quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A UVA EM JUNDIAÍ E SUAS PRIMEIRAS FESTAS


O jornal Jundiaqui publicou recentemente uma matéria muito interessante sobre a cultura da uva em nossa cidade - documentos disponíveis dão conta que em 1669 já se negociava vinho por aqui - a primeira Festa da Uva aconteceu em 1934.

A chegada dos imigrantes italianos fez com que a cultura da uva crescesse por aqui, especialmente com a plantação da uva Isabel, em fins do século XIX. Plantava-se também a  Niagara Branca, de origem americana, que gerou a Niagara Rosada a partir de 1933, resultado de uma mutação genética espontânea, que aconteceu na região do Traviú. Essa variedade fez tanto sucesso que incentivou nova plantações, levando Jundiaí atualmente a produzir cerca de 25.000 toneladas em aproximadamente 700 propriedades rurais. São cerca de 10 milhões de videiras, com predominância da Niagara Rosada, embora se produzam uvas finas como Itália, Rubi, Benitaka, Brasil, Patrícia e Maria. Alguns agricultores produzem vinhos artesanais a partir de variedades como  Niagara Branca, Máximo, Isabel, Bordô e Madalena.

Na esteira desse sucesso surgiu a Festa da Uva em 1934, atraindo cerca de cem mil pessoas, tendo acontecido no centro da cidade, com a exposição de uvas e outras atividades, como a exposição viti-vinícola, acontecendo no então Mercado Municipal, hoje Sala Glória Rocha, como mostra a foto. Carros de bois,   automóveis e cordões carnavalescos se misturaram à multidão nas ruas do centro - a festa foi amplamente noticiada pelos jornais da capital.  

A segunda festa aconteceu em 1938,no Largo Santa Cruz; por conta da 2ª Guerra Mundial, a festa foi interrompida e só retornou em 1947. A partir de 1953, passou a ser realizada no Parque Comendador Antônio Carbonari, o Parque da Uva que foi inaugurado em 1953, na gestão do do prefeito Luiz Latorre, que teve a assessoria do arquiteto e prefeito anterior, Vasco Venchiarutti. O parque sofreu uma grande reforma em 2004. 

Em 1938, uvas de Jundiaí já eram vendidas no Rio de Janeiro - a foto mostra o primeiro desembarque de nossas futas na então capital do país; aparecem na foto (ao final do post), entre outros, Egydio Condini, João Carbonari Junior, Isaac Carbonari, Américo Caniato, Waldomiro Bruneli e Alfredo Carbonari - muitas dessas famílias ainda cultivam a uva. Segundo relata o professor Francisco Carbonari, a venda das uvas aconteceu no centro do Rio, na Praça Tiradentes - o caminhão  foi cedido aos jundiaienses pelo então ministro da agricultura Fernando Costa; as uvas foram até a capital de trem, provavelmente.

Note-se que o caminhão era movido a gasogênio, gás obtido por meio da queima de carvão, que passou a ser utilizado em função do racionamento de petróleo, que acontecia em razão da proximidade da guerra. O carvão era queimado no tubo situado ao lado da cabine do veículo. 
Nos bairros Bom Jardim, Poste, Traviú, Engordadouro, Fernandes, Corrupira, Toca, Roseira, Caxambu, Mato Dentro, São José e Champirra concentra-se nossa produção de uvas.



http://www.jundiaqui.com.br/?p=102708


http://www.jundiaqui.com.br/?p=102708

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O FANTASMA DO TÚNEL DE BOTUJURU

O bairro Botujuru pertence hoje a Campo Limpo Paulista, mas anteriormente pertencia a nossa cidade. 

Nele, há um túnel ferroviário, que foi palco de um episódio interessante, acontecido nos anos 1940, quando um passageiro caiu de dentro de um trem no interior do túnel, salvando-se praticamente ileso, como mostra o recorte ao lado. Ali também, em 1863, ocorreu um massacre, narrado em outro post.

O local da placa

Neste post vamos narrar outros episódios estranhos ocorridos no túnel: rumores dão conta que um fantasma ronda a área. A lenda diz que nos anos 1890, quando o túnel estava sendo duplicado, os trabalhos eram chefiados pelo engenheiro inglês  Henry J. Beeg, um tipo particularmente enérgico, que punia pequenas faltas dos empregados com medidas disciplinares severas, humilhações e ofensas pessoais. 

