domingo, 4 de novembro de 2018

1950: JUNDIAÍ SEM ANALFABETOS?

A Folha da Manhã de 11 de fevereiro de 1950 trazia matéria informando que Jundiaí era o primeiro município do Brasil sem analfabetos. 

O Prof. Guelli discursando em 1942
Havia uma ressalva: o delegado de ensino de nossa região, Prof. Oscar Augusto Guelli dizia que talvez houvesse "um pequeno número de iletrados adultos disseminados pelos recantos do município, inacessíveis à ação dos cursos de ensino supletivo".

Era uma boa notícia, mas hoje, quase 70 anos depois, ainda temos em nossa região uma legião de analfabetos funcionais, pessoas que conseguem balbuciar as silabas de um texto, sem atinar com seu conteúdo como um todo. Há mais gente ainda que desconhece os conceitos básicos de aritmética.

Essas pessoas estão sendo rapidamente postas à margem do desenvolvimento, incapazes de se adaptarem as exigências do mundo moderno, simbolizadas pela 4ª Revolução Industrial - neste link, trazemos alguns conceitos sobre o assunto e uma entrevista em que expressamos nossas preocupações sobre o tema. 

Tudo isso deve ser motivo de muita preocupação por parte daqueles que pensam nosso futuro. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

JUNDIAÍ JÁ TEVE UMA SOCIEDADE HÍPICA


A Folha da Manhã noticiava em 14 de abril de 1946 que fora eleita a nova diretoria da Sociedade Hípica de Jundiaí, formada por pessoas de relevo na sociedade local. 

A nota dizia que a entidade iria realizar uma prova de "caça à raposa", reunindo seus associados. Na Inglaterra do século XIX, a caça à raposa era um esporte de elite: acompanhados por cães, nobres perseguiam raposas com seus cavalos. Nessa missão de captura, o conjunto saltava distintos tipos de obstáculos naturais: troncos, riachos, cercas vivas etc.
 
Mais tarde,  foram criados  circuitos com obstáculos que reproduziam as caçadas, o que existe até hoje, sem as raposas, evidentemente. 

Não conseguimos encontrar qualquer outra notícia a respeito da entidade, embora exista hoje em nossa cidade uma instituição chamada "Hípica Jundiaí", voltada para a prática de esportes equestres, aulas e manutenção e comércio de cavalos - certamente não tem ligação com a entidade objeto da notícia de 1946  .  


domingo, 28 de outubro de 2018

CRUELDADE: CARROCEIRO MATA ANIMAL

A Folha da Manhã de 25 de fevereiro de 1930 trazia uma notícia acerca de crueldade com animais. 

Em Botujurú, bairro de Campo Limpo Paulista e à época pertencente a Jundiaí, Benedicto de Oliveira conduzia uma carroça. Irritado com o desempenho dos animais em uma subida, passou a agredir-los, chegando a matar um deles com uma pancada na cabeça - o desvairado carroceiro ainda mordeu a orelha do animal e acabou sendo preso. 

O animal era de propriedade de seu patrão Biagio Marchetti, um cidadão proeminente na região; valia  cerca de um conto e quinhentos mil réis, algo como 30 mil reais de hoje, em um calculo muito grosseiro, levando-se em conta os preços dos jornais na época (200 réis) e na atualidade (4 reais).

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

A ELETRIFICAÇÃO DA COMPANHIA PAULISTA - UM MARCO EM NOSSA HISTÓRIA

Dois símbolos marcaram de forma indelével o nível de excelência da Paulista: seus  trens de luxo azuis e suas locomotivas elétricas, em especial a imponente V8, com suas linhas aerodinâmicas. 

Era um conjunto marcado pela rapidez, conforto e pontualidade. Nunca mais será possível viajar ao interior contando com a comodidade de carros-restaurante, dormitórios, poltronas giratórias individuais...

