sábado, 20 de maio de 2017

1929: BRIGA DE NAMORADOS GERA CONFLITO NA VILA RIO BRANCO

Em sua edição de 26 de julho de 1929, a Folha da Manhã noticiava um conflito ocorrido na Vila Rio Branco, que o jornal dizia ser um bairro ainda em formação - a causa, intriga.

Luiz, que o jornal descrevia como um moço robusto, "estava de rixas" com sua namorada, Angelina. Ao passar próximo a outra Angelina, "insultou-a, como causadora da intriga" que causou a briga com a namorada. 

Essa Angelina, queixou-se aos pais, João e Elvira, que foram tomar satisfações com Luiz. Naquele momento, Luiz e a namorada conversavam; quando este percebeu a aproximação de João, "deu-lhe um forte pescoção", atirando-o ao chão.  Também "vibrou forte pancada na indefesa mulher", atirando-a também ao chão; na queda, esta feriu o joelho, o nariz e a testa. Em seguida, fugiu.

Elvira precisou passar pelo Hospital São Vicente, onde recebeu curativos. 

O bairro começava bem!!!








terça-feira, 16 de maio de 2017

CICA: FOGO NA CANJICA DESDE 1941

Tendo iniciado suas operações em 1941, a CICA já era em 1942 uma empresa de porte: anunciava em um dos mais importantes jornais brasileiros da época, a Folha da Manhã de 16 de julho de 1942, que comprava tomate, em qualquer quantidade, para fabricar seu "afamado extrato de tomates marca ELEFANTE".

Novidade para a época, comprava safras futuras e fornecia sementes, adubos e embalagens, além de dar apoio técnico aos lavradores. 

Realmente, uma empresa que deixou saudade.


A foto mostra a  caldeira da CICA em 1943 - ela era responsável pela produção do vapor que movimentava toda a fábrica. A expressão "Fogo na Cangica", gíria dos anos 1940, acabou sendo amplamente utilizada pelo pessoal que ali trabalhou, mesmo muito mais tarde, no sentido de "vamos em frente, rápido, com vigor". 

A foto é do acervo do Prof. Maurício Ferreira. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

ALEXANDRE SICILIANO, A CIA MECHANICA, O GASOGÊNIO E A SIFCO

Alessandro Vincenzo Siciliano (San Nicola Arcella, 17 de maio de 1860 — Rio de Janeiro, 19 de fevereiro de 1923) foi um verdadeiro pioneiro em muitos ramos de atividade. Filho de uma família muito pobre veio para o Brasil em companhia do seu cunhado, com a idade de 9 anos. Logo começou a trabalhar no comércio, com muito sucesso. Patenteou uma máquina para beneficiar café e arroz, que teve muito sucesso. Foi banqueiro, dirigente de entidades de classe e filantropo. Dentre seus descendentes, está a hoje Senadora Marta Suplicy.


Fundou a Companhia Mechanica e Importadora, que teve fábrica em Jundiaí, no local onde hoje se encontra a Sifco, que nasceu em 1958, produto de associação da Mechanica com empresas americanas. A Mechanica teve suas origens na Ferraria Agrícola, uma empresa que fabricava ferramentas como enxadas, picaretas e outras do mesmo tipo e fora fundada pelo suiço Frederico Vigel - quando menino, ao dizer alguma asneira ouvia de minha Nonna Maria: "vá trabalhar na Agrícola...". 



Além de ferramentas, a Mechanica fabricou um gasogênio, aparelho que produz gás combustível para alimentar motores de combustão interna, especialmente de veículos automotores. Foi muito utilizado no Brasil à época da 2a. Guerra Mundial, quando o petróleo foi severamente racionado. O anúncio ao lado menciona uma prova para veículos movidos a gasogênio realizada entre as cidades de São Paulo/São Roque/Sorocaba/Itu/Campinas/Jundiaí/São Paulo no ano de 1943; a velocidade média foi de cerca de 54 km/hora e o consumo de carvão de 350 gramas por km. 



O Conde Siciliano viveu em um palacete da Avenida Paulista, que comprara em 1911. O imóvel foi projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo e acabou sendo demolido nos anos 1970 - localizado na esquina da Alameda Joaquim Eugênio de Lima, o imóvel deu lugar ao Edifício Winston Churchill. No portal "São Paulo Antiga", há mais informações e fotografias do palacete - vale a pena uma visita a ele!


