domingo, 24 de setembro de 2017

NATALINO CARIFFI: A MORTE TRÁGICA DE UM PILOTO JUNDIAIENSE

Em 25 de outubro de 1940, comemorava-se no Rio de Janeiro a Semana da Asa. Vários eventos aconteceram, exibições, competições, etc., boa parte deles acontecendo no aeroporto de Manguinhos, que funcionou de 1936 a 1961 em área  onde hoje existe a Vila do João, uma das comunidades do Complexo da Maré. 

As comemorações foram marcadas por uma tragédia:  dois aviões se chocaram a cerca de 20 metros de altura, caindo sobre a pista. Duas pessoas ficaram feridas e um dos pilotos morreu logo após ser retirado dos destroços; era Natalino Cariffi, natural de nossa cidade. Cariffi pilotava um Muniz, que foi o primeiro avião fabricado em série no Brasil (foto ao lado).

Cariffi nasceu em Jundiaí em 1907, era casado, tinha quatro filhos e era funcionário da Prefeitura de Santo André, onde residia e foi sepultado - há incorreções quanto ao seu local de residência e de trabalho na notícia ao lado, publicada pelo jornal "O Imparcial", do Rio de Janeiro. Tinha brevê há cerca de 4 anos, com mais de mil horas de voo, e era considerado um excelente piloto, inclusive tendo concluído um curso de monitor no Aeroclube do Brasil, do Rio de Janeiro. Entusiasta da aviação, participara em meados de 1940 de uma revoada, que levou dezenas de aviões de São Paulo a São Pedro.

Foi sepultado em Santo André e seu nome é dado a uma rua do centro de nossa cidade, que liga a Secundino Veiga à Conde de Monsanto. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

GOIABADA, MARMELADA E GELEIAS CICA : ANÚNCIOS ANTIGOS


A CICA anunciava seus produtos na grande imprensa - aqui, temos anúncios de goiabada, marmelada e geleias. 

O anúncio que mostra as latas empilhadas é de 1949, o outro, de 1945. Fica uma dúvida: qual seria o "novo processo americano"????

O das geleias é mais recente, mas não conseguimos precisar a data; tem alguns pontos curiosos, como a menção às calorias - ao contrário de hoje, quanto mais calorias, melhor!

Há destaque para os copos de vidro, que seriam "finíssimos" e "duráveis" - duráveis com certeza são, pois até hoje ainda temos alguns. 

domingo, 17 de setembro de 2017

O 7 DE SETEMBRO DE 1960 EM NOSSA CIDADE

As comemorações do Dia da Pátria de 1960 em nossa cidade iniciaram-se no domingo dia 4 de setembro daquele ano. 

Na concha acústica que existia no Parque da Uva os conservatórios musicais Modelo e de Jundiaí, além da Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística apresentaram números musicais;  a noite encerrou-se com um rápido discurso do então prefeito, Omair Zomignani, falando sobre a data em seu sentido histórico e social. 

No dia 5 houve uma apresentação de fanfarras na Praça Governador Pedro de Toledo e uma demonstração de ginástica no Bolão.

No dia 7, desfilaram o 2º GO 155 e a 2ª Cia Com, unidades militares sediadas na cidade, além de algumas entidades esportivas. Quem supervisionou a organização do evento foi o então coronel Carlos Gomes de Alcântara, à época comandante da Artilharia Divisionária/2, também sediada em nossa cidade. 

Quem quisesse fazer um programa diferente, poderia ir a São Paulo assistir  Gary Cooper, Burt Lancaster e Sarita Montiel em "Vera Cruz", que era anunciado como "o maior farwest de todos os tempos"! Em Jundiaí, a pronúncia era "farveste"...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

VENDEDORES AMBULANTES E HIGIENE - JÁ ERAM PROBLEMAS EM 1924


O jornal Folha da Noite, em sua edição de 28 de maio de 1924, informava que a partir de 15 de junho seguinte não mais seria permitida em nossa cidade a venda de "pasteis, doces e artigos congeneres em taboleiros ou bandeijas comuns" em nossas ruas. 