Isso levou o engenheiro a ser odiado pelos que compunham sua equipe, a ponto de um complô ter levado ao seu assassinato, em 23 de abril de 1898, quando os trabalhadores teriam preparado uma emboscada e, próximo ao túnel, teriam surpreendido o engenheiro e assassinado-o a sangue frio. 

Depois do crime, os trabalhadores teriam enterrando o seu corpo na mata. Existem várias versões sobre o paradeiro do corpo: uma delas diz que o nunca foi encontrado; outra é de que teria sido sepultado ao lado do leito da linha férrea, onde hoje existe uma uma lápide com o nome de Beeg e um local para serem colocadas velas para a alma atormentada do engenheiro. 

A lenda conta ainda que devido ao crime bárbaro, fatos estranhos ocorrem na região do túnel: em altas horas da noite pessoas relatam ouvir os ruídos das batidas de uma pá contra a terra, gemidos e o barulho de um corpo caindo em uma cova. 

Outros relatos dizem que em noites com muita neblina, pode ser visto o vulto de Beeg, que flutua sobre o leito da ferrovia, como se estivesse procurando por algo ou inspecionando os trilhos. O mesmo vulto já teria sido visto parado na entrada no túnel, como se vigiasse o local.

No entanto, há certeza sobre alguns fatos: Beeg foi morto em seu escritório, próximo ao túnel, com um tiro no tórax e outro na cabeça na noite de 23 de abril de 1898. O inquérito apontou o italiano Antonio Madaloni, que trabalhava como carpinteiro, como possível autor. Segundo uma notícia veiculada no jornal "O Estado de S. Paulo", a investigação constatou que antes do assassinato Beeg havia demitido Madaloni sem qualquer pagamento e que uma espingarda encontrada próxima a cena do crime foi apontada por pessoas interrogadas como sendo pertencente ao empregado demitido.

Ao contrário do que diz a lenda o corpo do engenheiro foi encontrado e sepultado em São Paulo, como mostra a notícia abaixo, publicada pelo "O Estado de S. Paulo" em sua edição de 25 de abril de 1898.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O CORINTHIANS JUNDIAIENSE

O distintivo
Foi um dos primeiros clubes de nossa cidade, fundado em 16/09/1913. Sua sede ficava na área onde hoje está localizado o Colégio Divino Salvador;  esse local era  utilizado para bailes, jogos de salão, e outras atividades sociais - segundo o jornal "A Gazeta" de 21/02/1921 a sede era situada num "bello palacete de dois andares, está situada a sede social. É um dos melhores clubs sportivos que conhecemos. No primeiro andar há um bom salão para bailes, bilhares, bar, etc..No segundo andar estão as salas da diretoria, secretaria, pingpong e várias outras para jogos lícitos".

Nos primeiros anos   do século passado, possuía um estádio na área hoje ocupada pelas indústrias Dubar, nos altos de Vila Arens. Com capacidade para cerca de 10.000 espectadores, era enorme para os padrões da época, e nele se realizou a primeira partida entre o time jundiaiense e o SC Corinthians Paulista, no dia 05.09.1915. 

O  time da capital, campeão paulista de 1914   venceu por 5x0,  tendo contado nessa partida com Neco, um dos maiores ídolos dos primórdios do futebol brasileiro. Outras fontes dão essa data como 22.02.1921, quando o Corinthians jogou contra o CA. Ypiranga, perdendo por 5 x 1. Talvez essa última data refira-se à inauguração das arquibancadas.

Em realidade, o estádio pertencia à Cia. Tecelagem Japy, cujo presidente, Isaias Blumer, era fanático pelo clube. A empresa entrou em crise e foi obrigada em meados doas anos 1920 a vender o estádio, que acabou adquirido pela empresa Rappa & Cia. (Dubar) por 70 contos de réis. 

Nos anos 1950, o clube adquiriu um terreno e começou a construir outro estádio, tendo sido feita a terraplanagem e construído os muros - faltou fôlego, e a área ficou com a Associação Primavera de Esportes, que ali construiu seu estádio.

