segunda-feira, 30 de outubro de 2017

MÉDICOS: ÀS VEZES ABNEGADOS, ÀS VEZES NEM TANTO...

A febre tifóide é uma doença infectocontagiosa causada pela ingestão da bactéria  Salmonella typhi, presente em alimentos ou água contaminados.  Está associada a baixos níveis socioeconômicos, relacionando-se, principalmente, com precárias condições de saneamento e de higiene pessoal e ambiental.

Antes dos antibióticos, causava muitas mortes - dentre suas vítimas,  o  compositor Franz Schubert,  Wilbur Wright  (um dos irmãos Wright, pioneiros da aviação),  Péricles (filósofo e político da Grécia antiga), D. Pedro V (rei de Portugal), a princesa  Leopoldina de Bragança e Bourbon (filha de D. Pedro II, morta aos 23 anos) e o renomado físico italiano Evangelista Torricelli.

Surtos da doença eram frequentes em nossa cidade, e um deles aconteceu em fins de 1929; detetado o surto, o Dr. Antenor Soares Gandra, delegado de higiene de nossa cidade convocou os médicos da cidade para uma reunião de urgência para tratar do assunto, conforme noticiou a Folha da Manhã, de 19 de dezembro de 1929.

Além do Dr. Gandra, compareceu à reunião o tenente Edgard Mattos, médico do 2º Grupo de Artilharia de Montanha (hoje 12º GAC). Os demais seis médicos de nossa cidade simplesmente não compareceram. O jornal encerra a nota com ironia, falando da incrível coincidência de estarem todos ocupados no horário da reunião...


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A COMPANHIA CERÂMICA JUNDIAHYENSE E O POLYTHEAMA EM 1937

A Companhia Cerâmica Jundiahyense foi fundada nos anos 1920, tendo sido  pioneira na fabricação de louça sanitária no Brasil; foi adquirida pelo grupo Itau em 1968, fabricando produtos que levam a marca Deca. A Folha da Manhã de 24 de janeiro de 1937 publicou anúncio da empresa, apresentando seus produtos: "bacias de W. C.", lavatórios, "bidets" e "mictórios". 

A fábrica situava-se no bairro da Ponte de São João, em área hoje ocupada por edifícios residenciais - a foto que ilustra o anúncio foi feita mostrando a fábrica e os altos da hoje Avenida dos Imigrantes. A foto acima foi tomada no sentido contrário, mostrando o bairro de Vila Arens e parte do Centro da cidade.

Naquela data, o jornal apresentava, em algumas páginas, notícias e anúncios de nossa cidade - dentre esses, o do Theatro Polytheama, que à época funcionava também como cinema e era anunciado como "o maior e mais confortável do interior"; no dia os jundiaienses puderam assistir "Amor e ódio na floresta", um "film inteiramente colorido" -  em "technicolor", foi produzido em 1936, tendo sido um dos primeiros filmes coloridos; mostrava a história de duas famílias rivais que viviam em fazendas vizinhas e que se envolveram na construção de uma ferrovia e em casos de amor.

O cinema e a cerâmica são temas diferentes, mas podem nos dar uma ideia acerca de como era a cidade naquela época.  

terça-feira, 24 de outubro de 2017

UM CASO COMPLICADO - OU, MAIS UM AMOR INCONTROLÁVEL...

A Folha da Manhã, de 15 de julho de 1931 noticiava um caso complicado: o jovem Narciso, casado e pai de dois filhos, motorista da Argos, apaixonou-se pela jovem Alzira, solteira, que trabalhava na Fábrica Glória.

Talvez inspirado por um filme que estava nos cinemas naquela época, Narciso simplesmente retirou os móveis de sua casa e levou-os para a casa de seus pais, que viviam perto da estação de Várzea Paulista; a esposa de Narciso "botou a boca no mundo" e os pombinhos foram intimados a comparecer à Polícia que abriu inquérito para apurar o assunto - pena que não conseguimos descobrir como terminou a novela...


sábado, 21 de outubro de 2017

O HEROÍSMO DE UMA MÃE


Em 10 de julho de 1958 por pouco não ocorreu uma tragédia em Campo Limpo, então um bairro de Jundiaí.