O então delegado de higiene, Antenor Soares Gandra, futuro prefeito, decidira que tais artigos somente poderiam passar a ser vendidos em tabuleiros envidraçados, que protegessem os produtos de poeira e moscas.

As preocupações com saúde já estavam presentes na época, como mostram duas propagandas publicadas na mesma edição do jornal - uma do até hoje existente Biotônico Fontoura e outra de um certo Elixir Cintra, medicamento do tipo "mil e uma utilidades"...

Com relação aos ambulantes, 93 anos depois tudo continua como antes da medida tomada pelo Dr. Gandra.



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

UM POUCO DA HISTÓRIA DO CAFÉ EM JUNDIAÍ

Canavial - Valquíria de Barros Elgueta
Do ponto de vista econômico, a cultura da cana de açúcar foi a primeira atividade agrícola importante em nossa cidade, conforme já dissemos em post anterior.

Começou a perder essa posição para o café, que passou a ser cultivado por aqui em fins do século XVIII. O “Annuario de Jundiahy, Historico, Literario e Noticioso”, publicado em 1928 pela Tipographia da Comarca, de nossa cidade, já falava sobre o café: “Embora Jundiahy não goze de fama de município agrícola são muitas as fazendas de café que circundam a cidade, algumas importantíssimas, como as fazendas Santa Clara, Rio das Pedras, Ermida, Simão, Barreiro, Morro Alto, São João da Via Sacra, Burity, Santa Isabel, Malota, São José, Santa Gertrudes e outras de larga produção, modernamente instaladas, e que, em nada, ficam a dever as modelares fazendas do noroeste. A atividade dos jundiahyenses, não se limita, pois, ao commercio e a — industria. Desenvolve-se, também, pela agricultura e não nos deixa em lugar sem importância no rol dos municípios cafeeiros de S. Paulo”.

Cafezal II - Valquíria de Barros Elgueta
A produção de café começou a ser registrada em 1836 - foram 1.276 arrobas de café. Há números divergentes, mas pode-se dizer com alguma segurança que, dez anos depois a produção saltava para 25 mil, chegando a  50 mil arrobas em 1875 e a 60 mil em 1900 - a partir daí,   o café abandona gradativamente as terras de Jundiaí em busca das férteis terras e clima mais adequado do Oeste Paulista.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

MAIS GENTE ROUBANDO A PREFEITURA

O Jornal da Cidade, em sua edição de 11 de fevereiro de 1993, noticiava um furto - a a manchete falava em "paralelos", mas provavelmente era um erro, o que tentaram furtar foram paralelepípedos.


A matéria gerou um requerimento do vereador Felisberto Negri Neto pedindo ao então prefeito, André Benassi, que confirmasse ou não seu parentesco com o mandante do crime, tendo a resposta sido negativa.
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

UM TÚNEL LIGANDO A VILA RAMI A SANTA CLARA

Neste momento em que se trabalha na construção de viadutos que permitirão cruzar a Via Anhanguera, vale lembrar inciativa do vereador Alberto da Costa, que em 1955 sugeria a construção de um túnel sob a estrada, ligando a Vila Rami a Santa Clara - bairros como as vilas Comercial e Maringá não existiam.

O Vereador dizia que cerca de 20 pessoas já haviam perdido a  vida tentando cruzar a Anhanguera no local em que termina a Rua Bom Jesus de Pirapora, e para solucionar o problema, propunha estudos para a construção do túnel. 

Alberto da Costa
No mesmo documento, o Vereador lembrava que o governo estadual, para reduzir despesas, dispensou guardas rodoviários cujo trabalho aumentava a segurança do local - 62 anos depois, esses problemas ainda persistem.    

