terça-feira, 4 de abril de 2017

ANÚNCIOS ANTIGOS: A "PREMIADA FÁBRICA DE CADEIRAS GUIDO PELLICIARI"

A "Premiada Fabrica de Cadeiras Guido Pelliciari" anunciava seus produtos na edição da Folha da Manhã de 24 de janeiro de 1937. 

A fábrica ficava em um terreno delimitado pelas ruas Brasil, Visconde de Taunay, Francisco Teles e Wately, em Vila Arens - o terreno é ocupado hoje por dois edifícios residenciais que levam o nome de Guido e Carolina Pelliciari.

É curioso observar que o anúncio dava como endereço da empresa "Estrada de Rodagem São Paulo" - era a antiga Estrada Velha, hoje Rua Brasil.

sábado, 1 de abril de 2017

JUDAS CAUSARAM PROBLEMAS EM 1952

A Malhação ou Queima do Judas é uma manifestação popular bastante antiga que ocorre em diversos países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes, que traíra Jesus Cristo.

Consiste em surrar e depois atear fogo a um boneco do tamanho de um homem, recheado de  trapos, serragem ou papeis, quase sempre ao meio dia; o boneco normalmente é pendurado a um poste ou árvore. No Brasil, é comum construir os bonecos com máscaras e roupas de políticos, personagens ligados ao futebol ou outros que estejam sofrendo críticas do povo. 

Aproximando-se essa data, vale lembrar fatos ocorridos no Centro de nossa cidade no ano de 1952, e que foram objeto de preocupação do vereador Alberto da Costa, conforme texto de indicação apresentada por ele à Câmara de Vereadores em 25 de março de 1953: 




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quarta-feira, 29 de março de 2017

1938: ACIDENTE COM ARMA DE FOGO MATA UMA CRIANÇA.

A Folha da Manhã em sua edição de 25 de junho de 1938 noticiava uma tragédia: dois dias antes, dois irmãos, um de sete e outro de três anos, na ausência dos pais, brincavam com uma garrucha que haviam tirado de uma gaveta, em sua residência no bairro do Tijuco Preto. 

Ai, aconteceu a tragédia: a arma disparou, atingindo o menino mais velho na testa, matando-o instantaneamente. 

Fatos como estes devem servir de alerta àqueles que pedem maior liberdade para posse e uso de armas de fogo - uma desatenção pode gerar uma tragédia.


sábado, 25 de março de 2017

O 2º GRUPO DE ARTILHARIA DE MONTANHA EM 1931

Em  4 de agosto de 1931 o jornal Folha da noite trazia matéria acerca do então 2º Grupo de Artilharia de Montanha, hoje 12º GAC.

A unidade era comandada pelo então tenente coronel Sebastião do Rego Barros, que exerceu posteriormente importantes funções em nosso Exército.

Em 1938, apesar de não preencher todas as condições para tal, foi promovido a general de brigada - no decreto que o promovia, era dito tratar-se de um militar enérgico, decidido, inteligente e firme nas suas decisões, e que nas funções que exerceu como coronel, comandando o 1º Regimento de Artilharia, as 2ª e 3ª Brigadas de Artilharia,  e a Inspetoria de Defesa de Costa, demonstrou ser um chefe de raciocínio pronto, hábil em conquistar seus comandados pelo exemplo, reto e constante nas suas atitudes. A promoção foi caracterizada como uma medida de exceção. 

A matéria relata as melhorias efetuadas pelo comandante no velho quartel do centro da cidade, e menciona inclusive a criação de uma banda, mais precisamente um "jazz band" que chegou a tocar em uma festa da qual participou o Príncipe de Gales, futuro Rei da Inglaterra, que elogiou o grupo.

Era o fiscal da unidade o então major Raul Mendes de Vasconcellos, que como coronel comandou a Escola de Educação Física do Exército e faleceu em 1961, tendo também chegado ao generalato. 

A reportagem menciona o então capitão Zeno Estillac Leal, que também teve uma carreira brilhante no Exército - no 2ºGAMth, comandou  a 1ª BO e exerceu em diferentes ocasiões as funções de comandante e de subcomandante do grupo. Estagiou nos Estados Unidos, comandou o então 1º Grupo de Artilharia da Costa, sediado na Fortaleza de São João, no Rio de Janeiro.  Foi adido militar em Buenos Aires e comandante da AD/2.

