quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O VOLEI NA ESPORTIVA: SÓ SAUDADE

A velha e querida Associação Esportiva Jundiaense vive hoje praticamente apenas na memória daqueles que de uma forma ou outra foram ligados a ela - de uma forma mais concreta, ainda reúne alguns veteranos em peladas jogadas em sua sede de campo; a sede do centro é hoje um conjunto de edifícios residenciais.

Mas nem sempre foi assim: em 1958 ganhou em Caçapava o troféu Bandeirantes, à época um certame muito importante, nas modalidades de voleibol masculino e feminino - o então vereador Omair Zomingnani propôs à Câmara um voto de louvor ao clube.

O volêi sempre foi importante na Esportiva: em sua edição de 14 de maio de 1937, o jornal “Folha da Manhã”, de São Paulo, noticiava a realização do campeonato de voleibol (o esporte era chamado “volebol”) da Esportiva, com as escalações das equipes, que eram chamadas “turmas” – membros de tradicionais famílias de nossa cidade ali aparecem, como mostra o recorte abaixo:


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

PAUL HAMMOND, UM JUNDIAIENSE QUE MORREU NA 1ª GUERRA MUNDIAL

Paul Hammond nasceu em Jundiaí em 28 de outubro de 1884 e morreu na França, durante a primeira batalha do Somme, em 25 de fevereiro de 1916. As batalhas do Somme  foram das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial: mais de 1,2 milhões de mortos e feridos! 

Hammond era filho de Walter John e Lucy Hammond;  seu pai era um engenheiro inglês que trabalhava para a Cia. Paulista de Estradas de Ferro.

Hammond estudou engenharia de minas  na Universidade de Freiberg, na Alemanha. Formado em 1907,  trabalhou na área no Uruguai e nos estados de São Paulo e Bahia, após o que voltou a Londres e passou a atuar como consultor na área de mineração.

Juntou-se ao exército inglês tão logo a guerra começou, atingindo o posto de capitão e ao morrer atuava como "acting major" (um capitão que ocupa temporariamente o posto de major), quando em 17 de fevereiro de 1916, na área de Foncquevillers, foi atingido na coxa por uma bala perdida, no momento em que deixava uma trincheira. Comandava uma companhia do 8º Batalhão do East Lancashire Regiment.

A bala causou uma fratura exposta no osso de sua coxa; foi operado, mas contraiu pneumonia, vindo a falecer. Foi sepultado no cemitério de Étretat, próximo ao local onde foi ferido. Sua morte foi profundamente lamentada por seus companheiros de armas, tendo recebido elogios de Sir Douglas Haig, que comandava as tropas inglesas na França.

Para adicionar ainda mais tristeza, seu irmão Leonard, tenente do exército inglês, também foi morto em ação no dia 5 julho daquele ano. Havia um terceiro irmão, também capitão que lutava na França e que após a morte de Leonard, foi transferido para a Inglaterra, assumindo funções na retaguarda. 

O triste fim dos irmãos certamente acelerou a morte do pai, que aconteceu em agosto do mesmo ano.  Um monumento homenageia os irmãos e outros mortos na guerra que viveram em Knockholt, onde residiam seus pais. 


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

JUNDIAÍ CONSTOU DO PRIMEIRO LIVRO EDITADO NO BRASIL


O Padre Manuel Aires de Casal escreveu um livro que descrevia o Brasil do ponto de vista geográfico - foi o primeiro livro editado no Brasil. Trazia também uma história do país desde o descobrimento até 1532, quando o Brasil foi dividido em capitanias. 


Como mostra a imagem ao lado, foi impresso no Rio de Janeiro em 1817, e como era de praxe, foi dedicado ao Rei D. João VI, que era chamado pelo autor "Sua Magestade Fidelíssima". 


O Padre Casal falou de nossa cidade e faz uma descrição interessante dela, como se pode ver no fragmento do livro que aparece ao final deste post: dizia que Jundiaí era uma vila medíocre (no sentido de ser de tamanho médio), que tinha uma boa matriz e um hospício (hospital, asilo) dos Beneditinos - é nosso atual Mosteiro de São Bento. 

Falava também dos jundiás, peixes que deram origem ao nome da cidade, da criação de animais, das grandes plantações de açúcar e dos engenhos e da abundância de legumes e milho; tudo isso servia para abastecer as tropas que partiam para Goiás (e outros destinos) e que se preparavam aqui para suas lingas viagens. 




