segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O FOOTING E O CINEMA EM NOSSA CIDADE





A partir talvez dos anos 1920 - e até talvez os anos 1960 - paquerar (será que essa palavra ainda existe?) era sinônimo de caminhar pelas ruas e, claro, flertar (será que isso ainda existe?) quando possível - isso era chamado "footing". 

O "footing", que vem do inglês 'ir a pé', acontecia principalmente nas cidades menores - as garotas colocavam suas melhores roupas  e saíam para caminhar com um objetivo claro: serem observadas pelos rapazes, igualmente bem arrumados, que tinham como objetivo, observar as meninas...

Aqui em Jundiaí, isso acontecia aos sábados e domingos, principalmente na área próxima aos cinemas do centro, nas ruas Barão de Jundiaí e Rosário e na praça Governador Pedro de Toledo - a ideia era que as meninas caminhassem e os rapazes ficassem parados; inúmeros namoros e casamentos começaram no "footing". Nos anos 1950, nossa Prefeitura interditava o trecho da Rua Barão entre a praça e a rua da Padroeira, local onde o "footing" era mais intenso. 

Em 1958, o vereador Nelson Chacra pedia que a Prefeitura levantasse essa interdição nos dias chuvosos, quando não havia "footing", de forma a que automóveis pudessem recolher as pessoas que estivessem saindo da primeira sessão do Cine Ipiranga, que começava às 7 da noite e terminavam por volta das 21.  Um dos filmes exibidos na época pelo Ipiranga foi "Kirongozi, o Mestre Caçador", um documentário de 1957 que foi protagonizado por Jorge Alves de Lima, um caçador brasileiro que viveu muitos anos na África, no Quênia e Tanzania onde era conhecido como "Kirongozi", que significa "mestre caçador" no idioma local

Além do Ipiranga, os outros cinemas de nossa cidade eram o Ideal, Politeama, Marabá, República e Vitória - bons tempos...



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

BASQUETE: JUNDIAÍ BRILHOU NOS JOGOS PAN-AMERICANOS DE 1987

Oscar
Os Jogos Pan-Americanos, disputados em agosto de 1987 foram marcantes para o esporte brasileiro. 

Acostumados a dominarem os Jogos, os Estados Unidos brilharam ainda mais na competição que sediaram. Das 326 medalhas de ouro distribuídas em Indianapolis, 168 foram para atletas norte-americanos, que subiram 369 vezes ao pódio, mais do que Cuba e Canadá, segundo e terceiro colocados, juntos. 

Marcel, ainda bem jovem
No entanto, no basquete masculino, um dos orgulhos dos americanos, eles decepcionaram e acabaram perdendo para o Brasil em um dos momentos marcantes da história do esporte: foi a primeira vez que o time americano perdeu um jogo em casa, a primeira vez que foi derrotado em finais e  a primeira vez em que tomou mais de cem pontos diante de seus torcedores. Além disso, o Brasil quebrou uma invencibilidade de 34 partidas oficiais do time americano de basquete. 

O ouro ganho pelo Brasil foi um dos fatores que levaram os EUA a mais tarde convocarem atletas profissionais para  sua seleção, que chegaria ao ápice com o Dream Team de 1992.

O time brasileiro não assustava os americanos. Segundo seu técnico, bastava uma marcação forte em cima de Oscar e Marcel (um dos jundiaienses do time, ao lado de André e Maury, que não jogaram na final), que arremessavam com muita precisão.


Maury, já veterano
André e o técnico Ary Vidal
A linha dos três pontos havia sido  adicionada às regras do jogo há cinco anos; era ainda inexplorada por muitos. E foi assim que o Brasil venceu os EUA, explorando os arremessos de três de Marcel e Oscar, que havia anotado apenas 11 pontos no primeiro tempo, mas que no segundo, anotou 35. Encaixou nada menos do que seis bolas de três e terminou a partida com 46 pontos, tendo acertado 7 arremessos de 3 pontos, em 15 tentativas (46,7%). Marcel repetiu Oscar e marcou apenas 11 pontos na etapa inicial e mais    mais 20 na segunda etapa, terminando a partida com 31 (na época o jogo não era dividido em quartos, como hoje). Os dois, juntos, anotaram 55 dos 66 pontos do Brasil no segundo tempo.  