Seu falecimento causou grande consternação na cidade de São Paulo, o que levou uma grande multidão a aguardar a chegada do corpo, na Estação da Luz, para render suas últimas homenagens. Da Estação, o féretro foi à igreja do Liceu Sagrado Coração de Jesus, onde foi celebrada uma missa pela sua alma. Após o encerramento da cerimônia o corpo foi levado ao  Cemitério da Consolação, onde foi sepultado - seu  túmulo está na rua 22, lotes 3 e 4. O convite da Associação Comercial para o féretro e uma foto de seu túmulo estão abaixo.









segunda-feira, 8 de maio de 2017

O BANCO SCAVONE - UM BANCO DE NOSSA REGIÃO

Em 12 de abril de 1957 foi inaugurada a agência do Banco Scavone em nossa cidade. O patriarca da família Scavone foi o italiano Luiz Scavone (1873-1955), que chegou ao Brasil aos 14 anos de idade. Muito pobre, teve inúmeros empregos, mas graças ao seu tino comercial acabou tornando-se um grande industrial, comerciante e banqueiro, radicando-se em Itatiba.

O Banco Scavone, fundado por ele em 1952, teve agências em diversas cidades da região:  Itatiba, Morungaba, Jundiaí, Jarinu, Valinhos, Louveira e Bragança Paulista; a matriz ficava em São Paulo. O Banco foi fundado como Casa Bancária Scavone SA, tendo em 1954 assumido sua denominação definitiva. 

O Banco, em dificuldades, foi incorporado pelo Banco Nacional em 1962 - tinha então 8 agências e era dirigido por Paschoal Scavone, filho do fundador.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

1929: CRIME DE MORTE NO LARGO DE SANTA CRUZ

Não é de hoje que o álcool gera tragédias. A Folha da Noite, em sua edição de 8 de outubro de 1929 - há quase 90 anos, noticiava um crime de morte ocorrido no Largo de Santa Cruz, quando dois "alcoólatras inveterados", como disse o jornal, começaram a discutir e em seguida, a brigar. 

Como acontece frequentemente, um terceiro tentou separar os briguentos; um destes, sacou uma arma e atirou, ferindo gravemente Antonio de Andrade, que tentava separa-los; levado ao Hospital São Vicente, Andrade não resistiu vindo a falecer. 

A foto, do acervo do Prof. Maurício Ferreira, mostra o Largo à época, com destaque para a igreja e para o obelisco erigido em comemoração do centenário de nossa independência. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O SARGENTO TRANSFERIDO (E PRESO)

No início de 1963, a cidade mobilizava-se contra a transferência do 3º Sargento Salvador Pereira, então comandante do Destacamento da Força Pública (hoje Polícia Militar) em nossa cidade. 

O Destacamento era subordinado ao 8º Batalhão da Força Pública, sediado em Campinas, que em função de denúncias recebidas, abriu uma sindicância contra o Sargento, concluindo que o mesmo favorecia alguns de seus comandados na distribuição de serviços. Sua pena? Transferência para a sede do Batalhão e 4 dias de cadeia...



sexta-feira, 28 de abril de 2017

O ESPORTE CLUBE MEIA LUA

Em 27 de maio de 1959 o então vereador José Pedro Raimundo, pessoa muito ligada ao esporte, propunha um voto de congratulações ao Esporte Clube Meia Lua, pelo fato do clube estar completando dois anos.

Em 2 de junho do mesmo ano, o clube oficiava à Câmara agradecendo, através de ofício assinado por seu presidente Luciano Milani. 

Naquele ano, o clube disputava os campeonatos promovidos pela  Liga Jundiaiense  de Futebol de Salão. A foto abaixo mostra a equipe naquele ano, mostrando, em pé: o treinador Nivaldo Camargo e os jogadores Milton, Careca, Alceu Rossi e Marcilio Bi, além do presidente Luciano. Agachados, os jogadores, Mario, Gil, Bira Chagas e Paulinho. A foto vem do acervo do Prof. Norival José da Silva, renomado esportista jundiaiense. 





