quarta-feira, 5 de agosto de 2020

UMA DESCRIÇÃO DA JUNDIAÍ DE 1966

A geógrafa Fany Davidovich publicou na Revista Brasileira de Geografia, edição de outubro-dezembro de 1966, um extenso e detalhado artigo descrevendo nossa cidade.

Um trecho interessante relata que em 1947-1948, dois fatos importantes marcaram a vida da cidade e passaram a orientar as formas de sua expansão espacial: a inauguração da via Anhanguera e a construção do viaduto sobre a linha férrea. 

O espaço urbano ampliou-se: graças ao viaduto, desenvolveu-se o bairro da Ponte São João, até então quase isolado. Ali foram instaladas diversas indústrias e houve o conseqüente aumento de moradias operárias principalmente - ela menciona inclusive a transferência do estádio do Paulista FC para a região. 

Ela diz que partir de 1950 houve uma transformação sensível nos  loteamentos, que buscaram ocupar as partes altas da cidade, destinando-as quase que exclusivamente à função residencial. 

Significativamente, foi abandonado o nome de "vila" para esses loteamentos, substituído geralmente pelo de "jardim".  Citam-se entre outros a Chácara Urbana, o Jardim do Lago, os Jardins Cica, Messina e Bonfiglioli, resultantes de terrenos pertencentes à Cica, o Jardim Ana Maria, Jardim Brasil e Parque do Colégio.

É uma visão diferente de nossa Jundiaí; o artigo pode ser visto na íntegra aqui

As fotos são do acervo do Prof Maurício Ferreira e mostram o Viaduto ainda em construção (1949) e a Via Anhanguera nos anos 1950; aparece a fábrica da Roca, à época ainda chamada Cidamar. 

terça-feira, 28 de julho de 2020

EM 1955 JUNDIAÍ TINHA 11 AGÊNCIAS BANCÁRIAS


Em matéria publicada em 6 de dezembro de 1955, O Estado de S. Paulo dizia que nossa cidade tinha onze agências bancárias, relacvionando-as e mencionando o nome de seus gerentes. 


É interessante que desses bancos resta apenas o Banco Brasil. 

Os mais antigos certamente vão se lembrar de alguns dos gerentes, cujas famílias eram de nossa cidade ou acabaram estabelecendo-se definitivamente em nossa cidade.  

sexta-feira, 24 de julho de 2020

A.A. IPIRANGA E PAULISTA F. C. DISPUTARAM O TORNEIO DA AMIZADE DE 1961

Em sua edição de 25 de março de 1961, o extinto jornal A Folha noticiava a realização de um jogo de futebol entre a também extinta A.A. Ipiranga, de Vila Arens, contra o time de Catanduva. 

O jogo era válido pelo Torneio da Amizade, do qual participava também o Paulista F. C., que folgaria naquela rodada.

O Ipiranga perdeu por 3 x 2, mas o torneio acabou sendo suspenso mais tarde, não se apurando o campeão.  Dos jogos entre os times da cidade, o Paulista ganhou no primeiro turno por 3 x 0 e o Ipiranga devolveu a derrota no segundo turno,  ganhando por 1 x 0.

A matéria dizia que o presidente do Ipiranga era o farmacêutico Lázaro de Almeida, tradicional figura de Vila Arens, conhecido como Arquimedes e que foi vereador em nossa cidade.

O jogo foi transmitido pela Rádio Difusora, que até hoje cobre o futebol de nossa cidade, com o patrocínio do Depósito de Ferro Velho de Egídio e Vicente de Mateus.



domingo, 19 de julho de 2020

O COMÉRCIO DO PASSADO: O CREDI REAL

O Credi Real foi um tradicional estabelecimento comercial de Vila Arens; vendia roupas e enxovais para noivas. 

Segundo anúncio publicado pelo jornal A Folha em 25 de março de 1961, o Credi Real estava instalado à Rua Visconde de Taunay, "próximo à Fábrica de Cadeiras Pelicciari" - outra empresa que desapareceu; a área é ocupada hoje por dois prédios residenciais - ao final do post, foto da fábrica já fechada, esquina das ruas Visconde de Taunay e Zuferey.

