segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

THOMAS ARCHIBALD SCOTT - UM ESCOCÊS JUNDIAIENSE


Thomas Archibald Scott nasceu em Dundee, Escócia, em 20/10/1865 - outras informações dão conta que sua cidade natal seria Glasgow, também na Escócia. 

Veio para o Brasil no final do século XIX, contratado para trabalhar para a companhia Paulista de Estradas de Ferro em Campinas. Praticante do futebol em sua terra natal, trouxe o esporte para o Brasil, tendo contribuído para a fundação, em 1900, da Ponte Preta de Campinas, o mais antigo clube de futebol do Brasil.

Em 1902, em função da epidemia de febre amarela que assolou Campinas, a Paulista transferiu suas oficinas e administração para Jundiaí, ocasião em que Scott se radicou em nossa cidade, atuando como contramestre (uma espécie de gerente) das oficinas. Já tinha ligações por aqui, tendo em 1900 sido um dos fundadores do Grêmio CP. 

Em nossa cidade, foi um dos fundadores do primeiro time de futebol de nossa cidade, o Jundiahy Football Club, que durou pouco tempo; mas Scott, fã do esporte, ajudou a fundar o Paulista em 1909, tendo sido membro de sua primeira diretoria. 

Era casado com  Helen Cowie Scott e tiveram 8 filhos, sendo 7 homens - a filha chamava-se Nelly. Faleceu em 5 de fevereiro de 1913; ele e a esposa, que faleceu em 1914, estão sepultados na quadra 10 do  cemitério NS. do Desterro, onde o túmulo chama a atenção por ter inscrições em inglês (foto ao lado). 

Scott provavelmente morou no prédio que mais tarde foi adquirido pelo Lar Anália Franco, situado na esquina das ruas Prudente de Moraes e Siqueira de Moraes (à época, 30 de outubro), bem próximo às oficinas da Paulista, onde Scott trabalhava. O que se sabe com certeza é que o imóvel, hoje demolido e cuja foto está ao lado, foi vendido por seus herdeiros ao Anália Franco.

Ema curiosidade sobre Scott: em maio de 1906 houve uma greve de ferroviários da Paulista. Um trem especial circulou entre Jundiaí e Campinas; os maquinistas eram o estudante de engenharia Luiz Prado, filho do Conselheiro Antonio Prado, dirigente da ferrovia e Scott. Entre outras peripécias, o trem teve dificuldades em uma subida, pois os grevistas haviam passado sabão nos trilhos!

Sem dúvida, temos um grande dívida com Scott, pois três tradicionais clubes, que continuam em atividade, foram frutos de seu trabalho: a Ponte Preta, o Grêmio CP e o Paulista.

Será que ele não mereceria ao menos ter seu nome dado a uma rua de nossa cidade?





OUTRA EMPRESA DO PASSADO: A FÁBRICA DE CAMAS BAVIERA



A Folha da Manhã de 24 de janeiro de 1937 trazia um anúncio da Fábrica de Camas Baviera, uma empresa de nossa cidade que dizia ser "um orgulho da indústria jundiahyense".

As camas da época eram bastante diferentes das atuais, não só em visual como em estrutura, como podemos ver na foto. O "enchergão" de arame hoje foi substituído por um estrado, graças aos colchões modernos os antigos eram de crina (de cavalo ou vegetal) ou palha, necessitando de uma base mais flexível para ficarem mais confortáveis. 

O anúncio chamava a atenção para as qualidades do produto: "qualidade", "elegância", "perfeição" e "conforto" eram os termos utilizados.

Há informações dando conta de  que a fábrica se localizava à Rua Eng. Monlevade 13 - como essa rua faz esquina com a Dr. Cavalcanti, é possível que o prédio fosse o mesmo; a numeração atual é diferente. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

1966: A CICA INAUGURAVA SUA QUADRA DE ESPORTES

Em meados de 1966, a CICA inaugurou uma quadra de esportes, destinada ao lazer de seus funcionários. 