Os uniformes principal e secundário
O time jundiaiense enfrentou também o Paulistano, à época o principal clube do futebol paulista: em 17.04.1922, empatou em  2 x 2, com o lendário Friedenreich tendo feito os dois gols do Paulistano.  

Mas a maior glória do Corinthians Jundiaiense foi o  título do campeão do interior, obtido em 1920. Nessa época, o campeão do interior disputava a “Taça Competência” com o campeão paulista (o campeonato paulista era disputado apenas entre times da capital); a equipe de nossa cidade venceu o Palestra Itália (atual Palmeiras) por 3 x 1 mas não levou a taça:    a APEA (a federação da época) considerou a partida  “amistosa” devido à inclusão de Pedro Grané na equipe de Jundiaí e deu a taça ao Palestra.

Entre outras conquistas, o Corinthians foi foi o campeão juvenil de 1955, conforme mostra a foto abaixo:



domingo, 12 de fevereiro de 2017

O MAJOR SUCUPIRA - UM HERÓI DA GUERRA DO PARAGUAI

Carolino Bolivar de Araripe Sucupira nasceu no Ceará e faleceu em nossa cidade a 16 de Fevereiro de 1897, aos 54 anos - seu corpo está sepultado na quadra 30 do Cemitério N. S. do Desterro. 

Muito jovem ainda, participou ativamente da Guerra do Paraguai, fazendo parte dos Voluntários da Pátria, criados para lutarem na guerra ao lado do Exército e da Marinha. Atingiu o posto de major, tendo atuação destacada em diversas batalhas, Curuzu,
Retrato do Major sendo entregue
ao 12º GAC
Humaitá, Lomas Valentinas e especialmente Avai - passou a ser chamado "Herói do Avaí", tendo inclusive sido criada em São Paulo uma entidade que levava seu nome. 

Cabo dos Voluntários da Pátria
Terminada a guerra, prestou um concurso público, disputando com outras 17 pessoas, o "Tabelionato Official" de nossa cidade; aprovado, mudou-se para Jundiaí, tendo residido nas imediações da Praça Ruy Barbosa. 

Teve atuação destacada em nossa cidade, onde em 1888 foi um dos fundadores da "Sociedade Comemorativa 13 de Maio", entidade que destinada a amparar e promover a integração social dos escravos recém libertados. Compuseram essa agremiação, entre outros: Eduardo Álvaro de Castro, Bernardino Ferreira de Souza, Francisco de Albuquerque Cavalcanti, Gregório da Cunha Vasconcellos, Francisco de Queiroz Telles, Raphael Rossi, José Florêncio da Silva, Antonio Adriano de Oliveira Lima, Benedicto Philadelpho Castro, João Gomes de Siqueira. A foto, no final deste post, mostra alguns dos membros da Sociedade

Hoje, o Major Sucupira dá nome a uma rua aberta nos anos 1920 para ser o prolongamento da Rua do Rosário, criando mais acessos aos bairros adjacentes. Para isso, foi necessária a demolição da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em 1922, alinhada ao local onde hoje está o Gabinete de Leitura Rui Barbosa.











quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O CARNAVAL DE 1874 EM JUNDIAI


Neste ano parece que teremos um carnaval "magro" em nossa cidade, mas os carnavais dos anos 1870 pareciam ser animados por aqui.

O jornal "Correio Paulistano" publicava um anúncio em 22 de janeiro de 1874 convidava os "amantéticos sócios" de uma certa "Associação Carnavalesca" para "grandes bailes a phantazia" a serem realizados no teatro Thalia Jundiahyana. 

Uma curiosidade: a palavra "amantético" significa "amante ridiculamente apaixonado, exagerado ou grotesco em suas manifestações amorosas". Uma dúvida: onde ficaria o dito teatro?  Há um teatro chamado Thalia em Lisboa, próximo ao Zoológico, construido em meados do século XIX. 

O convite era assinado pelo secretário da entidade promotora, um tal de "Marquês de Malakodif" - certamente um gozador...