O jogo, disputado no dia 23 de agosto de 1987, terminou 120 a 115, com um primeiro tempo de 68 a 54 para os americanos - como dizem os fãs do esporte, "de virada é mais gostoso".

Aqui, um vídeo relembrando o jogo. 

domingo, 20 de agosto de 2017

REVOLUÇÃO DE 32 - TEMPOS DUROS...

A Folha da Manhã de 13 de agosto de 1932 trazia notícias a respeito de coletas que vinham sendo feitas para da suporte à Revolução então em andamento: os professores de Rocinha (Vinhedo) doaram um dia de salário, pessoas doavam dinheiro destinado à aquisição de capacetes de aço para os soldados. 

Mas o que mais chama a atenção era a coleta de tecidos de lã para a confecção de "carapuças" (abrigo para a cabeça) para proteger os soldados do frio; havia uma "Comissão para confeccionamento de fardamentos e acessórios para os soldados", que informava serem aceitos casacos de lão para serem desmanchados para a confecção das ditas carapuças.

Tempos duros...



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

EM 1930 A CRISE ESTAVA BRAVA E ATRAPALHAVA O AMOR E OS TAXISTAS

A Folha da Manhã, em sua edição de 27 de agosto de 1930 narrava como uma história de amor fora atrapalhada pela crise.

Miguel Marotti, um santista de 19 anos, apaixonou-se por uma "mocinha", casada, mas que maltratada pelo marido, fugiu com Miguel para nossa cidade. Aqui, o jovem começou a trabalhar em uma fábrica, que algum tempo depois, fechou em função da crise. 

O casal ficou em situação difícil e resolveu voltar para Santos, tendo ido à Polícia solicitar passes (passagens) para aquela cidade.

Os policiais, desconfiados, investigaram o casal, que acabou sendo preso e levado a Santos sob escolta, onde foi apresentado à Delegacia Regional. 

Ignora-se o que aconteceu depois, mas se na atualidade todos os protagonistas de histórias semelhantes fossem presos, iria faltar cadeia...  

Já naquela época, e ainda sem a concorrência do Uber, os taxistas (na época chamados "chauffeurs") também viviam tempos difíceis, como mostram desenhos de Belmonte, um dos maiores caricaturistas brasileiros, publicados na mesma edição: 


Os "grilos" eram os guardas de trânsito, assim chamados em função dos apitos que utilizavam ao dirigir o tráfego.

sábado, 12 de agosto de 2017

ROUBARAM UMA TONELADA DE POLENTA

Em outubro de 1989, o vereador Erazê Martinho requereu à Prefeitura informações sobre irregularidades havidas na mesma:



O prefeito Walmor Barbosa Martins respondeu listando os casos que vinham sendo apurados, quase todos referentes a furtos de materiais. Um, que vinha se arrastando desde 1986, se destacava por ser inusitado: 



Infelizmente não conseguimos mais informações a respeito do caso - provavelmente os Sherlocks da Prefeitura não conseguiram descobrir quem foram os autores da façanha. A foto abaixo pode dar uma pista...




quarta-feira, 9 de agosto de 2017

O CAMPEONATO PAULISTA DE BASQUETE DE 1932

A Folha da Manhã de 26 de fevereiro de 1932 noticiava o início do campeonato estadual de bola ao cesto - ainda não se usava a expressão "basquete", hoje consagrada.  

Participariam a Esportiva, de nossa cidade, o Palestra Itália (atual Palmeiras) de São Paulo, o Vasco da Gama de Santos  e a Ponte Preta de Campinas. 

Como pode ser perceber, era um campeonato "de tiro curto" - o Palestra venceu o Vasco por 52 a 4 e a Ponte, que venceu a Esportiva na primeira rodada por 22 a 15, fizeram a final, com vitória do Palestra por 21 a 15. 