O Padre Casal voltou para Portugal com a Família Real em 1817, tendo falecido em 1821 aos 67 anos. 

Ao que tudo indica, Aires de Casal escreveu a sua "Corografia Brazilica" sem realizar nenhuma viagem de estudo e observação, sendo a obra fundamentada, basicamente, em descrições e inventários produzidos por terceiros, com o autor aproximando-se mais da posição de compilador. Caio Prado Júnior observou que, para falar dos indígenas, por exemplo, utilizou um texto de 1571, de autoria de Jerônimo Osório, que nunca esteve no Brasil; outro texto utilizado por Aires de Casal é de autoria de Santa Rita Durão, que descreve os frutos brasileiros.

De qualquer forma, a obra tinha valor, em uma época que muito pouca literatura estava disponível. 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

ACIDENTE COM A LITORINA




Em nossa região era célebre a litorina, trem leve de passageiros que ligava São Paulo a Campinas, com parada em nossa cidade - durante certos períodos, houve outras paradas. Era utilizada principalmente por profissionais e estudantes. 

Em 18 de agosto de 1976, quase uma tragédia: a litorina vinda de Campinas chocou-se com um trem de carga estacionado na estação de nossa cidade - houve um erro de um operador de chaves de desvio ou uma falha desse equipamento. Foram 87 feridos, nenhum grave. 

O trem envolvido era um composto por carros Budd, diferentes dos carros ingleses que compunham as litorinas originais, que já foram objeto de post em nosso blog




sexta-feira, 24 de novembro de 2017

CANTO LÍRICO E COMÉDIA NA JUNDIAÍ DE 1938

A Folha da Manhã de 8 de janeiro de 1938 noticiava a chegada à nossa cidade de dois grupos artísticos.

O primeiro era a "Companhia Lyrica Italiana de Dora Selina", que vinha do Rio de Janeiro para exibir-se em nossa cidade pela terceira vez. Seriam cinco recitas, e as "assinaturas" (reservas) poderiam ser feitas no Salão Orestes (o que seria esse estabelecimento? Uma barbearia?).

As recitas aconteceriam no Theatro Polytheama e faziam parte da programação da Festa da Uva.

Já estava por aqui a "Companhia Brasileira de Theatro Musicado", exibindo-se no Theatro República, em Vila Arens, onde apresentava comédias, que segundo o jornal, vinham agradando. Margarida Sper, que liderava o grupo, chegou a atuar no cinema, fazendo em 1952 o filme "João Gangorra", onde contracenava com Walter D'Ávila.

Em uma época de poucas opções para diversão, o teatro fazia sucesso - pouco coisa parecida acontece hoje por aqui. Uma alternativa era o rádio, como mostra a propaganda dos rádios Blaupunkt, publicada na mesma edição do jornal: 


terça-feira, 21 de novembro de 2017

MAIS DA FINADA VIGORELLI: A METRALHADORA URU

Em post anterior, já falamos da história da Vigorelli, empresa que marcou época em nossa cidade.

Neste post, trazemos duas notas que fizeram parte de uma resenha de maio de 1982, trazendo notícias acerca da empresa, uma delas publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo relatando greve na empresa, causada pela falta de pagamento aos funcionários. 

A outra, publicada pelo Jornal do Brasil, relata o pedido de concordata feito pela empresa, que mencionava a possibilidade de fabricar armas como forma de fugir à crise que a assolava - era mais uma tentativa esdrúxula: a empresa já se aventurara a fabricar barcos de pesca, móveis, caixões de defunto etc. 

A Uru
Quanto às metralhadoras, consta que a empresa fabricou algumas, que foram abandonadas quando da falência - apenas algum tempo depois disso, o Exército recolheu as armas e peças que estavam na fábrica. 

Isso talvez explique porque, as metralhadoras Uru fabricadas pela Vigorelli,  apesar de nunca terem sido vendidas, terem chegados às mãos de bandidos e membros das FARC colombianas. Essa arma era de péssima qualidade, e segundo alguns, tinha o péssimo hábito de disparar todos os seus trinta projéteis quando caia ao chão...