Ao contrário do que acontece hoje,  naquela época  não havia dinheiro público para o carnaval - que tal voltarmos a adotar essa prática? 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

1896:A FORÇA PÚBLICA CRIA UMA ENFERMARIA EM NOSSA CIDADE


Em 1896 o Hospital da Força Pública, hoje Polícia Militar, cujo brasão abre este post, situava-se no à Rua General Flores, no Bom Retiro, São Paulo. 

Por alguma razão, nesse ano, foi criada em nossa cidade uma "enfermaria especial" daquele hospital, com o objetivo de receber os tuberculosos internados no Hospital; essa enfermaria foi extinta no ano seguinte. 

A pesquisa histórica gera sempre muitas dúvidas: por que foi criada a enfermaria (provavelmente para evitar contágios)? Onde ficava a enfermaria? Quem atendia os doentes?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A AFAMADA CERVEJA JUNDIAYANA


O jornal Imprensa Ytuana, de 10 de abril de 1884, publicava um interessante anúncio, falando da mudança de endereço do boteco de um certo José Martins.

Vale a pena ler o anúncio com atenção, pelo tom coloquial empregado; como curiosidade, anunciava estar disponível a afamada cerveja Jundiayana. 

A mesma provavelmente era de nossa cidade, mas não conseguimos encontrar qualquer informação adicional. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

1818: JUNDIAÍ JÁ MOSTRAVA SUA VOCAÇÃO COMO CENTRO LOGÍSTICO E INDUSTRIAL


Von Spyx
Von Martius
Carl Friedrich Philipp von Martius (1794 - 1868) era um médico alemão com interesse muito grande pela botânica. Seu amigo, Johann Baptist von Spix (1781 - 1826), também alemão, era um zoólogo.

Em 1817, Spix e Martius foram convidados para realizar uma expedição ao Brasil, com o objetivo de descrever nossa fauna e flora. Faziam parte da Missão Artística Austro-Alemã, um grupo de artistas e cientistas que acompanharam a princesa Leopoldina, que vinha para o Brasil para se casar com o futuro imperador Dom Pedro I. 

A viagem pelo país, que terminou em 1820, foi descrita em um livro detalhado e interessante, o Reise in Brasilien (Viagem pelo Brasil) - foram milhares de quilômetros pelo país, visitando São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Pará e Amazonas.

Em 1818, Martius e Spix passaram por nossa cidade, que descreveram como "um pequeno povoado em uma colina baixa, que só é importante por sua situação favorável para o comércio do sertão. Todas as tropas que partem da Capitania de São Paulo para Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Cuiabá, são aqui organizadas. Os habitantes possuem grandes manadas de mulas, que fazem essas viagens algumas vezes por ano. O fabrico de cangalhas, selas, ferraduras e tudo que é necessário para equipamento das tropas, assim como o incessante vaivém das caravanas, dão ao lugar feição de atividade e riqueza, e, com razão, dá-lhe o título de porto seco. Daqui partem as estradas trilhadas para as Províncias acima citadas”.

Nossa cidade já mostrava sua vocação como centro logístico e industrial.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

BRASIL ENTRA NA GUERRA: 22 DE AGOSTO DE 1942

No dia 22 de agosto de 1942, após navios mercantes brasileiros serem torpedeados e afundados por submarinos alemães e italianos, o Brasil declarou guerra à Alemanha nazista e à Itália fascista. 
O Anibal Benévolo, um dos navios afundados (99 mortos)

O jornal Folha da Manhã, em sua edição de 27 daquele mês, noticiou como a população de nossa cidade recebeu a notícia da declaração de guerra: os homens passaram a usar gravatas pretas como sinal de luto pelos mortos nos navios afundados, os funcionários da Prefeitura passaram a cantar o Hino Nacional após o encerramento do expediente aos sábados; no dia 22 houve uma concentração popular na Praça Pedro de Toledo, ouvindo as últimas notícias divulgadas por um serviço de alto-falantes - poucos tinham aparelhos de rádio em casa. 

O envio das tropas brasileiras para o campo de batalha começou apenas em julho de 1944, quase dois anos após a declaração de guerra brasileira. 

Foram enviados 25 mil homens, de um total inicialmente previsto de 100 mil. Mesmo com problemas na preparação e no envio, já na Itália, treinada e equipada pelos  americanos, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) cumpriu as principais missões que recebeu.