O menino Jefferson  Spina, de pouco menos de 3 anos caiu em um poço de 25 metros de profundidade; a água que se acumulava no fundo amorteceu sua queda e o garoto conseguiu agarrar-se a um cano que era ligado a uma bomba utilizada para puxar água do poço. 

Indiferente ao perigo, Solidéa, a  mãe do menino desceu ao fundo do poço agarrando-se no cano; no fundo, segurou a criança até que foram socorridos por um vizinho, o jovem Arsênio Rossi FIlho, que também desceu ao poço. Vizinhos baixaram  uma corda e um lençol, aos quais foi preso o menino, a seguir puxado para fora do poço, tendo sofrido apenas algumas escoriações. Com mais uma corda e um pedaço de madeira, Arsênio montou um trapézio que serviu para a saída de Solidéa; a seguir, Arsênio subiu pelo cano. 

Arsênio tinha vocação para herói: cerca de dois meses antes retirara das águas de uma lagoa situada na Figueira Branca, os cadáveres de dois estudantes que ali se afogaram.


Jovino, o pai da criança, era proprietário de um armazém. Encontrava-se em Jundiaí, tratando da documentação de um veículo quando foi avisado dos fatos; procurou o Corpo de Bombeiros, que estava com sua única viatura sem condições de uso; foi preciso pedir um caminhão à Prefeitura - felizmente, quando chegaram a Campo Limpo, o menino já estava salvo.

A criança é hoje o engenheiro Jefferson Spina, muito atuante em nossa cidade. 




terça-feira, 17 de outubro de 2017

1934 - ACONTECIA NOSSA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO VITIVINÍCOLA

A foto mostra a Rua Vigário J.J. Rodrigues, com um carro subindo em sentido contrário ao atual fluxo de trânsito.

O arco com a palavra "Bemvindos", foi erguido para saudar os visitantes que vinham à cidade para a Festa da Uva de 1934 - era um lugar adequado, pois a maioria das pessoas vinha de trem, chegando à estação e indo para o centro da cidade, onde aconteceu a festa. Era também o caminho natural para os que vinham de São Paulo de carro: pela Estrada Velha, tomavam a Rua Brasil, a atual Emile Pilon e viravam à esquerda, pegando a Dr. Olavo Guimarães e em seguida a Vigário; esses eram uma minoria: até o interventor (governador do estado) veio de trem. 


No prédio da esquina funcionou a Funerária Bonifácio; fica na esquina da Vigário com a Secundino Veiga. Mais tarde, os ônibus que tinham seu ponto final na Praça Rui Barbosa desciam a Secundino para virar à direita na Vigário (sentido inverso ao do carro da foto) - quando criança,  me preocupava muito que o ônibus perdesse os freios, batesse nas grades que aparecem à direita na foto e caísse no barranco ali existente - hoje a área é ocupada por prédios; a presença da Funerária tornava a coisa mais assustadora... 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

JOSÉ FELICIANO DE OLIVEIRA: UM GRANDE JUNDIAIENSE

Os evangelistas Lucas ((4, 24), Mateus (13, 57), Marcos (6, 4) e João (4, 44) relatam como Jesus foi recebido com desdém em Nazaré, cidade onde crescera: seus conterrâneos diziam coisas como "é apenas o filho do carpinteiro"... A resposta de Jesus tornou-se um clássico em latim: "Nemo propheta in patria sua", algo como ninguém é profeta em sua própria terra.

Em nossa terra confirma-se a veracidade dessa expressão: quase ninguém sabe quem foi o Prof. José Feliciano de Oliveira - muitos apenas sabem que ele dá nome a uma escola de Jundiaí. Mas ele talvez tenha sido o maior de nossos intelectuais.