A Companhia Paulista foi a primeira grande ferrovia brasileira  que eletrificou suas linhas, ainda na década de 1920, num brilhante trabalho do  engenheiro Francisco de Monlevade,  que implantou um sistema que prestou bons serviços por mais de 75 anos - um recorde que demorará a ser quebrado, se é que um dia virá a ser. É oportuno lembrar que durante esse trabalho, teve morte trágica o engenheiro Leonardo Cavalcanti

Os estudos para a eletrificação da C.P. se iniciaram em 1916, quando o Brasil era um país periférico, agrário e sem praticamente nenhuma tradição técnica. A implantação de um sistema sofisticado como esse não incluía apenas a compra e instalação de equipamentos caros e sofisticados para a época, como também implicou no treinamento de maquinistas e empregados pela própria companhia. 

Não haviam escolas, faculdades e universidades que pudessem lidar com o tema no Brasil. E mesmo os técnicos da General Electric e da Westinghouse que aqui vieram acompanhar a implantação do novo sistema de tração, puderam aprender bastante com a experiência da Paulista com esta nova tecnologia.

Após a implantação extraordinariamente bem-sucedida do programa de eletrificação entre Jundiaí e Campinas, a partir de 1922, ele foi paulatinamente estendido ao longo das linhas de bitola larga da Paulista, alcançando Rincão, na linha de Barretos, em 1928. Trinta anos após sua implantação, em 1954, ele atingiu a sua extensão máxima, alcançando Cabrália Paulista, na linha de Bauru.

A foto ao lado mostra a primeira locomotiva elétrica da Paulista; fabricada pela Baldwin Locomotive Works (componentes mecânicos) e Westinghouse Electric Corporation (componentes elétricos), tinha  1627 hp e foi desativada provavelmente na década de 1970.

Infelizmente a grave crise econômica que se abateu sobre as ferrovias após a década de 1950 impediu o prolongamento da eletrificação além desses pontos. Ainda assim, o sucesso da eletrificação foi suficiente para mantê-la funcionando por várias décadas a fio. 

Em 1995, contudo, a administração da Ferrovia Paulista - FEPASA, empresa estatal que havia absorvido a Companhia Paulista em 1971, decidiu que a manutenção da eletrificação era técnica e economicamente inviável, dada a obsolescência do sistema.

Essa decisão administrativa acabou sendo revogada e a eletrificação voltou a funcionar em 1996, ainda que em caráter bastante precário. O golpe de misericórdia veio em 1999, com a privatização da FEPASA: a empresa que assumiu as linhas não se interessou em manter a tração elétrica. O sucateamento da rede elétrica se deu entre o fim de 1999 e início de 2000. 

Um final realmente inglório para uma conquista tecnológica espetacular conquistada num país ainda agrário e inculto.


quinta-feira, 18 de outubro de 2018

EM 1934, A PROMESSA ERA DE QUE TRENS LIGARIAM JUNDIAÍ A SÃO PAULO EM 30 MINUTOS!

São constantes as promessas quanto ao reestabelecimento de um serviço decente de transporte de passageiros entre São Paulo e nossa cidade. 

Já se falou em trem bala, e agora fala-se no Trem Intercidades, que chegaria até Americana. 

Essas promessas levam-nos adotar uma postura cética, na linha do "só acredito quando começar a funcionar", ainda mais que há pelo menos 84 anos já se falava no assunto - pelo menos é o que dizia o jornal "O Globo", de 25 de janeiro de 1934 (!). 

A matéria dizia que a "Ingleza", depois Santos a Jundiaí e agora CPTM havia encomendado novos trens que seriam empregados  na linha da empresa, sendo que o trajeto entre Jundiaí e São Paulo, que era feito em uma hora, passaria a ser feito em 30 minutos. 