Morreram quase 500 militares e cerca de 1.000 membros da marinha mercante e passageiros dos navios afundados, .

Patrulha brasileira em ação na Itália


domingo, 22 de janeiro de 2017

O HOTEL DO COMMERCIO, A PAULISTA E A YTUANA

O jornal Correio Paulistano publicou em sua edição de 3 de março de 1872, um anúncio do "Hotel do Commercio", em nossa cidade

Era um anúncio voltado aos viajantes que chegavam de S. Paulo por via ferroviária; o hotel era "a primeira casa subindo para a cidade", provavelmente na atual Rua Barão do Rio Branco, que até hoje é conhecida entre nós como a Rua da Estação.

Até há não muito tempo atrás, havia próximo ao local um prédio que serviu como hotel e também como sede do antigo GEVA - Ginásio Estadual de Vila Arens - não sabemos se se trata do mesmo prédio - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra foto do prédio logo após a instalação do GEVA (cerca de 1963). 



A locomotiva nº 1 da Paulista
O Hotel dizia ter carros para levar e trazer hospedes à Estação, animais para alugar e "trollis" para Campinas e Itu - não havia ferrovia para essas cidades; esse negócio deve ter sofrido um grande impacto logo depois do anúncio: em agosto de 1872 foi inaugurada a ligação ferroviária Jundiaí-Campinas. 

Logo depois, em novembro do mesmo ano, outro golpe no negócio: foi inaugurada a ferrovia de Jundiaí a Indaiatuba (à época chamada Pimenta); em 1873, a linha chegou a Itu - ao sair de nossa Estação, percorria o que hoje é a Av. União dos Ferroviários. A foto abaixo mostra a primeira locomotiva da Ituana (ou Ytuana, como se escrevia na época), hoje em exibição na cidade de Indaiatuba. 

Consta que a locomotiva estava exposta na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos durante as comemorações do centenário de independência daquele país em 1876, onde foi comprada pelo imperador D. Pedro II. Na exposição do centenário, a locomotiva tinha o nome de “America”. Logo que chegou ao Brasil foi batizada de “D. Pedro II”, segundo o pesquisador Sérgio Mártire - ao que parece, D. Pedro II teria doado a locomotiva à Cia Ytuana, que 1892 foi absorvida pela Sorocabana.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

A CASA DA FAMÍLIA MESSINA E A CICA

A  casa recém construída
A Companhia Industrial de Conservas Alimentícias CICA, uma das maiores empresas do ramo alimentício do Brasil (se não a maior) começou a operar em 1941; foi produto da associação do banqueiro Alberto Bonfiglioli com as famílias Messina, Guerrazzi e Guzzo, entre outras. Em meados da década de 1990, foi vendida e em 1998 a fábrica de Jundiaí foi fechada. 

Anexa à fábrica, foi construída uma casa que serviu de residência ao Comendador Antonino Messina, que ali residiu até sua morte, em meados dos anos 1960. Essa casa é descrita em um artigo bastante interessante, de autoria do arquiteto Eduardo Carlos Pereira e publicado na revista Cidade, Patrimônio & História, edição de maio de 2016. A casa   está na relação de bens do Inventário de Proteção do Patrimônio Artístico e Cultural   e possui grau 1 de proteção, destinado aos bens  imóveis que possuem reconhecida importância histórica ou elevada qualidade arquitetônica.


O primeiro projeto da casa, construída por Giacomo Venchiarutti, em 1942, era bem menor do que a casa atual. No pavimento térreo havia uma cozinha, uma copa, um dormitório para empregadas e uma sala de jantar. No pavimento superior existiam quatro quartos, um banheiro e um terraço. A reforma posterior aumentou consideravelmente a área da residência. No pavimento térreo foram aumentados a cozinha, a copa e o terraço frontal, além de serem construídos uma grande sala, um quarto, banheiros, um hall e um grande terraço posterior. A área do pavimento passou para 310 m². No pavimento superior, um dos quartos foi aumentado, outro ganhou um terraço e os outros dois deram lugar à uma grande sala; foi também criado um corredor que dá acesso à dois quartos e um banheiro mais recentes. O pavimento passou a ter 200 m².
A localização da casa dentro do complexo CICA (anos 1960)

O brasão
A casa tem algumas características bastante marcantes, como o painel de azulejos pintados à mão por Carlos Mancini em 1957, localizado na varanda posterior. Além desse painel, há outros elementos que podem ser considerados de  valor histórico, como o brasão da CICA na fachada, outro painel também pintado por Carlos Mancini, com a imagem do Santo Antônio e o portão social, trabalho de serralheria de alta qualidade. 

