1951 era dirigido por Carlos Veiga, filho de Secundino.

Secundino Ribeiro da Cunha Alves da Veiga nasceu em Portugal em 1875 e faleceu em nossa cidade em 1953. Colaborou com inúmeras publicações, atuando na imprensa desde 1893 e atuando também como professor. 

A Comarca, fundada em 1926, teve à sua frente, desde aquela época, João Baptista de Figueiredo, que foi também professor e advogado.

terça-feira, 5 de março de 2019

1957: VEREADOR PEDIU O CONFINAMENTO DE PROSTITUTAS

Em 1957 um tema agitava nossa cidade:o confinamento das prostitutas.

O delegado de polícia de nossa cidade, João Moreira de Novaes,  determinara o fechamento das "casas de tolerância", onde as mulheres recebiam seus clientes. Como era de se esperar, as prostitutas foram para o centro da cidade, onde passaram a praticar o "trottoir", palavra  francesa que significa "calçada" e designa mulheres procurando  clientes pelas ruas - sua presença gerava problemas que conhecemos até hoje: algazarras, sujeira, brigas etc. 

O vereador José Pedro Raimundo, em função dessa situação, requereu a volta do confinamento das prostitutas; seu pedido foi discutido e aprovado pela Câmara Municipal, após discussões que se arrastaram por três sessões da Câmara, durante as quais o público ocupou todo o recinto.

Foram 11 votos contra cinco; não sabemos o que veio a acontecer logo depois, mas esse problema persiste até hoje, com algumas ruas centrais tomadas por essas mulheres e seus clientes, infernizando a vida dos moradores.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

PECHINXA!

Em 17 de novembro de 1854, o "Correio Paulistano" publicava um anúncio oferecendo um sítio em nossa cidade.  

Aparentemente, tratava-se de uma propriedade que era utilizada como uma espécie de hotel - o anúncio dizia que "para ali convergem todas as tropas e passageiros".

Fica a curiosidade: onde se localizaria o Sítio Califórnia? Em post anterior falamos da estalagem do Barão da Ponte, que provavelmente ficava na área da atual Vila Lacerda. Seria o mesmo local? 

É interessante também ver como se escrevia "novembro" - vale a pena checar o lado esquerdo do alto da primeira página daquele jornal:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O PROFESSOR FRANCISCO NAPOLEÃO MAIA: UM INTELECTUAL

Em junho de 1959 o então deputado José Romeiro  Pereira apresentou projeto de lei dando o nome de Prof. Francisco Napoleão Maia ao Grupo Escolar de Vila Rami. 

O projeto continha uma sucinta biografia do Prof Napoleão Maia, trazendo alguns fatos interessantes: o Professor era natural de Bragança Paulista, onde nasceu em 1859 (algumas fontes falam em 1860); em 1885, logo depois de formado pela Escola Normal de São Paulo, foi nomeado para a escola rural do Bairro dos Passarinhos - o atual município de Vinhedo. Em 1889 foi diretor do então Grupo Escolar Cel. Siqueira de Moraes. Cursou Direito até o 3º ano, precisando deixar o curso por falta de recursos financeiros.

Além de professor, teve uma atuação importante na vida de nossa cidade, tendo sido um dos fundadores do Hospital São Vicente e da Conferência Vicentina Nossa Senhora do Desterro. 

Era também músico, pianista e compositor, sendo o autor de diversos hinos escolares e sacros. À época em que era  diretor do Grupo Escolar “José Alvim”, em Atibaia, ali regeu a Banda União da Mocidade. 

Com sua primeira esposa, Deolinda, teve seis filhos, dentre os quais a Prof. Maria José Maia de Toledo, que dá nome a uma escola de nossa cidade. Viúvo, casou-se com uma irmã de Deolinda, Ana, com quem não teve filhos. 

Lembramo-nos que, na virada dos anos 1950/60, os alunos do Grupo da Vila Rami usavam como uniforme uma calça ou saia azul marinho e uma camisa branca, onde eram bordadas também em azul marinho, as letras "FNM" - isso era motivo de brincadeira entre as crianças, que faziam piada com a expressão "fenemê", que fazia referência aos caminhões FNM que eram os maiores fabricados no Brasil.

O Prof. Maia faleceu em nossa cidade em 10 de maio de 1949. Até o fim de sua vida esteve ativo fisicamente, cuidando de suas flores, e intelectualmente, lendo muito, inclusive em inglês e latim e, curiosamente, conversando em alemão com seu leiteiro...

