segunda-feira, 31 de julho de 2017

TRENS JUNDIAÍ-SP: HOJE, PIORES DO QUE HÁ 150 ANOS!

A edição de 5 de fevereiro de 1867 do jornal Correio Paulistano publicava os horários dos trens de passageiros (que o anúncio chamava "viajantes") que correriam entre Santos e Jundiaí a partir de 16 de fevereiro daquele ano - o trecho São Paulo-Jundiaí (60 km) era feito em duas horas.


Decorridos 150 anos, a situação é a seguinte: 

1. Não há mais trens de passageiros entre Santos e Jundiaí;

2. A viagem São Paulo-Jundiaí, que, repetimos, durava duas horas há 150 anos, dura hoje entre duas horas e duas horas e meia, sendo necessário um transbordo (nome moderno para "baldeação") em Francisco Morato - isso quando tudo dá certo!

Isso é que é progresso!!! Os trens são mais bonitos, mas boniteza não resolve...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

BRIGAS POLÍTICAS E NOMES DE PRAÇAS

A Folha da Manhã de 11 de setembro de 1935 relatava como brigas políticas estavam influenciando a denominação de praças de nossa cidade. 

Na época vivíamos a ditadura Vargas, São Paulo havia sido derrotado na Revolução Constitucionalista e os ânimos seguiam exaltados. 

A praça defronte a Catedral era chamada Praça Independência, e o Largo de São Bento era chamado Praça João Pessoa, em homenagem ao político homônimo, aliado a
João Pessoa
Getúlio e que fora assassinado em 1930 por João Dantas, um adversário político, por ter divulgado cartas de caráter íntimo trocadas entre Dantas e a poetisa Anaíde Beiriz, com quem mantinha um relacionamento. Dantas, Anaíde e outras pessoas a eles ligadas, morreram logo a seguir, sempre em circunstâncias suspeitas. 

Pedro de Toledo
Nesse cenário, os adversários do ditador Vargas propuseram mudar o nome da praça para Pedro de Toledo, um diplomata que, recém falecido, fora o governador do estado à época da Revolução e que deposto, havia sido preso e exilado.

Foi enviada ao Prefeito uma petição propondo a mudança, tendo este encaminhado-a ao Conselho Consultivo do município, que propôs uma solução que desagradou a muitos, mas que acabou prevalecendo: o nome de Pedro de Toledo foi dado à Praça da Independência e o Largo de São Bento voltou a ser chamado pelo seu nome original - Praça João Pessoa foi um nome que "não colou".

O fato é que o tema realmente gerou polêmica, a ponto de o jornal ter afirmado que "os politiqueiros de uma ou outra parte rebaixaram o nível elevado de elegância em que sempre pairou a política de nossa terra"...


segunda-feira, 24 de julho de 2017

MARÇO DE 1956: ERA INAUGURADA A FÁBRICA DA DURATEX

A Folha da Manhã de 25 de março de 1956 anunciava a inauguração da fábrica de chapas da Duratex em nossa cidade. Era a primeira fábrica desse produto a entrar em operação no Brasil - o produto disponível em nosso mercado era importado da Suécia, país onde se localizava a Desfibrator, empresa que forneceu os primeiros equipamentos para a fábrica de Jundiaí. As chapas são produzidas a partir de eucalipto.

Como aconteceu com as palavras gilete e durex, por exemplo, que de marcas passaram a designar um determinado produto, duratex passou a designar as chapas que originalmente eram chamadas "hardboard".

A empresa cresceu rapidamente, sob a direção de Olavo Setúbal, mais tarde prefeito de São Paulo, Ministro de Relações Exteriores e presidente do grupo Itaú: já em 1957, exportava suas chapas para os Estados Unidos.


No início da década de 1960 a empresa passou a expandir-se: a fábrica de Jundiaí foi duplicada, novas fábricas foram abertas, áreas de plantação de eucaliptos adquiridas, e novos produtos foram lançados, tendo a empresa entrado em diversas áreas, especialmente na de louças e metais sanitários.

Em 2010, a Duratex fechou sua fábrica pioneira, por estar a mesma obsoleta e por problemas de natureza ambiental - situada às margens do Rio Jundiaí, a fábrica poluia esse curso de água, que já naquela época vinha sendo recuperado - hoje sua água já pode ser consumida. Diz-se que quando a desativação da fábrica começou a ser discutida, Olavo Setúbal rechaçava a ideia, dizendo "não se esqueçam que foi lá que tudo começou" - após sua morte em 2008, a ideia foi à frente. 