A quadra ocupava um terreno onde hoje se localiza um supermercado (Paulistão); a área pertenceu antes à família Righi e se estendia desde o início da Rua Cica, pelo lado direito de quem vai do centro para o bairro, até aproximadamente onde se localiza outro supermercado (Russi). A área da quadra é assinalada em vermelho na ilustração acima. 

O vereador Benedito Elias de Almeida propôs à Câmara voto de congratulações à empresa, que respondeu com a carta cuja imagem está abaixo - era assinada por Clodoaldo Françoso, executivo da empresa.


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

1940: MULHER MORTA PELO MARIDO NO MATO DENTRO





O jornal O Estado de S. Paulo, em sua edição de 15 de setembro de 1940 noticiava um crime de morte acontecido em nossa cidade. 

No domingo anterior, algumas pessoas que estavam caçando veados passaram pela estrada que liga nossa cidade a Itatiba, na altura do bairro Mato Dentro, quando depararam-se com o cadáver de uma mulher, ao lado do qual encontraram uma faca e respectiva bainha. 

As suspeitas recaíram sobre o marido da vítima, João Qualho que alguns dias antes queixara-se à Polícia do desaparecimento de sua esposa, Thereza Qualho. Interrogado, João disse nada saber, mas confrontado com o fato de ter dito ao sogro, que perguntara pela filha, que "ela devia, àquela hora, estar sendo devorada pelos urubus", acabou confessando, justificando tela matado porque a mesma "não procedia corretamente"... 

Curiosamente, a autópsia concluiu que Thereza fora morta por esganadura...





sábado, 20 de janeiro de 2018

A EDIÇÃO DE 9 DE MARÇO DE 1950 DO JORNAL "A COMARCA"


O Professor Maurício Ferreira, em sua página do Facebook, publicou recentemente um interessante post, falando do jornal jundiaiense "A Comarca", que foi fundado em 1926, e que teve teve à sua frente, durante muito tempo, João Batista de Figueiredo, que foi também professor e advogado. O Jornal tinha sede à Rua do Rosário (o local hoje é referenciado  hoje como Praça Governador Pedro de Toledo), próximo à Catedral, e sua gráfica oferecia também serviços de impressão de formulários, folhetos etc.

O post mostra partes da edição de 9 de março de 1950, e nos permite conhecer coisas interessantes de nossa cidade, como anúncios buscando empregados, profissionais liberais (médico e engenheiro) oferecendo seus trabalhos, imóveis e até mesmo um da Funerária Bonifácio, que prometia "serviço completo, rápido e barato"! 



Consideramos o anúncio mais interessante, por razões pessoais,  o de venda de uma chácara  situada na Rua Cica, com fundos para o Rio Guapeva. Não temos ideia de onde se localizava o imóvel, mas certamente ficava entre a Rua São Luís (final do prédio da CICA/Telhanorte) e o final da rua, onde hoje fica a Delegacia de Polícia, do lado esquerdo da rua no sentido de quem vai para a Vila Rami. Vale lembrar que o rio não seguia seu traçado atual, praticamente reto - tinha muitas curvas, e em linhas gerais passava mais perto da Rua Cica do que na atualidade, o que dificulta a localização do imovel. Gostaríamos muito de ter informações adicionais a respeito da chácara. 

Encerra-se este post com mais alguns dos anúncios publicados naquela edição do jornal.





quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

2 DE FEVEREIRO DE 1949: UMA QUASE TRAGÉDIA NO TÚNEL DE BOTUJURU


A Folha da Noite noticiava que na tarde de 2 de fevereiro de 1949 por muito pouco não ocorreu uma tragédia: um trem de passageiros, que vinha de São Paulo para Jundiaí com cerca de 600 passageiros, parou dentro do túnel de Botujuru, por problemas técnicos. 

Locomotiva similar à que tracionava o trem
O trem era tracionado por uma locomotiva diesel, e a fumaça asfixiante gerada pela máquina encheu o túnel, o que junto com a escuridão, levou os passageiros ao pânico.