A foto do Prof. Maia que ilustra este post foi obtida graças aos esforços das Professoras  Érica Cristina Rodrigues da Silva, Kátia Aparecida da Silva (respectivamente Vice Diretora e Coordenadora da atual EE Prof. Francisco Napoleão Maia) e Vanisa Franciscato, Assessora da Diretoria de Ensino da Região de Jundiaí.

 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

EM 1919 OS SERVIÇOS DE FORNECIMENTO DE ELETRICIDADE JÁ ERAM RUINS

Sempre tivemos muitas reclamações acerca dos serviços de fornecimento de eletricidade em nossa cidade.


E sempre não é força de expressão... A eletricidade chegou a nossa cidade em 1904, fornecida por uma empresa denominada Luz e Força de Jundiaí e já em 9 de março de 1919, o jornal O Estado de S. Paulo mencionava um relatório da diretoria da Argos Industrial, que dizia que sua fábrica não podia funcionar de forma completa por falta de fornecimento regular de energia, apesar de haver um contrato com a Luz e Força. 

Naquela altura, entre os sócios da Luz e Força estavam um de seus fundadores, Eloy Chaves (à esquerda), e o Dr. Olavo Guimarães, que mais tarde seria prefeito de nossa cidade e cuja foto está à direita. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

A LIGAÇÃO FERROVIÁRIA JUNDIAÍ-CAMPINAS EM 1874


O jornal Gazeta de Campinas de 20 de dezembro de 1874 publicava um mapa informando os volumes de carga e passageiros transportados entre Jundiai e Campinas pela então "Estrada de ferro de Jundiahy a Campinas" no mês de novembro daquele ano.

Foram mais de 6 mil passageiros e quase 7 mil toneladas de carga, principalmente café. 


É muito provável que algumas das composições que transportaram essa carga e passageiros foram tracionadas pela locomotiva número 1 (foto ao lado), que foi construída na Inglaterra em pela empresa John Fowler & Co, empresa que durante a 2ª Guerra Mundial chegou a produzir tanques para o exército daquele país.


domingo, 3 de fevereiro de 2019

AS MULAS DESAPARECERAM...

A Gazeta de Campinas de 2 de junho de 1870 noticiava o desaparecimento de duas bestas (mulas) de nossa cidade.

O estranho é que o anúncio foi feito cerca de cinco meses depois do desaparecimentos animais. 

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

1929: TREM ATROPELA UMA PESSOA EM LOUVEIRA

A Folha da Manhã de 26 de maio de 1929 noticiava o atropelamento de uma pessoa por um trem, em Louveira, então pertencente a Jundiai.

A vítima foi apanhada próxima à plataforma da estação por uma composição proveniente de São Paulo, tendo morte instantânea. 

O corpo foi necropsiado por um dos mais conhecidos médicos de nossa cidade, o Dr. Antenor Soares Gandra, mais tarde nosso prefeito.



domingo, 20 de janeiro de 2019

NOSSA CIDADE EM 1818

Luís D'Alincourt (também grafado "de Alencourt" ) nasceu em Oeiras, Portugal, em 1787 - Oeiras é uma cidade próxima a Lisboa. Em 1799 iniciou carreira militar; em 1809, transferido para o Brasil (a família real aqui chegara no ano anterior), graduou-se pela antiga Academia Militar do Rio de Janeiro.

Membro do Corpo de Engenheiros, viajou muito por nosso país, cumprindo missões de pesquisa que lhe foram atribuídas pelo Exército - permaneceu no Exército Brasileiro após a independência - tendo falecido em 1841 no Espírito Santo, onde, com o posto de major, cumpria mais uma missão. 

Escreveu muito, sendo uma de suas mais importantes obras a "Memória sobre a viagem do porto de Santos à cidade de Cuiabá", relatando viagem que realizou em 1818; a obra foi publicada em 1825 e reeditada várias vezes. No livro, descreve nossa cidade, descrição que é objeto deste post, no qual procuramos manter a grafia original:  



"Jundiahy, pequena Vila na Latitude de 23º 6’40” e longitude de 46º 57’ a Oeste do Meridiano de Greenwich, menos de uma milha distante da margem esquerda do rio Jundiahy-Guacú, que lhe passa ao norte, e vai desaguar no Tietê, quatorze, para quinze léguas distante da direção, em que este rio corre próximo a S. Paulo; está colocada ao longo do cabeço de um monte, dez léguas ao Nor-noroeste desta Cidade: o monte tem suave declive até ao vale, que lhe fica ao Sudoeste; para o lado oposto a inclinação é mais áspera; as ruas são alinhadas, e largas, dispostas paralelamente umas às outras; todas as casas construídas de taipa e terras, à exceção de duas moradas, a maior parte delas são cobertas de telha vã (sem forro), e guarnecem as ruas com muita irregularidade em suas frentes, e alturas: a rua direita está no ponto mais elevado, disposta ao longo do cabeço do monte; depois segue-se a do meio, e são as mais povoadas; à rua do meio segue-se a nova, e a esta a da Boa Vista, que é mais baixa, e a menos povoada; a qual tem grandes espaços tapados com muros de taipa, e outros inteiramente abertos. 