Como escrevemos em outro post, quando a ferrovia começou a operar entre Jundiaí em São Paulo, em 1867, o tempo gasto era de duas horas; hoje, além de não haver ligação direta, esse tempo está entre duas horas e duas horas e meia...


sábado, 13 de outubro de 2018

O INTERNATO BOA ESPERANÇA - UMA DAS PRIMEIRAS ESCOLAS DE JUNDIAÍ

Em 1871 havia em Jundiaí uma escola chamada Boa Esperança. Era um internato, onde se ensinava a "ler, escrever, contar, doutrina christã e grammatica portugueza".

A escola era dirigida por Francisco de Paula Sousa Campos, que pertencia a uma família tradicional da região de Campinas. 

A escola situava-se em uma fazenda, no bairro Capivary (ao que parece na região da estrada de Itatiba, próximo ao local onde há uma saída para Louveira) e o preço era de duzentos mil réis por ano; grosseiramente, esse valor equivale hoje a R$ 30 mil.  

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

JUNDIAÍ E A REVOLUÇÃO DE 1924

A Revolução de 1924 foi o maior conflito ocorrido na cidade de São Paulo. Teve início na madrugada de 5 de julho e terminou em 28 de julho de 1924. A revolta foi motivada pelo descontentamento dos militares com a crise econômica, o atraso social e a concentração de poder nas mãos de alguns políticos.

Comandada pelo general reformado Isidoro Dias Lopes, contou com a participação de militares do Exército e da então Força Pública, hoje Polícia Militar. Os mais conhecidos foram Joaquim Távora (que morreu na luta), Juarez Távora, Miguel Costa, Eduardo Gomes e João Cabanas. O objetivo principal do levante era depor o presidente Artur Bernardes e implantar o voto secreto, a justiça gratuita e o ensino público obrigatório. 


Os revoltosos ocuparam a cidade por 23 dias, forçando o presidente (como era chamado o governador) do estado, Carlos de Campos, a fugir para o bairro da Penha, depois do bombardeio do Palácio dos Campos Elísios, sede do governo na época.  No interior do estado de São Paulo aconteceram rebeliões em várias cidades, com tomada de prefeituras.

A cidade de São Paulo foi bombardeada por aviões e pela artilharia do exército legalista (leal ao presidente Artur Bernardes), tendo sido atingidos vários pontos da cidade, em especial os bairros da Mooca, Brás e Perdizes, como mostram as fotos. 

Em nossa cidade, registraram-se vários episódios ligados à Revolução, especialmente por estar sediado aqui o então 2º GAM – 2º Grupo de Artilharia da Montanha, atual 12º GAC. 

Joaquim Távora, que participara em 1922 do levante do Forte de Copacabana, contra o mesmo Artur Bernardes, desertou do Exército e passou a preparar a revolução, tendo inclusive estado em nossa cidade, contatando militares do 2º GAM, que já no dia 5 de julho aderiu à revolta.

O elo com os revoltosos de S. Paulo era o  tenente intendente do 2º GAM, Joaquim Nunes de Carvalho; inquérito posterior à revolta afirmava que o mesmo "vivia em constantes viagens, a pretexto de desempenhar as funcções do seu cargo de intendente, mas, ao depois, se soube que elle fazia ligação entre a sua unidade e os demais nucleos preparadores da rebellião".

Assim que o GAM se revoltou, comandado pelo tenente coronel Olyntho Mesquita de Vasconcellos, foi dividido em duas partes, uma que ficou na cidade, protegendo-a dos legalistas, e outra que seguiu para São Paulo. O então 1º Tenente Newton Brayner Nunes da Silva, que comandava a parte que ficou em Jundiaí, convocou reservistas e simpatizantes a se apresentarem. Em seguida, organizou um contingente de 30 homens que seguiu para Campinas, cidade também revoltada, para protegê-la de forças legalistas mineiras.  

Militares de Jundiaí e Joaquim Távora levantaram o então 4º Regimento de Artilharia Montada,  de Itu, hoje  2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve (2º GAC L), que aderiu à revolução no dia 8 de julho. 