Para lembrar um pouco de coisas boas, encerramos este post mostrando um anúncio dos bons tempos da Vigorelli; a curiosidade é que o anúncio menciona ao citar seu endereço a expressão "Cidade Vigorelli" - além da fábrica propriamente dita, existiam casas para os funcionários - a maior parte da área é hoje ocupada pelo Jundiai Shopping.




sábado, 18 de novembro de 2017

WALTER JOHN HAMMOND - UMA PERSONAGEM POUCO CONHECIDA EM NOSSA CIDADE

A primeira locomotiva da Paulista
Walter John Hammond nasceu na Inglaterra, mais precisamente em  Ashford, Kent, em 21 de janeiro de 1849.

Chegou a Jundiaí em 1871, para trabalhar como engenheiro na Companhia Paulista de Estradas de Ferro;  poucos anos depois  assumiu uma gerência naquela empresa. 

A Paulista tinha interesse na navegação do Rio Mogi Guaçu, para conexão de localidades situadas às suas margens à ferrovia. Hammond trabalhou nesse projeto, tendo suas realizações sido reconhecidas por Dom Pedro II, que o condecorou com a Ordem da Rosa, uma importante honraria.

Era famoso por suas preocupações com a melhoria das condições sociais dos trabalhadores e por sua luta contra a escravatura - levava a sério as regras vigentes na época, que previam que escravos ao adentrarem nas terras concedidas à ferrovia tornavam-se propriedade da mesma e não podiam mais serem capturados, o que na prática significava liberdade. 

Após 21 anos no Brasil, retornou à Inglaterra,  passando a viver em  Knockholt, próximo a  Sevenoaks, Kent. Tornou-se diretor de várias empresas, entre as quais a São Paulo Railway - SPR, futura Santos a Jundiaí e da Amazon Steam Navigation Co. - a serviço dessa empresa, subiu o Rio Amazonas até o Peru.  


Tenente Leonard Hammond
Capitão Paul Hammond
Casado com Lucy Hammond, teve três filhos nascidos em Jundiaí que lutaram pela Inglaterra na 1ª Guerra Mundial, na qual os dois mais velhos, Paul e Leonard, morreram em 1916.

Walter Hammond morreu em sua casa em Knockholt em 11 de agosto de 1916, certamente muito abalado pela morte dos filhos.   

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

MAIS CONFUSÕES AMOROSAS...

Nossa cidade tem sido palco de casos de amor, no mínimo, extravagantes.


Conforme relatava a Folha de São Paulo de 28 de julho de 1964, um tal de Pedro das Vacas casou-se apenas no religioso com uma certa Antonia. Pedro, que não era flor que se cheire, envolveu-se em furtos e acabou ficando preso durante longa temporada. Com Pedro no xilindró, Antônia casou-se com Armando, no civil. 

Ao sair da cadeia, Pedro foi viver na Vila Hortolândia, vizinho a Antônia e Armando. Em um certo domingo, em um bar da região, Pedro acabou discutindo e sendo agredido por um grupo de desconhecidos, o que talvez tenha acontecido em função de sua condição de "marido traído".

Exasperado, armou-se de um porrete e resolveu matar Antonia; Armando, defendeu a mulher acertando dois tiros de garrucha na boca de Pedro, que ficou ferido. 

No final de tudo, os dois maridos na cadeia e Antônia sozinha...


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A FUNDIÇÃO ESPERANÇA

Em 17 de fevereiro de 1957, a Fundição Esperança saudava seus clientes pela passagem do Dia da Indústria.

O prédio onde se localizava a Fundição ainda existe, fica no cruzamento da Rua Pitangueiras com a Dr. Hegg, e hoje abriga a loja de tintas Copema, depois de ter ali funcionado a fábrica de sorvetes Cremilk.

A Fundição mantinha na calçada dois bancos de jardim, onde estudantes do GEVA e do Anchieta se encontravam à noite, após o final das aulas. 


Em 1959, a empresa anunciava na "Folha da Manhã":



quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O HOTEL DA ESTAÇÃO DE JUNDIAHY

Em junho de 1887 o jornal "Imprensa Ytuana" publicava um anúncio do "Hotel da Estação de Jundiahy", de propriedade de Rappa & Barretini.