Seguiu exercendo funções importantes, como a de comandante do então IV Exército e do Estado Maior do Exército, do qual se retirou em 1958 ao passar para a reserva no posto de Marechal. Faleceu em 1983.

Pelo conteúdo da matéria pode-se constatar o alto nível dos militares que tem passado pelo hoje 12º GAC.



    

quarta-feira, 22 de março de 2017

O CAPA PRETA

Em sua edição de 23 de agosto de 1934, a Folha da Manhã transcrevia nota publicada em 16 do mesmo mês pelo jornal A Comarca, de nossa cidade.

Segundo a nota, um indivíduo mascarado e vestindo uma capa preta, perseguia as funcionárias das indústrias têxteis, que em sua maioria situavam-se no bairro de Vila Arens e que deixavam o trabalho por volta das 22 horas. 

O jornal dizia que o bairro estava em polvorosa, tendo algumas jovens afirmado que duas delas foram perseguidas pelo Capa Preta até a Rua Rangel Pestana, no centro da cidade. 

O jornal punha em dúvida esse fato e até mesmo a existência do Capa Preta, pois dizia que até mesmo os vagabundos que perambulavam pelas ruas eram convidados a deixar a cidade ou iriam dormir no xadrez. 

Para encerrar: minha avó falava  desse personagem, e dizia ter certeza de sua identidade - seria um de nossos parentes!

Quem? Não podemos dizer, pois seus descendentes ainda estão entre nós...

sábado, 18 de março de 2017

DEMISSÕES NA FÁBRICA SÃO BENTO

A Juventude Operária Católica foi fundada em 1923 na Bélgica e logo chegou ao Brasil, embora só tenha adquirido maior importância em nosso país nos anos 1940. Declarava ter como missão "a libertação dos jovens trabalhadores e trabalhadoras; ser testemunha da presença libertadora de Jesus e do projeto de Jesus Cristo no seio da classe operária".

Seu jornal "O Trabalho" publicou em maio de 1949 uma matéria sobre a demissão de 70 trabalhadores da Fábrica de Tecidos São Bento, provocada, de acordo com a empresa por queda nas vendas. 

No início da década de 1960, a JOC cerca de 25 mil membros em nosso país e seu jornal mensal alcançou uma tiragem de 40 mil exemplares.  Tendo optado por uma ação voltada para a política partidária, foi perseguida após 1964, com muitos de seus membros presos; na atualidade, sua expressão é pequena. 

Quanto às demissões, infelizmente vivemos um cenário bastante semelhante. 


quarta-feira, 15 de março de 2017

1950: INAUGURADO O PRIMEIRO SEMÁFORO DE JUNDIAÍ


Em 25 de setembro de 1950 Jundiaí dava mais um passo rumo ao progresso: na esquina das ruas do Rosário e Bernardino de Campos foi inaugurado o primeiro semáforo de nossa cidade. 

O detalhe é que o aparelho era chamado "sinal luminoso", e para sua instalação, hoje de responsabilidade da Prefeitura, foi necessário recorrer ao Serviço de Trânsito do Estado. 

sábado, 11 de março de 2017

1948: - O PROF. JOAQUIM CANDELÁRIO DE FREITAS DENUNCIA: AÇOUGUEIROS E PADEIROS EXPLORAM O POVO

Joaquim Candelário de Freitas (1907-1969) foi um célebre professor em nossa cidade, tendo atuado nas escolas Padre Anchieta, Luiz Rosa e SENAI. Seu nome foi dado ao viaduto que liga o centro da cidade à Vila Rio Branco e a uma rua em Várzea Paulista. Estudou no Seminário Menor de Pirapora e graduou-se em Filosofia pela Escola Superior de Filosofia, em São Paulo. Foi redator-chefe do jornal " O Porvir", que circulou em nossa cidade nos anos 1920/1930.

Dedicou-se também à política, tendo sido vereador durante muitos anos. Muito combativo, utilizava uma linguagem rebuscada em documentos oficiais. Exemplo dessas características, está no requerimento abaixo, de 1948, em que combatia os preços altos praticados por padeiros e açougueiros de nossa cidade, que também roubavam no peso:

Vemos expressões como "volúpia satânica de matar o povo à fome", "casta vulturina" (grupo de abutres) e "apetites voraginosos dessa sanguissedenta classe" - eram características do vereador e da linguagem usada à época...