Há nesta Vila três Igrejas; a Matriz, da invocação de Nossa Senhora do Desterro, colocada quase no centro da Vila, com uma pequena praça na frente; a de Nossa Senhora do Rosário, situada na extremidade da parte de S. Paulo (ocupava o espaço entre o prédio do Gabinete de Leitura e o antigo quartel) e a de S. Bento (o atual Mosteiro), no outro extremo, havendo entre esta, e a Vila, um comprido largo coberto de pequenos arbustos. 

Foi Jundiahy no seu princípio uma Freguesia,  erecta há perto de cento e oitenta anos: tira o nome do rio Jundiahy, e estes dos peixes chamados Jundiás, a cuja palavra juntando-se-lhe o y, que tendo na linguagem Indiana a pronúncia de ú francês, quer dizer rio, assim os dois substantivos formam um só nome que exprime rio de Jundiás, ou rio em que há Jundiás. 

É esta Vila pouco povoada, porque grande número de seus moradores, se aplica à cultura das terras; principalmente no tempo dos roçados para as plantações: e outros saem por camaradas, e arrieiros (tropeiros) das diversas tropas; que ali se arranjam do preciso, para seguirem jornada; e em que se empregam, todos os anos, de oitocentas a mil bestas, o que forma um mui útil ramo de negócio destes habitantes

O açúcar, aguardente, e toucinho são os principais gêneros de exportação: colhe-se milho em quantidade, arroz, legumes de várias qualidades, e especialmente feijão: fazem farinha de mandioca; plantam algum trigo, e criam gado vacum, e cavalar (em outro post já falamos da produção agrícola em nossa cidade)

Há no Termo perto de quarenta engenhos, entrando neste número os de aguardente, situados pela maior parte na serra de Japí, cinco léguas distante, que corre do Nordeste, ao Sudoeste, e fica ao Sueste da Vila: é o melhor local de todo o Termo para produzir a cana (em outro post já tratamos do assunto)

Ao rio Jundiahy-Guaçú se vão juntar os ribeiros Quapéba (Guapeva), e Mangabaú (Anhangabau), que atravessam a estrada geral; e passam junto à Vila. Uma grande parte de seus habitantes tem os pescoços defeituosos por causa da moléstia, a que vulgarmente chamam papos (bócio,  aumento do volume da tireoide geralmente causado pela falta de iodo), que ataca as pessoas de ambos os sexos, e até de menos idade; julga-se que esta moléstia provém da qualidade das águas.

Na noite de 6 para 7 de Setembro, estando eu aqui de pouso, às 11 horas pouco mais, ou menos, houve um tempestuoso furacão, que se fez notável pelos seus efeitos: a trovoada foi horrível, e, entre os muitos raios que ofenderam a terra, um caiu sobre a Matriz, o impetuoso vento arrancou telhas, derribou algumas casas, e fez grande estrago nas plantações, e arvoredos: disseram alguns velhos do lugar, que não se lembravam de ter havido um temporal semelhante nos seus dias".

Encerrando a menção à nossa cidade, D'Alincourt descreve a saída em direção a Campinas: "De Jundiahy segue o caminho no prolongamento da rua direita, e toma por detrás de S. Bento em ladeira, pelo declive, que tem o monte, que termina no rio Jundiahy-Guaçú, que se passa por uma ponte estreita, construída de madeira e corre nesta paragem do Nor-noroeste, ao Sul-sudoeste: junto a ele, da parte da Vila, há seis pequenas moradas de casas; e a este sítio dão o nome da ponte (Ponte de Campinas): a estrada vai a Oes-noroeste plana, e coberta de arvoredo". 

Sem dúvida, uma visão interessante da velha Jundiahy.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

UMA OCASIÃO FESTIVA: O COMPROMISSO À BANDEIRA EM 1938

A Folha da Manhã, em sua edição de 11 de junho de 1938, noticiava que no dia seguinte aconteceria o "juramento à bandeira" dos soldados que estavam sendo incorporados ao então 2º Grupo de Artilharia de Dorso, hoje 12º GAC.

