domingo, 2 de julho de 2017

JUNDIAI E A RETIRADA DA LAGUNA

Soldados brasileiros participantes da Guerra do Paraguai
Em outro post narramos que tropas do Exército que se participariam da Guerra do Paraguai passaram por nossa cidade.

Essas tropas , mais tarde, participaram da Retirada da Laguna, um trágico episódio em que nossas tropas, sem armas, munições e suprimentos e assoladas pelo cólera,  tiveram que retirar-se diante de um inimigo mais forte. Foi um dos mais trágicos episódios de nossa história militar. 

Em 6 de outubro de 1937, a Folha da Manhã noticiava uma cerimônia em homenagem aos participantes da Retirada, inclusive mencionando o assentamento de um marco comemorativo provisório, que seria substituído por um obelisco que seria produzido pelo Prof Sylvio Graziani, um renomado escultor que vivia em nossa cidade.


Seria interessante saber por que o referido obelisco acabou não sendo erigido. Não seria uma boa ideia fazer-se algo agora? 

Como curiosidade, vale registrar que o promotor da homenagem, o então major Amilcar Salgado dos Santos, que terminou sua carreira no Exército como general, era também um historiador, tendo deixado diversos livros.

Também é interessante observar, como narra o artigo, que à época estava aquartelado em Jundiaí o 6º Batalhão de Caçadores; o então 2º Grupo de Artilharia de Dorso (hoje 12º GAC) estava operando na região de Laguna, Santa Catarina; esta, sem qualquer conexão com a Laguna da Retirada, que fica em Mato Grosso. Ali  permaneceu oito meses em missão de pacificação, restabelecendo a autoridade constituída e a unidade nacional ameaçadas por movimentos revolucionários surgidos no sul do País.

O velho quartel do centro da cidade, provavelmente nos anos 1920 (acervo do Prof. Maurício Ferreira)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

QUE FRIO!!!

Fala-se muito em fenômenos climáticos, especialmente aquecimento global, tempestades; ouve-se também que teremos um inverno frio – mas dificilmente será tão frio como aquele de 1870.
O jornal “Gazeta de Campinas”, em sua edição de 7 de julho daquele ano, dizia: “Na fazenda do sr. Francisco de Queiroz Telles, municipio de Jundiahy, ficou completamente gelada a agoa de colonia que se continha em um vidro collocado sobre a mesa de uma sala forrada e assoalhada. Finalmente, no Ribeirão, que banha a Villa de Bethlem de Jundiahy (Itatiba), a agoa gelou em a superficie de suas margens, na extensão de cerca de dous palmos por banda.
O mesmo jornal, em sua edição de 10 de agosto de 1884, dizia que “ante-hontem á tarde, entre Louveira e Jundiahy, cahiu uma fortissima chuva de pedras, julgando algumas pessôas ter sido a maior das que alli se tem visto. Pelo trem que aqui chega ás 10,45 da manhã veio nos hontem uma grande porção dessas pedras, notando-se entre elas algumas ainda de tamanho não vulgar. Dizem que naquelle logar havia hontem, ainda, pedras em quantidade tal que podiam-se encher muitos wagons”. A figura ao lado mostra como acontecem as chuvas de pedra.
Para compensar, em seu livro Al Brasile, publicado em Milão em 1889, narrando impressões de viagem pela então Provincia de S.Paulo entre 1885 e 1887, o médico italiano Alfonso Lomonaco disse a respeito de nossa cidade: “além destas vantagens comerciais, recomenda-se pela salubridade dos ares e doçura do clima”.

As palavras do Dottore Lomonaco correspondem à verdade: o clima em nossa cidade é tropical de altitude, apresentando verões quentes e chuvosos e invernos amenos com pouca chuva. A temperatura média anual é de 18 °C, sendo o mês mais frio julho (média de 15 °C) e o mais quente fevereiro (média de 21 °C).


terça-feira, 27 de junho de 2017

REVOLUÇÃO DE 32: JUNDIAÍ BOMBARDEADA PELA AVIAÇÃO



A Revolução de 32 estava em andamento e a  Folha da Manhã de 17 de setembro de 1932 noticiava que um avião da ditadura Vargas bombardeara nossa cidade na manhã do dia anterior. A Folha da Noite de 20 de setembro comentou o assunto.

