quarta-feira, 30 de novembro de 2016

MILAGREI ESCAPOSAMENTE (EM SÃO PAULO E EM BOTUJURU...)


A São Paulo Railway Company (SPR), depois Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, começou a operar em 1867.

Para marcar a ocasião, a direção da ferrovia programou uma grande festa: um trem, puxado por duas locomotivas (para evitar problemas...) sairia da estação do Brás (em São Paulo) e, conduzindo as autoridades da época iria até a Estação da Luz, onde seria servido um banquete. 

Mas a primeira viagem tornou-se o primeiro desastre: ao cruzar a ponte sobre o rio Tamanduatei, a segunda locomotiva saiu dos trilhos e caiu à margem do rio, matando o maquinista e ferindo membros do grupo, entre eles   José Maria de Alvear Brotero (1798-1873), o Conselheiro Brotero.   Natural de Lisboa, formado em direito em Coimbra e depois exilado político no Brasil, Brotero ajudou a implantar a Faculdade de Direito do Largo de S. Francisco, da qual foi professor e secretário durante quarenta anos.

Ao ser socorrido, aturdido pelo ocorrido, Brotero teria dito: "milagrei escaposamente", ao  explicar que escapara milagrosamente.

Mas outra pessoa poderia ter dito a mesma frase, em caso ocorrido na mesma ferrovia: em 24 de junho de 1940, Hugo Romancini, estava a bordo de um trem que vinha de São Paulo para Jundiaí.

Quando procurava chegar ao carro restaurante, o trem entrou no túnel de Botujuru (local onde aconteceram diversos fatos estranhos) e, na escuridão do túnel, Romancini que estava na plataforma entre o carro de passageiros e o carro restaurante, abriu a porta errada e acabou caindo do trem... 

Quando o trem chegou à estação de Várzea Paulista, o alarme foi dado por outro passageiro, o trem que vinha em seguida foi avisado e recolheu o passageiro, que havia conseguido rastejar para fora do túnel - talvez com a ajuda do fantasma que assombra o local...

Com ferimentos leves, Romancini foi trazido para nossa cidade e internado no Hospital São Vicente - realmente, como diria Brotero, milagrou escaposamente...














domingo, 27 de novembro de 2016

O DESFALQUE NO SINDICATO

Infelizmente trabalhadores são muito frequentemente usados como massa de manobra por aqueles que deveriam representa-los, os dirigentes sindicais. Ás vezes, a situação é ainda pior, os representantes simplesmente roubam os representados.

A Folha de S. Paulo de 1º de junho de 1982 noticiava um desses casos, o desfalque dado pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Alimentação de nossa cidade. 

O sindicalista, conhecido como Lazinho, era funcionário da CICA e à época, vereador. De maneira cínica, admitiu que retirara do caixa do sindicato cerca de 5 milhões de cruzeiros (algo como 500 mil reais de hoje), a título de "empréstimo pessoal"...

Uma parte desse dinheiro foi devolvida, e o sindicalista colocou à disposição de seus representados dois terrenos cuja venda poderia servir para pagar o "empréstimo". 

Alguns juristas diziam que o Ministério Público deveria denuncia-lo, mesmo que o dinheiro fosse devolvido, pois o ato, do ponto de vista jurídico, era equiparado pela legislação da época a peculato, desvio de dinheiro público.

Infelizmente, ignoramos como o caso terminou - poderia ter havido uma Lava Jato local, pois Lazinho certamente não era o único...


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

UM FILME "PROIBIDO" - SUCESSO NOS ANOS 1920


Em 29 de julho de 1929 aconteceria algo inusitado em Jundiaí:  o Cine Ideal, situado à Rua Rangel Pestana, demolido e hoje com o terreno incorporado à sede do Grêmio CP, exibiria um filme só para senhoras.
O República, hoje uma agência bancária em Vila Arens, e o Politeama exibiriam o mesmo filme, mas em sessões para homens. O filme era "quente", a ponto de a imprensa recomendar a presença da Polícia e do Juizado de Menores para "evitar abusos de alguns moços durante a exibição"...