Feliciano e seu observatório
Nascido em nossa cidade em 1868, de família humilde, começou a trabalhar nos Correios aos doze anos, tendo depois se mudado para São Paulo, onde se graduou na Escola Normal em 1887. Havia aprendido as primeiras letras em escola mantida pelo professor João Batista de Farias Paes.

Aos 14 anos, liderou a criação do primeiro Gabinete de Leitura de nossa cidade. Nesse empreendimento, que infelizmente não foi à frente, teve o apoio de cidadãos ilustres de Jundiaí, dentre os quais José Flávio Martins Bonilha, Artur Guimarães, dos futuros desembargadores Miguel Brito Bastos e Inácio Arruda, Carolino Bolívar de Araripe Sucupira (o Major Sucupira, veterano da Guerra do Paraguai) e membros da família Queiroz Telles. 
Em 1893

Extremamente culto, estudou e lecionou Português, Francês, Latim, Física, Matemática e Astronomia. Chegou a construir um observatório em sua casa, que ficava na Rua Da. Antônia de Queiroz, próxima à Rua da Consolação, em S. Paulo – seu objetivo era permitir que seus alunos tivessem aulas práticas. Em 1892 era o diretor da Escola Municipal da Sé, em São Paulo.

Interessou-se também pelos indígenas, tendo estudado os Xerentes, que viviam às margens do Rio Tocantins. Descreveu suas aldeias, vida doméstica, forma de governo, rituais,   lendas, sistema de numeração e conhecimentos astronômicos. Obteve informações principalmente através de Sepé, um cacique dessa etnia que viajou algumas vezes ao Rio de Janeiro. 

Republicano e abolicionista era seguidor e um grande nome do positivismo, corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX, cujo principal expoente foi Augusto Comte. Em seus escritos sobre os Xerentes, Feliciano deixou claro sua crença no positivismo e atitudes anticlericais no que se refere ao relacionamento das igrejas com os índios. 

Publicou inúmeros artigos em revistas e jornais, além de livros, dentre esses "A propaganda positivista em São Paulo" (1898), "Cometas, bólides e estrelas cadentes" (1901), "O ensino em São Paulo" (1932) e "José Bonifácio e a Independência" (1955).


Benedicto Castilho de Andrade e o Prof. José Feliciano de Oliveira no Restaurante das Carpas nos anos 1950
Em 1911, mudou-se para Paris, onde viveu até 1958, ministrando cursos na Sorbonne e no Instituto de História das Ciências, anexo à Universidade de Paris; na França, foi também conferencista e colaborador de vários jornais. 


Foi professor por setenta anos, deixando a cátedra aos noventa anos de idade. Dizia-se que falava com entusiasmo, com um belo timbre de voz e dicção clara, falando com os olhos fixos no alunado, sem recorrer a anotações. 

A respeito dele, escreve Omair Guilherme Tizzot Filho em tese apresentada à Faculdade de Educação da USP: "Como educador, defendeu a regeneração social através do ensino, com a incorporação do negro, do índio e do proletariado, e a preparação adequada para a vida moral em sociedade, possibilitada pelo ensino integral. O professor deveria ser, para ele, um exemplo de comportamento voltado à pátria, que incentivasse os alunos a se comportarem com urbanidade a fim de que pudesse haver progresso".

Já o Professor Pierre Ducassé, da Sorbonne, dizia: “professor igualmente notável pela pujança pedagógica como pela ciência, José Feliciano quis ser o apóstolo totalmente desinteressado das únicas convicções que lhe pareciam unir ao amor da Humanidade, que lhe iluminava a vida, a certeza da ciência que lhe iluminava o espírito”.

Amante dos livros comunicou ao Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, de nossa cidade, que iria doar à instituição metade de sua biblioteca, composta à época por cerca de onze mil livros, conforme noticiou o jornal Folha da Manhã, em sua edição de 6 de setembro de 1946. Em 1977, o remanescente de sua biblioteca, quase oito mil volumes, foi doado ao Instituto de Estudos Brasileiros, da USP.