Afirmava servir almoço e jantar a qualquer hora, contando com um "perito cozinheiro". O anúncio informava receber da Itália "todas as qualidades de vinho", um "de pasto", certamente o vinho da casa, e um "Aleático Toscano", produzido com uma uva que, ao que parece, é uma mutação do moscato nero toscano, que permite produzir vinhos de muito boa qualidade, na classificação italiana, DOC - Denominazione di Origine Controllata, que indica o local onde as uvas utilizadas foram cultivadas.

Falava de diversos produtos disponíveis, inclusive dos queijos Parmesão e Romano - este parece ser o Pecorino, queijo   feito com leite de ovelha, duro, compacto e salgado, com sabor forte. O Pecorino é parecido com o Parmesão, que é feito com leite de vaca. 

Em post anterior, dissemos que o jornal Correio Paulistano publicara em sua edição de 3 de março de 1872, um anúncio do "Hotel do Commercio", em nossa cidade, vizinho à Estação Ferroviária. Seria o mesmo estabelecimento? Provavelmente, sim. 

A foto abaixo, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra a plataforma da Estação em 1893, aparecendo a tabuleta falando da conexão com a Ituana, razão pela qual o anúncio foi publicado no jornal daquela cidade.


segunda-feira, 6 de novembro de 2017

LIGAR PARA FORA DE JUNDIAÍ EM MEADOS DOS ANOS 1970? MUITO DIFÍCIL...

O sistema DDD - Discagem Direta a Distância, que permite que façamos ligações entre localidades diferentes simplesmente discando o prefixo da região chamada e o número do telefone com que pretendemos nos conectar, chegou a Jundiaí em meados dos anos 1970.

Antes disso, precisávamos discar 01 e pedirmos à telefonista que fizesse a ligação; era um serviço extremamente precário, e como dizem os comentaristas de futebol, "uma caixinha de surpresas": a ligação podia ser feita imediatamente, dentro de algumas horas, ou simplesmente não acontecer. Havia um serviço chamado "interurbano com hora marcada", em que se pedia a ligação para uma determinada hora, do dia seguinte! Evidentemente, as tarifas eram diferenciadas. 

As empresas tinham problemas: a CICA, por exemplo, para falar com sua filial de Monte Alto (distante cerca de 300 km), usava um sistema de rádio...

As dificuldades (e prejuízos) eram óbvios, o que levou o então vereador Hermenegildo Martinelli a solicitar providências à operadora, a Cia. Telefônica Brasileira. No requerimento em que pedia essas providências, o vereador mencionava a existência de 33 canais para ligações interurbanas - eram possíveis apenas 33 ligações ao mesmo tempo, sempre usando os tradicionais telefones pretos!

Felizmente, isso é passado. 

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

NOSSO SACRISTÃO VAI PARA O SEMINÁRIO


O jornal Imprensa Ytuana, de 17 de maio de 1883 publicou uma nota assinada por João Baptista de C. Pimenta que fora sacristão de nossa igreja Matriz, hoje Catedral. 

O sacristão deixava a cidade para cursar o Seminário Episcopal, em São Paulo.

A nota agradecia "ao bondoso povo Jundiahyano" pelo acolhimento. 

Agradecia também ao Vigário de nossa cidade, Padre João José Rodrigues, que vivia com sua mãe, Dª Jezuina, pelas provas de amizade e amor paternal que lhe deram. Também pedia desculpas por qualquer falta que houvesse cometido. 

Quanto ao Vigário, que dá nome à rua que liga o Centro da cidade à Vila Arens, morreu em nossa cidade em 3 de julho de 1887, antes de completar 42 anos de idade. 


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

MÉDICOS: ÀS VEZES ABNEGADOS, ÀS VEZES NEM TANTO...

A febre tifóide é uma doença infectocontagiosa causada pela ingestão da bactéria  Salmonella typhi, presente em alimentos ou água contaminados.  Está associada a baixos níveis socioeconômicos, relacionando-se, principalmente, com precárias condições de saneamento e de higiene pessoal e ambiental.

Antes dos antibióticos, causava muitas mortes - dentre suas vítimas,  o  compositor Franz Schubert,  Wilbur Wright  (um dos irmãos Wright, pioneiros da aviação),  Péricles (filósofo e político da Grécia antiga), D. Pedro V (rei de Portugal), a princesa  Leopoldina de Bragança e Bourbon (filha de D. Pedro II, morta aos 23 anos) e o renomado físico italiano Evangelista Torricelli.