O filme era “Vício e Belleza”, produzido em 1926, com argumento de Menotti del Picchia, enfocando os problemas das drogas e doenças sexualmente transmissíveis, objeto de muita preocupação na época. Esse filme deu início a uma série de filmes “ousados”, que obtiveram sucesso comercial. Enfocava a “degeneração” urbana, a vida boêmia dos cabarés, com seus esplendores e “vícios elegantes” e a dissolução das tradições, temas explorados pelos folhetins, cinema e rádio, ao narrar os novos costumes da modernidade. Dentre esses "vícios elegantes", estavam o uso de drogas como cocaína e morfina, além do mundo das “róseas illusões da juventude, seguidas das suas funestas conseqüências” - alusão velada à liberdade sexual.

O filme prometia trazer aos jovens “ensinamentos de grande valia, que só a dura experiência da vida poderia ensinar”. Foi lançado com vasta publicidade, ressaltando-se a plasticidade das “scenas deslumbrantes... bailados e quadros... plásticos posados por bailarinas parisienses”. Entretanto, sua publicidade ao dar destaque para as “Bellas mulheres! Amor! Illusões!...” , deixava claro que o que importava era o sucesso comercial da produção, que aconteceu: a Folha da Manhã de 31 de julho relata o tumulto ocorrido no lançamento do filme em São Paulo, quando foi necessária a presença da Polícia para que o cinema não fosse invadido - a novidade, um filme "adulto", atraiu uma multidão de homens. É interessante constatar como a mudança dos costumes faz com que hoje temas como esses sejam abordados de maneira inteiramente diferente até mesmo pelas novelas exibidas no início da noite. Isso evidentemente tem aspectos ruins mas também alguns bons - só o tempo dirá se essa mudança foi predominantemente boa ou má. Cada um tem sua opinião...


A foto abaixo mostra uma das cenas do filme, que não sabemos se foi preservado








quarta-feira, 23 de novembro de 2016

1938: VIGARISTAS JÁ ATACAVAM EM JUNDIAÍ




Sempre tivemos vigaristas em ação. Em nossa cidade, isso não foi ou é diferente. 

Segundo a Folha da Manha de 22 de junho de 1938 e o Correio Paulistano de 22 de julho do mesmo ano, o agente consular italiano em nossa cidade, Estevam Campanaro, recebeu um telegrama avisando que no dia seguinte receberia a visita de um alto funcionário do Ministério do Exterior da Itália.

Nessa época, sob Mussolini, a Itália e seu governo gozavam de muito prestígio entre os italianos e seus descendentes que viviam em nossa cidade  - basta lembrar a recepção que teve o cônsul geral da Itália quando visitou nossa cidade. 

No dia seguinte, apresentando-se como "Dr. Ernesto Bonfanti", chegou o tal funcionário a Jundiaí. Campanaro havia reunido para recebe-lo alguns expoentes da colônia italiana em nossa cidade: Hermes Traldi, Guido Pelliciari e Alfredo de Vito. 

Bonfanti declarou estar encarregado pelo governo italiano de coletar fundos para a construção de uma certa "Casa dos Italianos" em Roma; prontamente foi atendido: Traldi entregou-lhe um conto e quatrocentos mil réis e de Vito um conto, tudo em dinheiro vivo. Pelliciari, deu um cheque pré-datado de um conto e quinhentos mil réis.  Para se ter uma ideia dos valores envolvidos, em 1938 o automóvel Ford mais barato vendido no Brasil custava cerca de quinze contos.