Cedo os revoltosos perceberam que não conseguiriam manter S. Paulo por muito tempo, tendo decidido retirar-se para Jundiaí, o que acabou não acontecendo. Famílias mais abastadas, no entanto, saíram da capital e vieram refugiar-se aqui. Mesmo jundiaienses acabaram deixando a cidade: a família de meus avós, que residia no bairro das Pitangueiras retirou-se para o então remoto bairro do Castanho. 

Militarmente mais fracos que os legalistas, os rebeldes retiraram-se para Bauru na madrugada de 28 de julho. Com o fim do conflito na cidade, contaram-se as vítimas: entre 500 e 700 mortos e cerca de 5 mil feridos. A situação era dramática; a edição de 1º de agosto de 1924 do Jornal do Comércio trazia uma nota: "A Diretoria de Higiene Municipal pede, por nosso intermédio, às pessoas que souberem onde se encontram cadáveres não sepultados ou sepultados fora dos cemitérios, avisar, à mesma Diretoria, na Prefeitura Municipal".

Em Bauru,  Isidoro Dias Lopes ao ser informado de que o exército legalista se concentrava na cidade de Três Lagoas, no atual Mato Grosso do Sul, atacou aquela cidade, onde foi derrotado: um em cada três dos soldados revoltosas morreu, foi ferido gravemente ou capturado. 

Os sobreviventes juntaram-se a revoltosos vindos do sul, formando a Coluna Prestes, que até 1927 vagou pelo Brasil combatendo o governo. Muitos preferiram o exílio, como o comandante do 2º GAM, tenente coronel Olyntho Mesquita de Vasconcellos, que depois juntou-se à Coluna Prestes, com o posto de general.

Em 1930, quando Getúlio Vargas tomou o poder, os envolvidos na Revolução de 1924 foram anistiados, tendo muitos deles voltado ao Exército e à Força Pública. O Tenente Brayner chegou ao generalato, tendo como coronel comandado o 2º GO 155, hoje 12º GAC; em foto da época, ele aparece ao lado do arquiteto Vasco Antonio Venchiarutti, que foi prefeito de nossa cidade.



quarta-feira, 3 de outubro de 2018

A CONSTRUÇÃO DA FONTE LUMINOSA

O "Estado de S. Paulo", em sua edição de 9 de abril de 1941, falava da construção da fonte luminosa na praça Pedro de Toledo, que seria inaugurada no dia 18 de maio seguinte.

A nota trazia detalhes técnicos da fonte, dizendo que 14 ejetores lançariam a água a 10 metros de altura, iluminada por 16 projetores; seu diâmetro era de 10 metros.  

A construção da fonte e a reforma da praça custaram cerca de 40 contos de réis à Prefeitura. Para se ter uma ideia acerca do montante desse investimento, o primeiro prêmio da loteria federal na época era de 300 contos; com os 40 contos era possível comprar cerca de 20 toneladas do melhor café em sacas, pela cotação daquele dia.

A fonte foi demolida nos anos 1960. Mais tarde foi instalado no local um monumento horrendo, as Caravelas, um monstrengo de ferro sem nenhum significado para nossa cidade. 


A engenheira Luci Merhy Martins Braga é co-autora de um artigo que menciona um chafariz que existiu  na Praça Marechal Floriano Peixoto, onde existe o coreto - fica na parte de trás da Catedral. Esse chafariz foi construído nos anos 1920 e retirado no início dos anos 1940; era de cimento, construído pela empresa paulistana Paciulle & Ratto. A foto ilustra o artigo.  

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

JÁ EM 1869 O CORREIO NÃO ERA GRANDE COISA...


Acostumados a trocar mensagens de forma muito ágil, via email e outros similares, surpreende-nos a notícia publicada pela Gazeta de Campinas, que em sua edição de 31 de outubro de 1869, informava que o animal que trazia as malas postais para a cidade havia fugido no trecho que une Jundiaí a Campinas...