Dois detalhes as equipes eram chamadas "turmas" e o escudo do Palestra tinha as letras em vermelho. 


Para termos uma ideia de outras atividades de lazer da época, o anúncio de um filme com os Irmãos Marx, que faziam grande sucesso na época:




domingo, 6 de agosto de 2017

UMA HISTÓRIA MUITO TRISTE

A Folha da Manhã, de 6 de dezembro de 1933 narrava uma caso muito triste, ocorrido em nossa cidade: uma senhora, em companhia de duas amigas dirigia-se à estação da Ingleza (nome pelo qual era conhecida a São Paulo Railway, depois Santos a Jundiaí), quando dela se aproximou uma desconhecida, acompanhada de duas meninas pequenas e com um bebê de cerca de um mês nos braços. 

Aproximando-se da senhora, a desconhecida entregou-lhe o bebê, dizendo "crie meu filho", indo em seguida, apressadamente, para a estação, onde tomou um trem que saia para São Paulo. 

Sem ação, as senhoras dirigiram-se à delegacia de polícia, que segundo o jornal tomaria "as providências que o caso requeria". 

Uma história muito triste e que deixa algumas dúvidas: quais foram as providências? O que aconteceu com a criança??? 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

EM 1915, "A CIGARRA" FALAVA DA CASCATINHA

A Cigarra foi uma revista publicada na cidade de São Paulo entre 1914 e 1975; era voltada mais para o público feminino e tinha um estilo elitista e pomposo.

Foram seus colaboradores Guilherme de Almeida, Monteiro Lobato, Paulo Mendes de Almeida, Oswald de Andrade, Leo Vaz, Paulo Setubal e outros escritores renomados.

Em uma de suas edições do ano de 1915, publicou a matéria abaixo:  


Jorge Kenworthy era industrial do ramo têxtil em Sorocaba; essa cascatinha é provavelmente a que existiu nos terrenos do quartel do 12º GAC e a estrada de rodagem mencionada é o que chamamos hoje de Estrada Velha - provavelmente fora antecedida por um simples caminho. 

Para dar um pouco mais do sabor da época, segue uma foto feita no Jockey Club de São Paulo e publicada na mesma edição da revista:

Vale lembrar que, naquela época, o Jockey ficava na rua Bresser, bairro da Mooca. 


segunda-feira, 31 de julho de 2017

TRENS JUNDIAÍ-SP: HOJE, PIORES DO QUE HÁ 150 ANOS!

A edição de 5 de fevereiro de 1867 do jornal Correio Paulistano publicava os horários dos trens de passageiros (que o anúncio chamava "viajantes") que correriam entre Santos e Jundiaí a partir de 16 de fevereiro daquele ano - o trecho São Paulo-Jundiaí (60 km) era feito em duas horas.


Decorridos 150 anos, a situação é a seguinte: 

1. Não há mais trens de passageiros entre Santos e Jundiaí;

2. A viagem São Paulo-Jundiaí, que, repetimos, durava duas horas há 150 anos, dura hoje entre duas horas e duas horas e meia, sendo necessário um transbordo (nome moderno para "baldeação") em Francisco Morato - isso quando tudo dá certo!

Isso é que é progresso!!! Os trens são mais bonitos, mas boniteza não resolve...

quinta-feira, 27 de julho de 2017

BRIGAS POLÍTICAS E NOMES DE PRAÇAS

A Folha da Manhã de 11 de setembro de 1935 relatava como brigas políticas estavam influenciando a denominação de praças de nossa cidade. 

Na época vivíamos a ditadura Vargas, São Paulo havia sido derrotado na Revolução Constitucionalista e os ânimos seguiam exaltados. 

A praça defronte a Catedral era chamada Praça Independência, e o Largo de São Bento era chamado Praça João Pessoa, em homenagem ao político homônimo, aliado a
João Pessoa
Getúlio e que fora assassinado em 1930 por João Dantas, um adversário político, por ter divulgado cartas de caráter íntimo trocadas entre Dantas e a poetisa Anaíde Beiriz, com quem mantinha um relacionamento. Dantas, Anaíde e outras pessoas a eles ligadas, morreram logo a seguir, sempre em circunstâncias suspeitas. 