Mais tarde, Campanaro acabou descobrindo que Bonfanti era um vigarista, e conseguiu a sustação do cheque; José Pacheco de Freitas foi detido ao tentar desconta-lo e informou ter recebido o cheque de Menotti Marcaccini, proprietário do "Recreio Balneário Hotel" em São Vicente, como pagamento por serviços prestados - ao ouvir Marcaccini, descobriu-se que este era o próprio Bonfanti...

Vale lembrar um pouco uma das vítimas do vigarista: Hermes Traldi, que chegou ao Brasil em 1910, aos 18 anos. Veio para trabalhar com um tio, em São Paulo, fazendo negócios em cidades do interior. Gostou de Jundiaí, onde percebeu que havia espaço para a a cultura e industrialização da uva. Mudando-se para nossa cidade em 1924, acabou comprando terras na região, onde plantou uvas e  fundou a Vinícola Hermes Traldi - boa parte de suas terras ainda estão em mãos de sua família.

Guido Pelliciari, uma quase vítima (seu cheque acabou sendo sustado), era industrial na área de móveis; foi proprietário de uma grande fábrica de cadeiras situada no bairro de Vila Arens, que ocupava todo um quarteirão entre as ruas Brasil e Visconde de Taunay; nessa área localizam-se hoje edifícios de apartamentos que levam seu nome e o de sua esposa.   






sexta-feira, 18 de novembro de 2016

INCÊNDIO NA IGREJA DE VILA ARENS

O ano de 1927 marcou o início da construção da atual Igreja Matriz de Vila Arens, tendo a inauguração ocorrido em 1934. A nova igreja substituiu a antiga, que ficava na Praça Quintino Bocaiuva, o Largo da Feira - a foto ao lado, do acervo do Prof Maurício Ferreira, mostra a antiga igreja em 1920.

No dia 2 de maio de 1957, um incêndio causou grandes estragos na torre da nova igreja - aluno da Escola Paroquial de Vila Arens, lembro-me dos grossos rolos de fumaça que saiam da torre. O então menino Maurílio Ricetto, à época morador das Pitangueiras, lembra-se do vigário, Padre Alberto Betke, chorando ao seu lado.


O fogo começou por volta de 9h45. Uma grande quantidade de voluntários acorreu ao local, esvaziando a igreja, pois temia-se que o fogo atingisse o resto do prédio. Empresas da cidade (Cica e Argos) que tinham brigadas de bombeiros acorreram em apoio aos bombeiros da cidade, mas foi necessária a ajuda de três guarnições de S. Paulo, que melhor equipadas (inclusive com escada Magirus), auxiliaram no combate ao fogo. Um desses voluntários ficou levemente ferido, tendo sido atendido pelo SAMDU (Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência), órgão que ficava no lado direito na descida da Rua Major Sucupira, após o quartel.

Os padres Paulo de Sá Gurgel, diretor do então Ginásio Divino Salvador e Ditmar Graeter, diretor do Seminário que funcionava no prédio do Divino, disseram acreditar que o fogo iniciou-se com um curto circuito na área do órgão da igreja, tendo as chamas subido pela torre e atingido o relógio, que ficou totalmente destruído, assim como a estrutura de madeira que sustentava os três sinos, que caíram sobre a lage de um dos andares da torre. O sinos, que pesavam 1.500, 800 e 300 quilos ficaram danificados.

Felizmente os danos foram apenas de ordem material, e algum tempo depois foram totalmente reparados. 

     


terça-feira, 15 de novembro de 2016

1941: INAUGURADA A CIDADE VICENTINA


A Cidade Vicentina era conhecida como "Vila dos Pobres".

A edição do jornal Folha da Manhã, de 5 de setembro de 1941 noticiava a inauguração das seis primeiras casas da instituição.

Descobre-se algumas coisas interessantes ao ler-se a matéria: dizia que a área era localizada nas "colinas do Anhangabaú", na "estrada do Retiro, próximo a cidade" - hoje o Anhangabau é um bairro central, e a Rua do Retiro uma rua que vem se tornando uma via de comércio sofisticado - o tempo passa...