As fotos acima, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostram uma visão geral da fábrica, depois de 1966 quando foi construído o viaduto Sperandio Pelliciari e uma visão de sua Portaria.

A empresa, que ainda possui uma fábrica cerâmica em nosso Distrito Industrial, marcou a vida de muitos jundiaienses - seu fechamento foi lamentado por toda a cidade.   

quinta-feira, 20 de julho de 2017

RUA JOÃO TRAMONTINA: HÁ QUASE MEIO SÉCULO ESPERANDO PELO ALARGAMENTO...

A Rua João Tramontina é uma rua muito estreita, situada no bairro de Vila Rami, ligando as ruas Cica e Bom Jesus de Pirapora e que recebe um tráfego muito intenso. Seu nome homenageia um dos pioneiros do bairro, havendo ainda muitos membros da família residindo na região.  

No inicio da década de 1970, falava-se em seu alargamento, tema que foi objeto de consulta do então vereador José Sílvio Bonassi (foto ao lado) à Prefeitura. 

Decorrido quase meio século, construídos vários edifícios nas suas proximidades, a João Tramontina recebe hoje um tráfego muito maior  e... continua igual!



terça-feira, 18 de julho de 2017

PROIBIR FOGOS DE ARTIFÍCIO NÃO É UMA IDEIA NOVA

Nossa Câmara Municipal rejeitou recentemente projeto de lei que pretendia proibir a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos de efeito sonoro. Foram 12 votos contrários, 5 favoráveis à proposta e uma abstenção. 

Mas o assunto não é novo: já em junho de 1956, o então vereador Tarcísio Germano de Lemos fazia solicitação similar, que, ao que parece, também não foi aceita. 

Interessante na solicitação a menção aos fogos que o vereador queria proibir: traques, espanta-coiós e pipocas. Descobrimos que espanta coíós são fogos que quando acesos, produzem estalos e faíscas e que traques são pequenas bombas de riscar, parecidas com fósforos. Quanto às pipocas, se alguém souber algo a respeito, por favor nos avise. 



sábado, 15 de julho de 2017

21 DE MAIO DE 1969: O GENERAL ANDRADA SERPA ASSUME O COMANDO DA AD/2


Até há alguns anos, nosso Exército organizava suas unidades operacionais em "Exércitos" - foram quatro. Cada Exército, comandado por um General de Exército, tinha uma divisão de infantaria (DI) comandada por um General de Divisão. Nas DI, as unidades de infantaria propriamente ditas compunham sua Infantaria Divisionária (ID) e as  unidades de artilharia sua Artilharia Divisionária (AD), ambas comandadas por Generais de Brigada. O II Exército e sua DI, sediados em São Paulo, tinham o Quartel General de sua Artilharia Divisionária em Jundiaí, ocupando parte do quartel situado no centro da cidade - era o chamado QG da AD/2, que compreendia o então 2º GO 155 (hoje 12º GAC) e o então 2º RO 105 (hoje 2º GAC L), aquartelados em Jundiaí e Itu, respectivamente. Em 21 de maio de 1969, assumiu o comando da AD/2 o então General de Brigada Antonio Carlos de Andrada Serpa. Nascido em Barbacena no ano de 1916, o general Serpa teve uma longa carreira no Exército - participou da 2ª Guerra Mundial como capitão, foi adido militar na França e atingiu o mais alto posto da carreira, o de General de Exército, no qual, como chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército (DGP) fez parte do Alto Comando do Exército. 

Filho de militar, teve três irmãos também militares. Um deles, Alípio Napoleão, dois anos mais novo, morreu no afundamento do navio mercante Itagiba, atacado pelo submarino alemão U-507 no litoral da Bahia - o Itagiba transportava para Recife o 7º Grupo de Artilharia de Dorso, unidade onde servia o então 1º Tenente Alípio, que ajudou a salvar seus companheiros de armas e acabou gravemente ferido, atingido pela queda da chaminé do navio sobre a baleeira em que deixava o Itagiba. Foi transferido para outro navio, o Arará, que foi a seguir torpedado pelo mesmo submarino - desta vez, o Tenente não conseguiu se salvar. Luiz Gonzaga, outro irmão chegou ao posto de coronel e outro, José Maria também foi General de Exército, falecendo ainda no serviço ativo quando era chefe do Estado Maior das Forças Armadas, cargo à época de nível ministerial. 