A ação rápida e decidida do  guarda-trem acalmou os passageiros, e apenas alguns sofreram leves escoriações ao movimentarem-se dentro do trem. Cerca de 15 minutos depois a locomotiva voltou a mover-se e a fumaça se dissipou quando o trem deixou o túnel. 

Vale lembrar que o túnel já foi cenário de diversos casos interessantes, que abordamos em outros posts, como o do passageiro que caiu de um trem que passava pelo túnel e sofreu apenas escoriações,  do fantasma de um encarregado de obras do túnel que foi assassinado na área e de um massacre ocorrido na região

Na foto abaixo, um trem (litorina) entrando no túnel.


domingo, 14 de janeiro de 2018

1951: SURGIAM AS VILAS DE VECCHI E SÃO PAULO

Em 1951 estava sendo loteada a área que hoje compõe as vilas De Vecchi e São Paulo. 

A área fazia parte da antiga Fazenda Progresso, de que tratamos em post anterior. Essa fazenda pertencera a  Arthur De Vecchi, que nasceu na Itália em 1868 e chegou ao Brasil em 1908, depois de ter vivido alguns anos na Argentina. Ao chegar, instalou-se   no município de Campos, no estado do Rio de Janeiro, onde adquiriu uma usina de açúcar. Transferiu-se posteriormente para Jundiaí, instalando-se em um sítio no bairro da Toca em 1913; ali plantava uvas. 

Em 1918, adquiriu a Fazenda Progresso, próximo à Vila Arens (essa fazenda transformou-se mais tarde na Vila Progresso, partes da qual são as Vilas S. Paulo e De Vecchi), implantando ali, a maior cultura vitícola do país: 360.000 videiras da variedade Seibel 2, numa área de 100 hectares. Era uma propriedade modelar: ali atuava um engenheiro agrônomo (G. Cunha), aplicava-se fertilizantes químicos e eram utilizados equipamentos mecanizados. 

Em 1920, fundou o Estabelecimento Enológico De Vecchi, transformado mais tarde na Companhia Viti-Vinícola Paulista S.A. (1928). A empresa funcionava à avenida Dr. Cavalcanti, ao lado direito de quem vai para o centro da cidade, pouco antes do prédio hoje ocupado pela Receita Federal (ao lado esquerdo da rua). No prédio, hoje demolido, funcionaram a fábrica de refrigerantes Ferraspari e a indústria de bebidas Caldas. 

O anúncio fazia menção a um Estádio Municipal - o que acabou sendo construído  ali foi o estádio da Associação Primavera de Esportes. Há também um exagero: a área não fica a mil metros do centro da cidade, mas pelo menos a quatro mil! Propaganda enganosa sempre existiu...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

1944: UM CONCURSO PÚBLICO PARA "ESCRITURÁRIO-DATILÓGRAFO"

A Folha da Manhã anunciava em 30 de agosto de 1944 a realização de um concurso para o provimento de cargos de "escriturário-datilógrafo" para a Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários da Cia. Paulista, que fora fundada em 1923. Era "um senhor emprego" para os padrões da época.

Algumas curiosidades: os candidatos deveriam levar caneta-tinteiro ou lápis-tinta; textos escritos com esses lápis não podiam ser apagados, o que ocorria também com o que era colocado no papel com canetas tinteiro. 

Havia prova de datilografia; os candidatos podiam optar por levar suas próprias máquinas de escrever, que deviam ter seus tipos limpos e com fita preta; para garantir o sigilo das provas, não podiam ter "tipos góticos, itálicos ou outros que despertem atenção e prejudiquem o sigilo da prova".

Toda essa tecnologia, já não é mais usada, com exceção das canetas tinteiro, ainda objeto da atenção de alguns saudosistas...