Faleceu em São Paulo em 1962, tendo sido sepultado em Jundiaí. Dele disse em seu blog o Prof. José Renato Nalini, outro ilustre jundiaiense: "estive em seu enterro. Impressionou-me o homem elegante, de barbas brancas, um monóculo de lentes azuis, como a repousar na urna". 

E conclui o Prof. Nalini: "Será que os alunos egressos da Escola que leva seu nome têm consciência do significado e importância de seu patrono?" 


Apostaríamos que não...





JÂNIO PROIBIU O ROCK - E NOSSOS VEREADORES APLAUDIRAM!

Jânio Quadros era um lunático, para dizer o mínimo, mas como tantos outros doidos e bandidos, acabou chegando à presidência da república, à qual renunciou em 1961 alguns meses depois de assumir, dizendo estar impedido de governar por umas certas "forças terríveis". Alguns dizem que se o Engov já tivesse sido inventado naquela época a história seria diferente, pois Jânio gostava muito de tomar "umas e todas"...

No exercício do Poder, Jânio tomou uma série de medidas absurdas, como a proibição dos biquínis, a adoção do safári como uma espécie de uniforme do funcionalismo e outras. Antes da presidência, Jânio foi governador de São Paulo, e nesse cargo, proibiu o rock.

Na nossa Câmara Municipal, teve alguns discípulos,  como o vereador Carlos Gomes Ribeiro (foto ao lado), que em 1957 requereu e viu aprovado um "voto de regosijo e louvor" a essa medida, declarando o rock "atestado vivo do despudor, da indecência e do desrespeito". O texto do requerimento está ao final deste post.

Se estivesse vivo (faleceu em 2004) o que diria o vereador acerca dos tempos atuais?

Quanto a Jânio, o povo tem memória curta: foi eleito prefeito de São Paulo em 1986. Faleceu em 1992.


domingo, 8 de outubro de 2017

1941 - FUNDADO O AEROCLUBE DE JUNDIAÍ




Em 2 de junho de 1941 aconteceu no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa a assembléia de fundação de nosso Aeroclube. 

Matéria publicada no dia 6 pela Folha da Manhã, relata o evento, ressaltando o empenho do "piloto aviador" Francisco Blumer Pinto, que fez parte da primeira diretoria com o cargo de Diretor Técnico - presidia o clube, José de Castro Marcondes. 



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

ALGUÉM SABE ONDE FICA OU FICAVA A VILA DE SANTA CRUZ DO TABOÃO?

A "Folha da Manhã", de 22 de setembro de 1940 trazia notícias sobre os trabalhos de construção da Via Anhanguera, entre a capital e nossa cidade. 

Eram cerca de 45 quilômetros, uma redução de 10  em relação à antiga estrada, mas ficou uma curiosidade: a matéria afirmava que há 8 quilômetros de nossa cidade, ficava "a antiga e decadente vila de Santa Cruz do Taboão" -  a matéria era ilustrada com uma foto da capela do local. 

Será que alguém sabe onde fica ou ficava essa vila??? Ao que parece, na atual Jordanésia, hoje pertencente a Cajamar e na época parte do município de Santana do Parnaiba. Conforme informações levantadas por Luis Eduardo Pontes, o jornal "A Província de S. Paulo" (hoje "O Estado"), noticiava em 19.04.1882 a criação de uma escola para meninas na Capela, que se localizava na então cidade de "Parnahyba".


terça-feira, 3 de outubro de 2017

A VISITA DE DOM JOSÉ GASPAR E SUA TRÁGICA MORTE

Dom José Gaspar, o Arcebispo Metropolitano de S. Paulo chegou à nossa cidade no final da tarde do dia 4 de fevereiro de 1943, uma quinta feira, hospedando-se na residência do vigário de nossa cidade, o padre Arthur Ricci, após ter sido recebido por autoridades civis e militares e associações religiosas.