O General Serpa era conhecido como "Serpa Louro", para diferencia-lo de seu irmão José Maria, este o "Serpa Preto". Muito querido por seus subordinados, tinha uma aparência peculiar: muito alto, usava grandes bigodes e costeletas e fumava cigarros de palha. Sempre muito interessado em política, era um ferrenho nacionalista, anticomunista e opunha-se à presença de capitais e costumes estrangeiros no país, acreditando que acabariam minando o Brasil. Era contrário ao alinhamento automático com as posições definidas pelos Estados Unidos. Não escondia suas opiniões, o que acabou lhe custando algumas punições disciplinares e finalmente a chefia do DGP.

Em 1988, seu nome chegou a ser cogitado pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN) para concorrer no pleito presidencial de 1989, mas a agremiação acabou se decidindo por Celso Brandt. Como eleitor, apesar de divergências de cunho ideológico,  Serpa votou em Leonel Brizola no primeiro turno e em Luís Inácio Lula da Silva no segundo turno - as eleições acabaram sendo vencidas por Fernando Collor.

O General Andrada Serpa faleceu em 1996; para encerrar, matéria da revista Veja acerca de sua saida do DGP: 





quarta-feira, 5 de julho de 2017

A PATINAÇÃO E O HÓQUEI JÁ FORAM POPULARES EM NOSSA CIDADE

Em 1932 a patinação era popular em nossa cidade, sendo praticada em "rinques"; dois destes estabelecimentos eram os Rinques Rosário e Ideal; não temos informações sobre a localização desses espaços, mas é razoável acreditar que um deles se situava na Rua do Rosário e o outro onde se instalou depois o Cine Ideal, cuja área foi posteriormente integrada à sede central do Grêmio CP.
Nos rinques, além da patinação a título de lazer eram realizados concursos de patinação, corridas e como descobrimos com surpresa, jogos de hóquei. Naquele ano, como noticiava a Folha da Manhã, existia  ao menos uma equipe de hóquei sobre patins em nossa cidade, o Ideal Hóquei Clube - o jornal noticiou uma partida do time de nossa cidade contra o Vergueiro Hóquei Clube, de São Paulo - os visitantes ganharam por 8 a 6.  


Esse esporte é disputado por times formados por cinco jogadores, sendo um o goleiro - o objetivo É marcar gols batendo na bola com um bastão (o stick) - a bola é de borracha dura, podendo atingir altas velocidades; por essa razão o goleiro usa capacete e proteção corporal. Espanha e Portugal são os países onde o esporte é mais popular. No Brasil, o Sertãozinho Hóquei Clube é o maior ganhador de títulos nacionais: foi campeão 19 vezes. Em 2017, o campeão brasileiro (invicto) foi a  Portuguesa de Desportos - uma das equipes da Lusa está na foto abaixo. Na atualidade, está sendo organizada uma Liga Brasileira de Hóquei.








domingo, 2 de julho de 2017

JUNDIAI E A RETIRADA DA LAGUNA

Soldados brasileiros participantes da Guerra do Paraguai
Em outro post narramos que tropas do Exército que se participariam da Guerra do Paraguai passaram por nossa cidade.

Essas tropas , mais tarde, participaram da Retirada da Laguna, um trágico episódio em que nossas tropas, sem armas, munições e suprimentos e assoladas pelo cólera,  tiveram que retirar-se diante de um inimigo mais forte. Foi um dos mais trágicos episódios de nossa história militar. 

Em 6 de outubro de 1937, a Folha da Manhã noticiava uma cerimônia em homenagem aos participantes da Retirada, inclusive mencionando o assentamento de um marco comemorativo provisório, que seria substituído por um obelisco que seria produzido pelo Prof Sylvio Graziani, um renomado escultor que vivia em nossa cidade.


Seria interessante saber por que o referido obelisco acabou não sendo erigido. Não seria uma boa ideia fazer-se algo agora? 