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

1969 - NOSSO AEROCLUBE RECEBIA UM NOVO AVIÃO

Cherokee similar ao recebido pelo Aeroclube
Em fevereiro de 1969, nosso Aeroclube recebeu um novo avião, um Cherokee PA-28-149, que recebeu o prefixo PT-AKK.

A série PA-28, é produzida desde 1961 pela Piper Aircraft; mais de 33 mil exemplares já foram produzidos, o que faz dela uma das aeronaves de maior sucesso em todo o mundo; inovações tecnológicas são constantemente incorporadas à linha. 

O PT-AKK teve um fim triste: caiu em Santa Cruz do Rio Pardo em 29 de maio de 1983, ao que parece por falha do piloto, que não teria levado em conta problema técnico que o avião apresentara após colidir com uma rede elétrica. Ao que consta não mais pertencia ao nosso Aeroclube.


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

TENENTE LEONARD HAMMOND: MAIS UM JUNDIAIENSE MORTO NA 1ª GUERRA MUNDIAL

O Tenente Leonard Hammond
Já falamos sobre  Walter John Hammond, um inglês que viveu em nossa cidade trabalhando para a Cia. Paulista e que teve dois filhos nascidos aqui, mortos na 1ª Guerra Mundial lutando pelo exército inglês. 

Um deles foi o Capitão Paul Hammond, o outro, o Tenente Leonard Hammond,  que morreu em Demuin, no Somme, França, em 5 de julho de 1916, aos 27 anos. Leonard pertencia ao 10º Batalhão do Duke of Wellington's Regiment (West Riding Regiment). Seu corpo está sepultado no Cemitério Militar de Becourt, não longe de onde morreu, durante a batalha de Albert, a primeira das batalhas do Somme. 

Leonard estudou na Inglaterra na  Tonbridge School (onde se destacou jogando críquete) e posteriormente na Universidade de Louvain, na Bélgica.

Havia um terceiro militar na família, mais jovem que Paul e Leonard, que como Capitão também lutava na França. Após a morte dos mais velhos, foi transferido de volta para a Inglaterra, onde serviu até o final da guerra. Este irmão mais novo estudou na Universidade de Westminster, onde se destacou como jogador de futebol - era zagueiro.  

domingo, 24 de dezembro de 2017

REVOLUÇÃO DE 1932: RADIOTRANSMISSOR APREENDIDO E PROPRIETÁRIO PRESO

A Electro Metallica era uma indústria mecânica de nossa cidade, fundada em 1913. Situava-se na Rua Barão de Jundiaí nº 1 - na atualidade é difícil conceber uma indústria desse tipo na principal rua de nossa cidade - o anúncio ao lado é de 1936 - a empresa localizava-se onde hoje fica a EE Dr. Antenor Soares Gandra, a "Industrial". 

Seu proprietário envolveu-se em um episódio da Revolução de 1932: a Folha da Manhã de 23 de setembro daquele ano anunciava a apreensão de um aparelho radiotransmissor pertencente a Alberto Klovrza, filho do engenheiro José Klovrza, proprietário da empresa.  Em épocas de conflito, equipamentos como este são vistos como de uso de espiões, o que redundou na apreensão do rádio e prisão de Alberto.

Os combates terminaram em 2 de outubro, mas a manchete daquele jornal, 9 dias antes, eram francamente otimistas do ponto de vista dos revolucionários - mais uma vez, justifica-se o ditado: na guerra, a primeira vítima é a verdade... 

Não temos informações acerca da evolução dos fatos, mas consta que em 1945 Alberto Klovrza, "de nacionalidade tcheca nascido na Alemanha em 12 de Abril de 1911", obteve a cidadania brasileira - constam como seus pais José Klovrza e Maria Olga Klovrza.

Em 6 de abril de 1941, a imprensa da capital noticiava que Klovrza doara à Prefeitura uma área de terreno destinada "à abertura de uma nova rua que porá a rua Barão de Jundiahy em comunicação com a rua Major Sucupira, em frente ao "belvedere" - esse belvedere (mirante) é o alto do Escadão e a nova rua, situada entre a escola e a Pinacoteca, tem o nome de Roma.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

VEREADOR QUERIA DEMOLIR O SOLAR DO BARÃO

O Solar do Barão é uma das jóias de nossa cidade - uma das poucas construções antigas que sobreviveu à sanha de "modernização" da  cidade. 