Abaixo, fotos da instituição na época da inauguração e na atualidade. Para finalizar, cabe sempre admirar e cooperar com mais essa obra dos Vicentinos, que abriga cerca de 90 pessoas.




sábado, 12 de novembro de 2016

GUERRA PSICOLÓGICA NA REVOLUÇÃO DE 32

A Folha da Manhã de 17 de setembro de 1932 noticiava a prisão de "derrotistas e boateiros" em nossa cidade - dentre eles um famoso comerciante de ferragens do centro da cidade.

Provavelmente eram pessoas contrárias à Revolução ou que acreditavam que ela estava perdida, como de fato estava: em 2 de outubro, os revolucionários renderam-se. Nessas ocasiões, contas pessoais também acabam sendo acertadas, o que pode ter acontecido também aqui.

Soldados revolucionários


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

UMA ÁGUIA EM JUNDIAÍ?

A Folha da Manhã, em 28 de outubro de 1935 relata um fato curioso acontecido em nossa cidade:   uma "águia" surgiu em na Fazenda Pamplona, no bairro do Horto Florestal. 

Um dos trabalhadores da fazenda tentou afugenta-la, sem sucesso; chamou então o administrador da fazenda, que armado de uma espingarda atirou e matou o grande pássaro (as preocupações com a defesa da fauna inexistiam à época)...

A ave era realmente grande: 2,40 metros de envergadura, cerca de um metro de altura e garras quase do tamanho do punho de um adulto - é preciso reconhecer que esse animal poderia fazer grandes estragos entre os animais da fazenda.


Não é possível afirmar-se com certeza, mas pela foto parece tratar-se de um gavião real, também conhecido como gavião de penacho ou harpia, que é tida como a maior ave predadora do planeta. A harpia está presente no Brasil principalmente em áreas densamente florestadas, na Amazônia e no Pantanal. Como teria chegado até aqui, é um mistério.

Uma harpia
Quando se pesquisa sobre a história da cidade, muitos pontos acabam ficando sem resposta: onde seria exatamente a Fazenda Pamplona?

A ave foi empalhada pelo taxidermista Santo Vendramini, apesar de o jornal ter afirmado que Vendramini era "dermatologista" e havia "embalsamado" o animal...

Vendramini era alfaiate de profissão e caçador e taxidermista por hobby; no entanto, o hobby virou profissão, e Vendramini trabalhou para diversos museus e para o Parque da Água Branca, em São Paulo, caçando animais e preparando-os para exposição - ao que consta, preparou mais de mil animais. 

A águia, teria sido oferecida ao Museu do Ipiranga. Ainda nos lembramos, nos anos 1960, de alguns animais empalhados expostos no Gabinete de Leitura Ruy Barbosa - talvez fosem obra de Vendramini.

A foto abaixo, do acervo do Prof. Mauricio Ferreira, mostra Vendramini no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí, nos anos 1960: 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

QUARTÉIS DA 2ª COMPANHIA DE COMUNICAÇÕES

A atual 2ª Companhia de Comunicações Leve de nosso Exército foi sediada em nossa cidade de 1950 a 1980, quando foi transferida para Campinas - à época em que esteve em Jundiaí, era denominada 2ª Companhia de Comunicações. 

A unidade era originalmente a  1º Companhia de Transmissões do 1º Batalhão de Transmissões, criado em 1935 no Rio de Janeiro; em 1946 foi destacada desse batalhão, redenominada 2ª Companhia de Transmissões e em 1947 transferida para
Itapetininga.

Naquela cidade, ocupou um antigo quartel que anteriormente sediara o 7º Batalhão de Caçadores da Força Pública (hoje Polícia Militar) e depois o 5º Batalhão de Caçadores do Exército. Esse edifício é  hoje ocupado pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem). 

