quarta-feira, 1 de julho de 2020

CARLOS DE SALLES BLOCH, PARTIU PREMATURAMENTE

Carlos de Salles Bloch  nasceu em 1887, em Campinas.

Trabalhou durante muito tempo na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e teve uma participação intensa na vida de nossa cidade, em diversos campos. 

Foi um dos fundadores do Grêmio CP (1900),  do Paulista FC (1909) e da Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística, em 1932 - era um incentivador das bandas de música de nossa cidade. Ainda na área cultural, colaborava com nossa imprensa.

Bloch havia enviuvado muito cedo, e em 1940, às vésperas de seu segundo casamento, acabou falecendo aos 53 anos. Um convite para  missa de 7º dia em sua memória foi publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 21 de abril de 1940.

Hoje, dá nome a uma importante via do bairro do Anhangabaú.









domingo, 28 de junho de 2020

JUNDIAÍ TEVE UM JOCKEY CLUB


Conforme podemos ver pelas imagens deste post, fora fundado em nossa cidade o Jockey-Club Jundiaí.


Por iniciativa do vereador José Pedro Raimundo, a Câmara Municipal enviou seus cumprimentos ao novo clube, que com outra correspondência, agradeceu. 

São poucas as informações que conseguimos levantar acerca da entidade; seu presidente provavelmente era o Professor Arthur Chagas Jr, importante figura de nossa cidade. Nascido em 14/01/1902, em Botucatu, era casado com Anna Pontes Chagas; trabalhou em diversas de nossas escolas, tendo em 1959 sido  nomeado Delegado de Ensino de Jundiaí (hoje Diretor de Ensino), cargo que ocupou até a aposentadoria. Foi vereador entre 1956 e 1959, tendo falecido em  14/05/1984.

O clube localizava-se à Rua Barão de Jundiaí 706, provavelmente no prédio da Galeria Bocchino.

Pela falta de outras menções à entidade, acredita-se que o clube nunca tenha saído do papel.  






terça-feira, 23 de junho de 2020

1957: VEREADORES PEDIAM O CONFINAMENTO DAS PROSTITUTAS

Em 23 de novembro de 1957 a Folha da Manhã trazia informações sobre um assunto que vinha agitando a cidade: as "decaídas" (prostitutas) que faziam ponto no centro da cidade. 

Ao que parece a Polícia fechara as casas em que essas mulheres atendiam aos seus clientes, e elas passaram então a procura-los nas ruas, gerando, segundo o jornal, "cenas degradantes". 

O assunto mobilizara a cidade: após três sessões, com o recinto da Câmara totalmente lotado, a edilidade decidiu solicitar, por ofício dirigido ao Delegado de Polícia, o "confirmamento" (sic) da mulheres - provavelmente o jornal quis dizer "confinamento".

Não sabemos como o assunto evoluiu, mas a cidade parece ter "fervido" na ocasião - e o pior, é que o problema persiste, agravado, entre outros fatores, pelo consumo de drogas. 

Há algum tempo tratamos do assunto em outro post, que tem informações adicionais. 

domingo, 14 de junho de 2020

EM JANEIRO DE 1919 A PANDEMIA CHEGAVA AO FIM

Em 15 de janeiro de 1919 o jornal O Estado de S. Paulo noticiava que empresários de nossa cidade entregavam ao prefeito, o Dr. Olavo Guimarães, mais de quatro contos de réis que haviam sido arrecadados junto a comerciantes - o valor era destinado às vítimas da Gripe Espanhola que grassara também em nossa cidade. 

Consta que, em todo mundo, a doença matou entre 17 e 100 milhões de pessoas; no Brasil, foram 35 mil vítimas, dentre elas o presidente eleito, Rodrigues Alves - a pandemia durou aqui cerca de quatro meses. 


A mesma edição,  dizia que os vicentinos de nossa cidade estavam promovendo uma romaria à capela do Senhor Bom Jesus, no bairro do Caxambu, em ação de graças pelo fim daquela pandemia.  

1938: TRALDI ERA A MAIOR VINÍCOLA DO ESTADO

Em sua edição de 27 de março de 1938, O Estado de S. Paulo" falava da vinícola Traldi: era a maior empresa do ramo em nosso estado, produzira mais de 1,5 milhão de litros, 44% da produção de nossa cidade, em que existiam mais 21 produtores de vinho.