As malas foram encontradas no dia seguinte, causando atrasos nas respostas à correspondência perdida, especialmente aquelas  destinadas à Corte (Rio de Janeiro), que não puderam ser encaminhadas ao navio que partiu de Santos no dia 30...

Em 15 de janeiro de 1871, o jornal voltava a falar dos maus serviços prestados pelos Correios: atraso e descuido na manipulação/guarda da correspondência - em resumo, nada muito diferente do que vemos hoje.  

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

1937: ALGUNS JUNDIAIENSES ERAM CONTRÁRIOS À CRIAÇÃO DO GINÁSIO ESTADUAL

Em 1937 falava-se na instalação de um ginásio estadual em nossa cidade. 

Surpreendentemente, eram muitas as vozes contrárias à instalação da referida escola, como mostra o artigo ao lado, publicado na Folha da Manhã de 2 de abril de 1937. 

A matéria dizia que, como o município deveria concorrer com parte das despesas de instalação do ginásio,  as prioridades para investimento eram outras,  como abastecimento de água, construção de pontes,  calçamento de ruas, equipamento do Posto de Saúde e combate à febre amarela, que já era um problema naquela época, como dissemos em outro post. Além disso, dizia que era mais importante a instrução primária da população operária. 

Poderiam ser pontos de vista divergentes ou puro e simples elitismo. Mas uma carta escrita por Celso Guilherme da Silva Rocha (que à época tinha 27 anos), morador de nossa cidade, e publicada na mesma Folha da Manhã, mostrava existirem outros motivos, provavelmente de caráter pessoal. 

A carta, reproduzida ao lado, é extremamente agressiva, mesmo para os padrões atuais;  eram repetidos os argumentos acerca da necessidade de escolas primárias, mas atacava-se o diretor da Escola Profissional de nossa cidade, que era favorável ao Ginásio; a carta fazia menções não tão veladas acerca da sexualidade do mesmo. 

O fato é que só muitos anos depois tivemos os primeiros "ginásios" estaduais em nossa cidade. 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

EM 1871 AS MÁQUINAS SINGER JÁ ERAM VENDIDAS EM JUNDIAÍ


As máquinas de costura Singer começaram a ser fabricadas no início da década de 1850, sendo vendidas no Brasil a partir de 1858. 

Foi um produto que fez sucesso imediatamente - já em 19 de março de 1871 a Gazeta de Campinas informava que Joseph E. Rule era seu agente de vendas em nossa cidade. Onde ficaria sua loja? Note-se que na província de São Paulo (hoje estado), as máquinas eram vendidas apenas na Capital, Santos, Jundiaí, Campinas e Rio Claro. 

Coincidentemente,  em Campinas a Singer inaugurou em 1955 a primeira fábrica de máquinas de costura da América Latina.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

1931: LADRÕES ATACAVAM NO CENTRO

A Folha da Manhã, de 3 de outubro de 1931, noticiava uma tentativa de furto contra a Casa dos Frios, situada na Rua Rangel Pestana. 

Percebendo a aproximação de um guarda noturno, os ladrões atiraram contra ele antes de fugirem sem levar nada - o guarda não pode reagir por ter sua arma "entrevada". 

O jornal seguia dizendo que na mesma noite os ladrões já haviam furtado um bar situado na rua Prudente de Moraes.

A matéria termina criticando o comandante do destacamento policial da cidade, que proibira que praças de folga saíssem das dependências do destacamento (situado no prédio da cadeia, no largo de São Bento) para atenderem a ocorrências, dizendo que se essa ordem não existisse, os ladrões poderiam ter sido pegos - os tiros foram ouvidos pela sentinela.