Naquele mesmo ano, o clube ganhou o campeonato juvenil de nossa cidade - a foto abaixo (do acervo de José Milton Tarallo) mostra a equipe, composta, entre outros, pelos jogadores  Tarallo, Bira Chagas, Paulinho Boaventura, Alceu Rossi, Milton, Tonhão, Carlinhos Biazzi, Joaquim e Pito. 


Em 1960, o clube ganhou o Campeonato Aberto de voleibol de nossa cidade - em segundo lugar, ficou o Caramuru, equipe do então 2º GO 155, hoje 12º GAC.


segunda-feira, 24 de abril de 2017

O JAZZ ORIENTAL - UMA 'BANDA' DE NOSSA CIDADE FAZENDO SUCESSO NA CAPITAL


No passado, aquilo que hoje é conhecido como "banda" era chamado "jazz". Era um conjunto musical que não necessariamente tocava jazz - em outro post, falamos da participação do grupo em evento de nossa cidade.

Em nossa cidade, existiu o Jazz Oriental, que foi objeto de notas no jornal Folha da Manhã de  18 de dezembro de 1931. 

O jornal promovia uma exposição para a qual convidava grupos musicais - segundo a Folha a Corporação Musical Ítalo-Brasileira dera um concerto no Jardim da Luz - talvez o grupo fosse muito grande para se exibir na sede da exposição, que ficava na Rua São Bento, no centro da capital, como fez o Oriental. 

A notícia mencionava os componentes do Oriental: Luiz Chiavegatti, Joaquim César, Augusto Hungaro, Aquilino Cunha, Attilio D'Angieri, Antonio Camillo, Benedicto Camargo (ao que parece foi presidente do Clube 28 de Setembro), José Del Porto Silva e Euclydes Ventura.

Infelizmente, não conseguimos outras notícias sobre o grupo.


quinta-feira, 20 de abril de 2017

CORRIDA DE TAMANCOS NA VILA ARENS - 1937

A Folha da Manhã, em sua edição de 10 de outubro de 1937 noticiava a corrida de tamancos a ser realizada naquele dia pelas ruas de Vila Arens.

Essa manifestação era mais uma brincadeira, uma confraternização, do que propriamente um evento esportivo - a Banda Ítalo estaria presente. 

Os competidores correriam calçando tamancos - esse tipo de corrida tem origens européias; na Alemanha, são chamadas Holzschuhlauftwette.


Interessante, verificar os prêmios que eram oferecidos por estabelecimentos comerciais: taças, medalhas, bebidas, gravatas etc. 

Entre os concorrentes, membros de famílias tradicionais de nossa cidade: Adriani, Sacramoni, Marcansola, Barchetta, Wood, Peralli, Amoroso, Gramorelli, Rabello e outros.  

O vídeo abaixo dá uma ideia de como são essas corridas:



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segunda-feira, 17 de abril de 2017

VEREADOR PROPÕE ILUMINAÇÃO "FOSFORECENTE"

Em novembro de 1962, o Vereador Nelson Chacra apresentava uma indicação à Prefeitura no sentido de que as ruas Barão de Jundiaí e do Rosário recebessem "iluminação fosforecente". Será que o Vereador  quis dizer fluorescente??? E que não é fosforecente mas sim fosforescente?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

VICENTE BRETERNITZ: UMA VIDA DEDICADA À FAMÍLIA, À CARIDADE E AO TRABALHO

Vicente Breternitz nasceu no dia 6 de agosto de 1891, em Campinas. Muito jovem, passou a fazer parte do quadro de funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, tendo logo a seguir sido transferido para Rio Claro. Nessa cidade, casou-se com Eliza Travitsky – desse casamento nasceram sete filhos. 

No início dos anos 30, foi transferido para Jundiaí. Atuou no movimento sindical e de forma muito intensa, na área de assistência aos carentes, tendo sido um dos fundadores e primeiro Diretor Tesoureiro do Instituto Luis Braille e, durante muito tempo, Presidente do Lar Anália Franco (a mais antiga Instituição Assistencial de Jundiaí).

Presidiu também durante muitos anos, o Centro Espírita Fraternidade, tendo durante esse período  construído o prédio  do Albergue Noturno, que funcionava à rua Rangel Pestana; foi também Presidente dessa entidade. 