Ao chegar a Jundiaí, ocupou o velho quartel do centro da cidade, que o então 2º GO 155 havia deixado para transferir-se para suas instalações na região da Vila Rami.  Ocupava parte do prédio o Quartel General da AD/2 (Artilharia Divisionária da então 2ª Divisão de Infantaria).

Em Campinas, a hoje 2ª Cia Com L ocupa modernas instalações localizadas no Jardim Chapadão, próximo a outras unidades militares.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

MAIS UM CASO DE AMOR

Em sua edição de 1º de abril de 1932, a Folha da Manhã noticiava que Pedro Rodrigues, de 26 anos, raptara a menor (e orfã) Anna Fidencio da Silva. Preso, o raptor prontificou-se imediatamente a casar-sa com a moça, tendo a Polícia e a Justiça tomado as medidas iniciais para regularizar a situação do casal.

Tomara que tenham sido felizes....

terça-feira, 25 de outubro de 2016

O BAIRRO DO MOISÉS

O bairro do Moisés compreende a região situada ao redor do trevo da Avenida Jundiaí, uma área nobre, bem próxima ao centro de nossa cidade, com diversos prédios residenciais.

Mas em 1863 tudo era diferente: o jornal "Correio Paulistano", em sua edição de 19 de julho daquele ano, publicava anúncio de venda de uma "importante chácara" situada no bairro, chácara essa que pertencera a um "finado padre". O imóvel parecia ser bem grande: pasto, barro para telhas, dois ribeirões etc.

É interessante notar que o imóvel era chamado "prédio", palavra que hoje tem outro sentido. 

Seria muito interessante também descobrir onde se localizava exatamente  a chácara e qual sua história completa até os dias de hoje.

Também valeria a pena saber quem foi a pessoa que deu nome ao bairro e quem era o finado padre que fora proprietário do imóvel - ficam estes desafios para nossos historiadores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

UM ESCÂNDALO EM 1930

A imprensa  noticiava que na tardinha do dia 16 de janeiro de 1930, a "messalina" Carmen Gonçalves, residente na Rua Adolpho Gordo (hoje Zacarias de Góes) saiu à rua "em trajes de Eva".

Naquela rua, à época, situava-se a zona boêmia da cidade, o que frequentemente a tornava palco de fatos ora trágicos ora tragicômicos.

Detalhe de estátua de Messalina
exposta no Louvre
O jornal dizia que naqueles dias fazia um calor sufocante, o que em conjunto com o álcool, levou a mulher a sair nua à rua, "indignando a uns e agradando a outros", ainda segundo o jornal, que conclui dizendo que Carmen foi levada ao xadrez (vestida?) e "severamente admoestada" pelo delegado...

Para concluir, vale lembrar que Messalina  (Roma17 DC Roma, 48 DC) foi casada com o imperador romano Cláudio. Era prima dos também imperadores Nero e Calígula (bela família!); mulher   poderosa e influente, com a reputação de promíscua, teria conspirado contra o marido e foi executada quando o plano foi descoberto. 


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

MAIS BASQUETE EM JUNDIAÍ: CAMPEONATO ESTUDANTIL DE 1938

Em post anterior falamos de como o basquete era muito mais desenvolvido em nossa cidade do que atualmente. havendo inclusive um campeonato municipal. 

Mas não era só: a Folha da Manhã de 19.02.38 noticiava a realização de uma "grandiosa matinée dansante" promovida por alunos da "Escola Profissional", para comemorar a conquista invicta do campeonato estudantil de nossa cidade. 

Além do fato em si, é interessante notar as expressões que eram usadas na época: "matinée", "bola ao cesto", "estudantino" e "turma" (ao invés de time) - o idioma evolui, mas o basquete em Jundiaí...

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

ESCOLA NORMAL LIVRE DE JUNDIAÍ, A ORIGEM DE NOSSO "INSTITUTO DE EDUCAÇÃO"

Parte do Colégio Florence, de Campinas, mudou-se para nossa cidade em 1927, fugindo da epidemia de febre amarela que grassava naquela cidade.