Como curiosidade, vale registrar que o promotor da homenagem, o então major Amilcar Salgado dos Santos, que terminou sua carreira no Exército como general, era também um historiador, tendo deixado diversos livros.

Também é interessante observar, como narra o artigo, que à época estava aquartelado em Jundiaí o 6º Batalhão de Caçadores; o então 2º Grupo de Artilharia de Dorso (hoje 12º GAC) estava operando na região de Laguna, Santa Catarina; esta, sem qualquer conexão com a Laguna da Retirada, que fica em Mato Grosso. Ali  permaneceu oito meses em missão de pacificação, restabelecendo a autoridade constituída e a unidade nacional ameaçadas por movimentos revolucionários surgidos no sul do País.

O velho quartel do centro da cidade, provavelmente nos anos 1920 (acervo do Prof. Maurício Ferreira)

quinta-feira, 29 de junho de 2017

QUE FRIO!!!

Fala-se muito em fenômenos climáticos, especialmente aquecimento global, tempestades; ouve-se também que teremos um inverno frio – mas dificilmente será tão frio como aquele de 1870.
O jornal “Gazeta de Campinas”, em sua edição de 7 de julho daquele ano, dizia: “Na fazenda do sr. Francisco de Queiroz Telles, municipio de Jundiahy, ficou completamente gelada a agoa de colonia que se continha em um vidro collocado sobre a mesa de uma sala forrada e assoalhada. Finalmente, no Ribeirão, que banha a Villa de Bethlem de Jundiahy (Itatiba), a agoa gelou em a superficie de suas margens, na extensão de cerca de dous palmos por banda.
O mesmo jornal, em sua edição de 10 de agosto de 1884, dizia que “ante-hontem á tarde, entre Louveira e Jundiahy, cahiu uma fortissima chuva de pedras, julgando algumas pessôas ter sido a maior das que alli se tem visto. Pelo trem que aqui chega ás 10,45 da manhã veio nos hontem uma grande porção dessas pedras, notando-se entre elas algumas ainda de tamanho não vulgar. Dizem que naquelle logar havia hontem, ainda, pedras em quantidade tal que podiam-se encher muitos wagons”. A figura ao lado mostra como acontecem as chuvas de pedra.
Para compensar, em seu livro Al Brasile, publicado em Milão em 1889, narrando impressões de viagem pela então Provincia de S.Paulo entre 1885 e 1887, o médico italiano Alfonso Lomonaco disse a respeito de nossa cidade: “além destas vantagens comerciais, recomenda-se pela salubridade dos ares e doçura do clima”.

As palavras do Dottore Lomonaco correspondem à verdade: o clima em nossa cidade é tropical de altitude, apresentando verões quentes e chuvosos e invernos amenos com pouca chuva. A temperatura média anual é de 18 °C, sendo o mês mais frio julho (média de 15 °C) e o mais quente fevereiro (média de 21 °C).


terça-feira, 27 de junho de 2017

REVOLUÇÃO DE 32: JUNDIAÍ BOMBARDEADA PELA AVIAÇÃO



A Revolução de 32 estava em andamento e a  Folha da Manhã de 17 de setembro de 1932 noticiava que um avião da ditadura Vargas bombardeara nossa cidade na manhã do dia anterior. A Folha da Noite de 20 de setembro comentou o assunto.

A notícia foi dada em tom leve, quase de brincadeira - ainda não se pensava nos terríveis efeitos de um bombardeio aéreo, o que só foi possível fazer depois que aviões nazistas praticamente destruíram a cidade espanhola de Guernica em 1937, durante a guerra civil que assolou aquele país - morreram cerca de 400 pessoas. 

O jornal afirma que o avião voava muito alto, como se estivesse tentando reconhecer a área, e que as pessoas saíram às ruas para acompanhar os acontecimentos.

Boeing F-4B4, um dos aviões utilizados pela ditadura Vargas
Ao final, o avião atirou algumas bombas e disparou algumas rajadas de metralhadora, que "molestaram os tomateiros" e arrancaram uma touceira de bambu de uma chácara da região da Ponte de São João, ainda segundo o jornal. 

Não sabemos se se trata do mesmo evento, mas pessoa que vivia em nossa cidade à época, diz que, naquela área da cidade,  uma criança perdeu a mão ao tocar uma bomba que não explodira e fora atirada por um avião getulista. 