O requerimento termina pedindo que a Câmara solicitasse ao Prefeito, de forma enérgica, a tomada de medidas radicais acerca do assunto:  

Tudo isso no mesmo estilo, dizendo que os padeiros e açougueiros eram assaltantes que impunemente atacavam "o Povo, esse eterno e indefeso viajante da longa estrada da vida".

O requerimento foi aprovado pelos vereadores e enviado ao Prefeito - o que aconteceu depois, não sabemos...


quarta-feira, 8 de março de 2017

O ABADE DOM PEDRO ROESER - UM GRANDE HOMEM

Em 21 de novembro de 1870, na cidade de Mergentheim, no reino de Württemberg, no sul da Alemanha, nasceu o menino Edmundo, filho de José e Maria Roeser.

Em 14 de novembro de 1894, ingressou na Abadia de Beuron, tendo sido ordenado em 10 de outubro de 1898 e celebrado a primeira missa em 13 de outubro de 1898; como era hábito na época, adotou o nome de Pedro, numa referência ao apóstolo São Pedro.

Foi transferido para o Mosteiro de Santo André, em Bruges (Bélgica), onde foi nomeado zelador e mestre dos noviços e de lá para o Brasil. 

Transferido para o Brasil passou a estudar nosso idioma e costumes, tendo embarcado no porto de Hamburgo em 28 de setembro de 1899. No Brasil, foi designado para a residência de Nossa Senhora da Conceição, na Serra do Baturité, no Estado do Ceará, onde ficou até o dia 1º de fevereiro de 1900, como Prior e Instrutor. 

Após seis anos de dedicação e trabalho ali, torna-se cidadão brasileiro, ao se naturalizar em 1905. Em dezembro de 1906, foi enviado para Olinda, sendo nomeado Abade do Mosteiro de Olinda.

Muito preocupado com a educação, idealizou a criação de uma  escola de medicina veterinária e agricultura, moldada nas “Landwirtschaftliche Hochschule” alemãs. A instituição receberia o nome de  “Escolas Superiores de Agricultura e Medicina Veterinária de São Bento”, com programas baseados nos currículos adotados pelas congêneres de Munich e Halle. 

Ao serem fundadas as “Escolas Superiores”, em 03 de novembro de 1912, deu-se início à construção de edifícios escolares anexos ao Mosteiro de São Bento, em Olinda. Simultaneamente foram abertas matrículas para um curso preparatório, inaugurado em 5 de fevereiro de 1913 e com freqüência de 71 alunos. 

Em 1914 ingressou no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, fazendo parte da Comissão de Arqueologia e Etnografia. 

Para comemorar o Centenário da Independência do Brasil, trabalhou intensamente para fundar um hospital - a pedra fundamental do Hospital do Centenário foi lançada em 7 de setembro de 1922 e sua inauguração ocorreu em 3 de maio de 1925.

Saindo do nordeste, foi transferindo inicialmente para Santos e daí para Sorocaba; em 21 de agosto de 1931, transferiu-se definitivamente para o pequeno Mosteiro de São Bento de Jundiaí, onde seu sacerdócio ativo e fecundo expandiu-se longamente. 

Vendo a penúria e o abandono das crianças pobres dos operários das fábricas, decidiu fundar, ainda em 1931, a Casa da Criança, e que permanece em atividade até os dias atuais, instalada inicialmente na Rua Torres Neves e atualmente na Praça D. Pedro II. A entidade, hoje uma escola de ensino básico, atende atualmente cerca de 200 crianças, já tendo passado por ela mais de dez mil -  o recorte ao lado fala um pouco dos primeiros tempos da entidade. 

Prevendo o crescimento do número de crianças desamparadas, idealizou e fundou, em 1940, a Congregação das Oblatas Missionárias de Santa Úrsula, para orientar e manter suas obras sociais e dar assistência catequética às populações rurais. 

Visando proteger, notadamente as famílias do campo, assistindo à parturiente do campo, socorrendo o lavrador e seus filhos e dando-lhes instrução, Dom Pedro Roeser, fundou em 1943 o Aprendizado Agrícola Dr. Olavo Guimarães. 