A foto acima, colorizada por Sergio Borin, mostra o edifício da cadeia. 

sábado, 1 de setembro de 2018

ORIGENS DO BAIRRO DA BARREIRA

Muitas pessoas acreditam que nome Barreira, dado ao tradicional bairro de Jundiaí, deve-se ao fato de haver ali uma porteira que era fechada quando os trens  cruzavam a atual Rua da Abolição, que na época era o início da estrada para Campinas. 

Mais isso não é verdade; muito antes de os trens passarem pelo local existia ali uma barreira, um posto onde eram cobrados impostos sobre as mercadorias que transitavam por aquela estrada  - notícia publicada pela Gazeta de Campinas em sua edição de 31 de outubro de 1869, dá um interessante resumo acerca dos produtos que eram comercializados (e taxados): café e algodão lideravam. 

E o movimento era grande: o mesmo jornal, alguns dias depois dava notícias acerca do movimento do local - no período de uma semana passaram pela barreira mais de 8 mil animais carregados, quase 200 carros carregados, mais de 42 mil arrobas de café etc. - foram arrecadados quase dois contos e trezentos mil réis; a título de comparação, um quilo de ouro valia na época um conto; em valores de hoje a arrecadação semanal da barreira equivaleria a cerca de R$ 350 mil.

Além do resumo, o jornal (era sua primeira edição) publicava um quadro mais detalhado:
Como curiosidade, note-se as diferentes unidades de medida: arrobas (unidade de peso, cerca de 15 quilos), alqueire (unidade de volume, algo como o conteúdo de um dos cestos que eram carregados por um animal, quase sempre um burro ou mula).

Havia também comércio de poaia, uma raiz quase extinta na atualidade, e que era usada na forma de chá para combate à tosse.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

1877: A PAULISTA CRIAVA MAIS UM HORÁRIO

O jornal "Gazeta de Campinas, em sua edição de 28 de junho de 1877, publicava comunicado da Cia. Paulista de Estradas de Ferro informando que nos "domingos e dias santos", aconteceriam algumas mudanças em seus horários, a principal das quais era a saída de mais um trem de nossa cidade em direção a Campinas. 

Esse trem  teve seu horário fixado "em combinação com um trem da companhia ingleza", a Santos a Jundiaí, que chegava à nossa cidade às 16:45 - buscava-se dar mais opções aos moradores de Campinas que iam a São Paulo naqueles dias. 

O comunicado era assinado por Walter J. Hammond, "inspector geral" da Paulista, que viveu em nossa cidade e acerca do qual já publicamos um post

Hammond teve dois filhos, Paul e Leonard, nascidos em nossa cidade e que morreram na Primeira Guerra Mundial, lutando pelo exército inglês.

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

1921: RIXA LEVA A CRIME DE MORTE NA VILA PROGRESSO

O jornal O Estado de S. Paulo noticiou  um crime de morte ocorrido em nossa cidade no dia 6 de julho de 1921.

Os italianos Ricardo Barbatti, marceneiro,  e Primo Boccatti, alfaiate, que mantinham uma rixa antiga, voltaram a discutir e o primeiro matou o segundo com uma facada. Ambos residiam na mesma rua, em prédios fronteiros.

A rixa já os havia levado à Polícia anteriormente, e o assunto, que parecia encerrado, voltou à tona, com desfecho trágico - o crime aconteceu na Vila Progresso. 

A notícia termina dizendo que o morto era casado e deixava além da esposa, uma filha casada. Já o assassino, mais jovem, era casado e deixava três filhos menores, tornando tudo ainda mais triste. 


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

A MUDANÇA DE NOME DA RUA 15 DE NOVEMBRO. SERIA UMA INJUSTIÇA?

A atual rua 15 de Novembro chamava-se antigamente Antonio Bento, tendo recebido a nova denominação em 1951.

Decorridos três anos da alteração, as placas da referida rua ainda não haviam sido trocadas, o que motivou um indicação do então vereador Hermenegildo Martinelli no sentido de que isso fosse feito. 