A notícia foi dada em tom leve, quase de brincadeira - ainda não se pensava nos terríveis efeitos de um bombardeio aéreo, o que só foi possível fazer depois que aviões nazistas praticamente destruíram a cidade espanhola de Guernica em 1937, durante a guerra civil que assolou aquele país - morreram cerca de 400 pessoas. 

O jornal afirma que o avião voava muito alto, como se estivesse tentando reconhecer a área, e que as pessoas saíram às ruas para acompanhar os acontecimentos.

Boeing F-4B4, um dos aviões utilizados pela ditadura Vargas
Ao final, o avião atirou algumas bombas e disparou algumas rajadas de metralhadora, que "molestaram os tomateiros" e arrancaram uma touceira de bambu de uma chácara da região da Ponte de São João, ainda segundo o jornal. 

Não sabemos se se trata do mesmo evento, mas pessoa que vivia em nossa cidade à época, diz que, naquela área da cidade,  uma criança perdeu a mão ao tocar uma bomba que não explodira e fora atirada por um avião getulista. 


FAZENDAS DE JUNDIAÍ NO SÉCULO XIX

Affonso Escragnolle de Taunay (1876-1958), filho do Visconde de Taunay, de quem já falamos neste blog, foi um dos nossos grandes intelectuais: engenheiro de formação, foi historiador, professor da USP, biógrafo, diretor do Museu do Ipiranga - entre suas obras, está a "História do café no Brasil", em onze volumes. Nossa cidade é mencionada nessa obra, com informações bastante interessantes sobre nossa produção de café e açúcar em meados do século XIX, que também já foi objeto de outro de nossos posts; à época, o açúcar ainda era nosso produto mais importante.  

Reproduzimos aqui trechos do terceiro volume de sua obra, dando conta de que tínhamos 64 fazendas de café e 20 destilarias; 298 proprietários rurais e 27 senhores de engenho, com 1.143 escravos. 

A obra relaciona as principais propriedades e seus donos, com o número de escravos que cada um detinha. É interessante notar que o proprietário do maior número de escravos era um plantador de algodão. Pelos nomes das fazendas fica difícil identificar onde ficavam, exceto talvez "Monte Serrate", na atual Itupeva. 






sexta-feira, 23 de junho de 2017

O ESCOTISMO EM JUNDIAÍ

O Escotismo é um movimento educacional que por meio de atividades variadas incentiva os jovens a assumirem seu próprio desenvolvimento, a se envolverem com a comunidade, formando líderes. 

Seus participantes acreditam que, por meio da proatividade e da preocupação com o próximo e com o meio ambiente, pode-se formar jovens engajados em construir um mundo melhor, mais justo e mais fraterno.

Seu lema, "Sempre Alerta", deriva do original em inglês "Be prepared",  criado pelo fundador do movimento, Robert Baden Powell.

Em nossa cidade há vários grupos escoteiros, como o Jundiá e o Curuqui.

Em sua edição de 6 de outubro de 1927 a Folha da Manhã noticiava o crescimento do escotismo em Jundiaí, que teria chegado à nossa cidade em 1922. A imagem ao final do post ilustra a "Lei Escoteira", conjunto de regras que orienta os participantes do movimento.





terça-feira, 20 de junho de 2017

EM 1937 JUNDIAÍ JÁ NÃO ERA UMA CIDADE MUITO PACÍFICA...

O jornal "Correio Paulistano", em sua edição de 24 de janeiro de 1937 trazia duas notícias que nos permitem deduzir que, naquela época, nossa cidade não era muito pacífica.