A comenda da Grã Ordem do Cruzeiro do Sul, maior condecoração outorgada pelo governo brasileiro, foi-lhe concedida em 29 de junho de 1953. Em gratidão ao seu Cidadão Benemérito, o povo de Jundiaí, após sua morte, ergueu na Praça Dom Pedro II, situada defronte à Casa da Criança uma escultura, para perpetuar no bronze sua grande vida e magnífica obra. Olinda, lhe prestou uma justa e merecida homenagem, ao conferir a uma de suas ruas, situada no centro histórico o nome de Dom Pedro Roeser, que em 1948 já havia recebido de nossa cidade o título de "Cidadão Benemérito de Jundiaí". 

A Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, continuação da obra Dom Pedro Roeser, considera-o seu primeiro Reitor e concede anualmente, a medalha que leva o seu nome, a pessoa física ou jurídica, que tenha prestado relevantes serviços àquela Universidade ou à educação no Brasil. 

Dom Pedro faleceu em Jundiaí-SP, no dia 05 agosto de 1955.



NAMOROS AVANÇADOS...

Em 22 de março de 1948, o vereador Alberto da Costa apresentou um requerimento à Câmara Municipal de Jundiaí solicitando que fosse enviado um ofício ao Delegado de Polícia pedindo providências acerca do que chamava "falta de respeito e moral" em nossa cidade. 

O vereador pedia providências contra 

Segundo Costa, isso acontecia em nossas ruas e jardins, especialmente ao lado da porta da Caixa Econômica e em frente à Cadeia e ao Mercado, hoje Fórum e Sala Glória Rocha.

Encerrava o requerimento solicitando providências enérgicas ao Delegado, mas pedindo para 





Como dizia minha Nonna, "Niente di nuovo sotto il sole"...  

quarta-feira, 1 de março de 2017

JJ ABDALLA E MAIS UMA GREVE NA FÁBRICA JAPI

Conhecida como Tecelagem Japy,  começou a funcionar no bairro de Vila Arens, em 18 de novembro de 1914, uma fábrica de tecidos pertencente ao então senador Antônio de Lacerda Franco. Estava instalada em uma área de cerca de 22 mil metros quadrados. 

A Japy (ou o Japy, como diziam alguns), começou fabricando sacos de estopa e depois tecidos para vestuário - fabricou tecidos para os uniformes dos revolucionários de 1932. Adoniran Barbosa foi um de seus funcionários.   
Abdalla
Em algum momento de sua história, passou às mãos de José João Abdalla, conhecido como J. J. Abdalla (1903 - 1988). Médico, Abdalla foi empresário nos setores industrial (cimento e têxtil, principalmente), financeiro e de construção civil. Envolveu-se na política, ocupando diversos cargos entre eles os de deputado e secretário de estado, muito ligado ao então governador Ademar de Barros. 

Notoriamente corrupto, grileiro, respondeu a mais de 500 processos por irregularidades empresariais, crimes contra a economia popular e desobediência às leis trabalhistas - costumava não pagar corretamente seus funcionários, tendo suas empresas passado por muitas greves, como a da Japy em 1958, noticiada pela Folha da Manhã em sua edição de 26 de setembro daquele ano. Era comum que seus funcionários recebessem parte de seus salários (quase sempre atrasados) em tecidos, que eram vendidos para que conseguissem algum dinheiro.

Foi preso nos anos de 1969, 1973 e 1975 e teve seus bens e empresas confiscadas em 1964, 1973, 1975 e 1976.

Em nossa cidade, além da Japy, foi dono de outras empresas, como a Argos, Frigorífico Guapeva e Moinho Jundiaí. 

Após o encerramento das atividades fabris, seu prédio foi ocupado por um supermercado da rede Disco, que pouco tempo durou. Mais tarde, uma empresa tentou lançar ali um conjunto de apartamentos, sem sucesso. 

A edificação encontra-se praticamente destruída, embora haja uma determinação da Prefeitura de Jundiaí no sentido de que sejam preservados um galpão restante e a chaminé da fábrica, cuja foto está abaixo - a foto foi feita por Regina Kalman.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

A UVA EM JUNDIAÍ E SUAS PRIMEIRAS FESTAS


O jornal Jundiaqui publicou recentemente uma matéria muito interessante sobre a cultura da uva em nossa cidade - documentos disponíveis dão conta que em 1669 já se negociava vinho por aqui - a primeira Festa da Uva aconteceu em 1934.