Fica uma dúvida: quem teria sido Antonio Bento? Seria o magistrado que liderou o movimento abolicionista em nosso Estado (foi juiz em Atibaia, onde inclusive iniciou a construção da Santa Casa) e que organizou o movimento dos Caifazes, que enviava emissários ao interior da Província de São Paulo para entrar em contato com os escravos das fazendas e incentiva-los a fugir, garantindo-lhes recursos e abrigo; os empregados das ferrovias apoiavam fortemente o movimento.

Se era esse o Antonio Bento que dava nome à rua, fica flagrante o equívoco na mudança de nome. Não seria o caso de nossa cidade reparar essa injustiça?


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

1969: CÂMARA MUNICIPAL COMBATIA A LIBERDADE DE IMPRENSA

O Jornal da Cidade, em sua edição de 31 de maio de 1969 publicou um editorial criticando o comportamento de alguns vereadores, especialmente durante as sessões da Câmara: uso de palavrões, vedetismo, desrespeito aos que estavam falando etc. 

A publicação provocou a revolta de alguns vereadores, que propuseram uma moção de repúdio ao Jornal, e o que é mais interessante, propondo que o assunto fosse levado ao conhecimento de outros jornais e, acreditem, ao Serviço Nacional de Informações (SNI) - será que isso deveria ser chamado "deduragem"????





domingo, 29 de julho de 2018

CASA INDEPENDÊNCIA - UMA LOJA QUE DEIXOU SAUDADE


A Casa Independência foi uma tradicional casa comercial de nossa cidade,  fundada em setembro de 1922 por Nicolau Carderelli.

O anúncio ao lado,  dos anos 1930, publicado pela revista Sultana que era editada em nossa cidade, mostra um pouco do que era vendido pela Independência: roupas, calçados, tecidos, "chapéos", armarinhos, perfumaria etc. Muito interessante a informação de que o atendimento poderia ser feito em outros idiomas; não devia ser um atendimento muito eficiente, pois as menções a todos os idiomas estão erradas, em especial o "Esplek Inglis"... Mas valia a tentativa - a foto da fachada, que abre este post, mostra como Carderelli era agressivo em termos de propaganda: falava em "grande queima", "tudo pelo preço de custo", "preços fixos" etc...

A loja situava-se na esquina da Rua Barão de Jundiaí com a então Praça Independência, hoje Praça Gov. Pedro de Toledo (a mudança de nome da praça foi objeto de outro post).  O imóvel original foi demolido e no terreno foi construído aquele que foi considerado o primeiro grande prédio da cidade, o Edifício Carderelli, que tem como autor do projeto o arquiteto Vasco Antonio Venchiarutti, e na construção teve também a participação do construtor Giácomo Venchiarutti e do engenheiro Odil Campos Saes - a foto acima é da época da inauguração do edifício. 

De estilo modernista foi inaugurado em 1950; com quatro andares e elevador, foi considerado, na época, um verdadeiro "arranha-céu" no centro da cidade. O edifício, originalmente de uso residencial, hoje abriga escritórios e consultórios médicos. O prédio, que  mantém o nome do antigo proprietário, Nicolau Carderelli, hoje tem o pavimento térreo ocupado por uma loja de calçados. 

A Casa Independência, depois de deixar seu endereço original, ocupou um espaço na Rua Barão de Jundiaí, como mostra a foto abaixo, dos anos 1980, com a seta vermelha apontando a loja. 










  

segunda-feira, 23 de julho de 2018

1834: JUNDIAHY NO "DICCIONARIO TOPOGRAPHICO DO IMPÉRIO DE BRAZIL"

O Diccionario Topographico do Império de Brazil foi publicado no Rio de Janeiro em 1834.

Procurava descrever nosso país, especialmente do ponto do ponto de vista geográfico. 

Tinha dois verbetes dedicados à nossa cidade, um tratando da cidade propriamente dita e outro do rio Jundiaí. 