Pedro de Toledo
Nesse cenário, os adversários do ditador Vargas propuseram mudar o nome da praça para Pedro de Toledo, um diplomata que, recém falecido, fora o governador do estado à época da Revolução e que deposto, havia sido preso e exilado.

Foi enviada ao Prefeito uma petição propondo a mudança, tendo este encaminhado-a ao Conselho Consultivo do município, que propôs uma solução que desagradou a muitos, mas que acabou prevalecendo: o nome de Pedro de Toledo foi dado à Praça da Independência e o Largo de São Bento voltou a ser chamado pelo seu nome original - Praça João Pessoa foi um nome que "não colou".

O fato é que o tema realmente gerou polêmica, a ponto de o jornal ter afirmado que "os politiqueiros de uma ou outra parte rebaixaram o nível elevado de elegância em que sempre pairou a política de nossa terra"...


segunda-feira, 24 de julho de 2017

MARÇO DE 1956: ERA INAUGURADA A FÁBRICA DA DURATEX

A Folha da Manhã de 25 de março de 1956 anunciava a inauguração da fábrica de chapas da Duratex em nossa cidade. Era a primeira fábrica desse produto a entrar em operação no Brasil - o produto disponível em nosso mercado era importado da Suécia, país onde se localizava a Desfibrator, empresa que forneceu os primeiros equipamentos para a fábrica de Jundiaí. As chapas são produzidas a partir de eucalipto.

Como aconteceu com as palavras gilete e durex, por exemplo, que de marcas passaram a designar um determinado produto, duratex passou a designar as chapas que originalmente eram chamadas "hardboard".

A empresa cresceu rapidamente, sob a direção de Olavo Setúbal, mais tarde prefeito de São Paulo, Ministro de Relações Exteriores e presidente do grupo Itaú: já em 1957, exportava suas chapas para os Estados Unidos.


No início da década de 1960 a empresa passou a expandir-se: a fábrica de Jundiaí foi duplicada, novas fábricas foram abertas, áreas de plantação de eucaliptos adquiridas, e novos produtos foram lançados, tendo a empresa entrado em diversas áreas, especialmente na de louças e metais sanitários.

Em 2010, a Duratex fechou sua fábrica pioneira, por estar a mesma obsoleta e por problemas de natureza ambiental - situada às margens do Rio Jundiaí, a fábrica poluia esse curso de água, que já naquela época vinha sendo recuperado - hoje sua água já pode ser consumida. Diz-se que quando a desativação da fábrica começou a ser discutida, Olavo Setúbal rechaçava a ideia, dizendo "não se esqueçam que foi lá que tudo começou" - após sua morte em 2008, a ideia foi à frente. 

As fotos acima, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostram uma visão geral da fábrica, depois de 1966 quando foi construído o viaduto Sperandio Pelliciari e uma visão de sua Portaria.

A empresa, que ainda possui uma fábrica cerâmica em nosso Distrito Industrial, marcou a vida de muitos jundiaienses - seu fechamento foi lamentado por toda a cidade.   

quinta-feira, 20 de julho de 2017

RUA JOÃO TRAMONTINA: HÁ QUASE MEIO SÉCULO ESPERANDO PELO ALARGAMENTO...

A Rua João Tramontina é uma rua muito estreita, situada no bairro de Vila Rami, ligando as ruas Cica e Bom Jesus de Pirapora e que recebe um tráfego muito intenso. Seu nome homenageia um dos pioneiros do bairro, havendo ainda muitos membros da família residindo na região.  

No inicio da década de 1970, falava-se em seu alargamento, tema que foi objeto de consulta do então vereador José Sílvio Bonassi (foto ao lado) à Prefeitura. 