A primeira delas dizia que, apesar dos seguidos pedidos veiculados pela imprensa, o destacamento policial da cidade seguia sendo muito pequeno, fazendo com que a população passasse a "defender-se com suas próprias mãos", sendo ouvidos, todas as noites "estampidos denunciadores de que os amigos do alheio estão sendo recebidos à bala". Dizia também que a imprensa local registrava assaltos diariamente.

O jornal noticiava também que dois "implacáveis adversários", ao "liquidarem velhas contas", entraram em luta corporal, tendo um deles sido atingido por várias facadas, ficando gravemente ferido. O fato ocorreu no então distante bairro do "Anhangabahu"

Ao que parece, as coisas não mudaram muito nos últimos 80 anos...

sábado, 17 de junho de 2017

1917: ANARQUISTAS EM JUNDIAÍ

De forma bem simplificada, pode-se dizer que o Anarquismo é uma ideologia  que se opõe à todo tipo de hierarquia ou dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural. Assim, opõe-se ao Estado, ao capitalismo, às instituições religiosas etc. Pretende uma sociedade libertária baseada na autogestão, cooperação e  ajuda mútua, com os indivíduos podendo associar-se livremente. 

Nasceu na Europa em meados do século XIX; seus partidários tentaram implanta-lo de diversas formas, inclusive com o uso de extrema violência, o que acabou contribuindo para que seja irrelevante na atualidade.




O "Guerra Sociale" era um jornal anarquista publicado em São Paulo no início do século passado - a imagem acima mostra uma edição do mesmo, de cem anos atrás. O jornal era escrito parte em italiano (o anarquismo chegou até aqui principalmente com imigrantes italianos) e parte em português. Na capital existiam outros jornais que seguiam a mesma ideologia,  o "A Plebe" e o "Alba Rossa", de que já falamos neste blog.

O "Guerra Sociale" batia-se violentamente contra o trabalho infantil, que era disseminado à época. Na edição objeto deste post, os editores do jornal pediam aos simpatizantes residentes em nossa cidade e redondezas que denunciassem casos do tipo, mas alertavam que não bastavam informações genéricas, eram necessários mais dados sobre os pequenos trabalhadores, como nome, idade, salário e trabalho executado - dizia o jornal que coletar essas informações era um trabalho enfadonho, mas que apenas assim seria possível combater eficiente esse mal.

A mesma edição do jornal informava que o anarquista Quaglierici informava o nascimento de seu filho, a quem dera o nome de "Comunardo"! A palavra remetia à Comuna de Paris, movimento que levou os anarquistas a governarem aquela cidade durante alguns meses de 1871; o movimento foi esmagado de forma extremamente violenta pelo governo francês. O jornal dizia que o menino era um "bel maschiotto" (belo machinho) e deixava seus votos no sentido de que ele pudesse crescer em uma comuna...







quarta-feira, 14 de junho de 2017

GLÓRIA ROCHA - UMA GRANDE ARTISTA JUNDIAIENSE

A imprensa tem noticiado as dificuldades financeiras que a Prefeitura vem encontrando para concluir a reforma da Sala Glória Rocha, um ponto muito importante para nossa cidade. Dada essa situação, é interessante lembrar quem foi Glória Rocha (1920-1971). 


Nascida em nossa cidade, chamada Glorinha por seus amigos, foi bailarina, professora, diretora, cenógrafa, coreógrafa - enfim dedicou-se intensamente à arte, trazendo-nos belíssimos espetáculos. Nos anos 1940 criou o “Ballet Jundiaiense” composto de jovens e crianças e em 1956 fundou o Instituto de Orientação Artística (IOA), entidade de fundamental importância para o desenvolvimento cultural de nossa cidade.


Uma curiosidade acerca de Glória é que, nos anos 1930, foi eleita Rainha dos Estudantes Jundiaienses, coroada em sessão solene seguida de um grande baile - a foto, dos fins dos anos 1930 ilustrava matéria acerca do assunto, aqui também reproduzida.   



domingo, 11 de junho de 2017

PLANADOR CAI NO 12º GAC


No dia 27 de dezembro de 1970 um planador caiu no quartel do hoje 12º GAC. 