Alberto da Costa (1904-1964) era contador, funcionário da  Cia. Paulista de Estradas de Ferro e foi   Vereador por quatro legislaturas pelo PTB - Partido Trabalhista Brasileiro. Foi da Congregação de São Vicente de Paulo, onde teve destacada atuação, tendo ajudado na criação da Vila dos Pobres, hoje Cidade Vicentina. Foi protagonista de um tumulto em nossa Câmara, que relatamos aqui. 

Quanto ao túnel, acabou não sendo construído, e a função de cruzar a Anhanguera foi assumida pelo viaduto da Vila Comercial; a foto ao lado mostra políticos e moradores da região em reunião com o Governador Carvalho Pinto, discutindo o assunto.  

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O FOOTING E O CINEMA EM NOSSA CIDADE





A partir talvez dos anos 1920 - e até talvez os anos 1960 - paquerar (será que essa palavra ainda existe?) era sinônimo de caminhar pelas ruas e, claro, flertar (será que isso ainda existe?) quando possível - isso era chamado "footing". 

O "footing", que vem do inglês 'ir a pé', acontecia principalmente nas cidades menores - as garotas colocavam suas melhores roupas  e saíam para caminhar com um objetivo claro: serem observadas pelos rapazes, igualmente bem arrumados, que tinham como objetivo, observar as meninas...

Aqui em Jundiaí, isso acontecia aos sábados e domingos, principalmente na área próxima aos cinemas do centro, nas ruas Barão de Jundiaí e Rosário e na praça Governador Pedro de Toledo - a ideia era que as meninas caminhassem e os rapazes ficassem parados; inúmeros namoros e casamentos começaram no "footing". Nos anos 1950, nossa Prefeitura interditava o trecho da Rua Barão entre a praça e a rua da Padroeira, local onde o "footing" era mais intenso. 

Em 1958, o vereador Nelson Chacra pedia que a Prefeitura levantasse essa interdição nos dias chuvosos, quando não havia "footing", de forma a que automóveis pudessem recolher as pessoas que estivessem saindo da primeira sessão do Cine Ipiranga, que começava às 7 da noite e terminavam por volta das 21.  Um dos filmes exibidos na época pelo Ipiranga foi "Kirongozi, o Mestre Caçador", um documentário de 1957 que foi protagonizado por Jorge Alves de Lima, um caçador brasileiro que viveu muitos anos na África, no Quênia e Tanzania onde era conhecido como "Kirongozi", que significa "mestre caçador" no idioma local

Além do Ipiranga, os outros cinemas de nossa cidade eram o Ideal, Politeama, Marabá, República e Vitória - bons tempos...



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BASQUETE: JUNDIAÍ BRILHOU NOS JOGOS PAN-AMERICANOS DE 1987

Oscar
Os Jogos Pan-Americanos, disputados em agosto de 1987 foram marcantes para o esporte brasileiro. 

Acostumados a dominarem os Jogos, os Estados Unidos brilharam ainda mais na competição que sediaram. Das 326 medalhas de ouro distribuídas em Indianapolis, 168 foram para atletas norte-americanos, que subiram 369 vezes ao pódio, mais do que Cuba e Canadá, segundo e terceiro colocados, juntos. 

Marcel, ainda bem jovem
No entanto, no basquete masculino, um dos orgulhos dos americanos, eles decepcionaram e acabaram perdendo para o Brasil em um dos momentos marcantes da história do esporte: foi a primeira vez que o time americano perdeu um jogo em casa, a primeira vez que foi derrotado em finais e  a primeira vez em que tomou mais de cem pontos diante de seus torcedores. Além disso, o Brasil quebrou uma invencibilidade de 34 partidas oficiais do time americano de basquete. 

O ouro ganho pelo Brasil foi um dos fatores que levaram os EUA a mais tarde convocarem atletas profissionais para  sua seleção, que chegaria ao ápice com o Dream Team de 1992.

O time brasileiro não assustava os americanos. Segundo seu técnico, bastava uma marcação forte em cima de Oscar e Marcel (um dos jundiaienses do time, ao lado de André e Maury, que não jogaram na final), que arremessavam com muita precisão.