O centro de Jundiaí nos anos 1930
Anexa a esse colégio, em 4 de maio de 1928, foi instalada a “Escola Normal Livre de Jundiahy”, que teve  como  diretora  a  Professora  Anna  Pinto  Duarte  Paes.  

Em  15  de  fevereiro  de  1931,  a  Escola Normal Livre passou a funcionar independentemente do Colégio Florence, com a denominação de “Ginásio e Escola Normal de Jundiahy”, um estabelecimento particular  de  ensino.



A escolha mantinha o curso primário, com quatro anos, seguido pelo fundamental, com cinco anos e o curso normal, destinado a formar professores, com quatro anos de duração. 

Segundo a imprensa, funcionava “em amplo prédio situado em uma das principais ruas da cidade”, contando com “laboratórios de Physica, Chimica e História Natural e de campo para gymnastica”. As fotos mostram o prédio (situado à Rua Barão de Jundiaí) e uma aula de "gymnástica".

A escola tinha como fonte de inspiração o “Gymnasio Pedro II”, escola mantida pelo governo federal no Rio de Janeiro e até hoje uma das mais importantes do Brasil.

Em 1935, a denominação mudou para “Ginásio e Escola  Normal  Álvares  Azevedo”,  até que em  11 de setembro de 1945, o governo estadual assumiu a escola, que passou a chamar-se   “Ginásio  Estadual  e  Escola Normal de  Jundiaí”, que deu orgem ao célebre “Instituto de Educação”, atualmente “Escola Estadual Bispo  Dom  Gabriel  Paulino  Bueno  Couto”. 

Uma bonita história, de uma instituição que formou gerações de mestres para nossa cidade, além de inúmeros outros jundiaienses ilustres.

domingo, 2 de outubro de 2016

VIOLÊNCIA NO FUTEBOL: "FOOTBALL IS A GENTLEMAN’S GAME PLAYED BY THUGS”

Os ingleses costumam dizer que "football is a gentleman’s game played by thugs” - algo como "o futebol é um jogo de cavalheiros jogado por bandidos".

Isso infelizmente é verdade, como mostram notícias veiculadas pela imprensa da capital acerca de fatos ocorridos em nossa cidade nos anos 1930, durante um jogo entre os times do Amazonas e do Floresta.

No jogo, José Piovesan, jogador do Amazonas, recebeu "um violento ponta-pé no ventre", que o levou ao hospital, onde foi imediatamente operado.

Mas, ao que parece, o agressor, João Tubini não ficou impune:  foi aberto um inquérito policial, que foi a seguir enviado à Promotoria - ignoramos o que aconteceu depois. 

As notícias levantam algumas dúvidas: a primeira delas diz que o jogo foi entre os times do Amazonas e do Floresta; a segunda, Andarahy e Amazonas. Seria esse Floresta o clube da Vila Rami, ainda existente? E o Andarahy? O Amazonas, ao que parece, seria da região da Vila Rio Branco. São fatos da vida de nossa cidade que vão se perdendo no tempo...



sexta-feira, 30 de setembro de 2016

EM JUNDIAÍ, DANÇAVA-SE MUITO

Os bailes tinham no passado uma importância muito maior do que na atualidade. 

Eram das poucas ocasiões em que jovens podiam divertir-se , namorar, sem uma supervisão mais estrita de seus pais; além disso, eventos de outras espécies eram raros, pouquíssimos tinham automóveis, telefones ou condições de viajar - assim, o baile era "o" evento.