Mais tarde, a loja mudou-se para a Rua Dr Olavo Guimarães e em seguida para a Rua Barão de Jundiaí. 



segunda-feira, 13 de julho de 2020

1933: BRIGÕES TROCAM CACETADAS!

No dia 9 de novembro de 1933 a imprensa noticiava um desentendimento entre o carroceiro  Antonio Busanelli e o "chauffer" (motorista, para informação aos mais jovens...) Adelino Duarte.

O fato ocorreu em um lenheiro (também para os mais jovens, depósito de lenha) situado próximo à estação "Jundiahy-Paulista", a Estaçãozinha.

Segundo o jornal Folha da Tarde, que noticiou o fato, o carroceiro agrediu o chauffer com um cacete; o pai desse último foi em defesa do filho, também desferindo uma cacetada no agressor...

Outras pessoas apartaram a briga, que terminou com a instauração de um inquérito policial, cujos desfecho desconhecemos. 


O NÚCLEO COLONIAL BARÃO DE JUNDIAHY


A implantação do Núcleo Colonial Barão de Jundiahy em 1887 marcou de forma profunda nossa cidade, não só pelo fato de trazer o progresso a uma vasta área de Jundiaí, mas também por ter trazido para cá inúmeras famílias que deram à nossa cidade suas características atuais; muitos membros dessas famílias foram ou são figuras proeminentes de nossa cidade - uma dessas  famílias é a Nalini, cuja casa no Núcleo ilustra este post.

Decorridos três anos da implantação do Núcleo, é significativo o que nos dizia o jornal "Cidade de Jundiahy", de 12 de outubro de 1890: "É fora de dúvida que um dos principais focos d'onde emana notável progresso para este municipio, é o núcleo colonial Barão de Jundiahy. . .  A cultura da uva tem alli merecido especial attenção dos colonos, e a safra deste ano promete ser abundantíssima, o que certamente se repetirá nos anos subsequentes, em vista do alargamento das plantações. O plantio de cereaes é da mesma maneira trabalhado com meticuloso zelo, esperando-se enorme colheita para o próximo anno". 

Em apenas três anos de trabalho  os colonos italianos já mostravam os resultados de seu esforço e trabalhos constantes, que dão frutos até os dias atuais.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

NOSSOS VEREADORES ÀS VEZES "SE SUPERAM"


Como se diz em tom de brincadeira, nossos vereadores às vezes "se superam".

O vereador Alberto da Costa apresentou em 1956 uma indicação solicitando verba para a aquisição de um ebulidor elétrico e  assucareiro (sic) para que de duas em duas horas fosse feito um cafezinho a ser servido aos vereadores, mas "não dispensando aquele tradicional café com mistura no intervalo regimental" - deveria ser um lanche...

As razões estavam ao final do ofício, observando que alguns vereadores, "esgotados dos trabalhos intelectuais necessitam reanimação"... 

domingo, 5 de julho de 2020

1933: O CAMPEONATO INTERNO DE BASQUETE DA ESPORTIVA ERA NOTÍCIA NA CAPITAL

A imprensa da Capital noticiava que em 9 de novembro de 1933 acontecera  mais um jogo pelo campeonato interno de basquete da saudosa Esportiva. 

Observando-se o texto, nota-se algumas curiosidades:

- o esporte era chamado "bola ao cesto";

- os times eram chamados "turmas" e levavam o nome daquele que provavelmente era o seu capitão. No caso, jogaram as turmas J. Bocayuva e A. Moraes;

- o placar foi 10 a 7, impensável em um jogo de hoje. 

- para o time vencedor, o jogador Breternitz (Moacyr, que foi diretor da Esportiva) marcou 8 pontos!

Bons tempos!

quarta-feira, 1 de julho de 2020

CARLOS DE SALLES BLOCH, PARTIU PREMATURAMENTE

Carlos de Salles Bloch  nasceu em 1887, em Campinas.