O jornal elogiava os produtos da empresa, que como fazia todos os anos, enviava uma caixa de seus produtos ao jornal...


terça-feira, 9 de junho de 2020

JUNDIAÍ E O TROPEIRISMO

A produção de alimentos  tinha muita importância econômica na Jundiaí do final do século XVIII e nas décadas iniciais do XIX. Milho, açúcar, feijão, carne suína e bovina, além de aguardente, eram os principais produtos de nossa cidade. 

Mas havia outro negócio importante na cidade: o dos transportes. Por aqui passava a “Rota do Goiás”, que saía de São Paulo, atravessava Jundiaí, Campinas, Mogi-Mirim, Mogi-Guaçú, rumando para Franca e daí para Goiás; nessa rota, que foi aberta ao redor de 1725 pelo bandeirante Bartolomeu Bueno, tudo era transportado no lombo de muares, que viajavam em grupos chamados "tropas". 

Essas tropas também transportavam mercadorias de e para o porto de Santos. Havia também um ramal da Rota que seguia para o sul de Minas. 

Muitos jundiaienses exerciam atividades ligadas a esse negócio,   criando, domando, alugando e comerciando animais, organizando e conduzindo tropas, produzindo arreios e fornecendo alimentos aos tropeiros. 

Do interior, as tropas traziam produtos como algodão, toucinho e queijos. A partir de Jundiaí, eram enviados para São Paulo porcos vivos.

O trabalho era duro, e a "estrada" ruim: já em 1822 havia reclamações, inclusive sobre queda de pontes, como dissemos em outro post.

As atividades dos tropeiros foram diminuindo à medida em  que as estradas foram sendo melhoradas e carroções passaram a ser um meio mais eficiente de transporte - antepassados meus tiveram um negócio desse tipo, trazendo café do interior para embarque na ferrovia em Jundiaí, rumo a Santos, que passou a operar em 1867.

À medida em que as ferrovias foram sendo implantadas, as tropas deixaram de existir em nossa região; como curiosidade, ainda vi tropas transportando marmelo para fábricas da Cica em Delfim Moreira e Marmelópolis, no sul de Minas, no início dos anos 1970 - a foto ao lado mostra a fábrica em Delfim Moreira; o prédio pertence à Prefeitura da cidade.

terça-feira, 2 de junho de 2020

LEMBRANDO LOJAS TRADICIONAIS DE NOSSA CIDADE


Em sua edição de 5 de novembro de 1952, O Estado de S. Paulo noticiava a realização de um "chá infantil", cuja renda seria destinada às obras do Asilo Barão do Rio Branco, em construção no bairro do Anhangabaú. 


Em que teria se transformado o Asilo? E a Associação Jundiaiense Damas de Caridade, que promovia o evento, qual sua história?

Muito interessante é a relação das casas comerciais que apoiavam o evento; todas já não existem mais, talvez com exceção da Joalheria Nacional. Um detalhe: existiam pelo menos duas livrarias na cidade - quantas teremos agora?

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O CHEFE DA ESTAÇÃO ERA UM TIRANO!



O jornal "Terra Livre" foi fundado em 1905 pelo jornalista Edgard Leuenroth (foto abaixo, 1881-1968).

De cunho anarquista, destacava-se pela crítica  ao poder do Estado, tratando temas como impostos, trabalho infantil, necessidade e a oferta de trabalho, e a farsa e hipocrisia dentro da política da época. O jornal incentivava a organização do movimento operário e buscava inculcar nesse grupo a importância do estudo.


Em sua edição de 12 de abril de 1906, o jornal tecia críticas ao chefe da estação da Cia. Paulista em nossa cidade - à época a empresa ainda usava seu antigo nome; dizia o texto: "O chefe da estação Jundiaí da Companhia Paulista de Vias Férreas é um modelo de tirania, um carcereiro exemplar, e é por isso que a Cia. o estima e ampara. É este pequeno czar que estabelece regulamentos despóticos que pesam sobre os empregados como uma barra de chumbo."


Quem seria o chefe da estação? 