Surtos da doença eram frequentes em nossa cidade, e um deles aconteceu em fins de 1929; detetado o surto, o Dr. Antenor Soares Gandra, delegado de higiene de nossa cidade convocou os médicos da cidade para uma reunião de urgência para tratar do assunto, conforme noticiou a Folha da Manhã, de 19 de dezembro de 1929.

Além do Dr. Gandra, compareceu à reunião o tenente Edgard Mattos, médico do 2º Grupo de Artilharia de Montanha (hoje 12º GAC). Os demais seis médicos de nossa cidade simplesmente não compareceram. O jornal encerra a nota com ironia, falando da incrível coincidência de estarem todos ocupados no horário da reunião...


sexta-feira, 27 de outubro de 2017

A COMPANHIA CERÂMICA JUNDIAHYENSE E O POLYTHEAMA EM 1937

A Companhia Cerâmica Jundiahyense foi fundada nos anos 1920, tendo sido  pioneira na fabricação de louça sanitária no Brasil; foi adquirida pelo grupo Itau em 1968, fabricando produtos que levam a marca Deca. A Folha da Manhã de 24 de janeiro de 1937 publicou anúncio da empresa, apresentando seus produtos: "bacias de W. C.", lavatórios, "bidets" e "mictórios". 

A fábrica situava-se no bairro da Ponte de São João, em área hoje ocupada por edifícios residenciais - a foto que ilustra o anúncio foi feita mostrando a fábrica e os altos da hoje Avenida dos Imigrantes. A foto acima foi tomada no sentido contrário, mostrando o bairro de Vila Arens e parte do Centro da cidade.

Naquela data, o jornal apresentava, em algumas páginas, notícias e anúncios de nossa cidade - dentre esses, o do Theatro Polytheama, que à época funcionava também como cinema e era anunciado como "o maior e mais confortável do interior"; no dia os jundiaienses puderam assistir "Amor e ódio na floresta", um "film inteiramente colorido" -  em "technicolor", foi produzido em 1936, tendo sido um dos primeiros filmes coloridos; mostrava a história de duas famílias rivais que viviam em fazendas vizinhas e que se envolveram na construção de uma ferrovia e em casos de amor.

O cinema e a cerâmica são temas diferentes, mas podem nos dar uma ideia acerca de como era a cidade naquela época.  

terça-feira, 24 de outubro de 2017

UM CASO COMPLICADO - OU, MAIS UM AMOR INCONTROLÁVEL...

A Folha da Manhã, de 15 de julho de 1931 noticiava um caso complicado: o jovem Narciso, casado e pai de dois filhos, motorista da Argos, apaixonou-se pela jovem Alzira, solteira, que trabalhava na Fábrica Glória.

Talvez inspirado por um filme que estava nos cinemas naquela época, Narciso simplesmente retirou os móveis de sua casa e levou-os para a casa de seus pais, que viviam perto da estação de Várzea Paulista; a esposa de Narciso "botou a boca no mundo" e os pombinhos foram intimados a comparecer à Polícia que abriu inquérito para apurar o assunto - pena que não conseguimos descobrir como terminou a novela...


sábado, 21 de outubro de 2017

O HEROÍSMO DE UMA MÃE


Em 10 de julho de 1958 por pouco não ocorreu uma tragédia em Campo Limpo, então um bairro de Jundiaí.

O menino Jefferson  Spina, de pouco menos de 3 anos caiu em um poço de 25 metros de profundidade; a água que se acumulava no fundo amorteceu sua queda e o garoto conseguiu agarrar-se a um cano que era ligado a uma bomba utilizada para puxar água do poço. 

Indiferente ao perigo, Solidéa, a  mãe do menino desceu ao fundo do poço agarrando-se no cano; no fundo, segurou a criança até que foram socorridos por um vizinho, o jovem Arsênio Rossi FIlho, que também desceu ao poço. Vizinhos baixaram  uma corda e um lençol, aos quais foi preso o menino, a seguir puxado para fora do poço, tendo sofrido apenas algumas escoriações. Com mais uma corda e um pedaço de madeira, Arsênio montou um trapézio que serviu para a saída de Solidéa; a seguir, Arsênio subiu pelo cano. 

Arsênio tinha vocação para herói: cerca de dois meses antes retirara das águas de uma lagoa situada na Figueira Branca, os cadáveres de dois estudantes que ali se afogaram.