Visitou igrejas (a Matriz, Vila Arens, Ponte de S. João e NS. do Rosário), a Casa da Criança, a fazenda da família Traldi, participou de cerimônias religiosas, foi ao Caxambu - enfim, cumpriu uma extensa agenda. Na tarde do dia 5, voltou a S. Paulo, de trem, como chegara

Dom José nasceu em Araxá em 1901, e aos onze anos de idade foi para Itu, onde foi aluno interno do  Colégio de São Luís. Entrou para o seminário em 1916, fez os cursos universitários de Filosofia e Teologia, no Seminário Provincial em São Paulo e no Colégio Pio-Latino Americano. em Roma. Graduou-se na Pontifícia Universidade Gregoriana, de Roma, e fez doutorado em Direito Canônico.


Foi ordenado em São Paulo, a 12 de agosto de 1923 - como padre secular foi para diocese de Uberaba, retornando a São Paulo em 1929, onde trabalhou na paróquia da Consolação e  em seminários da arquidiocese de S. Paulo.

Em 1935, foi nomeado bispo, sendo sagrado na igreja de  Santa Cecília, em São Paulo. Em 1939  o Papa Pio XII, o nomeou para arcebispo de São Paulo, sucedendo o arcebispo falecido, D. Duarte Leopoldo e Silva.

Mas em 27 de agosto daquele mesmo ano, a tragédia atingiu D. José: indo de São Paulo para o Rio de Janeiro, em um Junkers 52 da VASP, sofreu um acidente que lhe custou a vida. 

Pouco depois das nove da manhã, tentando aterrisar no aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, em meio a densa neblina, seu avião chocou-se contra o prédio da Escola Naval e caiu no mar. Morreram os 4 membros da tripulação e 14 dos 17 passageiros, dentre estes também o jornalista Cásper Líbero. A imagem abaixo mostra o avião em que viajava Dom José - era um anúncio da VASP anunciando o início da linha S. Paulo - Rio.

 



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

1922: PAULISTA FC TOMA UMA GOLEADA

A revista "A Cigarra", noticiou o jogo amistoso realizado em 21 de abril de 1922 entre o Club Athletico Paulistano e nosso Paulista, com vitória do Paulistano por 6 x 2 .
O Paulistano foi o campeão estadual de 1921 e o Paulista  campeão do interior do mesmo ano.
O jogo foi realizado no estádio da Chácara da Floresta, que ficava próximo à Ponte das Bandeiras, na Marginal do Tietê - o campo ainda existe, dentro do extinto Clube de Regatas Tietê, hoje um centro esportivo da Prefeitura de São Paulo. 
Durante muitos anos foi o principal estádio da cidade de São Paulo, tendo pertencido à Associação Atlética das Palmeiras (o Palmeiras alvinegro), que ao encerrar suas atividades passou o estádio ao recém-formado São Paulo Futebol Clube em 1930.  


domingo, 24 de setembro de 2017

NATALINO CARIFFI: A MORTE TRÁGICA DE UM PILOTO JUNDIAIENSE

Em 25 de outubro de 1940, comemorava-se no Rio de Janeiro a Semana da Asa. Vários eventos aconteceram, exibições, competições, etc., boa parte deles acontecendo no aeroporto de Manguinhos, que funcionou de 1936 a 1961 em área  onde hoje existe a Vila do João, uma das comunidades do Complexo da Maré. 

As comemorações foram marcadas por uma tragédia:  dois aviões se chocaram a cerca de 20 metros de altura, caindo sobre a pista. Duas pessoas ficaram feridas e um dos pilotos morreu logo após ser retirado dos destroços; era Natalino Cariffi, natural de nossa cidade. Cariffi pilotava um Muniz, que foi o primeiro avião fabricado em série no Brasil (foto ao lado).