  

domingo, 17 de maio de 2020

A LOJA DO BARATEIRO



Anúncio publicado na edição de 14 de março de 1868 do jornal Diário de S. Paulo informava que na Loja do Barateiro, aqui de nossa cidade, "encontra-se-hão todas a qualidades de fazendas de lei", por preços "mui commodos".

Ficam dúvidas: seriam "fazendas de lei" tecidos de boa qualidade? A Rua Direita era a atual Barão de Jundiaí; o estabelecimento ficava "em frente á cadêa" provavelmente no local hoje ocupado pelo prédio do INSS.

Julio Lyon era o proprietário da loja. Era tetravô de Gean Paes Leme que nos trouxe algumas informações sobre ele: era francês e se casou em 1868 com Leopoldina Maria de Jesus (natural de Campinas). 

Em 1884, residia em Dois Córregos, e havia se casado novamente (Leopoldina morreu nesse meio tempo) com Francisca Pereira de Camargo (natural de Pirassununga) e deve ter vivido por ali até 1889-1900, segundo registros de uma de suas filhas, trisavó de Gean. Julio morreu no Rio de Janeiro em 1912.

A informação sobre a Rua Direita vem de nossa colaboradora Vânia Feitosa Calixtre, que nos lembra também que os nomes antigos das principais ruas do centro de nossa cidade: Rua do Meio (Rua do Rosário), Rua Nova (Senador Fonseca) e Rua Boa Vista (Zacarias de Góes).

domingo, 10 de maio de 2020

ANTENOR SOARES GANDRA - EXEMPLO DE HOMEM PÚBLICO

Antenor Soares Gandra nasceu em 10 de fevereiro de 1891. Seus pais eram os proprietários da Fazenda Santa Fé, no distrito da Rocinha, que fez parte de Jundiaí até 1948 quando se emancipou e se transformou no município de Vinhedo. 

Ele se destaca na história da cidade por ter sido, além de prefeito, médico e um cidadão muito atuante. 

Formou-se em medicina no Rio de Janeiro em 1914 e veio trabalhar em nossa cidade; em  1916 casou-se com  Maria Celeste Ribeiro Gandra - tiveram quatro filhos, todos nascidos em Jundiaí.

Como médico, prestou relevantes serviços a Jundiaí, tendo exercido inúmeros cargos, dentre os quais a Chefia do Serviço Sanitário Municipal, onde se destacou pelas prontas medidas adotadas na luta contra a Gripe Espanhola, epidemia que assolou o município e o mundo em 1918/1919.


Participou da Revolução Constitucionalista de 1932, da qual foi um dos líderes em nossa cidade - é o soldado ajoelhado, à esquerda.

Teve  grande projeção no cenário político, tendo exercido o cargo de prefeito por duas vezes, nos anos 1930, com grandes realizações. Deixando a prefeitura, foi eleito deputado estadual, continuando a trabalhar por nossa cidade. 

Em 1936 transferiu sua residência para São Paulo, tendo ajudado a criar e trabalhado no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina.

Faleceu na capital em 18 de maio de 1946, aos 55 anos, tendo sido sepultado no Cemitério São Paulo.

Em Jundiaí, como homenagem a esse importante personagem, seu nome é dado à Escola Estadual Dr. Antenor Soares Gandra, uma das mais tradicionais de nossa cidade. 




domingo, 3 de maio de 2020

A BOA SEMENTE PROMOVIA O NATAL DAS CRIANÇAS CARENTES

A Boa Semente foi uma entidade beneficente de nossa cidade, criada por ex-alunos e pais de alunos de duas escolas tradicionais de nossa cidade,  a Escola Paroquial Francisco Telles e o então Ginásio São Vicente.

Fundada ao redor de 1960, tinha como objetivo dar presentes de Natal às crianças carentes. A entrega era feita num final de semana próximo ao Natal, nas dependências do então Parque Infantil, hoje Terminal Central - centenas, talvez milhares de crianças eram beneficiadas. A foto acima mostra o prédio do Parque Infantil.

Os recursos financeiros necessários vinham das contribuições dos sócios e de uma pequena verba da Prefeitura. 

A única atividade destinada aos sócios era um piquenique anual, realizado no dia 1º de maio, na Fazenda Nova Era, da família Tonolli. Ônibus fretados faziam o transporte dos que não tinham carros.