Trabalhou durante muito tempo na Companhia Paulista de Estradas de Ferro e teve uma participação intensa na vida de nossa cidade, em diversos campos. 

Foi um dos fundadores do Grêmio CP (1900),  do Paulista FC (1909) e da Sociedade Jundiaiense de Cultura Artística, em 1932 - era um incentivador das bandas de música de nossa cidade. Ainda na área cultural, colaborava com nossa imprensa.

Bloch havia enviuvado muito cedo, e em 1940, às vésperas de seu segundo casamento, acabou falecendo aos 53 anos. Um convite para  missa de 7º dia em sua memória foi publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo em 21 de abril de 1940.

Hoje, dá nome a uma importante via do bairro do Anhangabaú.









domingo, 28 de junho de 2020

JUNDIAÍ TEVE UM JOCKEY CLUB


Conforme podemos ver pelas imagens deste post, fora fundado em nossa cidade o Jockey-Club Jundiaí.


Por iniciativa do vereador José Pedro Raimundo, a Câmara Municipal enviou seus cumprimentos ao novo clube, que com outra correspondência, agradeceu. 

São poucas as informações que conseguimos levantar acerca da entidade; seu presidente provavelmente era o Professor Arthur Chagas Jr, importante figura de nossa cidade. Nascido em 14/01/1902, em Botucatu, era casado com Anna Pontes Chagas; trabalhou em diversas de nossas escolas, tendo em 1959 sido  nomeado Delegado de Ensino de Jundiaí (hoje Diretor de Ensino), cargo que ocupou até a aposentadoria. Foi vereador entre 1956 e 1959, tendo falecido em  14/05/1984.

O clube localizava-se à Rua Barão de Jundiaí 706, provavelmente no prédio da Galeria Bocchino.

Pela falta de outras menções à entidade, acredita-se que o clube nunca tenha saído do papel.  






terça-feira, 23 de junho de 2020

1957: VEREADORES PEDIAM O CONFINAMENTO DAS PROSTITUTAS

Em 23 de novembro de 1957 a Folha da Manhã trazia informações sobre um assunto que vinha agitando a cidade: as "decaídas" (prostitutas) que faziam ponto no centro da cidade. 

Ao que parece a Polícia fechara as casas em que essas mulheres atendiam aos seus clientes, e elas passaram então a procura-los nas ruas, gerando, segundo o jornal, "cenas degradantes". 

O assunto mobilizara a cidade: após três sessões, com o recinto da Câmara totalmente lotado, a edilidade decidiu solicitar, por ofício dirigido ao Delegado de Polícia, o "confirmamento" (sic) da mulheres - provavelmente o jornal quis dizer "confinamento".

Não sabemos como o assunto evoluiu, mas a cidade parece ter "fervido" na ocasião - e o pior, é que o problema persiste, agravado, entre outros fatores, pelo consumo de drogas. 

Há algum tempo tratamos do assunto em outro post, que tem informações adicionais. 

domingo, 14 de junho de 2020

EM JANEIRO DE 1919 A PANDEMIA CHEGAVA AO FIM

Em 15 de janeiro de 1919 o jornal O Estado de S. Paulo noticiava que empresários de nossa cidade entregavam ao prefeito, o Dr. Olavo Guimarães, mais de quatro contos de réis que haviam sido arrecadados junto a comerciantes - o valor era destinado às vítimas da Gripe Espanhola que grassara também em nossa cidade. 

Consta que, em todo mundo, a doença matou entre 17 e 100 milhões de pessoas; no Brasil, foram 35 mil vítimas, dentre elas o presidente eleito, Rodrigues Alves - a pandemia durou aqui cerca de quatro meses. 


A mesma edição,  dizia que os vicentinos de nossa cidade estavam promovendo uma romaria à capela do Senhor Bom Jesus, no bairro do Caxambu, em ação de graças pelo fim daquela pandemia.  