Elevação atual da casa (acervo do arquiteto Eduardo C. Pereira)

A casa faz parte do imóvel hoje ocupado pela Telhanorte; espera-se que a ganância e a especulação imobiliária não impeçam sua manutenção e utilização como um dos ícones de nossa cidade. 

Um pouco mais sobre a CICA pode ser visto aqui. 

sábado, 14 de janeiro de 2017

ESCRAVIDÃO, UMA TRAGÉDIA TAMBÉM EM JUNDIAI

A abolição tardia da escravidão é uma mancha que paira sobre o Brasil; fomos o último país das Américas a abolir essa prática hedionda. Além da privação da liberdade propriamente dita, a escravidão trazia toda a sorte de maus tratos e privações. Famílias eram separadas, qualquer possibilidade de educação ou evolução praticamente inexistiam - enfim, era uma situação absolutamente inaceitável.

Nossa cidade não ficou livre desse mal: o Prof Mauricio Ferreira tem em seu acervo este recorte da "Gazeta de Campinas" de novembro de 1874, dando conta da fuga do escravo Zeferino: desdentado, levando consigo um calça e uma camisa apenas, provavelmente movido pelo desespero deixara a Fazenda do Monteserrate (na região de Itupeva) em busca de algum alívio para seus tormentos. 

O jornal Correio Paulistano publicava em 1872 anúncio tratando da fuga de quatro escravos em nossa cidade: Christiano, Innocencio, Nicácio e Ildefonso, para cuja captura também era oferecida recompensa. Entre 1856 e 1862, um conto de réis (um milhão de réis) podia comprar  um escravo ou um quilo de ouro - a preços de hoje, seriam cerca de 120 mil reais -   o  anúncio oferecia uma recompensa de cem mil réis pela sua captura, ou cerca de 10% do preço do escravo. 

A escravidão não acabou, apesar de ilegal. Hoje  os traficantes de pessoas escondem suas vítimas e formam uma população de escravos oculta. Estimativas apontam que hoje em dia existam entre 12 e 27 milhões de pessoas que vivem como escravos pelo mundo todo. Na melhor das hipóteses, eles trabalham 16 horas por dia em troca de dinheiro que só é suficiente para se alimentarem mal e pagarem por uma cama para dormir. Na maioria dos casos são pessoas de outros países que se tornam reféns de exploradores que lhes dão condições de migrarem e os colocam para trabalhar afim de pagarem uma dívida que nunca acaba - aqui no Brasil são frequentes as notícias sobre bolivianos nessa situação, frequentemente trabalhando em confecções em São Paulo. Também em áreas rurais situações como essa persistem.

E o que podemos fazer para lutar contra esse mal? Observar e denunciar situações desse tipo.  E quanto a Zeferino, Christiano, Innocencio, Nicácio e Ildefonso - que fim teriam levado? 




terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ANOS 1930: OS CIRCOS BREMEN E ARAUJO ESTIVERAM EM NOSSA CIDADE



Em abril de 1935 o circo Bremen estava em nossa cidade, mais precisamente no Largo de Santa Cruz, onde hoje está localizado o Terminal Central. Era normal que circos e parques de diversões se instalassem nesse local, que nos primórdios de nossa cidade era onde ficavam as tropas de animais que vinham nos trazer mercadorias.

A imprensa informava que o circo tinha "um bom elenco de artistas acrobatas" e "uma óptima collecção zoológica, da qual se destaca o interessante chimpanzé Boby" - atualmente, não é permitido que circos tenham animais. 


Em 1937, era o Circo Araújo que se instalava no velho Largo, também com uma "collecção zoológica".