O dia começava com o canto do hino nacional e hasteamento da bandeira do Brasil em frente à escola da fazenda.

Eram tempos muito diferentes: havia corrida de saco,  futebol entre casados e solteiros e gincana para os adolescentes. Muito jogavam baralho, outros tocavam violão e cantavam - sanfoneiro e violeiros também compareciam.

Havia bicicletas que podiam ser alugadas para passeios pela fazenda. Visitar o alambique também era parte do programa, assim como admirar o engenhoso relógio feito com peças de bicicleta que adornava o terreiro. 

Como ignoramos a existência de registros sobre a entidade, durante muito anos dirigida pelo saudoso Cláudio Zambon Clemente, lembramos aqui apenas alguns de seus dirigentes, a maioria dos quais não está mais entre nós: Arlindo Panssonatto, David Scabin, Mário Franchi, Pedro Risso e Segismundo Breternitz. 

Como neste ano a pandemia impediu passeios, finalizamos este post com um piquenique que fizemos no 1º de maio, em nossa casa...






quarta-feira, 29 de abril de 2020

ABRIL DE 1942: JAPONESES PRESOS EM JUNDIAÍ


No dia 28 de janeiro de 1942 o Brasil rompeu relações com o Japão, em função da 2ª Guerra Mundial; em 31 de agosto daquele ano, foi declarada guerra entre os dois países. 


Mas já antes dessa data a polícia vigiava cidadãos japoneses, tendo a Folha da Manhã, em sua edição de 25 de abril de 1942 noticiado que pessoas foram detidas em Jundiaí, em função de terem em seu poder material proibido, como armas, munições, rádios e outros "elementos comprometedores". 

Na mesma ocasião a "polícia agiu" (?) contra integralistas, pessoas que eram vinculadas a esse movimento político, chamado também de Sigma, que eram oposição ao governo e eram simpáticos aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), que em breve estariam em guerra contra o Brasil.




terça-feira, 21 de abril de 2020

VULCABRÁS: UMA GRANDE EMPRESA QUE ESTEVE ENTRE NÓS


Em 1973, a Vulcabrás inaugurava seus novos escritórios. 


A empresa foi fundada em São Paulo no ano de 1952, produzindo calçados de couro com sola de borracha vulcanizada - era o “752”, um ícone, que teve, entre outros, Paulo Maluf como garoto propaganda, como pode ser visto neste vídeo de 1989

Pouco mais tarde, a fábrica foi transferida para nossa cidade, fabricando outros produtos, como botas de borracha e calçados de PVC. 


No ano de 1973, a Vulcabrás ingressa no segmento de marcas esportivas internacionais, tornando-se nos anos seguintes licenciada para produção e comercialização exclusiva no Brasil de diversas marcas, tais como Adidas, Puma, Le Coq Sportif, Lotto, Reebok e outras; anteriormente, esses produtos eram importados. 


Nos anos 1980, a empresa cresceu por meio da aquisição de outras fábricas do ramo,  localizadas principalmente na cidade de Franca, um importante polo calçadista. Em 1988 os irmãos Pedro e Alexandre Grendene Bartele adquirem o controle da Vulcabrás; sua família já atuava na área. 

Nos anos 1990, buscando reduzir custos utilizando mão de obra mais barata e aproveitar programas governamentais de incentivo, a empresa transfere suas operações industriais para o Nordeste, praticamente deixando Jundiaí. Essas medidas não foram suficientes para evitar sucessivas crises, que foram enfrentadas, principalmente, com grandes cortes de pessoal. 

Na atualidade, ainda detendo um grande portfólio de marcas, a empresa parece estar em situação melhor.

Uma curiosidade na nota que anunciava a inauguração dos escritórios: Roberto Mangieri não era engenheiro, e sim advogado. 






sexta-feira, 17 de abril de 2020

ENCERRAM-SE 105 ANOS DE TRADIÇÃO: RESTAURANTE DADÁ FECHA AS PORTAS



Em 1915, Abílio Ferreira, um imigrante português, fundou em Jundiaí a Padaria e Confeitaria São Sebastião, que tinha como endereço  o número 67 da Praça da Independência (hoje Praça Governador Pedro de Toledo); seu telefone, 111.

Era um estabelecimento requintado, como se pode ver no anúncio abaixo: produtos importados e coisas que a maior parte da população não consumia regularmente.