1938: TRALDI ERA A MAIOR VINÍCOLA DO ESTADO

Em sua edição de 27 de março de 1938, O Estado de S. Paulo" falava da vinícola Traldi: era a maior empresa do ramo em nosso estado, produzira mais de 1,5 milhão de litros, 44% da produção de nossa cidade, em que existiam mais 21 produtores de vinho.

O jornal elogiava os produtos da empresa, que como fazia todos os anos, enviava uma caixa de seus produtos ao jornal...


terça-feira, 9 de junho de 2020

JUNDIAÍ E O TROPEIRISMO

A produção de alimentos  tinha muita importância econômica na Jundiaí do final do século XVIII e nas décadas iniciais do XIX. Milho, açúcar, feijão, carne suína e bovina, além de aguardente, eram os principais produtos de nossa cidade. 

Mas havia outro negócio importante na cidade: o dos transportes. Por aqui passava a “Rota do Goiás”, que saía de São Paulo, atravessava Jundiaí, Campinas, Mogi-Mirim, Mogi-Guaçú, rumando para Franca e daí para Goiás; nessa rota, que foi aberta ao redor de 1725 pelo bandeirante Bartolomeu Bueno, tudo era transportado no lombo de muares, que viajavam em grupos chamados "tropas". 

Essas tropas também transportavam mercadorias de e para o porto de Santos. Havia também um ramal da Rota que seguia para o sul de Minas. 

Muitos jundiaienses exerciam atividades ligadas a esse negócio,   criando, domando, alugando e comerciando animais, organizando e conduzindo tropas, produzindo arreios e fornecendo alimentos aos tropeiros. 

Do interior, as tropas traziam produtos como algodão, toucinho e queijos. A partir de Jundiaí, eram enviados para São Paulo porcos vivos.

O trabalho era duro, e a "estrada" ruim: já em 1822 havia reclamações, inclusive sobre queda de pontes, como dissemos em outro post.

As atividades dos tropeiros foram diminuindo à medida em  que as estradas foram sendo melhoradas e carroções passaram a ser um meio mais eficiente de transporte - antepassados meus tiveram um negócio desse tipo, trazendo café do interior para embarque na ferrovia em Jundiaí, rumo a Santos, que passou a operar em 1867.

À medida em que as ferrovias foram sendo implantadas, as tropas deixaram de existir em nossa região; como curiosidade, ainda vi tropas transportando marmelo para fábricas da Cica em Delfim Moreira e Marmelópolis, no sul de Minas, no início dos anos 1970 - a foto ao lado mostra a fábrica em Delfim Moreira; o prédio pertence à Prefeitura da cidade.

terça-feira, 2 de junho de 2020

LEMBRANDO LOJAS TRADICIONAIS DE NOSSA CIDADE


Em sua edição de 5 de novembro de 1952, O Estado de S. Paulo noticiava a realização de um "chá infantil", cuja renda seria destinada às obras do Asilo Barão do Rio Branco, em construção no bairro do Anhangabaú. 


Em que teria se transformado o Asilo? E a Associação Jundiaiense Damas de Caridade, que promovia o evento, qual sua história?

Muito interessante é a relação das casas comerciais que apoiavam o evento; todas já não existem mais, talvez com exceção da Joalheria Nacional. Um detalhe: existiam pelo menos duas livrarias na cidade - quantas teremos agora?

quinta-feira, 28 de maio de 2020

O CHEFE DA ESTAÇÃO ERA UM TIRANO!



O jornal "Terra Livre" foi fundado em 1905 pelo jornalista Edgard Leuenroth (foto abaixo, 1881-1968).

De cunho anarquista, destacava-se pela crítica  ao poder do Estado, tratando temas como impostos, trabalho infantil, necessidade e a oferta de trabalho, e a farsa e hipocrisia dentro da política da época. O jornal incentivava a organização do movimento operário e buscava inculcar nesse grupo a importância do estudo.