Este é um evento emocionante, em que os novos soldados, juntos, dizem em voz alta:    
“Incorporando-me  ao Exército Brasileiro, prometo cumprir rigorosamente as ordens das autoridades a que estiver subordinado, respeitar os superiores hierárquicos, tratar com afeição os irmãos de armas, e com bondade os subordinados, e dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade, e instituições, defenderei com o sacrifício da própria vida”. A foto ao lado mostra o momento em que soldados fazem o juramento. 

Na ocasião haveria também um desfile e uma competição - um "cabo de guerra" para o qual eram esperados quatrocentos participantes. 

Na solenidade, falaria o então capitão João Paulo da Rocha Fragoso, que chegou a Marechal, tendo ocupado a Secretaria da Segurança de nosso estado e uma diretoria da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. 

Fragoso (1906-1978) foi casado com a sra. Irene Zaniratto, natural de nossa cidade 

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

1941 - OS FOGÕES A GÁS COMEÇAVAM A SE POPULARIZAR EM JUNDIAÍ

Em 21 de fevereiro de 1941, O Estado de S. Paulo anunciava a inauguração da "agência distribuidora do Ultragaz" em nossa cidade. 

A empresa localizava-se à Av. Dr. Cavalcanti 1073, e estiveram presentes o Prefeito, representantes da imprensa e "pessoas gradas".  A Ultragaz foi criada em 1937, no Rio de Janeiro, e começou a operar com uma frota de três caminhões e 166 clientes; hoje, tem 5.000 pontos de venda. 

Por aqui, era o começo do fim dos fogões que queimavam lenha e carvão - no entanto, esses equipamentos já existiam há mais tempo em outros países, como mostra o anúncio francês abaixo, da década de 1920 - o texto quer dizer algo como "com o fogão a gás, seus pratos sempre ficarão bons".

  

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

1949: FARMÁCIAS DE PLANTÃO

A imprensa informava quais farmácias estariam de plantão  no domingo, 27 de março de 1949. 

Naquela época, não existiam tantas farmácias como hoje, e a Prefeitura fazia uma escala, obrigando a que algumas delas abrissem aos domingos e facultando às outras abrirem. 

É  interessante notar que das farmácias citadas, quase  todas não existem mais - há ainda em nossa cidade uma Drogaria Catedral, mas não sabemos se é o mesmo estabelecimento que existia em 1949. 

domingo, 9 de dezembro de 2018

A JUSTIÇA ERA (E AINDA É) LENTA.....

Em junho de 1873, Joaquim Antonio Fernandes relatava em anúncio publicado na Gazeta de Campinas que, em fevereiro daquele ano, requerera o Juiz Municipal de nossa cidade a emissão de uma certidão relativa a um processo que movera.

No anúncio dizia que ainda não conseguira a certidão, pois o escrivão responsável "alegava serviços" e não emitia o documento. 

Pelo jeito, esse estado de coisas é bem antigo...




quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

NAZISTAS EM JUNDIAÍ


A imprensa da capital (Folha da Manhã) noticiou em novembro de 1935 a realização de um baile no Grêmio CP, promovido por um certo clube Germânia.


Antes do início do baile houve uma "sessão comemorativa", onde foi cantado nosso Hino Nacional e o hino do partido nazista, além de canções alemãs. Em seguida, ouviu-se um programa de rádio sendo transmitido diretamente de Berlim.

Estava presente o prefeito da cidade (Antenor Soares Gandra), que foi saudado por Carlos Cordts, falando em nome do Germânia. 

Esse parece não ter sido um evento isolado. Quando o Brasil estava prestes a entrar em guerra com a Alemanha, a polícia intensificou as investigações contra os nazistas. Nesse processo, foram apreendidos documentos, como o folheto que aparece ao lado, que era um convite para uma reunião em 1934, que iria realizar-se no mesmo Grêmio CP.

Seria interessante sabermos o que aconteceu com o clube, seus associados e com os nazistas jundiaienses quando o Brasil entrou na guerra contra os alemães e contribuiu para a sua derrota, inclusive com a 148ª Divisão alemã rendendo-se aos brasileiros na Itália, como mostra a foto abaixo.










OS TRENS DA PAULISTA E O FILÉ ARCESP

Trabalhando em São Paulo desde 1971, ainda me recordo quando os trens ainda eram um excelente meio de transporte entre a capital e nossa cidade - já mencionamos isso em post anterior falando das "litorinas". 
O carro restaurante preparando-se para deixar a Estação da Luz 

Mas hoje o tema é outro: os trens de longo curso da Paulista, que ligavam São Paulo às barrancas do rio Paraná; mais especificamente os carros restaurante que faziam parte desses trens - não vivemos essa época, mas houve tempo em que para ir a esses carros, era necessário o uso de paletó e gravata e retirar uma senha. 