Maury, já veterano
André e o técnico Ary Vidal
A linha dos três pontos havia sido  adicionada às regras do jogo há cinco anos; era ainda inexplorada por muitos. E foi assim que o Brasil venceu os EUA, explorando os arremessos de três de Marcel e Oscar, que havia anotado apenas 11 pontos no primeiro tempo, mas que no segundo, anotou 35. Encaixou nada menos do que seis bolas de três e terminou a partida com 46 pontos, tendo acertado 7 arremessos de 3 pontos, em 15 tentativas (46,7%). Marcel repetiu Oscar e marcou apenas 11 pontos na etapa inicial e mais    mais 20 na segunda etapa, terminando a partida com 31 (na época o jogo não era dividido em quartos, como hoje). Os dois, juntos, anotaram 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo.  

O jogo, disputado no dia 23 de agosto de 1987, terminou 120 a 115, com um primeiro tempo de 68 a 54 para os americanos - como dizem os fãs do esporte, "de virada é mais gostoso".

Aqui, um vídeo relembrando o jogo. 

domingo, 20 de agosto de 2017

REVOLUÇÃO DE 32 - TEMPOS DUROS...

A Folha da Manhã de 13 de agosto de 1932 trazia notícias a respeito de coletas que vinham sendo feitas para da suporte à Revolução então em andamento: os professores de Rocinha (Vinhedo) doaram um dia de salário, pessoas doavam dinheiro destinado à aquisição de capacetes de aço para os soldados. 

Mas o que mais chama a atenção era a coleta de tecidos de lã para a confecção de "carapuças" (abrigo para a cabeça) para proteger os soldados do frio; havia uma "Comissão para confeccionamento de fardamentos e acessórios para os soldados", que informava serem aceitos casacos de lão para serem desmanchados para a confecção das ditas carapuças.

Tempos duros...



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

EM 1930 A CRISE ESTAVA BRAVA E ATRAPALHAVA O AMOR E OS TAXISTAS

A Folha da Manhã, em sua edição de 27 de agosto de 1930 narrava como uma história de amor fora atrapalhada pela crise.

Miguel Marotti, um santista de 19 anos, apaixonou-se por uma "mocinha", casada, mas que maltratada pelo marido, fugiu com Miguel para nossa cidade. Aqui, o jovem começou a trabalhar em uma fábrica, que algum tempo depois, fechou em função da crise. 

O casal ficou em situação difícil e resolveu voltar para Santos, tendo ido à Polícia solicitar passes (passagens) para aquela cidade.

Os policiais, desconfiados, investigaram o casal, que acabou sendo preso e levado a Santos sob escolta, onde foi apresentado à Delegacia Regional. 

Ignora-se o que aconteceu depois, mas se na atualidade todos os protagonistas de histórias semelhantes fossem presos, iria faltar cadeia...  

Já naquela época, e ainda sem a concorrência do Uber, os taxistas (na época chamados "chauffeurs") também viviam tempos difíceis, como mostram desenhos de Belmonte, um dos maiores caricaturistas brasileiros, publicados na mesma edição: 


Os "grilos" eram os guardas de trânsito, assim chamados em função dos apitos que utilizavam ao dirigir o tráfego.

sábado, 12 de agosto de 2017

ROUBARAM UMA TONELADA DE POLENTA

Em outubro de 1989, o vereador Erazê Martinho requereu à Prefeitura informações sobre irregularidades havidas na mesma:



O prefeito Walmor Barbosa Martins respondeu listando os casos que vinham sendo apurados, quase todos referentes a furtos de materiais. Um, que vinha se arrastando desde 1986, se destacava por ser inusitado: 



Infelizmente não conseguimos mais informações a respeito do caso - provavelmente os Sherlocks da Prefeitura não conseguiram descobrir quem foram os autores da façanha. A foto abaixo pode dar uma pista...