Em sua edição de 12 de abril de 1906, o jornal tecia críticas ao chefe da estação da Cia. Paulista em nossa cidade - à época a empresa ainda usava seu antigo nome; dizia o texto: "O chefe da estação Jundiaí da Companhia Paulista de Vias Férreas é um modelo de tirania, um carcereiro exemplar, e é por isso que a Cia. o estima e ampara. É este pequeno czar que estabelece regulamentos despóticos que pesam sobre os empregados como uma barra de chumbo."


Quem seria o chefe da estação? 

  

domingo, 17 de maio de 2020

A LOJA DO BARATEIRO



Anúncio publicado na edição de 14 de março de 1868 do jornal Diário de S. Paulo informava que na Loja do Barateiro, aqui de nossa cidade, "encontra-se-hão todas a qualidades de fazendas de lei", por preços "mui commodos".

Ficam dúvidas: seriam "fazendas de lei" tecidos de boa qualidade? A Rua Direita era a atual Barão de Jundiaí; o estabelecimento ficava "em frente á cadêa" provavelmente no local hoje ocupado pelo prédio do INSS.

Julio Lyon era o proprietário da loja. Era tetravô de Gean Paes Leme que nos trouxe algumas informações sobre ele: era francês e se casou em 1868 com Leopoldina Maria de Jesus (natural de Campinas). 

Em 1884, residia em Dois Córregos, e havia se casado novamente (Leopoldina morreu nesse meio tempo) com Francisca Pereira de Camargo (natural de Pirassununga) e deve ter vivido por ali até 1889-1900, segundo registros de uma de suas filhas, trisavó de Gean. Julio morreu no Rio de Janeiro em 1912.

A informação sobre a Rua Direita vem de nossa colaboradora Vânia Feitosa Calixtre, que nos lembra também que os nomes antigos das principais ruas do centro de nossa cidade: Rua do Meio (Rua do Rosário), Rua Nova (Senador Fonseca) e Rua Boa Vista (Zacarias de Góes).

domingo, 10 de maio de 2020

ANTENOR SOARES GANDRA - EXEMPLO DE HOMEM PÚBLICO

Antenor Soares Gandra nasceu em 10 de fevereiro de 1891. Seus pais eram os proprietários da Fazenda Santa Fé, no distrito da Rocinha, que fez parte de Jundiaí até 1948 quando se emancipou e se transformou no município de Vinhedo. 

Ele se destaca na história da cidade por ter sido, além de prefeito, médico e um cidadão muito atuante. 

Formou-se em medicina no Rio de Janeiro em 1914 e veio trabalhar em nossa cidade; em  1916 casou-se com  Maria Celeste Ribeiro Gandra - tiveram quatro filhos, todos nascidos em Jundiaí.

Como médico, prestou relevantes serviços a Jundiaí, tendo exercido inúmeros cargos, dentre os quais a Chefia do Serviço Sanitário Municipal, onde se destacou pelas prontas medidas adotadas na luta contra a Gripe Espanhola, epidemia que assolou o município e o mundo em 1918/1919.


Participou da Revolução Constitucionalista de 1932, da qual foi um dos líderes em nossa cidade - é o soldado ajoelhado, à esquerda.

Teve  grande projeção no cenário político, tendo exercido o cargo de prefeito por duas vezes, nos anos 1930, com grandes realizações. Deixando a prefeitura, foi eleito deputado estadual, continuando a trabalhar por nossa cidade. 

Em 1936 transferiu sua residência para São Paulo, tendo ajudado a criar e trabalhado no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina.

Faleceu na capital em 18 de maio de 1946, aos 55 anos, tendo sido sepultado no Cemitério São Paulo.

Em Jundiaí, como homenagem a esse importante personagem, seu nome é dado à Escola Estadual Dr. Antenor Soares Gandra, uma das mais tradicionais de nossa cidade. 




domingo, 3 de maio de 2020

A BOA SEMENTE PROMOVIA O NATAL DAS CRIANÇAS CARENTES

A Boa Semente foi uma entidade beneficente de nossa cidade, criada por ex-alunos e pais de alunos de duas escolas tradicionais de nossa cidade,  a Escola Paroquial Francisco Telles e o então Ginásio São Vicente.