Consultando-o, observa-se algumas curiosidades, por exemplo, sobre o que era plantado aqui: milho, feijão, tabaco, arroz, algodão e café. Relatava a existência de um convento Franciscano: onde ficaria, quando chegou, quando acabou?

Sobre o rio, diz que o mesmo nascia em um lugar chamado Capão Grosso - como hoje se sabe que o rio nasce na  Serra dos Cristais, em área pertencente ao município de Mairiporã, fica a dúvida - seria a informação incorreta ou o local pertencia a Jundiaí? Nosso rio percorre 128 km até desaguar no Tietê, no atual município de Salto.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O PRIMEIRO ELEVADOR DE JUNDIAÍ

Em 1945, foi inaugurado em nossa cidade o prédio da Caixa Econômica Estadual, que abrigou também a Câmara Municipal, de 1948 até 1971; atualmente, é ocupado pelo Banco do Brasil. 

Situado à Rua Barão de Jundiaí, esquina com a Cel. Leme da Fonseca, tem, além do térreo, sobreloja e mais dois andares. Para a época, um prédio de linhas muito modernas, até hoje muito bonito, como mostra a foto feita à época, do arquivo do Professor Maurício Ferreira. 

Nele foi instalado o primeiro elevador de nossa cidade. 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

PADRE PAULO DE SÁ GURGEL - GRANDE COMO EDUCADOR E SER HUMANO

O Padre Paulo nasceu em 2 de outubro de 1920, em Ipaumirim, Ceará, filho de Octávio Gurgel e Maria das Dores de Sá Gurgel. 

Chegou à nossa cidade em 1934, como aluno do Seminário Salvatoriano que funcionava aqui - os Salvatorianos chegaram a Jundiaí em 1922. Estudou muito, inclusive em Roma, onde cursou Direito Canônico e foi ordenado em 18 de março de 1946. 

No final de 1952, voltou a Jundiaí, com a missão de fundar o então Ginásio Divino Salvador, que começou a funcionar em 1954 - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício 
Fernandes, mostra o prédio onde funcionavam o Ginásio e o Seminário em 1956.

Além de Diretor do Ginásio, ministrava aulas de Latim, Português e Religião; entusiasta dos esportes, trouxe professores de Educação Física, como o saudoso Prof. Daniel Hehl Cardoso, que trabalhava com os alunos do Ginásio e com os seminaristas, que estudavam no mesmo prédio da Rua General Carneiro. 

O Ginásio consolidou-se com a criação dos cursos Clássico e Científico, adotando a denominação atual de Colégio Divino Salvador. 

Muito querido pelos alunos, sempre alegre, apaixonado pela fotografia, deixou um grande acervo que registrou a vida dos Salvatorianos em Jundiaí, Barbalha (no Ceará, onde os Salvatorianos atuam) e Roma, mantendo um laboratório fotográfico. Fluente em latim, espanhol, inglês, francês e alemão, escreveu para jornais e emissoras de rádio, além do livro "Impressões de Viagem". 

Pilotando sua motocicleta, ia às capelas que estavam sob a responsabilidade dos Salvatorianos, onde celebrava missas e atendia aos fiéis. Dentre elas, aqui em Jundiaí, a Capela de Vila Rami, hoje o Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida. E o Padre Paulo era fã de veículos de duas rodas: O Estado de S. Paulo, em sua edição de 26 de agosto de 1956 noticiava o roubo de uma moto de sua propriedade!

Em 1962, foi transferido para o Ceará, onde os Salvatorianos tem uma presença muito forte, tendo exercido diversos cargos. entre os quais o de Diretor do Colégio Santo Antonio, em Barbalha, e o de Superior da Congregação. 

Faleceu em Barbalha em 03.09.2009 onde era muito querido, a ponto de ter sido decretado ponto facultativo no dia de seu enterro.