A chegada dos imigrantes italianos fez com que a cultura da uva crescesse por aqui, especialmente com a plantação da uva Isabel, em fins do século XIX. Plantava-se também a  Niagara Branca, de origem americana, que gerou a Niagara Rosada a partir de 1933, resultado de uma mutação genética espontânea, que aconteceu na região do Traviú. Essa variedade fez tanto sucesso que incentivou nova plantações, levando Jundiaí atualmente a produzir cerca de 25.000 toneladas em aproximadamente 700 propriedades rurais. São cerca de 10 milhões de videiras, com predominância da Niagara Rosada, embora se produzam uvas finas como Itália, Rubi, Benitaka, Brasil, Patrícia e Maria. Alguns agricultores produzem vinhos artesanais a partir de variedades como  Niagara Branca, Máximo, Isabel, Bordô e Madalena.

Na esteira desse sucesso surgiu a Festa da Uva em 1934, atraindo cerca de cem mil pessoas, tendo acontecido no centro da cidade, com a exposição de uvas e outras atividades, como a exposição viti-vinícola, acontecendo no então Mercado Municipal, hoje Sala Glória Rocha, como mostra a foto. Carros de bois,   automóveis e cordões carnavalescos se misturaram à multidão nas ruas do centro - a festa foi amplamente noticiada pelos jornais da capital.  

A segunda festa aconteceu em 1938,no Largo Santa Cruz; por conta da 2ª Guerra Mundial, a festa foi interrompida e só retornou em 1947. A partir de 1953, passou a ser realizada no Parque Comendador Antônio Carbonari, o Parque da Uva que foi inaugurado em 1953, na gestão do do prefeito Luiz Latorre, que teve a assessoria do arquiteto e prefeito anterior, Vasco Venchiarutti. O parque sofreu uma grande reforma em 2004. 

Em 1938, uvas de Jundiaí já eram vendidas no Rio de Janeiro - a foto mostra o primeiro desembarque de nossas futas na então capital do país; aparecem na foto (ao final do post), entre outros, Egydio Condini, João Carbonari Junior, Isaac Carbonari, Américo Caniato, Waldomiro Bruneli e Alfredo Carbonari - muitas dessas famílias ainda cultivam a uva. Segundo relata o professor Francisco Carbonari, a venda das uvas aconteceu no centro do Rio, na Praça Tiradentes - o caminhão  foi cedido aos jundiaienses pelo então ministro da agricultura Fernando Costa; as uvas foram até a capital de trem, provavelmente.

Note-se que o caminhão era movido a gasogênio, gás obtido por meio da queima de carvão, que passou a ser utilizado em função do racionamento de petróleo, que acontecia em razão da proximidade da guerra. O carvão era queimado no tubo situado ao lado da cabine do veículo. 
Nos bairros Bom Jardim, Poste, Traviú, Engordadouro, Fernandes, Corrupira, Toca, Roseira, Caxambu, Mato Dentro, São José e Champirra concentra-se nossa produção de uvas.



http://www.jundiaqui.com.br/?p=102708


http://www.jundiaqui.com.br/?p=102708

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O FANTASMA DO TÚNEL DE BOTUJURU

O bairro Botujuru pertence hoje a Campo Limpo Paulista, mas anteriormente pertencia a nossa cidade. 

Nele, há um túnel ferroviário, que foi palco de um episódio interessante, acontecido nos anos 1940, quando um passageiro caiu de dentro de um trem no interior do túnel, salvando-se praticamente ileso, como mostra o recorte ao lado. Ali também, em 1863, ocorreu um massacre, narrado em outro post.

O local da placa

Neste post vamos narrar outros episódios estranhos ocorridos no túnel: rumores dão conta que um fantasma ronda a área. A lenda diz que nos anos 1890, quando o túnel estava sendo duplicado, os trabalhos eram chefiados pelo engenheiro inglês  Henry J. Beeg, um tipo particularmente enérgico, que punia pequenas faltas dos empregados com medidas disciplinares severas, humilhações e ofensas pessoais. 

Isso levou o engenheiro a ser odiado pelos que compunham sua equipe, a ponto de um complô ter levado ao seu assassinato, em 23 de abril de 1898, quando os trabalhadores teriam preparado uma emboscada e, próximo ao túnel, teriam surpreendido o engenheiro e assassinado-o a sangue frio. 

Depois do crime, os trabalhadores teriam enterrando o seu corpo na mata. Existem várias versões sobre o paradeiro do corpo: uma delas diz que o nunca foi encontrado; outra é de que teria sido sepultado ao lado do leito da linha férrea, onde hoje existe uma uma lápide com o nome de Beeg e um local para serem colocadas velas para a alma atormentada do engenheiro. 