Cariffi nasceu em Jundiaí em 1907, era casado, tinha quatro filhos e era funcionário da Prefeitura de Santo André, onde residia e foi sepultado - há incorreções quanto ao seu local de residência e de trabalho na notícia ao lado, publicada pelo jornal "O Imparcial", do Rio de Janeiro. Tinha brevê há cerca de 4 anos, com mais de mil horas de voo, e era considerado um excelente piloto, inclusive tendo concluído um curso de monitor no Aeroclube do Brasil, do Rio de Janeiro. Entusiasta da aviação, participara em meados de 1940 de uma revoada, que levou dezenas de aviões de São Paulo a São Pedro.

Foi sepultado em Santo André e seu nome é dado a uma rua do centro de nossa cidade, que liga a Secundino Veiga à Conde de Monsanto. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

GOIABADA, MARMELADA E GELEIAS CICA : ANÚNCIOS ANTIGOS


A CICA anunciava seus produtos na grande imprensa - aqui, temos anúncios de goiabada, marmelada e geleias. 

O anúncio que mostra as latas empilhadas é de 1949, o outro, de 1945. Fica uma dúvida: qual seria o "novo processo americano"????

O das geleias é mais recente, mas não conseguimos precisar a data; tem alguns pontos curiosos, como a menção às calorias - ao contrário de hoje, quanto mais calorias, melhor!

Há destaque para os copos de vidro, que seriam "finíssimos" e "duráveis" - duráveis com certeza são, pois até hoje ainda temos alguns. 

domingo, 17 de setembro de 2017

O 7 DE SETEMBRO DE 1960 EM NOSSA CIDADE

As comemorações do Dia da Pátria de 1960 em nossa cidade iniciaram-se no domingo dia 4 de setembro daquele ano. 

Na concha acústica que existia no Parque da Uva os conservatórios musicais Modelo e de Jundiaí, além da Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística apresentaram números musicais;  a noite encerrou-se com um rápido discurso do então prefeito, Omair Zomignani, falando sobre a data em seu sentido histórico e social. 

No dia 5 houve uma apresentação de fanfarras na Praça Governador Pedro de Toledo e uma demonstração de ginástica no Bolão.

No dia 7, desfilaram o 2º GO 155 e a 2ª Cia Com, unidades militares sediadas na cidade, além de algumas entidades esportivas. Quem supervisionou a organização do evento foi o então coronel Carlos Gomes de Alcântara, à época comandante da Artilharia Divisionária/2, também sediada em nossa cidade. 

Quem quisesse fazer um programa diferente, poderia ir a São Paulo assistir  Gary Cooper, Burt Lancaster e Sarita Montiel em "Vera Cruz", que era anunciado como "o maior farwest de todos os tempos"! Em Jundiaí, a pronúncia era "farveste"...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

VENDEDORES AMBULANTES E HIGIENE - JÁ ERAM PROBLEMAS EM 1924


O jornal Folha da Noite, em sua edição de 28 de maio de 1924, informava que a partir de 15 de junho seguinte não mais seria permitida em nossa cidade a venda de "pasteis, doces e artigos congeneres em taboleiros ou bandeijas comuns" em nossas ruas. 

O então delegado de higiene, Antenor Soares Gandra, futuro prefeito, decidira que tais artigos somente poderiam passar a ser vendidos em tabuleiros envidraçados, que protegessem os produtos de poeira e moscas.

As preocupações com saúde já estavam presentes na época, como mostram duas propagandas publicadas na mesma edição do jornal - uma do até hoje existente Biotônico Fontoura e outra de um certo Elixir Cintra, medicamento do tipo "mil e uma utilidades"...

Com relação aos ambulantes, 93 anos depois tudo continua como antes da medida tomada pelo Dr. Gandra.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

UM POUCO DA HISTÓRIA DO CAFÉ EM JUNDIAÍ

Canavial - Valquíria de Barros Elgueta
Do ponto de vista econômico, a cultura da cana de açúcar foi a primeira atividade agrícola importante em nossa cidade, conforme já dissemos em post anterior.