O aparelho ficou bastante danificado, mas o piloto saiu ileso. Segundo o Cel. Benevides, que comandou a unidade, o planador caiu sobre eucaliptos que ficavam no estacionamento situado ao lado do pavilhão de comando do Grupo. 

O planador pertencia ao Clube Politécnico de Planadores, de nossa cidade, fundado em 1934 na capital e hoje com bases em Jundiaí e São Pedro. 

O clube chama-se agora Aeroclube Politécnico de Planadores (www.planadoresjundiai.org.br) e é reconhecido em todo o Brasil pela qualidade de seus cursos de pilotagem. 

Atualmente é um dos mais bem equipados do país com uma frota de 2 rebocadores, 2 motoplanadores treinadores e 8 planadores para treinamento básico, avançado e competição. 

Os visitantes também tem oportunidade de fazer vôos como passageiros nas operações que são realizadas aos finais de semana e feriados, nas duas bases.

Um vídeo mostrando a decolagem de um planador do aeroporto de nossa cidade pose ser visto aqui

Vale relembrar que os planadores decolam rebocados por um avião convencional.



quinta-feira, 8 de junho de 2017

1929: SOLDADO BÊBADO É PRESO

A velha cadeia, provável quartel da Polícia
Segundo a Folha da Manhã, de 12 de fevereiro de 1929, embriagado, o soldado Limiro, do então 2º Grupo de Artilharia de Montanha (hoje 12º GAC) dirigiu-se ao quartel da polícia, provavelmente instalado no prédio da cadeia, no local onde hoje situa-se o fórum. 

Pretendia invadir o dito quartel, mas acabou detido e entregue a uma patrulha do Exército, que o conduziu ao seu quartel, onde foi recolhido ao xadrez por 30 dias. 
O quartel do Exército, onde Limiro ficou preso

terça-feira, 6 de junho de 2017

EMPRESAS ANTIGAS: A TRIUNFAL

A  Triunfal foi uma das mais tradicionais lojas de nossa cidade.

Este folheto anuncia a mudança da loja para um novo endereço, e pertence ao acervo do Prof. Maurício Ferreira - ao que parece, o folheto foi encontrado no interior de um livro, com uma receita no verso. 

Interessante é a menção ao Café Haiti, que mais tarde transformou-se num dos melhores restaurantes da cidade, ainda na Rua Barão e mais tarde na Rua do Rosário, onde ficou até fechar suas portas.

sábado, 3 de junho de 2017

UMA "CANTADA" TERMINA MAL EM CAMPO LIMPO

No dia 2 de setembro de 1940 uma mulher teve que deixar um trem na estação de Campo Limpo, então município de Jundiaí, por estar viajando sem o bilhete de passagem. Enquanto aguardava que sua situação fosse resolvida, o indivíduo Lupércio David aproximou-se e dirigiu-se a ela de forma pouco respeitosa, "cantando-a".

A mulher muniu-se de uma enxada que estava próxima e com ela golpeou o galanteador no rosto, quase decepando-lhe o nariz! Um castigo merecido.

A foto abaixo mostra a estação à época do fato:





quarta-feira, 31 de maio de 2017

ENÉRIO MARTINELLI - UM CRAQUE DO PASSADO



Enério Martinelli nasceu em nossa cidade em 20.08.1934, falecendo prematuramente em 21.03.1994. No ano  2000 foi eleito o maior jogador do Paulista Futebol Clube em todos os tempos; além de grande atleta era tido como uma pessoa de caráter exemplar.  
Iniciou sua brilhante carreira em 1949, no Nacional Atlético Clube, transferindo-se depois para o extinto Dragão Mecânica, time ligado à então Companhia Mechanica e Importadora, hoje Sifco, empresa de que já falamos em outro post; em 1952, foi para o Paulista, onde se consagrou. 
Nessa época, o Paulista migrava para o profissionalismo - foi uma época muito difícil, vivia-se a época do time "salário mínimo", funcionando em um sistema cooperativo, no qual o dinheiro arrecadado na bilheteria dos jogos era administrado e dividido pelos próprios jogadores  - não existiam patrocinadores, cotas de TV etc.
Martinelli era famoso pela potência de seus chutes, sendo conhecido como "O Canhão do Interior", marcando uma quantidade de gols muito alta para um zagueiro, posição em que atuava. Formava com Jau (zagueiro) e Nicanor Iotti (goleiro) o Trio de Ferro, responsável pela sólida defesa do time. 
Em 1963, Martinelli foi defender as cores do Gran São João de Limeira, mas dois anos depois retornava a Jundiaí para encerrar sua carreira. Para não se afastar do futebol passou a dedicar-se à arbitragem, apitando jogos das Ligas Jundiaiense de Futebol de campo e de salão e nas competições internas do Clube Jundiaiense.
À título de curiosidade, cabe reparar que na foto acima usava uma rede nos cabelos, acessório comum na época - o objetivo era preservar a elegância em campo...
Martinelli participou em 30 de maio de 1957 da primeira partida jogada no   atual Estádio Dr. Jayme Cintra (Paulista 3 x Palmeiras 1), mas quando iniciou sua carreira, o estádio do Paulista ficava à Av. Prof. Luiz Rosa, defronte ao cemitério, conforme mostra a foto abaixo.



segunda-feira, 29 de maio de 2017

HÁ 80 ANOS O TRÂNSITO DE JUNDIAÍ JÁ MATAVA GENTE

É comum pensarmos que acidentes de trânsito são coisas dos tempos atuais. Mas notícias como as publicadas pela Folha da Manhã de 1937 mostram que isso não é bem verdade: naquele dia, o jornal noticiava dois acidentes, um deles com morte. 
No primeiro deles, Ottoni Guimarães Fernandes, agrônomo funcionário do governo estadual, descia pela Rua São Bento, quando os freios de seu carro falharam, fazendo com que o mesmo colidisse com a porta de uma farmácia, situada na esquina dessa rua com a então Capitão Damásio, hoje Marechal Deodoro.

Felizmente não houve vítimas. A curiosidade é que o motorista dirigia-se a Campinas - certamente iria pegar a Rodovia Geraldo Dias - ainda não existiam Anhanguera e Bandeirantes.  Ottoni (foto ao lado) foi um dos responsáveis pela introdução da cultura da uva Itália em nosso país em 1936; essa uva começou a ser cultivada na fazenda Pinheirinho, em nossa cidade, cujos proprietários eram os irmãos Arthur e Cândido Mojola; a fazenda fica (ou ficava) na estrada de Itatiba, distante cerca de oito quilômetros de Jundiaí. Essa uva começou a ser cultivada na Itália, região do Piemonte, em 1927.

O outro caso foi mais trágico: um carroceiro trafegava pelo bairro da Barreira quando seus cavalos espantaram-se, fazendo-o cair "sobre uma das rodas da carroça", tendo morte instantânea. Fica uma dúvida: teria caído sobre a roda ou sob a roda????

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O 28 - UM DOS CLUBES MAIS IMPORTANTES DE NOSSA CIDADE E O MAIS ANTIGO AINDA EM ATIVIDADE


O Clube Beneficente Cultural e Recreativo Jundiaiense 28 de Setembro, conhecido em nossa cidade como "28", foi fundado em 1° de janeiro de 1897; seu nome faz referência à data em que foi promulgada a Lei do Vente livre (1871) - essa lei considerava livres todos os filhos de mulheres escravas nascidos a partir daquela data.

No final do século XIX, surgiram diversos clubes que pretendiam congregar pessoas da raça negra, que normalmente eram excluídas de outras entidades - o 28 foi o segundo desses clubes a ser fundado no estado de São Paulo. O primeiro teria sido o "Clube dos Escravos", fundado em Bragança em 1881. Esse clube foi fundado por abolicionistas e escravos, tendo sido seus primeiros dirigentes os escravos João Manuel (Presidente) e  José Francisco e André da Silva (Secretários) - a ideia era fundar uma escola e prestar assistência a escravos e ex escravos. 