Decorrido quase meio século, construídos vários edifícios nas suas proximidades, a João Tramontina recebe hoje um tráfego muito maior  e... continua igual!



terça-feira, 18 de julho de 2017

PROIBIR FOGOS DE ARTIFÍCIO NÃO É UMA IDEIA NOVA

Nossa Câmara Municipal rejeitou recentemente projeto de lei que pretendia proibir a soltura de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos de efeito sonoro. Foram 12 votos contrários, 5 favoráveis à proposta e uma abstenção. 

Mas o assunto não é novo: já em junho de 1956, o então vereador Tarcísio Germano de Lemos fazia solicitação similar, que, ao que parece, também não foi aceita. 

Interessante na solicitação a menção aos fogos que o vereador queria proibir: traques, espanta-coiós e pipocas. Descobrimos que espanta coíós são fogos que quando acesos, produzem estalos e faíscas e que traques são pequenas bombas de riscar, parecidas com fósforos. Quanto às pipocas, se alguém souber algo a respeito, por favor nos avise. 



sábado, 15 de julho de 2017

21 DE MAIO DE 1969: O GENERAL ANDRADA SERPA ASSUME O COMANDO DA AD/2


Até há alguns anos, nosso Exército organizava suas unidades operacionais em "Exércitos" - foram quatro. Cada Exército, comandado por um General de Exército, tinha uma divisão de infantaria (DI) comandada por um General de Divisão. Nas DI, as unidades de infantaria propriamente ditas compunham sua Infantaria Divisionária (ID) e as  unidades de artilharia sua Artilharia Divisionária (AD), ambas comandadas por Generais de Brigada. O II Exército e sua DI, sediados em São Paulo, tinham o Quartel General de sua Artilharia Divisionária em Jundiaí, ocupando parte do quartel situado no centro da cidade - era o chamado QG da AD/2, que compreendia o então 2º GO 155 (hoje 12º GAC) e o então 2º RO 105 (hoje 2º GAC L), aquartelados em Jundiaí e Itu, respectivamente. Em 21 de maio de 1969, assumiu o comando da AD/2 o então General de Brigada Antonio Carlos de Andrada Serpa. Nascido em Barbacena no ano de 1916, o general Serpa teve uma longa carreira no Exército - participou da 2ª Guerra Mundial como capitão, foi adido militar na França e atingiu o mais alto posto da carreira, o de General de Exército, no qual, como chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército (DGP) fez parte do Alto Comando do Exército. 

Filho de militar, teve três irmãos também militares. Um deles, Alípio Napoleão, dois anos mais novo, morreu no afundamento do navio mercante Itagiba, atacado pelo submarino alemão U-507 no litoral da Bahia - o Itagiba transportava para Recife o 7º Grupo de Artilharia de Dorso, unidade onde servia o então 1º Tenente Alípio, que ajudou a salvar seus companheiros de armas e acabou gravemente ferido, atingido pela queda da chaminé do navio sobre a baleeira em que deixava o Itagiba. Foi transferido para outro navio, o Arará, que foi a seguir torpedado pelo mesmo submarino - desta vez, o Tenente não conseguiu se salvar. Luiz Gonzaga, outro irmão chegou ao posto de coronel e outro, José Maria também foi General de Exército, falecendo ainda no serviço ativo quando era chefe do Estado Maior das Forças Armadas, cargo à época de nível ministerial. 

O General Serpa era conhecido como "Serpa Louro", para diferencia-lo de seu irmão José Maria, este o "Serpa Preto". Muito querido por seus subordinados, tinha uma aparência peculiar: muito alto, usava grandes bigodes e costeletas e fumava cigarros de palha. Sempre muito interessado em política, era um ferrenho nacionalista, anticomunista e opunha-se à presença de capitais e costumes estrangeiros no país, acreditando que acabariam minando o Brasil. Era contrário ao alinhamento automático com as posições definidas pelos Estados Unidos. Não escondia suas opiniões, o que acabou lhe custando algumas punições disciplinares e finalmente a chefia do DGP.