Na década de 1950, seus filhos transformaram o estabelecimento em um bar e restaurante, chamado Dadá, apelido de Eduardo, filho caçula de Abílio. Continuou a ser um ponto elegante da cidade: além das refeições, muita gente ali se encontrava para o aperitivo do final da manhã ou início da tarde, pessoas lanchavam ao sair da Missa na Catedral, jovens tomavam seus milk shakes e banana splits depois do cinema - enfim era um local para toda a família. Eduardo administrou o restaurante até o ano de 2010, quando faleceu.

Mas agora, o Dadá fecha as portas. Vinha operando, e bem: basta procurar avaliações nas redes sociais, quase todas muito positivas. O local continuava o mesmo, mas a designação do endereço mudou: agora é Rua do Rosário 277.

Ao final deste post, uma foto do fundador com o furgão da Padaria; essa foto, como as demais deste post, são do acervo do Prof. Maurício Ferreira.



   


    quinta-feira, 16 de abril de 2020

    O CINE IPIRANGA


    Em novembro de 1952, O Estado de S. Paulo noticiava a inauguração do Cine Ipiranga.

    A matéria dizia que o Ipiranga equiparava-se aos melhores cinemas de S. Paulo em termos de conforto. Quem o conheceu, sabe que isso era verdade, com suas poltronas verdes. 

    Chamava a atenção também pelo seu mezanino e pelos seus funcionários uniformizados, também em verde (foto abaixo).

    O Ipiranga fechou em 1996; nunca mais Jundiaí teve um cinema do mesmo padrão. 


    quarta-feira, 8 de abril de 2020

    REGRAS PARA O CARNAVAL DE 1940

    A Delegacia de Polícia de nossa cidade, conforme determinação da Chefatura de Polícia, que tinha jurisdição sobre todo nosso estado, fixou regras para o carnaval de 1940:


    Alguns pontos eram interessantes:  estandartes e  letras das músicas seriam submetidas à censura, fantasias de "maltrapilhos" não seriam permitidas e, em termos de bebidas alcoólicas, somente seria permitida a venda de chopp, cerveja e champanhe (!). Nos hotéis e restaurantes, vinho poderia ser servido às refeições. 

    quinta-feira, 2 de abril de 2020

    EM 1919 "A CIGARRA" TRAZIA NOTÍCIAS DE JUNDIAÍ

    A Cigarra foi uma revista publicada na cidade de São Paulo entre 1914 e 1975. Era voltada mais para o sexo feminino, com discurso elitista e pomposo.


    Entre seus colaboradores estiveram Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Paulo Setúbal e outros. A partir de 1924, passou a ser editada pela empresa que  editava a revista O Cruzeiro.


    Em sua edição de 1º de março de 1919 noticiava a realização de manobras do Exército em nossa cidade, na região de Itupeva, publicando fotos dos exercícios de campo e depois uma foto de um evento social realizado após a manobra, reunindo "distinctas famílias de Jundiahy" e militares.

    Onde ficaria a casa que aparece na foto?











    domingo, 29 de março de 2020

    EM 1939 A VIDA DOS POLICIAIS EM JUNDIAÍ DEVIA SER TRANQUILA...

    Em 10 de janeiro de 1940, O Estado de S. Paulo publicava o balanço das atividades da polícia em nossa cidade no ano de 1939.

    Foram 48 inquéritos (média de 4 ao mês!), com 8 furtos e roubos, um choque de veículos e 3 homicídios. Os suicídios, 8, foram muitos, mas chama a atenção o número de defloramentos e raptos e defloramentos: 6 - todos provavelmente com a anuência das "vítimas" - estupro estava classificado em categoria à parte...

    Na atualidade, esses números provavelmente ocorrem a cada poucas horas... 

    Naquela época, a Delegacia havia acabado de mudar-se do prédio da cadeia, no Largo de São Bento, para novas instalações na Rua Senador Fonseca.

    quarta-feira, 25 de março de 2020

    1912 - MAUS TRATOS LEVAM MULHER A FUGIR DE CASA

    O Estado de S. Paulo, de 3 de novembro de 1912 noticiava que a polícia de nossa cidade encontrara a italiana Pasqua Violaro, de 33 anos, que fugira de sua casa em Campinas caminhando pela via férrea.