Amostra dessa importância era a nota publicada na Folha da Manhã de 31 de dezembro de 1933, anunciando cinco bailes: 

- Na sede do E. C. Amazonas, ocorreria um "sarau dansante", comemorando o Ano Novo; 

- Do São João, comemorando a posse da nova diretoria; 

- Da Banda Paulista, um "vesperal" no dia 1º de janeiro, 19 horas, comemorando a chegada do Ano Novo; 

- A nova diretoria do Casino Jundiahyense (depois Clube Jundiaiense), ofereceria a seus associados uma "soirée dansante", e, finalmente, 

- A Sociedade Musical Ítalo Brasileira (a Banda) ofereceria uma "partida dansante", também comemorando a chegada do Ano Novo. 

Ficam algumas curiosidades: onde seria o baile da Banda Paulista? Provavelmente no Grêmio. E o do Amazonas? Não conseguimos mais informações sobre esse clube, exceto que em sua sede seria realizada uma reunião para discutir assuntos ligados à construção da Igreja da Barreira, o que talvez nos permita concluir que o clube se localizasse naquela região.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

BANHISTAS (NUS) PRESOS NAS PITANGUEIRAS

A Folha da Manhã de 8 de maio de 1932 noticiou a prisão de quatro marmanjos que costumavam nadar nus no Rio Guapeva, nas proximidades do bairro das Pitangueiras, em nossa cidade.


Acreditamos que a "praia" ficava na região por onde hoje passa a avenida Odil de Campos Saes, pois o jornal dizia que era um ponto de passagem das funcionárias das fábricas de tecidos da Vila Arens (Argos, São Bento, Milani, Japy), o que talvez entusiasmasse os folgados. 

A observar que era maio, e nessa época o clima em nossa cidade não é muito propício a banhos de rio. 

Levados ao xadrez, foram soltos após pagarem "a carceragem" - o que seria isso? Algo que muitos propõem hoje, com os presos pagando as despesas que geram? Ou seria uma espécie de fiança? 

Ignora-se também se a lição serviu aos banhistas...






sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O CAMPEONATO DE BASQUETE DE NOSSA CIDADE, O CARAMURU (O TIME DO QUARTEL) E A CHEGADA DO ESPORTE AO BRASIL VIA MACKENZIE

Jundiaí já teve um campeonato de basquete - sob esse ponto de vista, na década de 1930, esse esporte estava muito mais avançado do que atualmente. Havia em nossa cidade um time formado por militares do Exército,  o Caramuru FBC, que era filiado à Liga Jundiahyense de Bola ao Cesto (o esporte não era chamado "basquete"). 

Recorrendo à pesquisa em hemerotecas (arquivos de jornais), pudemos levantar algumas informações acerca do tema, dentre as quais:

- 6.6.31: jogando pelo campeonato da cidade,  a Esportiva venceu o Caramuru por 18 a 15 - nos segundos quadros, a Esportiva também venceu por 25 a 9. O jogo foi na quadra da Esportiva, localizada na então chamada "Chácara das Laranjeiras"

- 14.04.32: o Caramuru venceu um jogo amistoso contra o time da Esportiva. O curioso é que o jogo foi realizado no intervalo de um concerto que a Banda Paulista dava em homenagem ao 2º GAMth (hoje 12º GAC), unidade onde serviam os jogadores do Caramuru. 

- 4.4.33: foram realizados jogos amistosos na quadra da Esportiva: Esportiva x Ponte Preta (de Campinas) e Associação dos Empregados do Comércio x Caramuru. Após os jogos, encerrando a festa, houve uma "partida dansante" no Grêmio CP.

- 6.6.36: era uma 6ª feira, e a Folha noticiava que no domingo anterior o Caramuru perdera um jogo amistoso realizado em sua quadra, contra o ECE Penha; o placar foi 19 x 17 e nessa ocasião o Caramuru já era chamado EC Caramuru; a quadra ficava no quartel, no centro da cidade.

- 3.5.46: o 2º GADo (2º Grupo de Artilharia de Dorso, que sucedeu ao 2º Grupo de Artilharia de Montanha), organizou uma "parada esportiva" - uma serie de competições de diversas modalidades. aberta por um desfile. No basquete, além do Caramuru, participariam os times da Esportiva, Grêmio CP e Associação dos Empregados do Comércio, disputando o Torneio Início do campeonato daquele ano, que seria patrocinado pelo jornal "Folha da Manhã".