FAZENDAS DE JUNDIAÍ NO SÉCULO XIX

Affonso Escragnolle de Taunay (1876-1958), filho do Visconde de Taunay, de quem já falamos neste blog, foi um dos nossos grandes intelectuais: engenheiro de formação, foi historiador, professor da USP, biógrafo, diretor do Museu do Ipiranga - entre suas obras, está a "História do café no Brasil", em onze volumes. Nossa cidade é mencionada nessa obra, com informações bastante interessantes sobre nossa produção de café e açúcar em meados do século XIX, que também já foi objeto de outro de nossos posts; à época, o açúcar ainda era nosso produto mais importante.  

Reproduzimos aqui trechos do terceiro volume de sua obra, dando conta de que tínhamos 64 fazendas de café e 20 destilarias; 298 proprietários rurais e 27 senhores de engenho, com 1.143 escravos. 

A obra relaciona as principais propriedades e seus donos, com o número de escravos que cada um detinha. É interessante notar que o proprietário do maior número de escravos era um plantador de algodão. Pelos nomes das fazendas fica difícil identificar onde ficavam, exceto talvez "Monte Serrate", na atual Itupeva. 






sexta-feira, 23 de junho de 2017

O ESCOTISMO EM JUNDIAÍ

O Escotismo é um movimento educacional que por meio de atividades variadas incentiva os jovens a assumirem seu próprio desenvolvimento, a se envolverem com a comunidade, formando líderes. 

Seus participantes acreditam que, por meio da proatividade e da preocupação com o próximo e com o meio ambiente, pode-se formar jovens engajados em construir um mundo melhor, mais justo e mais fraterno.

Seu lema, "Sempre Alerta", deriva do original em inglês "Be prepared",  criado pelo fundador do movimento, Robert Baden Powell.

Em nossa cidade há vários grupos escoteiros, como o Jundiá e o Curuqui.

Em sua edição de 6 de outubro de 1927 a Folha da Manhã noticiava o crescimento do escotismo em Jundiaí, que teria chegado à nossa cidade em 1922. A imagem ao final do post ilustra a "Lei Escoteira", conjunto de regras que orienta os participantes do movimento.





terça-feira, 20 de junho de 2017

EM 1937 JUNDIAÍ JÁ NÃO ERA UMA CIDADE MUITO PACÍFICA...

O jornal "Correio Paulistano", em sua edição de 24 de janeiro de 1937 trazia duas notícias que nos permitem deduzir que, naquela época, nossa cidade não era muito pacífica.

A primeira delas dizia que, apesar dos seguidos pedidos veiculados pela imprensa, o destacamento policial da cidade seguia sendo muito pequeno, fazendo com que a população passasse a "defender-se com suas próprias mãos", sendo ouvidos, todas as noites "estampidos denunciadores de que os amigos do alheio estão sendo recebidos à bala". Dizia também que a imprensa local registrava assaltos diariamente.

O jornal noticiava também que dois "implacáveis adversários", ao "liquidarem velhas contas", entraram em luta corporal, tendo um deles sido atingido por várias facadas, ficando gravemente ferido. O fato ocorreu no então distante bairro do "Anhangabahu"

Ao que parece, as coisas não mudaram muito nos últimos 80 anos...

sábado, 17 de junho de 2017

1917: ANARQUISTAS EM JUNDIAÍ

De forma bem simplificada, pode-se dizer que o Anarquismo é uma ideologia  que se opõe à todo tipo de hierarquia ou dominação, seja ela política, econômica, social ou cultural. Assim, opõe-se ao Estado, ao capitalismo, às instituições religiosas etc. Pretende uma sociedade libertária baseada na autogestão, cooperação e  ajuda mútua, com os indivíduos podendo associar-se livremente. 

Nasceu na Europa em meados do século XIX; seus partidários tentaram implanta-lo de diversas formas, inclusive com o uso de extrema violência, o que acabou contribuindo para que seja irrelevante na atualidade.




O "Guerra Sociale" era um jornal anarquista publicado em São Paulo no início do século passado - a imagem acima mostra uma edição do mesmo, de cem anos atrás. O jornal era escrito parte em italiano (o anarquismo chegou até aqui principalmente com imigrantes italianos) e parte em português. Na capital existiam outros jornais que seguiam a mesma ideologia,  o "A Plebe" e o "Alba Rossa", de que já falamos neste blog.