    Pasqua declarou à Polícia ter deixado sua casa em função dos maus tratos que lhe infligia seu marido. Estava em nossa cidade trabalhando no Colégio Florence e disse ao delegado Silva Ramos que não pretendia deixar o emprego e voltar para casa.

    Alguns dias antes, seu marido viera à nossa cidade em busca da mulher, que disse "ser alta e gorda" e que "sofria das faculdades mentais". O marido disse ter informações que a mesma estava em nossa cidade, e que na fuga pernoitara em Louveira.

    Pobre mulher. Se na atualidade a situação das vítimas de maus tratos é difícil, imaginemos naquela época... Como teria terminado essa história?

    segunda-feira, 23 de março de 2020

    AS DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS NA JUNDIAÍ DE 1939.

    Nesses tempos de pandemia vale a pena relembrar os casos de doenças transmissíveis registradas pelo Centro de Saúde de nossa cidade em dezembro de 1939, conforme relatava O Estado de S. Paulo em sua edição de 10 de janeiro de 1940.

    Foram 15 casos, sendo 9 de Febre Tifoide, que é uma doença bacteriana aguda, causada pela Salmonella enterica sorotipo Typhi, de distribuição mundial. 

    A doença está diretamente associada a baixos níveis socioeconômicos, principalmente em regiões com precárias condições de saneamento básico, higiene pessoal e ambiental. Se não tratada adequadamente, a Febre Tifoide pode matar - pessoas de minha família morreram nos anos 1910/1920 aqui em Jundiaí, onde praticamente não existiam esgotos.

    Nesse contexto, a Febre Tifoide está praticamente eliminada de países onde esses problemas foram superados. No Brasil, a doença ocorre sob a forma endêmica em regiões isoladas, com algumas epidemias onde as condições de vida são mais precárias, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. 

    Uma curiosidade: na época, o Centro de Saúde ficava na Rua do Rosário, 27; pela numeração, provavelmente ficava ao lado do antigo quartel. 

    quarta-feira, 18 de março de 2020

    JOSÉ LOPES DA FONTE - UM ALFAIATE JÁ BEM CONHECIDO NA JUNDIAHY DOS ANOS 1870

    A Gazeta de Campinas anunciava em 1872 que  José Lopes da Fonte estava abrindo uma loja naquela cidade, onde venderia tecidos e manteria uma oficina de alfaiataria.

    O anúncio dizia que o alfaiate era "já  bem conhecido no Rio de Janeiro, S. Paulo e Jundiahy" e convidava as "pessoas de gosto e economicas" a visitarem o estabelecimento. 

    E em Jundiaí, onde teria se estabelecido? 

    segunda-feira, 16 de março de 2020

    1957: OCORRÊNCIAS ENVOLVENDO ÔNIBUS ESTAVAM NA MÍDIA

    Em sua edição de 12 de maio de 1957, o jornal "O Estado de S. Paulo" relatava dois acidentes ligados a ônibus em nossa cidade.

    No primeiro deles, acontecido no dia 6, um ônibus que vinha de Itatiba teve problemas mecânicos e acabou se chocando contra um barranco, ferindo uma pessoa.

    No segundo, acontecido no dia 5, uma passageira de um ônibus que ia para a Vila Rami "atirou-se" do veículo, na Av. Dr. Olavo Guimarães, também ficando ferida.

    Como curiosidade, aquela edição tinha 128 páginas! Essa marca provavelmente jamais voltará a ser atingida por qualquer jornal impresso. 

    segunda-feira, 9 de março de 2020

    1959: A CADEIA SERIA INAUGURADA, MAS FALTAVAM RECURSOS PARA A POLÍCIA

    A Folha da Manhã, em sua edição de 26 de março de 1959, tratava do final da construção da cadeia, que estava sendo erguida no bairro do Anhangabaú e que substituiria a antiga, situada onde hoje está o Fórum.

    O que chamava a atenção na matéria era a falta de recursos de nossa Polícia: contávamos à época com cerca de cem mil habitantes e a Polícia trabalhara com cerca de 400 processos (inquéritos? ocorrências?).