Jovino, o pai da criança, era proprietário de um armazém. Encontrava-se em Jundiaí, tratando da documentação de um veículo quando foi avisado dos fatos; procurou o Corpo de Bombeiros, que estava com sua única viatura sem condições de uso; foi preciso pedir um caminhão à Prefeitura - felizmente, quando chegaram a Campo Limpo, o menino já estava salvo.

A criança é hoje o engenheiro Jefferson Spina, muito atuante em nossa cidade. 




terça-feira, 17 de outubro de 2017

1934 - ACONTECIA NOSSA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO VITIVINÍCOLA

A foto mostra a Rua Vigário J.J. Rodrigues, com um carro subindo em sentido contrário ao atual fluxo de trânsito.

O arco com a palavra "Bemvindos", foi erguido para saudar os visitantes que vinham à cidade para a Festa da Uva de 1934 - era um lugar adequado, pois a maioria das pessoas vinha de trem, chegando à estação e indo para o centro da cidade, onde aconteceu a festa. Era também o caminho natural para os que vinham de São Paulo de carro: pela Estrada Velha, tomavam a Rua Brasil, a atual Emile Pilon e viravam à esquerda, pegando a Dr. Olavo Guimarães e em seguida a Vigário; esses eram uma minoria: até o interventor (governador do estado) veio de trem. 


No prédio da esquina funcionou a Funerária Bonifácio; fica na esquina da Vigário com a Secundino Veiga. Mais tarde, os ônibus que tinham seu ponto final na Praça Rui Barbosa desciam a Secundino para virar à direita na Vigário (sentido inverso ao do carro da foto) - quando criança,  me preocupava muito que o ônibus perdesse os freios, batesse nas grades que aparecem à direita na foto e caísse no barranco ali existente - hoje a área é ocupada por prédios; a presença da Funerária tornava a coisa mais assustadora... 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

JOSÉ FELICIANO DE OLIVEIRA: UM GRANDE JUNDIAIENSE

Os evangelistas Lucas ((4, 24), Mateus (13, 57), Marcos (6, 4) e João (4, 44) relatam como Jesus foi recebido com desdém em Nazaré, cidade onde crescera: seus conterrâneos diziam coisas como "é apenas o filho do carpinteiro"... A resposta de Jesus tornou-se um clássico em latim: "Nemo propheta in patria sua", algo como ninguém é profeta em sua própria terra.

Em nossa terra confirma-se a veracidade dessa expressão: quase ninguém sabe quem foi o Prof. José Feliciano de Oliveira - muitos apenas sabem que ele dá nome a uma escola de Jundiaí. Mas ele talvez tenha sido o maior de nossos intelectuais.

Feliciano e seu observatório
Nascido em nossa cidade em 1868, de família humilde, começou a trabalhar nos Correios aos doze anos, tendo depois se mudado para São Paulo, onde se graduou na Escola Normal em 1887. Havia aprendido as primeiras letras em escola mantida pelo professor João Batista de Farias Paes.

Aos 14 anos, liderou a criação do primeiro Gabinete de Leitura de nossa cidade. Nesse empreendimento, que infelizmente não foi à frente, teve o apoio de cidadãos ilustres de Jundiaí, dentre os quais José Flávio Martins Bonilha, Artur Guimarães, dos futuros desembargadores Miguel Brito Bastos e Inácio Arruda, Carolino Bolívar de Araripe Sucupira (o Major Sucupira, veterano da Guerra do Paraguai) e membros da família Queiroz Telles. 
Em 1893

Extremamente culto, estudou e lecionou Português, Francês, Latim, Física, Matemática e Astronomia. Chegou a construir um observatório em sua casa, que ficava na Rua Da. Antônia de Queiroz, próxima à Rua da Consolação, em S. Paulo – seu objetivo era permitir que seus alunos tivessem aulas práticas. Em 1892 era o diretor da Escola Municipal da Sé, em São Paulo.

Interessou-se também pelos indígenas, tendo estudado os Xerentes, que viviam às margens do Rio Tocantins. Descreveu suas aldeias, vida doméstica, forma de governo, rituais,   lendas, sistema de numeração e conhecimentos astronômicos. Obteve informações principalmente através de Sepé, um cacique dessa etnia que viajou algumas vezes ao Rio de Janeiro. 