O casarão foi  construído na década de 1860, era a residência da família Queiroz Telles, fazendeiros e políticos. É uma construção típica de sua época, tendo ainda um belo jardim; o complexo, na atualidade,  sedia o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí.

Mais o prédio correu riscos: em requerimento datado de 12 de fevereiro de 1969 o então vereador Reinaldo Ferraz de Barros Basile manifestava-se de forma clara sua opinião de que o prédio deveria ser demolido, com uma rua sendo construída na área ocupada por ele, "modernizando" a cidade - um trecho do requerimento aparece ao final deste post - para conhece-lo na íntegra, basta ir ao link acima. Felizmente o vereador não conseguiu fazer suas idéias irem à frente. 




sábado, 16 de dezembro de 2017

MADAME CARLETTI ATENDIA AS ELEGANTES DE JUNDIAHY

Um anúncio na Folha da Manhã de 29 de julho de 1934 informava às elegantes de nossa cidade que a casa de Modas de Madame Maria Carletti estava à disposição na rua Barão 80, telefone 297. 

Os anúncios antigos trazem informações interessantes: este, falava em "luto em 24 horas" - na época, quando um parente próximo morria, as mulheres usavam roupas pretas durante um certo período. Falava também em "machinas de point-ajour" e plissée", coisas de que não temos certeza do que são.

Na mesma edição, as elegantes da cidade eram informadas que no dia seguinte começaria mais uma  Liquidação Semestral do Mappin, oferecendo, entre outras coisas "pelles e manteaux" em centenas de modelos, sem repetições (mulheres odeiam encontrar outras com roupas iguais...).


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

EXPULSÃO DE CIGANOS - SEMPRE UM POVO PERSEGUIDO

Em sua edição de 21 de fevereiro de 1932. a Folha da Manhã noticiava que um grupo de ciganos havia acampado no Largo de Santa Cruz e que as mulheres do grupo andavam pelas ruas da cidade "tirando sortes".

Pressionados pela Polícia acabaram instalando-se em uma casa da Rua Adolpho Gordo, hoje Zacarias de Góes, e segundo o jornal "trazendo "appreensões à população".

Na época, a presença de ciganos era associada a golpes como a venda de jóias falsas, furtos de cavalos e em residências e outros delitos do tipo. 

Nos anos 1950, era comum ciganos acamparem na região pela qual passa hoje a Av. 14 de Dezembro - as mães na época recomendavam às crianças que não saíssem de casa, pois "ciganos roubavam crianças" - e seguíamos essa recomendação à risca...

domingo, 10 de dezembro de 2017

AUMENTO DE IMPOSTOS? NENHUMA NOVIDADE

Nesses dias em que se fala de um aumento do IPTU de "apenas" 25%, vale lembrar que isso não é nenhuma novidade: em 1868 Joaquim Saldanha Marinho, "comendador da Ordem de Cristo e presidente  da província de S. Paulo, etc., etc., etc" decretava, a pedido de nossa Câmara Municipal, aumento de impostos para nossa cidade. Os produtores de café e açúcar pagariam 20 réis por arroba e os advogados, médicos e cambistas pagariam anualmente 10 mil réis. 

Mas como sempre dizem as autoridades, o fim era nobre: os valores seriam utilizados para a construção de um cemitério e de um chafariz. 

Restam algumas perguntas:

1. O que seria o "etc., etc., etc" nos títulos do Presidente da Província (foto ao lado)?

2. O que significaria a palavra "cambista" naquela época?

3. Será que o cemitério e o chafariz foram construídos?

4. Quando será que esses impostos foram suprimidos, se é que o foram?  

Mais uma vez a Bíblia está certa:  nihil novi sub sole (não há nada de novo sob o sol), como está em Eclesiastes, 1, 10...