O "Guerra Sociale" batia-se violentamente contra o trabalho infantil, que era disseminado à época. Na edição objeto deste post, os editores do jornal pediam aos simpatizantes residentes em nossa cidade e redondezas que denunciassem casos do tipo, mas alertavam que não bastavam informações genéricas, eram necessários mais dados sobre os pequenos trabalhadores, como nome, idade, salário e trabalho executado - dizia o jornal que coletar essas informações era um trabalho enfadonho, mas que apenas assim seria possível combater eficiente esse mal.

A mesma edição do jornal informava que o anarquista Quaglierici informava o nascimento de seu filho, a quem dera o nome de "Comunardo"! A palavra remetia à Comuna de Paris, movimento que levou os anarquistas a governarem aquela cidade durante alguns meses de 1871; o movimento foi esmagado de forma extremamente violenta pelo governo francês. O jornal dizia que o menino era um "bel maschiotto" (belo machinho) e deixava seus votos no sentido de que ele pudesse crescer em uma comuna...







quarta-feira, 14 de junho de 2017

GLÓRIA ROCHA - UMA GRANDE ARTISTA JUNDIAIENSE

A imprensa tem noticiado as dificuldades financeiras que a Prefeitura vem encontrando para concluir a reforma da Sala Glória Rocha, um ponto muito importante para nossa cidade. Dada essa situação, é interessante lembrar quem foi Glória Rocha (1920-1971). 


Nascida em nossa cidade, chamada Glorinha por seus amigos, foi bailarina, professora, diretora, cenógrafa, coreógrafa - enfim dedicou-se intensamente à arte, trazendo-nos belíssimos espetáculos. Nos anos 1940 criou o “Ballet Jundiaiense” composto de jovens e crianças e em 1956 fundou o Instituto de Orientação Artística (IOA), entidade de fundamental importância para o desenvolvimento cultural de nossa cidade.


Uma curiosidade acerca de Glória é que, nos anos 1930, foi eleita Rainha dos Estudantes Jundiaienses, coroada em sessão solene seguida de um grande baile - a foto, dos fins dos anos 1930 ilustrava matéria acerca do assunto, aqui também reproduzida.   



domingo, 11 de junho de 2017

PLANADOR CAI NO 12º GAC


No dia 27 de dezembro de 1970 um planador caiu no quartel do hoje 12º GAC. 

O aparelho ficou bastante danificado, mas o piloto saiu ileso. Segundo o Cel. Benevides, que comandou a unidade, o planador caiu sobre eucaliptos que ficavam no estacionamento situado ao lado do pavilhão de comando do Grupo. 

O planador pertencia ao Clube Politécnico de Planadores, de nossa cidade, fundado em 1934 na capital e hoje com bases em Jundiaí e São Pedro. 

O clube chama-se agora Aeroclube Politécnico de Planadores (www.planadoresjundiai.org.br) e é reconhecido em todo o Brasil pela qualidade de seus cursos de pilotagem. 

Atualmente é um dos mais bem equipados do país com uma frota de 2 rebocadores, 2 motoplanadores treinadores e 8 planadores para treinamento básico, avançado e competição. 

Os visitantes também tem oportunidade de fazer vôos como passageiros nas operações que são realizadas aos finais de semana e feriados, nas duas bases.

Um vídeo mostrando a decolagem de um planador do aeroporto de nossa cidade pose ser visto aqui

Vale relembrar que os planadores decolam rebocados por um avião convencional.



quinta-feira, 8 de junho de 2017

1929: SOLDADO BÊBADO É PRESO

A velha cadeia, provável quartel da Polícia
Segundo a Folha da Manhã, de 12 de fevereiro de 1929, embriagado, o soldado Limiro, do então 2º Grupo de Artilharia de Montanha (hoje 12º GAC) dirigiu-se ao quartel da polícia, provavelmente instalado no prédio da cadeia, no local onde hoje situa-se o fórum. 

Pretendia invadir o dito quartel, mas acabou detido e entregue a uma patrulha do Exército, que o conduziu ao seu quartel, onde foi recolhido ao xadrez por 30 dias. 
O quartel do Exército, onde Limiro ficou preso