Em 1963, o Albergue estava sendo declarado de utilidade pública. Para isso, foi necessária a elaboração de um relatório apresentando a situação da entidade, então presidida por ele,  que assinou o relatório, o qual pode ser visto aqui. 
 
Note-se que nos anos 1929, ainda em Rio Claro, fora um dos dirigentes do Centro Espírita Fé e Caridade.

Faleceu em Campinas no dia 16 de agosto de 1982.

O Lar Anália Franco funcionou durante muito tempo em um casarão (foto abaixo) situado na esquina das ruas XV de Novembro e São Bento - nesse casarão residiu o também ferroviário e esportista Thomas Archibald Scott, de quem já falamos em outro post. 



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segunda-feira, 10 de abril de 2017

1943: O PREFEITO DE JUNDIAÍ É ASSASSINADO

Desde 1938  prefeito de Jundiaí, o farmacêutico Manoel Aníbal Marcondes foi assassinado - sofreu um atentado a tiros em 20 de novembro de 1943, vindo a falecer no dia 22.

O assassino foi um militar do Exército que, portador de problemas mentais, fora afastado do serviço ativo. As causas do crime nunca foram completamente esclarecidas.

O crime ocorreu no início da noite; o assassino entrou na farmácia de propriedade do Prefeito que ficava na esquina das ruas do Rosário e Bernardino de Campos, e disparou três tiros; a seguir, atravessou a Rosário e no jardim da Catedral tentou o suicídio usando um punhal. 

Abaixo, uma foto do Prefeito examinando a safra de uvas de 1939, no bairro do Caxambu. A foto é do acervo do Prof. Maurício Ferreira.




sexta-feira, 7 de abril de 2017

DELÍRIO: UM LAGO EM VILA ARENS!


O Vereador
Propostas um tanto amalucadas volta e meia saiam (e continuam saindo) de nossa Câmara Municipal. 


O Prefeito
Em 1949, o então vereador Jurandir Rocha propunha a criação de um lago "nas baixadas da Vila Arens", aproveitando as águas do Rio Guapeva. A ideia era que o lago fosse povoado com "várias especimens (sic) de peixes nacionais", que serviriam para abastecer a população, "atendendo o problema da piscicultura (sic) jundiaiense"...

O vereador fora eleito pelo PSP com 320 votos; era dentista, com consultório à rua do Rosário 73.

A proposta foi enviada formalmente à Prefeitura, à frente da qual estava o arquiteto Vasco Antonio Venchiarutti, que com fina ironia respondeu ao vereador: "tenho a subida honra de comunicar a V. S. que logo que disponha de recursos convenientes será executada tão útil sugestão"...




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quinta-feira, 6 de abril de 2017

A FEBRE AMARELA VOLTA À REGIÃO


                                            A febre amarela é uma doença infecciosa grave, que pode levar à morte em casos extremos; é causada por vírus e transmitida por vetores.     Geralmente, quem contrai o vírus não chega a apresentar sintomas ou os mesmos são muito fracos. As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela. Como a transmissão urbana da febre amarela só é possível através da picada de mosquitos Aedes Aegypti , a prevenção da doença deve ser feita evitando sua disseminação. Pessoas que vivem ou viajarão para áreas afetadas, devem vacinar-se.                                                          

Nessa época, em que a doença volta a manifestar-se em nossa região, cabe relatar fatos que nos foram trazidos pela imprensa em 1937, quando a doença fez muitos estragos por aqui, inclusive causando mortes - 8 em Rocinha (hoje Vinhedo) e uma no bairro do Retiro, em Jundiaí.

A ideia é que todos cuidemos de nosso entorno, evitando a proliferação do Aedes Aegypti

terça-feira, 4 de abril de 2017

ANÚNCIOS ANTIGOS: A "PREMIADA FÁBRICA DE CADEIRAS GUIDO PELLICIARI"

A "Premiada Fabrica de Cadeiras Guido Pelliciari" anunciava seus produtos na edição da Folha da Manhã de 24 de janeiro de 1937. 

A fábrica ficava em um terreno delimitado pelas ruas Brasil, Visconde de Taunay, Francisco Teles e Wately, em Vila Arens - o terreno é ocupado hoje por dois edifícios residenciais que levam o nome de Guido e Carolina Pelliciari.