GRANDES FIGURAS DO RADIO JUNDIAIENSE

É sempre bom relembrar grandes figuras do rádio jundiaiense.  Em agosto de 1973, o vereador José Sílvio Bonassi propunha um voto de congratulações a três dessas figuras: Cícero Henrique, advogado que continua atuando na Rádio Cidade e dois radialistas já falecidos: Hélio Luiz Lorencini (advogado) e José Roberto Reynaldo, (policial militar), ambos falecidos prematuramente.

O vereador destacava o programa "Enquete da Semana", que trazia a opinião de pessoas do povo acerca de temas de interesse da cidade. 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

O VOLEI NA ESPORTIVA: SÓ SAUDADE

A velha e querida Associação Esportiva Jundiaense vive hoje praticamente apenas na memória daqueles que de uma forma ou outra foram ligados a ela - de uma forma mais concreta, ainda reúne alguns veteranos em peladas jogadas em sua sede de campo; a sede do centro é hoje um conjunto de edifícios residenciais.

Mas nem sempre foi assim: em 1958 ganhou em Caçapava o troféu Bandeirantes, à época um certame muito importante, nas modalidades de voleibol masculino e feminino - o então vereador Omair Zomingnani propôs à Câmara um voto de louvor ao clube.

O volêi sempre foi importante na Esportiva: em sua edição de 14 de maio de 1937, o jornal “Folha da Manhã”, de São Paulo, noticiava a realização do campeonato de voleibol (o esporte era chamado “volebol”) da Esportiva, com as escalações das equipes, que eram chamadas “turmas” – membros de tradicionais famílias de nossa cidade ali aparecem, como mostra o recorte abaixo:


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

PAUL HAMMOND, UM JUNDIAIENSE QUE MORREU NA 1ª GUERRA MUNDIAL

Paul Hammond nasceu em Jundiaí em 28 de outubro de 1884 e morreu na França, durante a primeira batalha do Somme, em 25 de fevereiro de 1916. As batalhas do Somme  foram das mais sangrentas da Primeira Guerra Mundial: mais de 1,2 milhões de mortos e feridos! 

Hammond era filho de Walter John e Lucy Hammond;  seu pai era um engenheiro inglês que trabalhava para a Cia. Paulista de Estradas de Ferro.

Hammond estudou engenharia de minas  na Universidade de Freiberg, na Alemanha. Formado em 1907,  trabalhou na área no Uruguai e nos estados de São Paulo e Bahia, após o que voltou a Londres e passou a atuar como consultor na área de mineração.

Juntou-se ao exército inglês tão logo a guerra começou, atingindo o posto de capitão e ao morrer atuava como "acting major" (um capitão que ocupa temporariamente o posto de major), quando em 17 de fevereiro de 1916, na área de Foncquevillers, foi atingido na coxa por uma bala perdida, no momento em que deixava uma trincheira. Comandava uma companhia do 8º Batalhão do East Lancashire Regiment.

A bala causou uma fratura exposta no osso de sua coxa; foi operado, mas contraiu pneumonia, vindo a falecer. Foi sepultado no cemitério de Étretat, próximo ao local onde foi ferido. Sua morte foi profundamente lamentada por seus companheiros de armas, tendo recebido elogios de Sir Douglas Haig, que comandava as tropas inglesas na França.

Para adicionar ainda mais tristeza, seu irmão Leonard, tenente do exército inglês, também foi morto em ação no dia 5 julho daquele ano. Havia um terceiro irmão, também capitão que lutava na França e que após a morte de Leonard, foi transferido para a Inglaterra, assumindo funções na retaguarda. 

O triste fim dos irmãos certamente acelerou a morte do pai, que aconteceu em agosto do mesmo ano.  Um monumento homenageia os irmãos e outros mortos na guerra que viveram em Knockholt, onde residiam seus pais.