Começou a perder essa posição para o café, que passou a ser cultivado por aqui em fins do século XVIII. O “Annuario de Jundiahy, Historico, Literario e Noticioso”, publicado em 1928 pela Tipographia da Comarca, de nossa cidade, já falava sobre o café: “Embora Jundiahy não goze de fama de município agrícola são muitas as fazendas de café que circundam a cidade, algumas importantíssimas, como as fazendas Santa Clara, Rio das Pedras, Ermida, Simão, Barreiro, Morro Alto, São João da Via Sacra, Burity, Santa Isabel, Malota, São José, Santa Gertrudes e outras de larga produção, modernamente instaladas, e que, em nada, ficam a dever as modelares fazendas do noroeste. A atividade dos jundiahyenses, não se limita, pois, ao commercio e a — industria. Desenvolve-se, também, pela agricultura e não nos deixa em lugar sem importância no rol dos municípios cafeeiros de S. Paulo”.

Cafezal II - Valquíria de Barros Elgueta
A produção de café começou a ser registrada em 1836 - foram 1.276 arrobas de café. Há números divergentes, mas pode-se dizer com alguma segurança que, dez anos depois a produção saltava para 25 mil, chegando a  50 mil arrobas em 1875 e a 60 mil em 1900 - a partir daí,   o café abandona gradativamente as terras de Jundiaí em busca das férteis terras e clima mais adequado do Oeste Paulista.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

MAIS GENTE ROUBANDO A PREFEITURA

O Jornal da Cidade, em sua edição de 11 de fevereiro de 1993, noticiava um furto - a a manchete falava em "paralelos", mas provavelmente era um erro, o que tentaram furtar foram paralelepípedos.


A matéria gerou um requerimento do vereador Felisberto Negri Neto pedindo ao então prefeito, André Benassi, que confirmasse ou não seu parentesco com o mandante do crime, tendo a resposta sido negativa.
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

UM TÚNEL LIGANDO A VILA RAMI A SANTA CLARA

Neste momento em que se trabalha na construção de viadutos que permitirão cruzar a Via Anhanguera, vale lembrar inciativa do vereador Alberto da Costa, que em 1955 sugeria a construção de um túnel sob a estrada, ligando a Vila Rami a Santa Clara - bairros como as vilas Comercial e Maringá não existiam.

O Vereador dizia que cerca de 20 pessoas já haviam perdido a  vida tentando cruzar a Anhanguera no local em que termina a Rua Bom Jesus de Pirapora, e para solucionar o problema, propunha estudos para a construção do túnel. 

Alberto da Costa
No mesmo documento, o Vereador lembrava que o governo estadual, para reduzir despesas, dispensou guardas rodoviários cujo trabalho aumentava a segurança do local - 62 anos depois, esses problemas ainda persistem.    

Alberto da Costa (1904-1964) era contador, funcionário da  Cia. Paulista de Estradas de Ferro e foi   Vereador por quatro legislaturas pelo PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Foi da Congregação de São Vicente de Paulo, onde teve destacada atuação, tendo ajudado na criação da Vila dos Pobres, hoje Cidade Vicentina. Foi protagonista de um tumulto em nossa Câmara, que relatamos aqui. 

Quanto ao túnel, acabou não sendo construído, e a função de cruzar a Anhanguera foi assumida pelo viaduto da Vila Comercial; a foto ao lado mostra políticos e moradores da região em reunião com o Governador Carvalho Pinto, discutindo o assunto.  

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O FOOTING E O CINEMA EM NOSSA CIDADE





A partir talvez dos anos 1920 - e até talvez os anos 1960 - paquerar (será que essa palavra ainda existe?) era sinônimo de caminhar pelas ruas e, claro, flertar (será que isso ainda existe?) quando possível - isso era chamado "footing". 

O "footing", que vem do inglês 'ir a pé', acontecia principalmente nas cidades menores - as garotas colocavam suas melhores roupas  e saíam para caminhar com um objetivo claro: serem observadas pelos rapazes, igualmente bem arrumados, que tinham como objetivo, observar as meninas...