A imprensa anunciava que em 25 de setembro de 1945 o clube inauguraria sua sede atual, situada à Rua Petronilha Antunes; às 5 e meia da manhã (!) haveria uma salva de 21 tiros, mais tarde uma missa, às 15 horas uma solenidade e às 22 horas, baile com Birico e seus rapazes, orquestra de Campinas - por onde andarão Birico e seus rapazes??? 

As fotos acima mostram o local da sede durante a construção (provavelmente um imóvel antigo foi demolido) e a sede na atualidade; o recorte, é de uma edição do jornal Folha da Manhã de 24 de setembro daquele ano, noticiando a inauguração.

O 28 desde seu início teve um envolvimento muito grande com a educação e a cultura: manteve uma escola, organizou biblioteca e grupo de teatro, cedeu sua sede para cursos, promoveu palestras etc.

Essa escola chamava-se "Cruz e Sousa", que foi um dos maiores poetas brasileiros, negro, nascido em Florianópolis em 1861 e falecido em 1898 - era chamado "o Dante Negro".

Atualmente o Clube “28 de Setembro” continua cumprindo seu papel recreativo, educativo e cultural, promovendo comemorações nas datas festivas, enfim, segue importante em nossa cidade.  

Em um clube homônimo, situado à Rua Florêncio de Abreu, em São Paulo, ocorreu em 14 de junho de 1953 uma grande tragédia: o clube ocupava o segundo andar de um prédio em cujo térreo funcionava o depósito de uma empresa de tecidos, onde irrompeu um incêndio. Apesar de haver tempo para que todos se retirassem em segurança, o pânico fez com cerca de 50 pessoas morressem, quase todas pisoteadas. 

Dentre os mortos, um bombeiro e uma jovem, que ao saltar de uma janela para ser recolhida na rua por pessoas que seguravam lonas, ficou presa na fiação elétrica, onde o fogo a atingiu. 

A foto abaixo, publicada pela Folha da Manhã de 14 de junho de 1936 traz informações sobre os cursos promovidos pelo 28.




sábado, 20 de maio de 2017

1929: BRIGA DE NAMORADOS GERA CONFLITO NA VILA RIO BRANCO

Em sua edição de 26 de julho de 1929, a Folha da Manhã noticiava um conflito ocorrido na Vila Rio Branco, que o jornal dizia ser um bairro ainda em formação - a causa, intriga.

Luiz, que o jornal descrevia como um moço robusto, "estava de rixas" com sua namorada, Angelina. Ao passar próximo a outra Angelina, "insultou-a, como causadora da intriga" que causou a briga com a namorada. 

Essa Angelina, queixou-se aos pais, João e Elvira, que foram tomar satisfações com Luiz. Naquele momento, Luiz e a namorada conversavam; quando este percebeu a aproximação de João, "deu-lhe um forte pescoção", atirando-o ao chão.  Também "vibrou forte pancada na indefesa mulher", atirando-a também ao chão; na queda, esta feriu o joelho, o nariz e a testa. Em seguida, fugiu.

Elvira precisou passar pelo Hospital São Vicente, onde recebeu curativos. 

O bairro começava bem!!!








terça-feira, 16 de maio de 2017

CICA: FOGO NA CANJICA DESDE 1941

Tendo iniciado suas operações em 1941, a CICA já era em 1942 uma empresa de porte: anunciava em um dos mais importantes jornais brasileiros da época, a Folha da Manhã de 16 de julho de 1942, que comprava tomate, em qualquer quantidade, para fabricar seu "afamado extrato de tomates marca ELEFANTE".

Novidade para a época, comprava safras futuras e fornecia sementes, adubos e embalagens, além de dar apoio técnico aos lavradores. 

Realmente, uma empresa que deixou saudade.


A foto mostra a  caldeira da CICA em 1943 - ela era responsável pela produção do vapor que movimentava toda a fábrica. A expressão "Fogo na Cangica", gíria dos anos 1940, acabou sendo amplamente utilizada pelo pessoal que ali trabalhou, mesmo muito mais tarde, no sentido de "vamos em frente, rápido, com vigor". 