É curioso observar que o anúncio dava como endereço da empresa "Estrada de Rodagem São Paulo" - era a antiga Estrada Velha, hoje Rua Brasil.

sábado, 1 de abril de 2017

JUDAS CAUSARAM PROBLEMAS EM 1952

A Malhação ou Queima do Judas é uma manifestação popular bastante antiga que ocorre em diversos países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de Judas Iscariotes, que traíra Jesus Cristo.

Consiste em surrar e depois atear fogo a um boneco do tamanho de um homem, recheado de  trapos, serragem ou papeis, quase sempre ao meio dia; o boneco normalmente é pendurado a um poste ou árvore. No Brasil, é comum construir os bonecos com máscaras e roupas de políticos, personagens ligados ao futebol ou outros que estejam sofrendo críticas do povo. 

Aproximando-se essa data, vale lembrar fatos ocorridos no Centro de nossa cidade no ano de 1952, e que foram objeto de preocupação do vereador Alberto da Costa, conforme texto de indicação apresentada por ele à Câmara de Vereadores em 25 de março de 1953: 




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quarta-feira, 29 de março de 2017

1938: ACIDENTE COM ARMA DE FOGO MATA UMA CRIANÇA.

A Folha da Manhã em sua edição de 25 de junho de 1938 noticiava uma tragédia: dois dias antes, dois irmãos, um de sete e outro de três anos, na ausência dos pais, brincavam com uma garrucha que haviam tirado de uma gaveta, em sua residência no bairro do Tijuco Preto. 

Ai, aconteceu a tragédia: a arma disparou, atingindo o menino mais velho na testa, matando-o instantaneamente. 

Fatos como estes devem servir de alerta àqueles que pedem maior liberdade para posse e uso de armas de fogo - uma desatenção pode gerar uma tragédia.


sábado, 25 de março de 2017

O 2º GRUPO DE ARTILHARIA DE MONTANHA EM 1931

Em  4 de agosto de 1931 o jornal Folha da noite trazia matéria acerca do então 2º Grupo de Artilharia de Montanha, hoje 12º GAC.

A unidade era comandada pelo então tenente coronel Sebastião do Rego Barros, que exerceu posteriormente importantes funções em nosso Exército.

Em 1938, apesar de não preencher todas as condições para tal, foi promovido a general de brigada - no decreto que o promovia, era dito tratar-se de um militar enérgico, decidido, inteligente e firme nas suas decisões, e que nas funções que exerceu como coronel, comandando o 1º Regimento de Artilharia, as 2ª e 3ª Brigadas de Artilharia,  e a Inspetoria de Defesa de Costa, demonstrou ser um chefe de raciocínio pronto, hábil em conquistar seus comandados pelo exemplo, reto e constante nas suas atitudes. A promoção foi caracterizada como uma medida de exceção. 

A matéria relata as melhorias efetuadas pelo comandante no velho quartel do centro da cidade, e menciona inclusive a criação de uma banda, mais precisamente um "jazz band" que chegou a tocar em uma festa da qual participou o Príncipe de Gales, futuro Rei da Inglaterra, que elogiou o grupo.

Era o fiscal da unidade o então major Raul Mendes de Vasconcellos, que como coronel comandou a Escola de Educação Física do Exército e faleceu em 1961, tendo também chegado ao generalato. 

A reportagem menciona o então capitão Zeno Estillac Leal, que também teve uma carreira brilhante no Exército - no 2ºGAMth, comandou  a 1ª BO e exerceu em diferentes ocasiões as funções de comandante e de subcomandante do grupo. Estagiou nos Estados Unidos, comandou o então 1º Grupo de Artilharia da Costa, sediado na Fortaleza de São João, no Rio de Janeiro.  Foi adido militar em Buenos Aires e comandante da AD/2.

Seguiu exercendo funções importantes, como a de comandante do então IV Exército e do Estado Maior do Exército, do qual se retirou em 1958 ao passar para a reserva no posto de Marechal. Faleceu em 1983.

Pelo conteúdo da matéria pode-se constatar o alto nível dos militares que tem passado pelo hoje 12º GAC.



    

quarta-feira, 22 de março de 2017

O CAPA PRETA

Em sua edição de 23 de agosto de 1934, a Folha da Manhã transcrevia nota publicada em 16 do mesmo mês pelo jornal A Comarca, de nossa cidade.