Aqui em Jundiaí, isso acontecia aos sábados e domingos, principalmente na área próxima aos cinemas do centro, nas ruas Barão de Jundiaí e Rosário e na praça Governador Pedro de Toledo - a ideia era que as meninas caminhassem e os rapazes ficassem parados; inúmeros namoros e casamentos começaram no "footing". Nos anos 1950, nossa Prefeitura interditava o trecho da Rua Barão entre a praça e a rua da Padroeira, local onde o "footing" era mais intenso. 

Em 1958, o vereador Nelson Chacra pedia que a Prefeitura levantasse essa interdição nos dias chuvosos, quando não havia "footing", de forma a que automóveis pudessem recolher as pessoas que estivessem saindo da primeira sessão do Cine Ipiranga, que começava às 7 da noite e terminavam por volta das 21.  Um dos filmes exibidos na época pelo Ipiranga foi "Kirongozi, o Mestre Caçador", um documentário de 1957 que foi protagonizado por Jorge Alves de Lima, um caçador brasileiro que viveu muitos anos na África, no Quênia e Tanzania onde era conhecido como "Kirongozi", que significa "mestre caçador" no idioma local

Além do Ipiranga, os outros cinemas de nossa cidade eram o Ideal, Politeama, Marabá, República e Vitória - bons tempos...



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BASQUETE: JUNDIAÍ BRILHOU NOS JOGOS PAN-AMERICANOS DE 1987

Oscar
Os Jogos Pan-Americanos, disputados em agosto de 1987 foram marcantes para o esporte brasileiro. 

Acostumados a dominarem os Jogos, os Estados Unidos brilharam ainda mais na competição que sediaram. Das 326 medalhas de ouro distribuídas em Indianapolis, 168 foram para atletas norte-americanos, que subiram 369 vezes ao pódio, mais do que Cuba e Canadá, segundo e terceiro colocados, juntos. 

Marcel, ainda bem jovem
No entanto, no basquete masculino, um dos orgulhos dos americanos, eles decepcionaram e acabaram perdendo para o Brasil em um dos momentos marcantes da história do esporte: foi a primeira vez que o time americano perdeu um jogo em casa, a primeira vez que foi derrotado em finais e  a primeira vez em que tomou mais de cem pontos diante de seus torcedores. Além disso, o Brasil quebrou uma invencibilidade de 34 partidas oficiais do time americano de basquete. 

O ouro ganho pelo Brasil foi um dos fatores que levaram os EUA a mais tarde convocarem atletas profissionais para  sua seleção, que chegaria ao ápice com o Dream Team de 1992.

O time brasileiro não assustava os americanos. Segundo seu técnico, bastava uma marcação forte em cima de Oscar e Marcel (um dos jundiaienses do time, ao lado de André e Maury, que não jogaram na final), que arremessavam com muita precisão.


Maury, já veterano
André e o técnico Ary Vidal
A linha dos três pontos havia sido  adicionada às regras do jogo há cinco anos; era ainda inexplorada por muitos. E foi assim que o Brasil venceu os EUA, explorando os arremessos de três de Marcel e Oscar, que havia anotado apenas 11 pontos no primeiro tempo, mas que no segundo, anotou 35. Encaixou nada menos do que seis bolas de três e terminou a partida com 46 pontos, tendo acertado 7 arremessos de 3 pontos, em 15 tentativas (46,7%). Marcel repetiu Oscar e marcou apenas 11 pontos na etapa inicial e mais    mais 20 na segunda etapa, terminando a partida com 31 (na época o jogo não era dividido em quartos, como hoje). Os dois, juntos, anotaram 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo.  

O jogo, disputado no dia 23 de agosto de 1987, terminou 120 a 115, com um primeiro tempo de 68 a 54 para os americanos - como dizem os fãs do esporte, "de virada é mais gostoso".

Aqui, um vídeo relembrando o jogo.