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O CAMPEONATO PAULISTA DE BASQUETE DE 1932

A Folha da Manhã de 26 de fevereiro de 1932 noticiava o início do campeonato estadual de bola ao cesto - ainda não se usava a expressão "basquete", hoje consagrada.  

Participariam a Esportiva, de nossa cidade, o Palestra Itália (atual Palmeiras) de São Paulo, o Vasco da Gama de Santos  e a Ponte Preta de Campinas. 

Como pode ser perceber, era um campeonato "de tiro curto" - o Palestra venceu o Vasco por 52 a 4 e a Ponte, que venceu a Esportiva na primeira rodada por 22 a 15, fizeram a final, com vitória do Palestra por 21 a 15. 

Dois detalhes as equipes eram chamadas "turmas" e o escudo do Palestra tinha as letras em vermelho. 


Para termos uma ideia de outras atividades de lazer da época, o anúncio de um filme com os Irmãos Marx, que faziam grande sucesso na época:




domingo, 6 de agosto de 2017

UMA HISTÓRIA MUITO TRISTE

A Folha da Manhã, de 6 de dezembro de 1933 narrava uma caso muito triste, ocorrido em nossa cidade: uma senhora, em companhia de duas amigas dirigia-se à estação da Ingleza (nome pelo qual era conhecida a São Paulo Railway, depois Santos a Jundiaí), quando dela se aproximou uma desconhecida, acompanhada de duas meninas pequenas e com um bebê de cerca de um mês nos braços. 

Aproximando-se da senhora, a desconhecida entregou-lhe o bebê, dizendo "crie meu filho", indo em seguida, apressadamente, para a estação, onde tomou um trem que saia para São Paulo. 

Sem ação, as senhoras dirigiram-se à delegacia de polícia, que segundo o jornal tomaria "as providências que o caso requeria". 

Uma história muito triste e que deixa algumas dúvidas: quais foram as providências? O que aconteceu com a criança??? 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

EM 1915, "A CIGARRA" FALAVA DA CASCATINHA

A Cigarra foi uma revista publicada na cidade de São Paulo entre 1914 e 1975; era voltada mais para o público feminino e tinha um estilo elitista e pomposo.

Foram seus colaboradores Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato, Paulo Mendes de Almeida, Oswald de Andrade, Leo Vaz, Paulo Setubal e outros escritores renomados.

Em uma de suas edições do ano de 1915, publicou a matéria abaixo:  


Jorge Kenworthy era industrial do ramo têxtil em Sorocaba; essa cascatinha é provavelmente a que existiu nos terrenos do quartel do 12º GAC e a estrada de rodagem mencionada é o que chamamos hoje de Estrada Velha - provavelmente fora antecedida por um simples caminho. 

Para dar um pouco mais do sabor da época, segue uma foto feita no Jockey Club de São Paulo e publicada na mesma edição da revista:

Vale lembrar que, naquela época, o Jockey ficava na rua Bresser, bairro da Mooca. 


segunda-feira, 31 de julho de 2017

TRENS JUNDIAÍ-SP: HOJE, PIORES DO QUE HÁ 150 ANOS!

A edição de 5 de fevereiro de 1867 do jornal Correio Paulistano publicava os horários dos trens de passageiros (que o anúncio chamava "viajantes") que correriam entre Santos e Jundiaí a partir de 16 de fevereiro daquele ano - o trecho São Paulo-Jundiaí (60 km) era feito em duas horas.


Decorridos 150 anos, a situação é a seguinte: 

1. Não há mais trens de passageiros entre Santos e Jundiaí;

2. A viagem São Paulo-Jundiaí, que, repetimos, durava duas horas há 150 anos, dura hoje entre duas horas e duas horas e meia, sendo necessário um transbordo (nome moderno para "baldeação") em Francisco Morato - isso quando tudo dá certo!