    Faltavam recursos humanos (dois escrivães e um escriturário) e equipamentos como máquinas de escrever. Mas o problema mais sério era  a falta de viaturas: a que existia estava imprestável e eram necessários um carro de presos, um jipe e uma perua; provavelmente estava apenas disponível o velho "carro 13", da Guarda Municipal. 

    Será que a situação melhorou muito?????


    folha da manha 26 março 1959

    sábado, 7 de março de 2020

    CRIMINALIDADE INFANTOJUVENIL E REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL?

    Hoje em dia quando se discute a criminalidade infantojuvenil e a redução da maioridade penal, vale a pena recordar duas notas publicadas pelo jornal  "O Estado de S. Paulo" em sua edição de 18 de agosto de 1911: 



    Pode-se ver que os problemas que vivemos hoje não são tão novos assim: 10 e 12 anos, nomes no jornal e presos - um por vagabundagem e outro por furto! O que teria acontecido a esses meninos depois?  

    terça-feira, 3 de março de 2020

    A ESTRADA DE FERRO YTUANA, A ESTAÇÃO E A FAZENDA MONTSERRAT

    O trecho Jundiaí-Itu da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro foi inaugurado em 1873; esse trecho, desde 1892 operado pela Estrada de Ferro Sorocabana, esteve ativo até  20 de fevereiro de 1970, após o que os trilhos foram retirados - eles passavam   onde hoje está a avenida União dos Ferroviários, ao lado dos antigos escritórios e oficinas da Cia. Paulista. O trecho   ao longo do rio Jundiaí até Itaici era muito bonito, com várias pequenas cachoeiras que podiam ser vistas do trem. 

    Uma das estações da linha era a de Montserrat, à época situado em território jundiaiense, que, ao que parece, foi construída  como resultado de um acordo entre os fazendeiros da região e os diretores da Ytuana, como mostra o artigo publicado no jornal A Provincia de S. Paulo  em 21 de agosto de 1884 e que pode ser visualizado aqui. A foto acima, provavelmente dos anos 1960, mostra um acidente próximo à estação.

    Havia no lugar uma fazenda com o mesmo nome, que desde 1911 era propriedade de  Luiz Carlos Berrini, um famoso engenheiro que hoje dá nome a uma importante avenida em São Paulo. Berrini fez construir na fazenda um sistema de captação de água de nascente, que era levada a um reservatório construído  no alto de um morro, de onde descia por gravidade com grande força, abastecendo a sede, as casas dos empregados e casas da estação da estrada de ferro.  Existia também uma rede elétrica que distribuía energia a todas as partes da fazenda; essa energia essa fornecida pela usina da Empresa de Força e Luz de Jundiaí, situada bem próxima à casa sede da fazenda. 

    Outro personagem importante foi Vicente Tonolli, nascido na   Itália em 1872 e que, aos aos 26 anos de idade emigrou para o Brasil, chegando no final de 1898 junto com três irmãos, estabelecendo-se todos em Itupeva, onde, junto à estação da  Ytuana, montaram um armazém. Vicente comprou em 1917 outro armazém junto à estação de Montserrat e dois anos depois comprou também a Fazenda que pertencera a Berrini; a propriedade ocupava uma faixa de terra comprida e estreita  de cerca de 8 quilômetros, na margem esquerda do rio Jundiaí, junto aos trilhos da estrada de ferro.





    Nessa época a propriedade contava com inúmeras benfeitorias tais como sede, as antigas senzalas, um pomar com três alqueires de pomar, 25.000 m2 de terreiros de café, estufa, tulha, linha férrea particular onde corriam as vagonetas levando café do terreiro até a estação da Ytuana. Essa linha particular era do tipo Decauville, com pequenas locomotivas e vagonetas e com trilhos que podiam facilmente ser instalados e os traçados modificados - a imagem ao lado mostra uma dessas linhas.

    Em 2014, um incêndio, provavelmente
    criminoso, destruiu boa parte da sede da fazenda. O incêndio teria sido provocado por usuários de drogas que frequentavam local, que estava fechado.


    Entre esta estação e a seguinte, Quilombo, existiam duas usinas no rio Jundiaí, que alimentavam a fazenda Ermida, a maior delas com duas turbinas. 



    A foto abaixo mostra a plataforma da estação de Montserrat em 2013; hoje, quase tudo isso é saudade...