Eles eram ideais para se tomar uma cervejinha (sempre gelada) e jantar, não dando trabalho em casa - naquela época, jantava-se cedo em Jundiaí. Esse jantar ia desde simples porções de fritas e queijos, até o que havia de mais sofisticado a bordo: o Filé ARCESP.


A senha
O consagrado jornalista e escritor Ignácio de Loyola Brandão, natural de Araraquara, que muito viajou nos trens da Companhia Paulista, lembra o filé: "Era um bife muito grande, com tomate, cebola, e vinha acompanhado de arroz", descreve Loyola. "Até hoje lembro do aroma." 

O nome do prato homenageava passageiros muito frequentes: os viajantes, como eram chamados na época os representantes comerciais; o nome do prato, vem do nome da entidade que os reunia, a Associação dos Representantes Comerciais do Estado de São Paulo - ARCESP. 

A receita original se perdeu, mas das lembranças de viajantes é possível tentar reproduzi-la, aqui em versão para duas pessoas: 

Ingredientes: 
  • 2 bifes de 220 g de filé mignon 
  • 2 tomates para salada 
  • 1 cenoura 
  • 1 cebola 
  • 200 g de manteiga sem sal 
  • 50 g de ervilhas 
  • Sal e pimenta do reino moída na hora a gosto 

Preparo: 
  • Corte os tomates em cubos e retire todas as sementes. 
  • Fatie a cenoura na diagonal. 
  • Corte a cebola em rodelas. 
  • Tempere os filés com sal e pimenta do reino. 
  • Em uma frigideira, derreta metade da manteiga até borbulhar. Incline levemente a frigideira e coloque os filés na parte mais elevada. 
  • Deixe que o suco dos filés se incorpore à manteiga e mantenha-os no fogo até obter o ponto desejado. 
  • Em uma panela, cozinhe a cenoura até ficar ao dente. 
  • Separadamente, cozinhe as ervilhas. 
  • Quando os filés estiverem no ponto, retire-os da frigideira e reserve-os em lugar aquecido.
  • Coloque na frigideira a manteiga que sobrou, misturando-a ao suco dos filés. 
  • Junte a cebola e mexa bem. 
  • Disponha a cenoura, as ervilhas, os tomates e mantenha os vegetais ainda no fogo, até obterem uma boa coloração. Ajuste o sal, se necessário. 
  • Sirva os filés com os vegetais na manteiga,
    acompanhados por arroz branco. 

Preparado assim, assemelha-se ao original. Só não fica igual por falta de um ingrediente hoje impossível de encontrar: os trens da Companhia Paulista...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O VEREADOR QUEIXAVA-SE DO SOM DOS ALTO-FALANTES


Em fevereiro de 1949 o Vereador Alberto da Costa pedia providências no sentido de que a empresa Alto Falante Rex diminuísse o volume dos equipamentos instalados na Praça Governado Pedro de Toledo e no Jardim Público (Praça Marechal Deodoro da Fonseca) - o som estaria abalando os nervos dos que passavam rela região.

O vereador recomendava que mais equipamentos fossem instalados, porém com o som em volume mais baixo, afim de não criar problemas para as pessoas que por ali andassem "refrescando suas ideias", passeando ou conversando com algum amigo. 

Em nossa cidade existiram diversas empresas desse tipo - eram uma espécie de emissoras de  rádio que divulgavam músicas, notícias e anúncios através de alto-falantes instalados em postes ou janelas de prédios. 

Alberto da Costa, nascido no Rio de Janeiro, ao perder a mãe ainda criança, veio viver em nossa cidade com seus tios. Vereador por 16 anos, apresentou alguns projetos exóticos, como aquele que propunha a construção de um túnel ligando a Vila Rami ao bairro de Santa Clara, visando evitar acidentes no cruzamento da Via Anhanguera. Pretendia também proibir a malhação dos Judas, e "namoros avançados"  Envolveu-se também em conflito com o então vereador Omair Zomignani.

Formado em Contabilidade pelo então Ginásio Rosa, Costa foi funcionário da Cia. Paulista durante praticamente toda sua vida e pertencia aos Vicentinos, tendo, nessa qualidade trabalhado muito pela implantação da Cidade Vicentina, à época chamada “Vila dos Pobres” - não era apenas uma pessoa com ideias exóticas...