A lenda conta ainda que devido ao crime bárbaro, fatos estranhos ocorrem na região do túnel: em altas horas da noite pessoas relatam ouvir os ruídos das batidas de uma pá contra a terra, gemidos e o barulho de um corpo caindo em uma cova. 

Outros relatos dizem que em noites com muita neblina, pode ser visto o vulto de Beeg, que flutua sobre o leito da ferrovia, como se estivesse procurando por algo ou inspecionando os trilhos. O mesmo vulto já teria sido visto parado na entrada no túnel, como se vigiasse o local.

No entanto, há certeza sobre alguns fatos: Beeg foi morto em seu escritório, próximo ao túnel, com um tiro no tórax e outro na cabeça na noite de 23 de abril de 1898. O inquérito apontou o italiano Antonio Madaloni, que trabalhava como carpinteiro, como possível autor. Segundo uma notícia veiculada no jornal "O Estado de S. Paulo", a investigação constatou que antes do assassinato Beeg havia demitido Madaloni sem qualquer pagamento e que uma espingarda encontrada próxima a cena do crime foi apontada por pessoas interrogadas como sendo pertencente ao empregado demitido.

Ao contrário do que diz a lenda o corpo do engenheiro foi encontrado e sepultado em São Paulo, como mostra a notícia abaixo, publicada pelo "O Estado de S. Paulo" em sua edição de 25 de abril de 1898.





quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O CORINTHIANS JUNDIAIENSE

O distintivo
Foi um dos primeiros clubes de nossa cidade, fundado em 16/09/1913. Sua sede ficava na área onde hoje está localizado o Colégio Divino Salvador;  esse local era  utilizado para bailes, jogos de salão, e outras atividades sociais - segundo o jornal "A Gazeta" de 21/02/1921 a sede era situada num "bello palacete de dois andares, está situada a sede social. É um dos melhores clubs sportivos que conhecemos. No primeiro andar há um bom salão para bailes, bilhares, bar, etc..No segundo andar estão as salas da diretoria, secretaria, pingpong e várias outras para jogos lícitos".

Nos primeiros anos   do século passado, possuía um estádio na área hoje ocupada pelas indústrias Dubar, nos altos de Vila Arens. Com capacidade para cerca de 10.000 espectadores, era enorme para os padrões da época, e nele se realizou a primeira partida entre o time jundiaiense e o SC Corinthians Paulista, no dia 05.09.1915. 

O  time da capital, campeão paulista de 1914   venceu por 5x0,  tendo contado nessa partida com Neco, um dos maiores ídolos dos primórdios do futebol brasileiro. Outras fontes dão essa data como 22.02.1921, quando o Corinthians jogou contra o CA. Ypiranga, perdendo por 5 x 1. Talvez essa última data refira-se à inauguração das arquibancadas.

Em realidade, o estádio pertencia à Cia. Tecelagem Japy, cujo presidente, Isaias Blumer, era fanático pelo clube. A empresa entrou em crise e foi obrigada em meados doas anos 1920 a vender o estádio, que acabou adquirido pela empresa Rappa & Cia. (Dubar) por 70 contos de réis. 

Nos anos 1950, o clube adquiriu um terreno e começou a construir outro estádio, tendo sido feita a terraplanagem e construído os muros - faltou fôlego, e a área ficou com a Associação Primavera de Esportes, que ali construiu seu estádio.

Os uniformes principal e secundário
O time jundiaiense enfrentou também o Paulistano, à época o principal clube do futebol paulista: em 17.04.1922, empatou em  2 x 2, com o lendário Friedenreich tendo feito os dois gols do Paulistano.  

Mas a maior glória do Corinthians Jundiaiense foi o  título do campeão do interior, obtido em 1920. Nessa época, o campeão do interior disputava a “Taça Competência” com o campeão paulista (o campeonato paulista era disputado apenas entre times da capital); a equipe de nossa cidade venceu o Palestra Itália (atual Palmeiras) por 3 x 1 mas não levou a taça:    a APEA (a federação da época) considerou a partida  “amistosa” devido à inclusão de Pedro Grané na equipe de Jundiaí e deu a taça ao Palestra.