Isso é que é progresso!!! Os trens são mais bonitos, mas boniteza não resolve...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

BRIGAS POLÍTICAS E NOMES DE PRAÇAS

A Folha da Manhã de 11 de setembro de 1935 relatava como brigas políticas estavam influenciando a denominação de praças de nossa cidade. 

Na época vivíamos a ditadura Vargas, São Paulo havia sido derrotado na Revolução Constitucionalista e os ânimos seguiam exaltados. 

A praça defronte a Catedral era chamada Praça Independência, e o Largo de São Bento era chamado Praça João Pessoa, em homenagem ao político homônimo, aliado a
João Pessoa
Getúlio e que fora assassinado em 1930 por João Dantas, um adversário político, por ter divulgado cartas de caráter íntimo trocadas entre Dantas e a poetisa Anaíde Beiriz, com quem mantinha um relacionamento. Dantas, Anaíde e outras pessoas a eles ligadas, morreram logo a seguir, sempre em circunstâncias suspeitas. 

Pedro de Toledo
Nesse cenário, os adversários do ditador Vargas propuseram mudar o nome da praça para Pedro de Toledo, um diplomata que, recém falecido, fora o governador do estado à época da Revolução e que deposto, havia sido preso e exilado.

Foi enviada ao Prefeito uma petição propondo a mudança, tendo este encaminhado-a ao Conselho Consultivo do município, que propôs uma solução que desagradou a muitos, mas que acabou prevalecendo: o nome de Pedro de Toledo foi dado à Praça da Independência e o Largo de São Bento voltou a ser chamado pelo seu nome original - Praça João Pessoa foi um nome que "não colou".

O fato é que o tema realmente gerou polêmica, a ponto de o jornal ter afirmado que "os politiqueiros de uma ou outra parte rebaixaram o nível elevado de elegância em que sempre pairou a política de nossa terra"...


segunda-feira, 24 de julho de 2017

MARÇO DE 1956: ERA INAUGURADA A FÁBRICA DA DURATEX

A Folha da Manhã de 25 de março de 1956 anunciava a inauguração da fábrica de chapas da Duratex em nossa cidade. Era a primeira fábrica desse produto a entrar em operação no Brasil - o produto disponível em nosso mercado era importado da Suécia, país onde se localizava a Desfibrator, empresa que forneceu os primeiros equipamentos para a fábrica de Jundiaí. As chapas são produzidas a partir de eucalipto.

Como aconteceu com as palavras gilete e durex, por exemplo, que de marcas passaram a designar um determinado produto, duratex passou a designar as chapas que originalmente eram chamadas "hardboard".

A empresa cresceu rapidamente, sob a direção de Olavo Setúbal, mais tarde prefeito de São Paulo, Ministro de Relações Exteriores e presidente do grupo Itaú: já em 1957, exportava suas chapas para os Estados Unidos.


No início da década de 1960 a empresa passou a expandir-se: a fábrica de Jundiaí foi duplicada, novas fábricas foram abertas, áreas de plantação de eucaliptos adquiridas, e novos produtos foram lançados, tendo a empresa entrado em diversas áreas, especialmente na de louças e metais sanitários.

Em 2010, a Duratex fechou sua fábrica pioneira, por estar a mesma obsoleta e por problemas de natureza ambiental - situada às margens do Rio Jundiaí, a fábrica poluia esse curso de água, que já naquela época vinha sendo recuperado - hoje sua água já pode ser consumida. Diz-se que quando a desativação da fábrica começou a ser discutida, Olavo Setúbal rechaçava a ideia, dizendo "não se esqueçam que foi lá que tudo começou" - após sua morte em 2008, a ideia foi à frente. 

As fotos acima, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostram uma visão geral da fábrica, depois de 1966 quando foi construído o viaduto Sperandio Pelliciari e uma visão de sua Portaria.

A empresa, que ainda possui uma fábrica cerâmica em nosso Distrito Industrial, marcou a vida de muitos jundiaienses - seu fechamento foi lamentado por toda a cidade.