Fundada ao redor de 1960, tinha como objetivo dar presentes de Natal às crianças carentes. A entrega era feita num final de semana próximo ao Natal, nas dependências do então Parque Infantil, hoje Terminal Central - centenas, talvez milhares de crianças eram beneficiadas. A foto acima mostra o prédio do Parque Infantil.

Os recursos financeiros necessários vinham das contribuições dos sócios e de uma pequena verba da Prefeitura. 

A única atividade destinada aos sócios era um piquenique anual, realizado no dia 1º de maio, na Fazenda Nova Era, da família Tonolli. Ônibus fretados faziam o transporte dos que não tinham carros.

O dia começava com o canto do hino nacional e hasteamento da bandeira do Brasil em frente à escola da fazenda.

Eram tempos muito diferentes: havia corrida de saco,  futebol entre casados e solteiros e gincana para os adolescentes. Muito jogavam baralho, outros tocavam violão e cantavam - sanfoneiro e violeiros também compareciam.

Havia bicicletas que podiam ser alugadas para passeios pela fazenda. Visitar o alambique também era parte do programa, assim como admirar o engenhoso relógio feito com peças de bicicleta que adornava o terreiro. 

Como ignoramos a existência de registros sobre a entidade, durante muito anos dirigida pelo saudoso Cláudio Zambon Clemente, lembramos aqui apenas alguns de seus dirigentes, a maioria dos quais não está mais entre nós: Arlindo Panssonatto, David Scabin, Mário Franchi, Pedro Risso e Segismundo Breternitz. 

Como neste ano a pandemia impediu passeios, finalizamos este post com um piquenique que fizemos no 1º de maio, em nossa casa...






quarta-feira, 29 de abril de 2020

ABRIL DE 1942: JAPONESES PRESOS EM JUNDIAÍ


No dia 28 de janeiro de 1942 o Brasil rompeu relações com o Japão, em função da 2ª Guerra Mundial; em 31 de agosto daquele ano, foi declarada guerra entre os dois países. 


Mas já antes dessa data a polícia vigiava cidadãos japoneses, tendo a Folha da Manhã, em sua edição de 25 de abril de 1942 noticiado que pessoas foram detidas em Jundiaí, em função de terem em seu poder material proibido, como armas, munições, rádios e outros "elementos comprometedores". 

Na mesma ocasião a "polícia agiu" (?) contra integralistas, pessoas que eram vinculadas a esse movimento político, chamado também de Sigma, que eram oposição ao governo e eram simpáticos aos países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão), que em breve estariam em guerra contra o Brasil.




terça-feira, 21 de abril de 2020

VULCABRÁS: UMA GRANDE EMPRESA QUE ESTEVE ENTRE NÓS


Em 1973, a Vulcabrás inaugurava seus novos escritórios. 


A empresa foi fundada em São Paulo no ano de 1952, produzindo calçados de couro com sola de borracha vulcanizada - era o “752”, um ícone, que teve, entre outros, Paulo Maluf como garoto propaganda, como pode ser visto neste vídeo de 1989

Pouco mais tarde, a fábrica foi transferida para nossa cidade, fabricando outros produtos, como botas de borracha e calçados de PVC. 


No ano de 1973, a Vulcabrás ingressa no segmento de marcas esportivas internacionais, tornando-se nos anos seguintes licenciada para produção e comercialização exclusiva no Brasil de diversas marcas, tais como Adidas, Puma, Le Coq Sportif, Lotto, Reebok e outras; anteriormente, esses produtos eram importados. 


Nos anos 1980, a empresa cresceu por meio da aquisição de outras fábricas do ramo,  localizadas principalmente na cidade de Franca, um importante polo calçadista. Em 1988 os irmãos Pedro e Alexandre Grendene Bartele adquirem o controle da Vulcabrás; sua família já atuava na área. 