É interessante como o esporte mudou, desde nome até a contagem dos jogos. O basquete foi criado em   1891,  nos Estados Unidos, quando o professor de Educação Física James Naismith, da Associação Cristã de Moços, teve a ideia de criar um esporte que pudesse ser praticado em uma quadra fechada, por que o inverno rigoroso impedia a prática dos esportes ao ar livre. 


A primeira equipe do Mackenzie
No Brasil,  a prática do basquete teve início no Mackenzie, em 1896, como professor americano Augusto Shaw. O time do então Mackenzie College participou do primeiro jogo do campeonato paulista, em 1902, vencendo por  2 a 1 (!) o time do Germânia (atual clube Pinheiros),  
Oscar


Hoje, a Universidade Presbiteriana Mackenzie mantém a tradição, formando atletas e se sobressaindo nos esportes - um de seus alunos e atleta foi Oscar Schmidt, o Mão Santa, que conta uma história interessante: ele e outro aluno, Pelezinho, disputavam pelo Mack o torneio da FUPE (Federação Universitária Paulista de Esportes), competição  entre as faculdades paulistas). 

O time iria jogar a partida semifinal, mas só os dois haviam chegado até o horário de inicio do jogo - Oscar já era um jogador de seleção, o fato ocorreu ao redor de 1981. Conta Oscar:  "Não pensamos duas vezes, fomos para a arquibancada e perguntamos se tinha alguém com a carteirinha do Mackenzie. Arranjamos três e fomos jogar". Os escolhidos nunca tinham visto basquete na vida, mas deram para o gasto e evitaram o W.O. "Pedimos para ficarem com os braços levantados e correrem, se conseguissem alguma coisa era lucro." Resumindo a história, o Mackenzie venceu a partida por 4 pontos e, na final, levou o título do torneio...

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

UMA HISTÓRIA MUITO LOUCA OU, SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO..




O Hospital Psiquiátrico do Juqueri é uma das mais antigas e maiores colônias psiquiátricas do Brasil e está localizado em Franco da Rocha (antigamente chamada Juqueri).

Seguindo projeto de Ramos de Azevedo, sua construção foi iniciada em 1895, e  deveria ser uma instituição modelar para tratamento de doenças mentais; porém, por diversos motivos, o Juqueri acabou tornando-se um depósito de gente, algo profundamente desumano, que contrariava as ideias de seu fundador, o psiquiatra Francisco Franco da Rocha. 

Com milhares de internados, era impossível impedir a saída dos pacientes, que com frequência vinham para nossa cidade, de trem ou mesmo a pé, pela Estrada Velha de São Paulo. 

A Folha da Manhã de 14 de março de 1926 conta-nos uma história da qual são protagonistas cinco desses infelizes: deixaram o Juqueri e vieram para nossa cidade, hospedando-se no Hotel Guarany (não temos mais dados sobre esse estabelecimento).

Ali chegando, quatro deles comeram e foram dormir. O quinto,porém, passou a refletir sobre o assunto e concluiu que, como não tinham dinheiro, acabariam tendo problemas... - assim, foi embora de mansinho, ou, conforme o jornal, "deu às de Villa Diogo"...

Quanto aos demais, foram descobertos pelos guardas do Juqueri, que os conduziram de volta ao hospício...

Temos notícia de um fato ocorrido talvez nos anos 1950/1960: um fugitivo do Juqueri, abordou a sentinela do então 2º GO 155 postada à entrada da Vila Militar, dizendo querer falar com seu filho, que servia na unidade (o que não era verdade). O fugitivo, armado com uma espingarda, atirou em um sargento que fora em apoio à sentinela, sem atingi-lo; o sargento revidou e feriu o fugitivo na perna.