Em 1988, seu nome chegou a ser cogitado pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN) para concorrer no pleito presidencial de 1989, mas a agremiação acabou se decidindo por Celso Brandt. Como eleitor, apesar de divergências de cunho ideológico,  Serpa votou em Leonel Brizola no primeiro turno e em Luís Inácio Lula da Silva no segundo turno - as eleições acabaram sendo vencidas por Fernando Collor.

O General Andrada Serpa faleceu em 1996; para encerrar, matéria da revista Veja acerca de sua saida do DGP: 





quarta-feira, 5 de julho de 2017

A PATINAÇÃO E O HÓQUEI JÁ FORAM POPULARES EM NOSSA CIDADE

Em 1932 a patinação era popular em nossa cidade, sendo praticada em "rinques"; dois destes estabelecimentos eram os Rinques Rosário e Ideal; não temos informações sobre a localização desses espaços, mas é razoável acreditar que um deles se situava na Rua do Rosário e o outro onde se instalou depois o Cine Ideal, cuja área foi posteriormente integrada à sede central do Grêmio CP.
Nos rinques, além da patinação a título de lazer eram realizados concursos de patinação, corridas e como descobrimos com surpresa, jogos de hóquei. Naquele ano, como noticiava a Folha da Manhã, existia  ao menos uma equipe de hóquei sobre patins em nossa cidade, o Ideal Hóquei Clube - o jornal noticiou uma partida do time de nossa cidade contra o Vergueiro Hóquei Clube, de São Paulo - os visitantes ganharam por 8 a 6.  


Esse esporte é disputado por times formados por cinco jogadores, sendo um o goleiro - o objetivo É marcar gols batendo na bola com um bastão (o stick) - a bola é de borracha dura, podendo atingir altas velocidades; por essa razão o goleiro usa capacete e proteção corporal. Espanha e Portugal são os países onde o esporte é mais popular. No Brasil, o Sertãozinho Hóquei Clube é o maior ganhador de títulos nacionais: foi campeão 19 vezes. Em 2017, o campeão brasileiro (invicto) foi a  Portuguesa de Desportos - uma das equipes da Lusa está na foto abaixo. Na atualidade, está sendo organizada uma Liga Brasileira de Hóquei.








domingo, 2 de julho de 2017

JUNDIAI E A RETIRADA DA LAGUNA

Soldados brasileiros participantes da Guerra do Paraguai
Em outro post narramos que tropas do Exército que se participariam da Guerra do Paraguai passaram por nossa cidade.

Essas tropas , mais tarde, participaram da Retirada da Laguna, um trágico episódio em que nossas tropas, sem armas, munições e suprimentos e assoladas pelo cólera,  tiveram que retirar-se diante de um inimigo mais forte. Foi um dos mais trágicos episódios de nossa história militar. 

Em 6 de outubro de 1937, a Folha da Manhã noticiava uma cerimônia em homenagem aos participantes da Retirada, inclusive mencionando o assentamento de um marco comemorativo provisório, que seria substituído por um obelisco que seria produzido pelo Prof Sylvio Graziani, um renomado escultor que vivia em nossa cidade.


Seria interessante saber por que o referido obelisco acabou não sendo erigido. Não seria uma boa ideia fazer-se algo agora? 

Como curiosidade, vale registrar que o promotor da homenagem, o então major Amilcar Salgado dos Santos, que terminou sua carreira no Exército como general, era também um historiador, tendo deixado diversos livros.

Também é interessante observar, como narra o artigo, que à época estava aquartelado em Jundiaí o 6º Batalhão de Caçadores; o então 2º Grupo de Artilharia de Dorso (hoje 12º GAC) estava operando na região de Laguna, Santa Catarina; esta, sem qualquer conexão com a Laguna da Retirada, que fica em Mato Grosso. Ali  permaneceu oito meses em missão de pacificação, restabelecendo a autoridade constituída e a unidade nacional ameaçadas por movimentos revolucionários surgidos no sul do País.

O velho quartel do centro da cidade, provavelmente nos anos 1920 (acervo do Prof. Maurício Ferreira)