Segundo a nota, um indivíduo mascarado e vestindo uma capa preta, perseguia as funcionárias das indústrias têxteis, que em sua maioria situavam-se no bairro de Vila Arens e que deixavam o trabalho por volta das 22 horas. 

O jornal dizia que o bairro estava em polvorosa, tendo algumas jovens afirmado que duas delas foram perseguidas pelo Capa Preta até a Rua Rangel Pestana, no centro da cidade. 

O jornal punha em dúvida esse fato e até mesmo a existência do Capa Preta, pois dizia que até mesmo os vagabundos que perambulavam pelas ruas eram convidados a deixar a cidade ou iriam dormir no xadrez. 

Para encerrar: minha avó falava  desse personagem, e dizia ter certeza de sua identidade - seria um de nossos parentes!

Quem? Não podemos dizer, pois seus descendentes ainda estão entre nós...

sábado, 18 de março de 2017

DEMISSÕES NA FÁBRICA SÃO BENTO

A Juventude Operária Católica foi fundada em 1923 na Bélgica e logo chegou ao Brasil, embora só tenha adquirido maior importância em nosso país nos anos 1940. Declarava ter como missão "a libertação dos jovens trabalhadores e trabalhadoras; ser testemunha da presença libertadora de Jesus e do projeto de Jesus Cristo no seio da classe operária".

Seu jornal "O Trabalho" publicou em maio de 1949 uma matéria sobre a demissão de 70 trabalhadores da Fábrica de Tecidos São Bento, provocada, de acordo com a empresa por queda nas vendas. 

No início da década de 1960, a JOC cerca de 25 mil membros em nosso país e seu jornal mensal alcançou uma tiragem de 40 mil exemplares.  Tendo optado por uma ação voltada para a política partidária, foi perseguida após 1964, com muitos de seus membros presos; na atualidade, sua expressão é pequena. 

Quanto às demissões, infelizmente vivemos um cenário bastante semelhante. 


quarta-feira, 15 de março de 2017

1950: INAUGURADO O PRIMEIRO SEMÁFORO DE JUNDIAÍ


Em 25 de setembro de 1950 Jundiaí dava mais um passo rumo ao progresso: na esquina das ruas do Rosário e Bernardino de Campos foi inaugurado o primeiro semáforo de nossa cidade. 

O detalhe é que o aparelho era chamado "sinal luminoso", e para sua instalação, hoje de responsabilidade da Prefeitura, foi necessário recorrer ao Serviço de Trânsito do Estado. 

sábado, 11 de março de 2017

1948: - O PROF. JOAQUIM CANDELÁRIO DE FREITAS DENUNCIA: AÇOUGUEIROS E PADEIROS EXPLORAM O POVO

Joaquim Candelário de Freitas (1907-1969) foi um célebre professor em nossa cidade, tendo atuado nas escolas Padre Anchieta, Luiz Rosa e SENAI. Seu nome foi dado ao viaduto que liga o centro da cidade à Vila Rio Branco e a uma rua em Várzea Paulista. Estudou no Seminário Menor de Pirapora e graduou-se em Filosofia pela Escola Superior de Filosofia, em São Paulo. Foi redator-chefe do jornal " O Porvir", que circulou em nossa cidade nos anos 1920/1930.

Dedicou-se também à política, tendo sido vereador durante muitos anos. Muito combativo, utilizava uma linguagem rebuscada em documentos oficiais. Exemplo dessas características, está no requerimento abaixo, de 1948, em que combatia os preços altos praticados por padeiros e açougueiros de nossa cidade, que também roubavam no peso:

Vemos expressões como "volúpia satânica de matar o povo à fome", "casta vulturina" (grupo de abutres) e "apetites voraginosos dessa sanguissedenta classe" - eram características do vereador e da linguagem usada à época...

O requerimento termina pedindo que a Câmara solicitasse ao Prefeito, de forma enérgica, a tomada de medidas radicais acerca do assunto:  

Tudo isso no mesmo estilo, dizendo que os padeiros e açougueiros eram assaltantes que impunemente atacavam "o Povo, esse eterno e indefeso viajante da longa estrada da vida".

O requerimento foi aprovado pelos vereadores e enviado ao Prefeito - o que aconteceu depois, não sabemos...