A foto é do acervo do Prof. Maurício Ferreira. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

ALEXANDRE SICILIANO, A CIA MECHANICA, O GASOGÊNIO E A SIFCO

Alessandro Vincenzo Siciliano (San Nicola Arcella, 17 de maio de 1860 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1923) foi um verdadeiro pioneiro em muitos ramos de atividade. Filho de uma família muito pobre veio para o Brasil em companhia do seu cunhado, com a idade de 9 anos. Logo começou a trabalhar no comércio, com muito sucesso. Patenteou uma máquina para beneficiar café e arroz, que teve muito sucesso. Foi banqueiro, dirigente de entidades de classe e filantropo. Dentre seus descendentes, está a hoje Senadora Marta Suplicy.


Fundou a Companhia Mechanica e Importadora, que teve fábrica em Jundiaí, no local onde hoje se encontra a Sifco, que nasceu em 1958, produto de associação da Mechanica com empresas americanas. A Mechanica teve suas origens na Ferraria Agrícola, uma empresa que fabricava ferramentas como enxadas, picaretas e outras do mesmo tipo e fora fundada pelo suiço Frederico Vigel - quando menino, ao dizer alguma asneira ouvia de minha Nonna Maria: "vá trabalhar na Agrícola...". 



Além de ferramentas, a Mechanica fabricou um gasogênio, aparelho que produz gás combustível para alimentar motores de combustão interna, especialmente de veículos automotores. Foi muito utilizado no Brasil à época da 2a. Guerra Mundial, quando o petróleo foi severamente racionado. O anúncio ao lado menciona uma prova para veículos movidos a gasogênio realizada entre as cidades de São Paulo/São Roque/Sorocaba/Itu/Campinas/Jundiaí/São Paulo no ano de 1943; a velocidade média foi de cerca de 54 km/hora e o consumo de carvão de 350 gramas por km. 



O Conde Siciliano viveu em um palacete da Avenida Paulista, que comprara em 1911. O imóvel foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e acabou sendo demolido nos anos 1970 - localizado na esquina da Alameda Joaquim Eugênio de Lima, o imóvel deu lugar ao Edifício Winston Churchill. No porta"São Paulo Antiga", há mais informações e fotografias do palacete - vale a pena uma visita a ele!


Seu falecimento causou grande consternação na cidade de São Paulo, o que levou uma grande multidão a aguardar a chegada do corpo, na Estação da Luz, para render suas últimas homenagens. Da Estação, o féretro foi à igreja do Liceu Sagrado Coração de Jesus, onde foi celebrada uma missa pela sua alma. Após o encerramento da cerimônia o corpo foi levado ao  Cemitério da Consolação, onde foi sepultado - seu  túmulo está na rua 22, lotes 3 e 4. O convite da Associação Comercial para o féretro e uma foto de seu túmulo estão abaixo.









segunda-feira, 8 de maio de 2017

O BANCO SCAVONE - UM BANCO DE NOSSA REGIÃO

Em 12 de abril de 1957 foi inaugurada a agência do Banco Scavone em nossa cidade. O patriarca da família Scavone foi o italiano Luiz Scavone (1873-1955), que chegou ao Brasil aos 14 anos de idade. Muito pobre, teve inúmeros empregos, mas graças ao seu tino comercial acabou tornando-se um grande industrial, comerciante e banqueiro, radicando-se em Itatiba.

O Banco Scavone, fundado por ele em 1952, teve agências em diversas cidades da região:  Itatiba, Morungaba, Jundiaí, Jarinu, Valinhos, Louveira e Bragança Paulista; a matriz ficava em São Paulo. O Banco foi fundado como Casa Bancária Scavone SA, tendo em 1954 assumido sua denominação definitiva. 

O Banco, em dificuldades, foi incorporado pelo Banco Nacional em 1962 - tinha então 8 agências e era dirigido por Paschoal Scavone, filho do fundador.