Entre outras conquistas, o Corinthians foi foi o campeão juvenil de 1955, conforme mostra a foto abaixo:



domingo, 12 de fevereiro de 2017

O MAJOR SUCUPIRA - UM HERÓI DA GUERRA DO PARAGUAI

Carolino Bolivar de Araripe Sucupira nasceu no Ceará e faleceu em nossa cidade a 16 de Fevereiro de 1897, aos 54 anos - seu corpo está sepultado na quadra 30 do Cemitério N. S. do Desterro. 

Muito jovem ainda, participou ativamente da Guerra do Paraguai, fazendo parte dos Voluntários da Pátria, criados para lutarem na guerra ao lado do Exército e da Marinha. Atingiu o posto de major, tendo atuação destacada em diversas batalhas, Curuzu,
Retrato do Major sendo entregue
ao 12º GAC
Humaitá, Lomas Valentinas e especialmente Avai - passou a ser chamado "Herói do Avaí", tendo inclusive sido criada em São Paulo uma entidade que levava seu nome. 

Cabo dos Voluntários da Pátria
Terminada a guerra, prestou um concurso público, disputando com outras 17 pessoas, o "Tabelionato Official" de nossa cidade; aprovado, mudou-se para Jundiaí, tendo residido nas imediações da Praça Ruy Barbosa. 

Teve atuação destacada em nossa cidade, onde em 1888 foi um dos fundadores da "Sociedade Comemorativa 13 de Maio", entidade que destinada a amparar e promover a integração social dos escravos recém libertados. Compuseram essa agremiação, entre outros: Eduardo Álvaro de Castro, Bernardino Ferreira de Souza, Francisco de Albuquerque Cavalcanti, Gregório da Cunha Vasconcellos, Francisco de Queiroz Telles, Raphael Rossi, José Florêncio da Silva, Antonio Adriano de Oliveira Lima, Benedicto Philadelpho Castro, João Gomes de Siqueira. A foto, no final deste post, mostra alguns dos membros da Sociedade

Hoje, o Major Sucupira dá nome a uma rua aberta nos anos 1920 para ser o prolongamento da Rua do Rosário, criando mais acessos aos bairros adjacentes. Para isso, foi necessária a demolição da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em 1922, alinhada ao local onde hoje está o Gabinete de Leitura Rui Barbosa.











quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O CARNAVAL DE 1874 EM JUNDIAI


Neste ano parece que teremos um carnaval "magro" em nossa cidade, mas os carnavais dos anos 1870 pareciam ser animados por aqui.

O jornal "Correio Paulistano" publicava um anúncio em 22 de janeiro de 1874 convidava os "amantéticos sócios" de uma certa "Associação Carnavalesca" para "grandes bailes a phantazia" a serem realizados no teatro Thalia Jundiahyana. 

Uma curiosidade: a palavra "amantético" significa "amante ridiculamente apaixonado, exagerado ou grotesco em suas manifestações amorosas". Uma dúvida: onde ficaria o dito teatro?  Há um teatro chamado Thalia em Lisboa, próximo ao Zoológico, construido em meados do século XIX. 

O convite era assinado pelo secretário da entidade promotora, um tal de "Marquês de Malakodif" - certamente um gozador...

Ao contrário do que acontece hoje,  naquela época  não havia dinheiro público para o carnaval - que tal voltarmos a adotar essa prática? 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

1896:A FORÇA PÚBLICA CRIA UMA ENFERMARIA EM NOSSA CIDADE


Em 1896 o Hospital da Força Pública, hoje Polícia Militar, cujo brasão abre este post, situava-se no à Rua General Flores, no Bom Retiro, São Paulo. 

Por alguma razão, nesse ano, foi criada em nossa cidade uma "enfermaria especial" daquele hospital, com o objetivo de receber os tuberculosos internados no Hospital; essa enfermaria foi extinta no ano seguinte. 

A pesquisa histórica gera sempre muitas dúvidas: por que foi criada a enfermaria (provavelmente para evitar contágios)? Onde ficava a enfermaria? Quem atendia os doentes?

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A AFAMADA CERVEJA JUNDIAYANA


O jornal Imprensa Ytuana, de 10 de abril de 1884, publicava um interessante anúncio, falando da mudança de endereço do boteco de um certo José Martins.

Vale a pena ler o anúncio com atenção, pelo tom coloquial empregado; como curiosidade, anunciava estar disponível a afamada cerveja Jundiayana. 

A mesma provavelmente era de nossa cidade, mas não conseguimos encontrar qualquer informação adicional.