Republicano e abolicionista era seguidor e um grande nome do positivismo, corrente filosófica que surgiu na França no começo do século XIX, cujo principal expoente foi Augusto Comte. Em seus escritos sobre os Xerentes, Feliciano deixou claro sua crença no positivismo e atitudes anticlericais no que se refere ao relacionamento das igrejas com os índios. 

Publicou inúmeros artigos em revistas e jornais, além de livros, dentre esses "A propaganda positivista em São Paulo" (1898), "Cometas, bólides e estrelas cadentes" (1901), "O ensino em São Paulo" (1932) e "José Bonifácio e a Independência" (1955).


Benedicto Castilho de Andrade e o Prof. José Feliciano de Oliveira no Restaurante das Carpas nos anos 1950
Em 1911, mudou-se para Paris, onde viveu até 1958, ministrando cursos na Sorbonne e no Instituto de História das Ciências, anexo à Universidade de Paris; na França, foi também conferencista e colaborador de vários jornais. 


Foi professor por setenta anos, deixando a cátedra aos noventa anos de idade. Dizia-se que falava com entusiasmo, com um belo timbre de voz e dicção clara, falando com os olhos fixos no alunado, sem recorrer a anotações. 

A respeito dele, escreve Omair Guilherme Tizzot Filho em tese apresentada à Faculdade de Educação da USP: "Como educador, defendeu a regeneração social através do ensino, com a incorporação do negro, do índio e do proletariado, e a preparação adequada para a vida moral em sociedade, possibilitada pelo ensino integral. O professor deveria ser, para ele, um exemplo de comportamento voltado à pátria, que incentivasse os alunos a se comportarem com urbanidade a fim de que pudesse haver progresso".

Já o Professor Pierre Ducassé, da Sorbonne, dizia: “professor igualmente notável pela pujança pedagógica como pela ciência, José Feliciano quis ser o apóstolo totalmente desinteressado das únicas convicções que lhe pareciam unir ao amor da Humanidade, que lhe iluminava a vida, a certeza da ciência que lhe iluminava o espírito”.

Amante dos livros comunicou ao Gabinete de Leitura Ruy Barbosa, de nossa cidade, que iria doar à instituição metade de sua biblioteca, composta à época por cerca de onze mil livros, conforme noticiou o jornal Folha da Manhã, em sua edição de 6 de setembro de 1946. Em 1977, o remanescente de sua biblioteca, quase oito mil volumes, foi doado ao Instituto de Estudos Brasileiros, da USP.

Faleceu em São Paulo em 1962, tendo sido sepultado em Jundiaí. Dele disse em seu blog o Prof. José Renato Nalini, outro ilustre jundiaiense: "estive em seu enterro. Impressionou-me o homem elegante, de barbas brancas, um monóculo de lentes azuis, como a repousar na urna". 

E conclui o Prof. Nalini: "Será que os alunos egressos da Escola que leva seu nome têm consciência do significado e importância de seu patrono?" 


Apostaríamos que não...





JÂNIO PROIBIU O ROCK - E NOSSOS VEREADORES APLAUDIRAM!

Jânio Quadros era um lunático, para dizer o mínimo, mas como tantos outros doidos e bandidos, acabou chegando à presidência da república, à qual renunciou em 1961 alguns meses depois de assumir, dizendo estar impedido de governar por umas certas "forças terríveis". Alguns dizem que se o Engov já tivesse sido inventado naquela época a história seria diferente, pois Jânio gostava muito de tomar "umas e todas"...

No exercício do Poder, Jânio tomou uma série de medidas absurdas, como a proibição dos biquínis, a adoção do safári como uma espécie de uniforme do funcionalismo e outras. Antes da presidência, Jânio foi governador de São Paulo, e nesse cargo, proibiu o rock.

Na nossa Câmara Municipal, teve alguns discípulos,  como o vereador Carlos Gomes Ribeiro (foto ao lado), que em 1957 requereu e viu aprovado um "voto de regosijo e louvor" a essa medida, declarando o rock "atestado vivo do despudor, da indecência e do desrespeito". O texto do requerimento está ao final deste post.

Se estivesse vivo (faleceu em 2004) o que diria o vereador acerca dos tempos atuais?

Quanto a Jânio, o povo tem memória curta: foi eleito prefeito de São Paulo em 1986. Faleceu em 1992.