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

PAOLETTI - TAMBÉM PERDEU-SE NA POEIRA DO TEMPO

Companhia Industrial e Mercantil Paoletti S.A. foi fundada em 1955, operando inicialmente em Várzea Paulista, à época um bairro de Jundiaí. Tem suas origens em uma pequena empresa importadora e  envasadora de azeitonas chamada Audax (ou Audaz), que foi adquirida por Carmelo Paoletti e que acabou se transformando em uma indústria de produtos alimentícios de grande porte. 

Diz-se que a região de Várzea tinha dois problemas sérios: o primeiro a carência de água, insumo essencial para a fabricação de conservas, sendo o segundo a presença na região da Elekeiroz, fabricante de produtos químicos, cujas chaminés lançavam no ar gases corrosivos que oxidavam as latas utilizadas para os produtos Paoletti. Para evitar esse problema, Paoletti construiu uma nova fábrica em   Cajamar, local sugerido por Arnaldo Rojek, antigo funcionário da CICA que viria a ser um dos diretores da Paoletti e mais tarde, fundador da Metalgráfica Rojek, também localizada em Cajamar. 

A empresa cresceu muito, tendo inclusive aberto outras fábricas, a maior delas em Araçatuba. Tinha forte presença na mídia, como mostra o comercial de TV que pode ser visto clicando-se ao pé deste post. 

Para tentar superar a situação, a empresa acabou recorrendo a empréstimos do BNDES, que acabaram não sendo pagos e gerando conflitos que levaram esse banco em 1979 a passar seu controle para o Grupo Simeira, que entre outras empresas controlava as Lojas Arapuã e o Banco Fenícia - esses novos controladores também não conseguiram reerguer a empresa, que acabou fechando as portas mais tarde - a marca Etti acabou ficando em poder da Bunge, uma grande empresa na área de produtos alimentícios. 

Paoletti continuou atuando no ramo, tendo adquirido em 1985 a Coniexpress, uma pequena empresa de Jundiaí que no início de suas atividades fabricava casquinhas para sorvete - localizava-se na Vila Jundianópolis.

Essa empresa, quando adquirida por Paoletti, detinha a marca Quero e acabou tendo uma linha de produtos similar à que a Paoletti tinha. Transferiu-se para a cidade de Nerópolis (Goiás) e em 2011 foi vendida para o grupo americano Heinz, que, curiosamente foi vendido no início de 2013 para uma sociedade formada pela  Berkshire Hathaway, holding do investidor americano Warren Buffet e a firma brasileira de investimento em participações 3G Capital,   por US$ 23 bilhões; foi uma das maiores aquisições do setor alimentício de todos os tempos.

Paoletti morreu em 2012, aos 81 anos.









domingo, 25 de dezembro de 2016

O CORINTHIANS JUNDIAHYENSE E A UNIÃO FEMININA CORINTHIANA

Em outubro de 1935 a imprensa noticiava o primeiro aniversário da União Feminina Corinthiana, formada por mulheres que apoiavam o clube da Vila Arens.
O aniversário seria comemorado por um "sarau dansante", um baile, que aconteceria no "Theatro República", foi depois o Cine República e abriga hoje uma agência bancária. No Baile, tocaria "um escolhido jazz-band da Capital",

É muito interessante ver, como há mais de 80 anos, existia uma entidade como essa; na atualidade, infelizmente, é praticamente impossível pensar em algo parecido, ficando claro o quanto caiu o nível do ambiente futebolístico... 

Vale lembrar que o Corinthians Jundiahyense Foot-Ball Club foi fundado em 1913 e foi o   Campeão do Interior Paulista de 1920. Naquela época, os campeões do interior e da capital, disputavam o título estadual. O campeão da capital foi o Palestra, que armou uma maracutaia para ficar com o título - não houve a disputa. 


O Corinthians Jundiaiense tinha um estádio para 8 mil espectadores, que ficava na Vila Progresso, onde hoje fica a Dubar. Sua sede era um grande sobrado que depois ficou com o Colégio Divino Salvador - a foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Fernandes, mostra o prédio da sede, provavelmente já pertencendo ao Divino. 

Com o surgimento de outros clubes e afastamento daqueles que bancavam a maior parte das despesas, o clube foi se apequenando, até desaparecer definitivamente no início da década de 1960.