Nos anos 1990, buscando reduzir custos utilizando mão de obra mais barata e aproveitar programas governamentais de incentivo, a empresa transfere suas operações industriais para o Nordeste, praticamente deixando Jundiaí. Essas medidas não foram suficientes para evitar sucessivas crises, que foram enfrentadas, principalmente, com grandes cortes de pessoal. 

Na atualidade, ainda detendo um grande portfólio de marcas, a empresa parece estar em situação melhor.

Uma curiosidade na nota que anunciava a inauguração dos escritórios: Roberto Mangieri não era engenheiro, e sim advogado. 






sexta-feira, 17 de abril de 2020

ENCERRAM-SE 105 ANOS DE TRADIÇÃO: RESTAURANTE DADÁ FECHA AS PORTAS



Em 1915, Abílio Ferreira, um imigrante português, fundou em Jundiaí a Padaria e Confeitaria São Sebastião, que tinha como endereço  o número 67 da Praça da Independência (hoje Praça Governador Pedro de Toledo); seu telefone, 111.

Era um estabelecimento requintado, como se pode ver no anúncio abaixo: produtos importados e coisas que a maior parte da população não consumia regularmente.

Na década de 1950, seus filhos transformaram o estabelecimento em um bar e restaurante, chamado Dadá, apelido de Eduardo, filho caçula de Abílio. Continuou a ser um ponto elegante da cidade: além das refeições, muita gente ali se encontrava para o aperitivo do final da manhã ou início da tarde, pessoas lanchavam ao sair da Missa na Catedral, jovens tomavam seus milk shakes e banana splits depois do cinema - enfim era um local para toda a família. Eduardo administrou o restaurante até o ano de 2010, quando faleceu.

Mas agora, o Dadá fecha as portas. Vinha operando, e bem: basta procurar avaliações nas redes sociais, quase todas muito positivas. O local continuava o mesmo, mas a designação do endereço mudou: agora é Rua do Rosário 277.

Ao final deste post, uma foto do fundador com o furgão da Padaria; essa foto, como as demais deste post, são do acervo do Prof. Maurício Ferreira.



   


    quinta-feira, 16 de abril de 2020

    O CINE IPIRANGA


    Em novembro de 1952, O Estado de S. Paulo noticiava a inauguração do Cine Ipiranga.

    A matéria dizia que o Ipiranga equiparava-se aos melhores cinemas de S. Paulo em termos de conforto. Quem o conheceu, sabe que isso era verdade, com suas poltronas verdes. 

    Chamava a atenção também pelo seu mezanino e pelos seus funcionários uniformizados, também em verde (foto abaixo).

    O Ipiranga fechou em 1996; nunca mais Jundiaí teve um cinema do mesmo padrão. 


    quarta-feira, 8 de abril de 2020

    REGRAS PARA O CARNAVAL DE 1940

    A Delegacia de Polícia de nossa cidade, conforme determinação da Chefatura de Polícia, que tinha jurisdição sobre todo nosso estado, fixou regras para o carnaval de 1940:


    Alguns pontos eram interessantes:  estandartes e  letras das músicas seriam submetidas à censura, fantasias de "maltrapilhos" não seriam permitidas e, em termos de bebidas alcoólicas, somente seria permitida a venda de chopp, cerveja e champanhe (!). Nos hotéis e restaurantes, vinho poderia ser servido às refeições. 

    quinta-feira, 2 de abril de 2020

    EM 1919 "A CIGARRA" TRAZIA NOTÍCIAS DE JUNDIAÍ

    A Cigarra foi uma revista publicada na cidade de São Paulo entre 1914 e 1975. Era voltada mais para o sexo feminino, com discurso elitista e pomposo.


    Entre seus colaboradores estiveram Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Paulo Setúbal e outros. A partir de 1924, passou a ser editada pela empresa que  editava a revista O Cruzeiro.


    Em sua edição de 1º de março de 1919 noticiava a realização de manobras do Exército em nossa cidade, na região de Itupeva, publicando fotos dos exercícios de campo e depois uma foto de um evento social realizado após a manobra, reunindo "distinctas famílias de Jundiahy" e militares.

    Onde ficaria a casa que aparece na foto?